quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

2009, VEM NI MIM!

Eu li na Gloss de dezembro num texto de fim de revista uma coisa muito legal sobre essa coisa de fim de ano. Resoluções, mudar radicalmente o visual, matricular na academia e ir ao oculista, tudo isso não passa de um ritual que a gente repete a cada final de ano, quase tão substancial quanto visitar todos os parentes e a meia noite do dia 25 e 1º comer uma carne assada que ficou esquentando a cozinha o dia inteiro e depois se empanturrar com as sobremesas que alguma tia fez.

E apesar de tudo e mesmo sabendo que como disse Bruno Medina em seu blog nada de tão radical vá acontecer, e que é só mais uma folhinha do calendário que estamos virando, já já vem o carnaval pra infernizar nossos ouvidos, e depois entra o campeonato brasileiro e aquele blablabla anual, um crime que a impressa fará sensacionalismo como foi clássico em 2008 (Isabella Nardoni e Eloá já estão enterradas, pelamor) e eis que temos 2009; eu ainda amo ano novo, faço listas, me matriculo na academia e prometo deixar de comer tanto chocolate. Todo mundo precisa dessas doses de otimismo todo ano pra viver bem, e acreditar piamente que a crise não é assim tão grande. Imagina, economistas afirmam que já é maior que a de 29. Ponto.

Meu ano novo foi ótimo, em família, na casa de vovó, como todo ano. Quem assumiu a cozinha foi papai (!) que fez um peixe com lula que estava ótimo, e antes tivemos até comida japa. Uma pena que foi tudo comprado ontem e wasabi estava extremamente em falta. Faltou aquele temperinho básico, mas ok. O melhor dessas festas é ver a família encher a cara, minha avó estava ótimo, misturando proseco com vinho e cerveja, depois voltava pro espumante e quando todo mundo já estava de pijama, ela resolveu que precisava de mais. E ria, ria, chorava de rir. O pessoal só desanimou quando entrou um papo sobre o SUS e aquelas coisas boring, que não se deve conversar nos primeiros dias do ano.

E 2009 no mínimo vai ser bem diferente. Escola nova, primeiro ano do colegial, primeira etapa do PAIES (vestibular seriado), 15 anos e tudo mais. Não posso dizer que vai ser um tédio, no fim das contas. Semana que vem a academia está aí, e começo hoje a ler Laranja Mecânica e indo na locadora pegar uns filmes inéditos. Roubei a resolução da Léli de ler (no meu caso) no mínimo 30 livros e assistir 50 filmes inéditos. Preciso parar de assistir os mesmos mil vezes. Não, não mesmo.

Um bom ano novo para todos, que seja diferente, pra melhor, eu espero.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Chrismukkah

Meus natais sempre são iguais. Todo ano a ceia e o almoço do dia 25 eram na casa da minha avó materna, que mora na super-metrópole Tupacity. Como minha enrolação vem de família, o dia 23 inteiro é pra gente morrer no shopping comprando os presentes e depois vamos direto pra estrada. A tarde do dia 24 é toda dedicada para arrumar a ceia, e eu sempre ficoi encarregada de organizar a mesa. Amo fazer esculturas com frutas e bombons. A família toda vai chegando, meia-noite minha avó liga o cd dela de canções natalinas e despacha as quiança pra cama, porque papai noel só dá presente pra quiança que tá dormindo.

Quando eu digo que eles sempre são iguais, não digo que são ruins. Ok, eu fico um tanto isolada, já que não tenho muita vez na mesa dos adultos (discutir coisas relacionadas a gado e etc não é minha praia) e er, acho que já passei da idade de rolar no chão com os primos quiança. A salvação é que vovó é teimosa feito uma porta e nunca sossega e sai da cozinha, e ela é uma figuraça e eu amo conversar com ela, aí fico lá e ainda dou uma beliscada meio que em tudo. E sempre tem aquela hora que os tios resolvem cofseinteressar por mim e perguntam o que eu estou lendo e eu posso perder uns minutos discorrendo sobre a obra da vez.

