domingo, 30 de outubro de 2011

Seis Oito coisas simples que eu quero fazer e ainda não fiz

Final de ano é um momento ideal para fazer listas, ainda que meu ano ainda esteja um pouco longe de acabar. A Isadora recebeu esse meme, no qual deve-se listar seis coisas que a gente tem vontade de fazer e ainda não fez. Adotamos a ideia e cá está minha lista. Assim como a Analu, pensei numa lista objetiva e que pode ser resolvida rapidamente, e cujo sucesso depende, na maior parte das vezes, de mim, do meu tempo e disposição. Ou seja, da minha vergonha na cara. Sim, a proposta era fazer a lista com seis ítens, mas por acaso eu consigo fazer uma lista sem ultrapassar em alguns ítens a proposta original?

Comprar um maiô preto
Tenho consciência de que muito provavelmente o Querido Namorado Que Eu Não Tenho não mudará esse status por causa do meu gosto na hora de me vestir, porque minhas peças de roupa preferidas não fazem muito sucesso no universo masculino. Amo jeans largos, coturnos, batons coloridos e cintura alta e não estou nem aí. Como se não bastasse, agora quero um maiô. E nem é porque eu tenho vergonha de exibir meu corpinho por aí. Tenho consciência de que não estou podendo que nem a Blake Lively e estou longe de ser Garota de Ipanema, mas nunca fiquei me escondendo na praia ou na piscina. Quero um maiô porque eu acho lindo, acho chique, acho Grace Kelly. Ia adicionar que também queria um chapéu, tanto para acompanhar o maiô como para ser usado com qualquer coisa, mas minha mãe voltou de viagem semana passada e me trouxe um lindo, do jeito que eu queria, que já foi devidamente estreado.

Viajar
Já viajei muito pouco nessa vida. Quando o faço, são para lugares que já conheço. Novidade zero. Conheço pouquíssimo do Brasil e absolutamente nada do mundo, e isso me deprime deveras. As cidades que realmente me machucam, que todos os dias eu penso que preciso pisar antes de morrer, são Paris e Jerusalém (não sou judia mas tenho essa veia peregrina) e tenho uma vontade enorme de percorrer os Estados Unidos de carro, ao melhor estilo beatnik da coisa (menos a parte das caronas), parando em dinner's para tomar café da cafeteira e comer torta de cereja. Sim, vejo filmes demais. Mas meu principal desejo é viajar com meus amigos. A última vez que fiz isso foi em 2008 e apesar de ter sido com a escola foi demais e inesquecível, e quero muito repetir a dose. O ideal seria esse ano, só que o vestibular fez o enorme favor de arruinar toda e qualquer tentativa de plano, me forçando a adiar os projetos. Sei que preciso muito viajar com minha galerinha tropical, seja para Tupaciguara, Caldas Novas ou Ilhéus.

Aprender a fazer tortas e pães
Há uns tempos venho aprendendo a cozinhar em doses homeopáticas: café, macarrão, arroz, omelete, brigadeiro, panquecas, 5785 mil tipos diferentes de sanduíches e todas essas coisas seguras, cotidianas e pouco emocionantes. Sinto que é hora de alçar voos maiores, e quero entrar no mundo dos bolos e tortas, e depois, quando já estiver craque, aprender a fazer pães. Há anos tentei fazer um bolo e como minha mãe não me avisou que era proibido abrir o forno enquanto o bendito estava assando, meu bolo murchou e foi um desastre tamanho que nunca mais me aventurei nesse território até agora obscuro. É hora de mudar isso. Já escolhi minha próxima receita, um pouco pretenciosa e ousada, mas não consigo tirá-la da cabeça e quero colocar em prática o mais rápido possível. Resultados (bons ou ruins) serão devidamente documentados aqui.