Esse ano tudo foi diferente. Primeiro porque passei em outra cidade que não é Tupacity nem Überland, mas sim São Paulo. Segundo porque passei a uns 600km de papai, mamãe, vovós e vovôs. No começo eu estava achando meio estranho, mas chegando lá todo mundo foi muito bacana comigo e eu logo me animei. Conversei com um cara que me contou todas as desventuras dele como punk nos anos 80, coisa alucinada, tipo pintar o cabelo com guache e não andar na mesma rua que skinhead. E ele levava isso muito a sério, quando foi num show da banda preferida dele na época, o Dead Kennedys, ele encontrou o vocalista (acho) num bar e abraçou, pediu autógrafo, que está plastificado. Coisa digna de Anna encontrando Julian Casablancas ou Fabrizio na rua.

A comida foi ótima. Comida de natal, sempre muito boa. Estou muito empenhada nessa coisa de virar uma camaroa (?) já que adivinhem o que eu comi até sair pelos olhos ontem e hoje? Beijinho pra quem acertar ;) Depois comi muita sobremesa, e quando já estava cambaleando, fui andar na garagem (a festa foi no salão de festas) com Pedro (aquele meu primo, sabe Mih?) pra comida assentar e eu fiquei com muita saudade de Ubers, dos papais e dos amigos felizes ♥ que comecei a cantar os super hits do ano, tipo Gone. Pedro me acompanhou logo depoi e ficamos os dois felizes e mais pesados cantando muito Beatles até quando fomos embora.

Hoje acordei a uma e meia da tarde e vi muitas mensagens fofas e inesperadas no celular, tomei café (?) e fui me aprontar pro almoço natalino. Almoço que é bom foi sair as 17h mas foi bem legal, eu e Pedro ficamos analisando o prédio e vendo como roubá-lo (!!!) Quando a vida apertar, eu já tenho uma fonte de renda garantida. Brimks. Sério, nem é tão difícil assim roubar um prédio, você só tem que ter habilidade de pular de muros e cair feito gato, sem fazer barulho, ter um cortador de vidro e saber fazer a gambi de funcionar um carro sem a chave, já que no caso de prédios o único jeito de escapar é de carro. Olha lá eu revelando os truques! E tia Anna fica aqui com suas lições de Natal.

* Dia 28 estou voltando pra Ubers, muito feliz já que não aguento mais de saudades de tudo e de todos. Portanto minha vida blogueira volta ao normal a partir da supracitada data. Uns beijos pra vocês, e eu volto antes de 2009, palavra de McGyver dos roubos à prédios.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Standing on the beach.

Praia esse ano pra mim foi mais um estado de espírito do que um programa efetivamente. É. Quem assiste jornal pode ter uma noção de que pra nadar aqui pros lados do sudeste só se for nas ruas alagadas, porque só chove. Colocando meu humor negro de lado, digo que apesar desses cinco dias que estive à beira mar vendo o céu cinza e chuva todas as tardes e tendo entrado no mar duas míseras vezes (isso é frustrante), a viagem não foi de todo ruim. Muito pelo contrário. Eu não sou das pessoas mais praieiras, amo loucamente quando estou lá, mas todo o processo pré e pós praia me dão muita preguiça. Essa coisa de protetor solar, colocar biquini, arrumar bolsa, chegar e ter que tomar banho logo pra eu não ficar toda vermelha devido a água salgada e ter que me coçar muito depois já que praias são cheias de insetos insuportáveis e aaaaaah, não quero.

Durante esses dias comi de um jeito preocupante, haha, demos muita sorte que só caímos em restaurantes extremamente bons, e queria voltar lá, tipo, AGORA só pra comer de novo aquele strogonoff de camarão feito por Jesus, acho que eu estou a ponto de virar um camarão gigantesco, não por estar vermelha, porque peguei sol um dia, mas de tanto ter comido. E açaí também, ah como eu aproveitei açaí, esqueci que aquilo é um bolo de calorias e me joguei.

Conheci a cidade de Paraty e me apaixonei, apesar daquele chão de pedras dificílimo de andar e de umas charnecas malditas com potencial de serem encontradas por turistas felizes e distraídos (aka, myself). Sem falar que lá tem muitas lojinhas fofas, não aqueles lojas-porquera de cidade turística que só tem umas camisetas cafonas e muito artesanato. Comprei um brinco maravilhoso pra minha mãe com super segundas intenções.

A vida no chalé era puro Banco Imobiliário na veia. A gente viciou muito bonito no jogo, do tipo de jogar até muito tarde, e ter vontade de passar o dia jogando, de combinar estratégias e discutir muito a respeito. Fazer rankings, boicotes e tudo mais. Coisa linda. Mas aquilo é muito bom, não lembrava de que um jogo de tabuleiro pudesse ser tão interessante.