Fazer uma maratona de algum seriado
Talvez o ítem mais bobo e aleatório da lista, mas um dos que eu mais tenho vontade de realizar. Apesar de gostar muito de séries, não sou dessas que conseguem assistir a uma temporada inteira numa sentada só. Sou uma espectadora muito lerda e preguiçosa, e depois do terceiro episódio minha cabeça começa a vagar por outros lugares, fico impaciente e vou fazer outra coisa. Isso, claro, atrasa bastante minha vida no universo dos seriados, porque quero assistir muitas coisas, mas acabo me enrolando nas minhas próprias vontades. Deixo coisas pela metade, pego birra, ou então me apego demais e fico postergando o fim (sou dessas) e só me resta aquele desejo enorme de conseguir passar um dia inteiro em frente ao computador, tomando sorvete e dando play em um episódio atrás do outro. Ultimamente tenho tido uma vontade enorme de assistir Buffy, reiniciar Lost e terminar Grey's Anatomy, mas preciso de coragem e disposição para maratonar como se não houvesse amanhã. Séries-maníacos, qual o segredo de vocês?


Cortar meu cabelo
Quando tinha 14 anos, resolvi fazer algo diferente e passei a tesoura no meu cabelo, que saiu da altura de um pouco abaixo dos obros para um chanel quase radical. Amei loucamente, mas sofri muito também: o corte não era ideal para meu tipo de cabelo e eu, que odeio ser escrava de cabelo, passei a ter que fazer malabarismos diários para mantê-lo no lugar. Além disso, escolhi um corte que pedia manutenção quase mensal, e isso me enlouquecia, porque de um dia pro outro o cabelo crescia meio milímetro de um jeito estranho e ficava a coisa mais feia da face da Terra, o que me punha numa neura e tensão constantes. Sucumbi às pressões e deixei crescer, mas o sonho do cabelo curto, que é meu estilo de cabelo favorito, segue firme aqui dentro. Quero cortar de novo, mais ou menos igual ao da Alexa Chung (minha musa capilar) nessa foto, pois já me conformei que nunca poderei ter um cabelo igual ao da Keira Knightley, cujo corte elegi oficialmente como o mais bonito do mundo, que no entanto é bem parecido com meu primeiro corte curto e que nada tem a ver com meu perfil low-maintenance capilar.

Conhecer a Máfia
A Máfia foi uma das coisas mais legais que me aconteceram esse ano. Um grupo de blogueiras malucas com interesses afins reunidas virtualmente, conversando loucamente sobre tudo que vier na telha: dramas, neuras com o corpo, comidas, nossas rotinas e conquistas, e homens, intermináveis e hilárias conversas sobre homens. Depois da Máfia meu Facebook nunca mais é o mesmo, e em dias áureos de empolgação e dedinhos frenéticos, chego a entrar e dar de cara com mais de 50 atualizações, todas da Máfia. Sei que será difícil para caramba reunir num mesmo lugar esse monte de meninas de diversos cantos do Brasil (e do mundo, beijo Alê!), mas me contento, a priori, a fazer encontros graduais, porque eu nunca conheci "pessoas da internet", mas nunca tive uma vontade e uma urgência tão enorme de transportar todas as risadas em caixa alta, curtições, declarações impublicáveis e cartas para o mundo real.

Arrumar meu quarto
Não curto o meu quarto, que é um espaço onde brigam por atenção pedaços de infância que ainda não tive coragem de me desfazer; jornais e revistas que meu lado jornalista acumula loucamente, reunindo artigos, fotos e tudo aquilo que eu li, gostei e preciso ter comigo; livros que não cabem mais onde deveriam e mereciam um lugar mais digno; caixas que ganho e não tem nada a ver comigo mas que são necessárias para guardar as coisas que vou juntando e tralha, tralha, tralha. Queria ter um quarto legal e mais visualmente agradável, uma espécie de bagunça proposital e coordenada, onde recortes e livros e lembranças não brigam entre si e compõe um ambiente aconchegante e parecido comigo, como o quarto da Andie, de Pretty in Pink, ou das irmãs Lisbon, de As Virgens Suicidas.