Ficamos amigos de dois bichinhos muito amor, o cachorro da pousada, Vilão e a gata do restaurante batizada por nós de Alice. Sobre essa última, era uma coisa fofa, ficou nossa amiga desde o primeiro dia, meio interesseirinha, claro, mas que bicho não é? Haha.

Queria colocar as fotos que eu tirei, mas isso fico devendo porque nem estou em casa, e a preguiça me impede um pouco, tenho que confessar. A primeira praia é a que eu fiquei, e a segunda foto é Paraty. Estou em Sampa City agora e ficarei aqui até o dia 27. Vou postar antes de chegar em casa, como estou fazendo agora, mas fica difícil responder os comentários, vocês me entendem, né? Desejo já um feliz Natal pra todo mundo, para as famílias, que Deus abençoe imensamente e eu volto antes de 2009, pelo amor de Deus. Beijos!



segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Chocolate nas alturas.

Nas últimas duas semanas eu não comi um mísero pedaço de chocolate devido a um jejum que fiz de ação de graças por tudo de bom que Deus permitiu que acontecesse na minha vida esse ano. Sou uma chocólatra tresloucada e foi muito, muito difícil. Passei pela tortura de passear nas Lojas Americanas e ver aquela seção gigantesca de chocolates e não poder comprar nenhum, e de chegar em casa, abrir o baúzinho e ver mil Sonho de Valsa lá dentro sem que eu pudesse dar ao menos uma mordida. Sobrevivi a base de overdoses de balas da banana e maçã verde e muita bolacha Passatempo de morango.

O esquema acabou hoje, no dia da minha viagem. Cheguei no aeroporto e corri pra primeira loja de porcarias que encontrei, comprei M&M's, Sonho de Valsa, uma barra de Alpino e dois Ouro Branco (Pedro e eu temos um contrato invísivel a respeito de viagens e Ouro Branco). Como eu estava meio atrasada, como sempre, tive que enfiar tudo na bolsa e correr pro portão de embarque depois de ver o sorrisinho meio cínico do moço ao me ver com certidão de nascimento (depois de num ato de esperteza perder meu rg, tive que viajar com certidão já que a segunda via não ficou pronta a tempo).

Tchau papai, tchau mamãe, mil recomendações, não dê trabalho, coma verduras, escove os dentes e não deixe nada jogado, os remédios estão no bolso a esquerda, problemas com as gatas apele pro anti-alérgico mais forte, cuidado com o degrau e nos ligue todos os dias. Subi a escadinha do avião, disse pra aeromoça que apesar do bottom colado na minha blusa dizendo: MENOR DESACOMPANHADO e da minha certidão de nascimento cor-de-rosa eu não precisava de uma aeromoça me acompanhando durante o vôo, e sim, estou ciente de que em caso de perda de pressão máscaras de oxigênio cairão sobre minha cabeça.

Sentei, desliguei o celular, liguei meu mp3 e nemouvi o que as comissárias recomendavam, quando se viaja sozinha essas coisas só contribuem pro clima ficar TEMÇO. Avião pra mim é que nem montanha russa, acho um máximo, gelo na hora da decolagem e aterrissagem e saio com gostinho de quero mais. Com o White Album I (minha nova paixão) tocando em bons volumes, eu batucando Dear Prudence na mesinha, peguei um chocolate, dei uma mordida e senti todas aquelas calorias vazias misturadas com altas doses de serotonina entrararem no meu sangue.

Começou a tocar Happiness Is a Warm Gun, eu lambi os dedos até então sujos devido ao chocolate que derreteu um pouco na bolsa, pedi uma água pra aeromoça, abri O Morro dos Ventos Uivantes, olhei pro lado e vi que já estava no céu.