Ter um caderno de lembranças
Há anos tento manter um diário, sempre sem sucesso. Já me conformei que não tenho paciência nem muita vontade de ficar escrevendo sobre meus sentimentos e cotidiano numa folha de caderno, apesar de admirar quem o consegue e achar essa uma das coisas mais legais do mundo. Mas me arrependo de nunca ter feito um caderninho de recordações, onde escrevesse aleatoriedades, guardasse recortes, fotos e ingressos de cinema, acho que é uma das maiores lacunas que deixarei na minha adolescência. Quero ainda conseguir manter essa espécie de registro, mais livre e despretenciosa, para que caso venha a ter uma filha menina também (porque meninos não ligam muito pra isso) possa mostrar isso pra ela e nós possamos rir juntas, ou até mesmo para fazer isso com minha prima Mariana, daqui há uns anos.

E vocês, o que ainda querem fazer?



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Descolando o grau

Enquanto escrevo este texto, meus colegas de sala estão se formando no colegial. Enquanto escrevo esse texto aqui no meu quarto, com um vestido vermelho com listras brancas que há uns 3 anos atrás era bonito e Havaianas nos pés, meus colegas de sala estão lá, enfiados numa beca mortalmente quente, cansados de tanto sorrir para as fotos e de tanto bater palmas. E eu não poderia estar mais feliz. Amanhã à noite, enquanto as meninas vão estar se enfiando em seus vestidos cheios de bordados, pérolas e babados e retocando a maquiagem pela última vez, para curtir o super-duper baile de formatura, eu estarei em casa, no meu sofá, provavelmente assistindo Friends e, novamente, morta de felicidade e alívio.

Eu nunca sonhei com minha formatura de terceiro ano, nunca imaginei como seria e nem fiquei idealizando que naquele dia o garoto mais bonito da escola ia se ligar que eu sou o verdadeiro amor da sua vida, nós iríamos dançar a noite toda e seríamos felizes para sempre - até porque, apesar de bem bonito, o garoto mais bonito da escola não é exatamente o tipo que eu escolheria para passar a vida toda do meu lado. O negócio é que eu nunca gostei desse tipo de festa, acho que só serve mesmo para gastar uma quantidade absurda de dinheiro num dia só e constranger e deprimir quem está se formando. Pelo menos eu me sinto constrangida e deprimida nessas ocasiões.

No começo do ano, pus na minha cabeça que ia ao menos colar o grau, para deixar meus pais felizes e minha avó poder colocar um retrato meu usando beca e capelo, com a cara muito estragada - alguém sai bem nessas fotos? -, na estante de fotos dos netos. Quando meus pais disseram que não faziam a maior questão do mundo, perguntei para mim mesma por que razão eu me submeteria àquela cerimônia que me obrigaria a descer uma enorme escadaria de mármore sem poder segurar no corrimão, usando salto alto, e ainda por cima tentar parecer feliz e bonita para as fotos. Não bastando isso, eu teria que esperar, em pé, que toda minha turma de 40 alunos repetisse o ritual, ao qual eu assistiria aplaudindo efusivamente, seguidos das outras nove turmas de 3º colegial da escola sendo que a) Meu terceiro ano foi o mais desunido da escola e recentemente resolveu forçar um amor e uma união que não aconteceram nos últimos 8 meses b) Além da minha turma, tirando uns 5 outros amigos que tenho espalhados pela escola, não conheço ninguém.

Apesar de estudar na minha escola atual há três anos, nunca me senti parte de lá. Não que eu fosse excluída ou algo do tipo, mas sempre a tive a sensação de que lá é um lugar que fui para passar no vestibular e pronto. Claro que eu conheci pessoas fantásticas, cresci horrores, aprendi um monte, participei de coisas muito legais, tive professores maravilhosos, não estou de forma alguma cuspindo no prato que comi - e comi muito bem; apenas não me conectei ao ambiente da forma que sou ligada à minha antiga escola, que mesmo depois de 3 anos ainda é o lugar que eu sonho sempre que sonho que estou na escola, é minha referência, poço de lembranças, reservatório da minha memória afetiva de infância. Depois que sair do colégio atual, levarei comigo as boas coisas que já citei e desejarei nunca mais ser obrigada a pisar naquele ambiente com salas hermeticamente fechadas com ar condicionado congelante. 

Essa distância também não permitiu que eu tivesse uma turma. E por turma, não digo meu grupo de amigos, digo uma sala inteira. É impossível amar todo mundo, mas só quem já teve uma turma sabe como é. Acho que cheguei a ter algo próximo disso no 1º colegial, mas depois as pessoas se distanciaram, as panelas se fecharam e as pessoas começaram a ser indiferentes em relação às outras.Aliás, no início desse ano o clima na sala era tão pesado que ela era fisicamente dividida e não, ninguém fazia questão de estabelecer boas relações com "o outro lado", a hostilidade só foi dando lugar a indiferença ao longo dos dias e até hoje existem pessoas na minha sala com as quais eu nunca troquei uma palavra.

Na oitava série, na antiga e amada escola, eu formei, fiz clipe, chorei um monte e já me despedi daquele clima friendship never ends, com aquelas pessoas que cresceram do meu lado e que eu aprendi a gostar com o passar dos anos. Naquele dia, entendi que todo aquele sonho de escola de filme americano estava chegando ao fim, e que eu nunca teria aquilo novamente e aproveitei cada minuto, abracei as pessoas, os professores, os funcionários que me conheciam desde pequena e pronto, etapa vencida, tudo superado. Já meus pais desfrutaram plenamente do momento corujice quando me formei no inglês e fui oradora da turma, discursei e tudo mais: quando voltei para a mesa estavam os dois com os olhos cheios d'água mesmo sem ter entendido metade do que eu havia dito. Essas duas cerimônias me livraram tanto da minha obrigação com meus amigos e memórias, como da que eu tenho com meus pais, de posar como tesourinho deles.

Por fim, desencanei de ir na festa assim que soube do preço absurdo que custaria para comprar uma mesa. Ainda bem, porque fui descobrir depois que o cerimonial planeja fazer com que os formandos dancem uma valsa - dançarei valsa no dia do meu casamento e só - e desfilem num tapete vermelho. Alguém consegue me imaginar fazendo isso? Até considerei ir como convidada, mas desisti assim que descobri, novamente, o absurdo preço. Para quem bebe é até razoável, já que é uma festa open bar, mas quem fica na base da Coca sem gás (sim, porque nessas festas o refrigerante nunca tem gás), como eu, vai  pagar pros outros encherem a cara. HA. O outro motivo é que não gostei do salão escolhido e nem do buffet, que nunca foi bom em todas as festas que fui naquele lugar, e já que não bebo, comida pra mim é um troço importante. Sem comida, sem bebida e sem lugar para sentar, opa, cadê meu pijama e meu dvd de Friends mesmo?

E nem é como se eu tivesse que ir nessa festa para sambar na cara da sociedade e provar algo para alguém, no melhor estilo Andie Walsh. Aliás, ficaria feliz em mostrar pro meu professor de Física do segundo ano, que insistia em zerar minhas provas ou me dar notas indignas sem qualquer razão concreta, que sobrevivi à Ondulatória e ao MHS, passei de ano e no vestibular sem nunca ter precisado daquilo, mas ele nem vai nos presentear com sua adorável presença na cerimônia. Meus traumas de colegial foram mesmo as aulas dele e as provas de Geometria, logo, lavo minhas mãos e fecho essa porta feliz da vida. Até porque segunda feira tem aula normal, semana que vem tem vestibular, e não é como se o ano tivesse acabado por causa daquela festa.