* Agora já estou em Sampa City e isso implica que irei rock'n'rollear all night todos os dias que ficarei aqui. Devo certamente dar uma sumida já que dificilmente Pedro me deixará postar (ele sabe que eu me descontrolo na frente do pc), mas vou tentar dar as caras antes de ir pra praia. Sempre que entrar na internet estarei sendo amor no Twitter e continuarei ligadíssima nos Orkuts da vida, aos amiguinhos queridos forever, me liguem seus imprestáveis, não quero morrer de saudades!



quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Últimas palavras a respeito de Bento Santiago e Capitolina - NOT

Vocês devem estar cansados de lerem coisas sobre como eu idolatro o Machado de Assis e sobre como Dom Casmurro me derrete completamente. É óbvio que ele não é a perfeição literária absoluta, existem outros livros melhores (vide Reparação), só que esse livro me encanta tanto e toda vez que eu o leio sempre tenho umas inspirações súbitas pra escrever. No meio do ano tinha lido na Folha que a Globo ia fazer uma minissérie sobre o livro, e já fiquei toda alvoraçada, mas realmente esperava uma minissérie normal, tipo A Casa das Sete Mulheres (?)

Quando vi os teasers e os primeiros minutos, na minha cabeça vinha só uma coisa: Tim Burton. Assim mesmo, negritado e sublinhado, porque a série parece mais uma obra dele tupiniquim e vocês por favor entendam isso como um elogio. Eu consigo imaginar perfeitamente bem a série a la Hollywood com ele na direção, Johnny Depp fazendo o papel do Bentinho e até ouso dizer que a mulher do Tim (eu fazendo a íntima, haha), Helena Bonham Carter (assim como Johnny, figurinha carimbada nos filmes de Burton), como a Capitu porque acho que só um pouquinho de make daria o toque perfeito de ressaca nos olhos dela já meio descaídos, oblíquos e dissimulados.

Outra coisa que eu percebi que é fierce demais, é toda a não-concordância de alguns elementos da série da série com o tempo que ela passa, que aí me lembrou muito Marie Antoinette, da Sofia Coppola. Neste nós vemos a presença de all stars no figurino (coisa que creio não ser muito comum na época dela) e trilha sonora repleta de artistas contemporâneos (ou quase) tipo New Order, The Cure e Strokes *explode coração* Em Capitu vemos a atriz que faz a menina jovem com uma tatuagem enorme (e linda) não escondida, a trilha sonora é repleta de riffs nervosos de guitarra e canções lindíssima tipo o tema de Bentinho e Capitu que eu não me canso de ouvir.

Certamente eu fico arrepiada com as frases e narrações, porque elas seguem exatamente o livro, que de tanto lê-lo eu até decorei algumas muitas passagens, e fico repetindo junto com a tevê feio besta, carinha de algodão doce e minha mãe me olhando como se eu estivesse curtindo um barato aluciante. (?) É tudo bem diferente do que a gente tá acostumado a ver na Globo (a não ser por Hoje é Dia de Maria, que eu não vi, mas todos dizem que o naipe é o mesmo), muito teatral (a falta de cenários é um exemplo), poético e sensível até o último suspiro. Tive coisas com a cena do primeiro beijo e da reconciliação dos dois (não encontrei vídeos).

Como a trama ainda não chegou ao fim, ainda não sei como será a abordagem acerca do grande bapho da história, que é a traição - ou não-traição - de Capitu. Tem gente que faz debates sobre isso, escreve livros e teorias mil e ao ver isso tenho vontade de pegar os responsáveis e sacudi-los. Pelo amor de Deus, será que ninguém compreendeu que não importa se ela traiu ou não, porque esse NÃO é o foco da história. O livro fala sobre como o ciúme pode nos levar a ver, imaginar, criar coisas e acreditar em estórias que na nossa cabeça julgamos ser fatos. Ninguém reparou no jeito meio totalmente desconsertado e psicótico do Bentinho narrador? (outra coisa genial da produção)

De um lado vemos um Bentinho que enxerga a cara do amigo na cara do filho, evidências incontestáveis de que ela era uma rapariga de quinta e do outro a certeza quase absoluta que a gente tem que nosso cérebro é astuto o suficiente pra criar tudo aquilo que a gente quer ver. E em várias passagens do livro é frizado que Capitu era extremamente dissimulada, que conseguia ter um controle extremo de suas emoções e que quase nunca ficava visivelmente abalada. O que nos leva a teoria de que ela era uma fingida e tinha sangue de barata o suficiente pra negar tudo até a morte, catando durante a tarde e jantar pato assado com o marido comentando sobre a crise americana e o rebaixamento do Vasco.

É tudo muito ambíguo porque foi feito para ser ambíguo, bobo é quem tenta discutir e briga com seus argumentos. Machadón deve estar se dobrando de rir no túmulo ao nos ver aqui nesse pandemônio tentando resolver uma questão que nem ao menos ele, o criador de tudo, foi genial o suficiente pra manter sem solução. Haha, toda unanimidade é burra e tudo é relativo (citações baratas mode off).



terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Batistar.