segunda-feira, 24 de outubro de 2011

E aí você entrou na minha vida

Se eu fosse escrever esse post há um ano atrás, certamente diria que estava em vias de me tornar uma dessas mulheres que escolhem não ter filhos. Primeiramente porque sou muito descrente e pessimista quanto ao futuro do mundo. Acho que a maré nos leva ladeira abaixo, e queria poupar minhas crias disso. Depois, sendo leitora da Rosely Sayão há anos (sim), concluí que educar uma criança é uma tarefa hercúlea; hoje em dia o que mais existe são pessoas e manuais querendo dizer qual a melhor maneira de se educar um filho, e ainda assim os pais e as crianças nunca pareceram tão perdidos. Meu maior medo é errar com uma criança e isso ter consequências desastrosas. E, por fim, não queria ter filhos por medo de não saber amar minha prole.

Explico: apesar de no meu grupo de amigos eu fazer o tipo mãezona, nunca tive aquilo que pode ser chamado de instinto maternal. Nem gostar de criança eu gosto. Eu gosto de algumas crianças, das minhas crianças, da Mariana, do Gustavinho, da Ritinha... mas eu gosto deles, e o fato deles serem crianças é um detalhe. No geral, não sei lidar bem com crianças. Não sei direito como me comportar, como interagir com elas, e vários de seus comportamentos normais - não parar de falar, falar a mesma coisa várias vezes, ficar perguntando um monte, fazer manha - me põe num estado de irritação que excede o normal. Só que, com meu filho, não vou poder fazer a adolescente rabugenta e mandá-lo catar coquinhos; terei que dar atenção incondicional, cuidar, e ainda por cima amar aquela criaturinha em todos esses momentos penosos.

Nunca contei isso pra ninguém, mas ali no fundo eu tinha comigo que essa coisa de maternidade não era pra mim. Não queria colocar um bebê nesse mundo errado e cruel, e muito menos tinha coragem de enfrentar a responsabilidade de ter que ensinar alguém a viver. De mostrar o certo e o errado, que não se fala de boca cheia, que estudar é importante e que eles devem confiar em mim pra tudo na vida. Fico vendo meus pais e me pergunto como eles conseguem. A melhor forma de se ter uma boa relação com seus pais é saber se colocar no lugar deles, porque toda vez que eu saio à noite fico pensando no sangue frio que deve ser necessário para deixar aquela pessoa que saiu de dentro de você, que sempre vai ser uma criança, entrar num lugar insalubre e perigoso feito uma boate, onde ela conhecerá gente da melhor e pior estirpe e vai ser tentada a fazer todas aquelas coisas que eles fizeram um dia - ou quiseram fazer - e jamais teriam coragem de contar aos pais.

Só que um dia eu sonhei que estava grávida, e foi uma das coisas mais loucas que já me aconteceram. Do sonho eu não me lembro de nada, além do fato que eu estava grávida e me sentia exatamente como as protagonistas de novela dizem se sentir: em estado de graça. O sonho foi tão real e as sensações que ele trouxe também que, sem exageros, acordei quase chorando porque aquilo não era de verdade, porque eu não tinha aquele barrigão com um serzinho chutando lá dentro. Desde então sinto ondas de instinto maternal tomando conta de mim. Não consigo ver um bebê ou uma criança pequena sem suspirar mil vezes, e rir e brincar, e apertar, e exclamar no final que quero muito um daqueles pra mim. Também não consigo ver nada relacionado à maternidade sem chorar um monte. Na primeira vez que assisti ao episódio do parto da Rachel, em Friends, lembro que achei lindo, achei fofo, mas foi só. Depois dessa transcendental experiência do sonho, assisti ao mesmo episódio e chorei TANTO que minha mãe pensou que eu estava chateada com alguma coisa e não queria contar pra ela. E essa nova novela das seis, então? Quinta-feira passada assisti a um capítulo inteiro pela primeira vez, e chorei praticamente o tempo todo. O que está acontecendo comigo?