Eu nunca vou me esquecer de quando eu entrei naquela escola pela primeira vez e vi minha futura professora de prézinho com um sorriso de boas vindas e uma camiseta do Piu-Piu. Eu amei aquela escola logo de cara, fiquei fascinada com os coelhinhos, o lago, a hortinha de cenouras e a biblioteca cheia de almofadas no chão e uma infinidade de livros. E na primeira aula de educação física eu fui praticamente torturada porque não sabia jogar queimada (!) no auge dos meus seis anos de idade.

Eu nunca vou me esquecer da primeira vez que choveu e eu não tive medo, por estar demasiado entertida numa história sobre as tartarugas que deixam seus ovinhos na praia, para que quando choquem as little-tartarugas corram sozinhas até o mar enfrentando tão precocemente um caminho de areia e perigo que para elas devia ser infinito. E ao invés de reparar na chuva levantei o dedinho e comentei com tia Terezinha que nas férias visitei o projeto Tamar e comprei umas canecas muito legais. Canecas que eu tenho até hoje.

Eu nunca vou me esquecer de quando eu tive que contar uma história pra toda a turma. Lógico que escolhi um dos volumes da Bruxa Onilda que naquela época era minha personagem preferida. Mamãe e vovó me ajudaram a fazer bruxinhas penduradas em suas vassouras para dar de lembrança a turma, e todo o pessoal riu da minha interpretação da bruxa de aprontando para ir a festa dos monstros.

Eu nunca vou me esquecer do meu primeiro livro preferido, De Paris, Com Amor que na terceira série eu li e reli tantas vezes e me sentia tão absolutamente importante por ter nove anos e estar lendo livros destinados a crianças de onze! Nessa época tive minhas primeiras aulas sobre poesia, e chegando em casa peguei um livro do Vinícius e decorei vários sonetos, que eu me lembro até hoje. Mas com certeza o que eu mais amava era Tarde em Itapuã.

Eu nunca vou me esquecer dos recreios na sala do figurino, onde eu, Amanda e Naná passávamos analisando as fantasias e criando peças de teatro. E da nossa primeira peça então? Totalmente escrita, dirigida, ensaiada, figurinada (?) e produzida por nós para os pequetitos. Meu personagem era uma onça chamada Gina (sempre tive um lado selvagem, haha) e houveram alguns rolos com a fantasia de Naná - que era uma galinha chamada Gite (não tínhamos malícia nessa época) - mas todos amaram, e é uma pena que nossos projetos não passaram de folhas rasgadas que agora estão na minha pasta cor-de-rosa lá na despensa.

Eu nunca vou me esquecer de todas as pincuínhas-a-la-quarta-série que sempre dividiam a turma, ganhava quem organizasse o melhor clubinho com as melhores lembrancinhas e as melhores canções-tema. E todas as trocas de estojo vão ficar pra sempre, todas as aulas que eu e Amanda abríamos nosso estojo, apoiávamos a tampa na garrafinha de água e fingíamos que aquilo era um laptop. As coleções de caneta colorida, os macaquinhos da Kipling, as mil Melissas coloridas e os penteados malucos vão estar pra sempre comigo.

Eu nunca vou me esquecer do canto direito da arquibancada no ano passado. Dos recreios amontoados, de todos os sente-e-esquente, do motel dos periquitos, da parede não investida, das visitas ao Panqueca e sua enorme família, do Caio constantemente com algum membro fraturado, das cantorias, das não-aulas de matemática nas segundas feiras, de todas as músicas e coreografias, das cenas de novela durante as aulas de português, das ligações do mano brown, de onde o sol não bate e de todas as coisas que preferimos não comentar.

Eu nunca vou me esquecer de todo o universo Batistar que foi meu universo durante nove anos, e que eu espero que nunca deixe de ser, mesmo comigo a um quarteirão de distância e ao mesmo tempo tão longe. É como se durante toda a minha vida escolar eu estivesse dentro de um redoma, e agora chegou a minha hora de sair disso e enfrentar a vida feito as little-tartarugas do começo desse post.

Apesar da possibilidade de encontrar um infinito de areia quente, no final o mar me espera.



domingo, 7 de dezembro de 2008

A Night To Remember

Antes tudo que tinha pra sair fora dos conformes saiu. Mamãe estava passeando com o Happy (meu cachorro) e ele passou mal por causa do calor que estava fazendo, um estresse térmico. Mineiramente falando ele teve um trem. Mamãe teve que correr com ele pra veterinária (que graças a Deus é pertinho de casa), isso as 16:30, hora do meu salão. Com Happy recuperado (bastou um banho pra ele voltar à normalidade), cheguei no salão meia hora atrasada. Sorte que minha cabelereira é MacGyver e conseguiu me ajeitar rapidinho enquanto outra pessoa arrumava mamãe. Só que quando eu fiquei pronta já eram 18:30 e eu tinha que estar lá 18:30.

O combinado é que eu iria sair do salão e ir para a casa de Naná para nós terminarmos de nos aprontar. Graças a Deus minha mãe viu que realmente não daria tempo e me deixou maquiar no salão mesmo (Dona Angel mode on: Eu caaaaaanso de comprar maquiagem pra você, e quando tem as festas tenho que pagar salão pra você se maquiar). No meio do caminho tivemos que parar pra comprar uns pães de queijo pra mim, que não tinha comido nada desde a hora do almoço. Chegando no prédio de Naná eu entro toda linda e sexy (NOT) com o cabide do vestido, o saquinho dos sapatos e uma bolsa cheia de tralhas pra terminar de arrumar e quase que eu não pego a menina em casa. Sim, Naná ia me esquecer (!!!) pausa para um momento de revolta profunda. Olha, foi Deus. Se eu tivesse chegado 1 minuto mais tarde perderia Naná e perderia consequentemente mamãe que foi embora correndo pra terminar de se aprontar, porque a essa altura já eram 19:00 e a formatura começaria as 19:30.

Sou a pessoa na última fileira a direita.

O porteiro que deve ter morrido de rir, porque as 19:00 entro eu de blusa, saia, chinelo e um monte de coisas na mão, e as 19:05 saio eu de vestido de festa, salto alto e uma clutch na mão. Depois disso, tudo finalmente deu certo. Chegamos lá a tempo, tirei as fotos com a galere, com papai, com mamãe, vovó e vovô e fui pra fila de entrada. E agora o momento que todos agurdavam (?): minha entrada. Cara, eu nunca amei tanto meus amigos, mesmo. NINGUÉM gritou besteira quando eu entrei, ninguém fez brincadeirinhas de casal, ninguém me passou vergonha e me deixou numa saia justa com papai. Ninguém! Nem a menina da franja balonê. Quando eu vi que tudo ficou de buenas aí eu relaxei, porque até então eu estava tendo palpitações e até chamarem meu nome pra entrar eu devo ter infartado umas sete vezes no mínimo.
Mamãe e eu, com minha franja nova.
Posso dizer que a cerimônia foi linda. Todo mundo comentou que a festa ficou com a nossa cara, e ficou mesmo. O pastor falou super rápido e uma palavra linda, os discursos foram fofos, a banda ficou muito linda (pra quem não sabe, o pessoal formou uma banda com quem tinha algum dote artístico, pra cantar no dia, e eu não participei efetivamente, mas acompanhei todos os ensaios, brigas e bagunças, e sempre ficava lá dançando e agitando o povo, haha), eu recebi o diploma do meu professor de Biologia que é um queridíssimo (e gato e cheiroso, btw). E todo mundo amou o clipe que eu e Naná fizemos.

Quem me acompanha pelo Twitter sabe que esse clipe vinha me consumindo durante essas últimas semanas. Eu e Naná demos um duro danado, ficávamos até de madrugada fazendo, deixávamos de estudar pras provas finais, passávamos um tempão editando, mudando as músicas, resolvendo tretas, cobrando fotos... e no final todo mundo amou amou amou. Foi um alívio e tanto ver o pessoal rindo, chorando, lembrando de tudo que a gente viveu esse ano. A hora do clipe foi a hora que eu desmontei. Eu achei que não iria ficar tocada, já que eu havia feito e assistido aquilo milhões de vezes, mas ver todas as nossas fotos e vídeos, com todo mundo lá do meu lado, vendo o pessoal gritar "BEIJOMELIGA, ANNA!" quando eu peguei meu diploma, com Learning to Breath do Switchfoot tocando de fundo, aí eu chorei como sempre imaginei que choraria no dia que tudo aquilo acabasse.

Quando acabou, cantamos o hino feliz do colégio, dançamos, farofamos, jogamos os canudos do diploma pra cima, fizemos farofa pras fotos, eu quase fui derrubada muitas vezes e na hora de ir embora a medida que ia me despedindo do pessoal era uma gritaria só, que acho que até assustou meu pai, que até então não conhecia meu lado farofa.

O título do post é o nome da nossa música tema. High School Musical? Sim. Brega? Demais. Mas não poderia ser outro, eu rio só de lembrar da gente cantando essa música na viagem, na escola, nos ensaios, e lembrar de todas as dancinhas eu encerro esse post cantarolando baixinho imitando o John Travolta em Saturday Night Fever: It's gonna be a night to remember, come on now, big fun, it's gonna be a night to last forever, and we'll never ever ever forget!

** O post ficou enorme demais, mas precisava registrar tudo aqui. Depois coloco o link do clipe, e também outras fotos, porque estou dependendo de outras câmeras, já que a minha não cabia na bolsa, hoho.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Um!

O dia oficial foi ontem, mas depois de um ano de blog esse atraso pode até ser considerado charminho meu, já que uma das minhas marcas registradas é ser completamente enrolada com o blog, o que me impede de cumprir as coisas nas datas certas, postar frequentemente e me lembrar dos memes que me passam.

É, a um ano e um dia atrás eu estava postando aqui pela primeira vez com um layout ridículo do Cinnamon, todo piscante e gayzinho. Entrei na blogosfera com uns 11 anos, e normalmente meus blogs eram péssimos e não duravam mais que quatro posts. Eis que um dia me bateu uma saudade danada de todo esse mundinho, e resolvi que criaria um blog. Isso foi mais ou menos em julho do ano passado. Aí eu levei uns 6 meses (!!!) pra deixar tudo nos trinqs (?) e começar a postar. Desanimei as vezes, como acontece com todo mundo, mas não consegui largar o So Contagious. Já até quis trocar o nome porque acho que esse é meio nada a ver, criei a conta, fiz o layout, mas depois não consegui desapegar.


Meus primeiros posts eram vergonhosos, bem no estilo "meu querido diário", mas o legal de ver as tosqueiras que escrevíamos no passado (a voz da experiência mode on) é ver que conseguimos evoluir e que finalmente crescemos. Essa coisa de ter a vida registrada em blogs é uma amostra nítida do tanto que crescemos em pouco tempo, coisa que as vezes a gente mal se dá conta.


Nesse clima de aniversário de um ano, vou contar pra vocês como foi o meu primeiro aniversário. Claro que não me lembro, mas pelo que me contam e pelas fotos* que vejo, a festa foi dos Ursinhos Carinhosos, eu usei um vestidinho todo de flores amarelas e roxas e tiveram que me improvisar um chapéu de última hora, já que eu com um ano eu praticamente não tinha cabelo (o que explica minhas madeixas atuais ralas e finas).


Eu fiquei maravilhada com a mesa cheia de ursinhos e não calei a boca um segundo. Com um ano eu já falava mais que a mulher da cobra (?) O engraçado é que eu falava de tudo pra todo mundo, mas andar que é bom necas. Demorei um monte, gostava muito da minha vida de rolar pelo chão e de ser carregada pra tudo quanto é lado. Haha, sou linda, beijos.


Eu só fico abismada que hoje eu tenho leitores que vinham aqui desde o começo. Como será que ninguém cansou desse lugar onde os assuntos giram única e exclusivamente em torno de mim? Ou será que cansaram? Não me respondam, haha.
* Eu queria muito colocar uma foto do meu aniversário de um ano aqui pra vocês verem como eu era linda, mas eu estou tão absolutamente estressada e atolada de tarefas e afazeres! Estou em semana de provas finais (para as quais eu não estou estudando necas, não dá tempo), minha formatura é sexta-feira e eu tenho que cuidar de tantas coisas, é o clipe, as homenagens, o presente dos pais, tô ficando em parafuso. Pra completar eu fiz o favor de perder minha carteira de identidade e preciso providenciar uma segunda via até dia 15, que é quando eu estou indo pra São Paulo, e vocês sabem como funciona a burocracia aqui no Brasil, né? Isso tudo pra dizer que eu tô doidinha, mas que sexta, quando tudo isso acabar estarei aqui pra rir de todo o meu estresse. Beijones!