Para completar, veio o Chico. Acho que todas as pessoas deveriam ter um bicho de estimação antes de pensar em crianças. Os bichinhos nos fazem experimentar uma forma de amor diferente de todas as outras, incondicional, que nos faz relevar todas as muitas raivas que eles nos fazem passar - e não são poucas. Um bichinho demanda tempo, dinheiro, paciência, jogo de cintura, senso de humor e tudo isso é tão ínfimo perto de tudo aquilo que eles nos dão de volta, as risadas, o carinho, companhia e atenção que você percebe que é capaz de amar de uma forma toda nova, ir em reuniões de pais e esquecer uma birra depois de um abraço.

E foi aí que você entrou na minha vida. Ou melhor, foi aí que ele, meu futuro filho, entrou nela. Porque quando eu era pequena, dizia, como a maioria das meninas, que queria uma menininha para que eu enchesse de laços e babados e cuidasse dela como se fosse uma boneca. Mas não sei por que cargas d'água, desde que comecei a pensar nessa coisa de ser mãe, tenho comigo que meu filho será um menino e já tenho até um nome pra ele: Davi. Parece maluquice, mas como contei há uns dois posts atrás, meu pai tinha certeza de que teria uma filha menina que levaria meu nome antes mesmo de conhecer minha mãe e é por isso que eu acho que meu neném já está em algum lugar no céu esperando a hora certa da gente se encontrar.

Para quebrar essa onda de ternura, há uns dias atrás estava com algumas amigas observando uma menininha muito fofa da minha igreja comer macarrão. Então eu disse o que tenho dito na maior parte das vezes que vejo uma criança linda desde o evento supracitado: AI MEU DEUS EU QUERO TER UM FILHO! Minha amiga, pouco tocada com o que eu havia dito, só me olhou meio descrente e disse: Olha, isso é muito fácil. Quer que eu te conto o que você tem que fazer?



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tóquio, here we come


Passei meu dia das crianças assistindo Velozes e Furiosos 3 - Desafio em Tóquio com minhas amigas. Desde o dia que elas me arrastaram para o cinema para assistir ao quinto (!) filme da franquia e me fizeram pagar pra ver um filme sobre carros com o Vin Diesel me garantindo que aquela seria uma experiência mágica, Velozes e Furiosos já ganhou honras de favorito na minha categoria de filmes que de tão ruins são geniais, ou então de comédias involuntárias favoritas. Operação Rio (sim, aquele que causou polêmica por mostrar apenas o dark side brasileiro que a gente finge que não existe), consegue a proeza de unir Vin Diesel e The Rock (sim, você leu direito: THE-FREAKIN'-ROCK) num só filme, e na minha cena preferida os dois caem no chão, lutando, (assistam, sério) e na hora imaginei que seria sensacional se um virasse pro outro e dissesse: I'm your father, e ri tanto que quase fui expulsa do cinema e perdi minhas amigas para sempre. Quis assistir ao filme de Tóquio porque ele tem o meu personagem preferido (de verdade), o Han, um japa amor.


Já esperava que o terceiro filme seria inundado de genialidade tosca, mas eu não estava pronta para o que vi. Aquilo é praticamente um The OC em Tóquio com driftings. A história é mais ou menos essa: um carinha que adora causar e se meter em altas confusões com seu carro irado inventa de fazer um ~pega~, desafiando o capitão do time de futebol da escola, que tem como prêmio a homecoming queen biscat. É claro que rola uma cena cheia capotagens, ultrapassagens, curvas sinuosas e manobras impensáveis - meu vocabulário automobilístico só vem até aqui -  e os dois carros terminam destruídos e nosso herói se ferra, de modo que sua mãe, cansada de pular de cidade em cidade por causa das brincadeiras de seu filho, o manda para Tóquio, pra viver com seu pai ausente.

Ele chega em Tóquio e logo no primeiro dia de aula já se engraça com uma garota meio latina da escola, com quem troca olhares cheios de segundas intenções. Lá, fica amigo também de um pseudo-mano, interpretado pelo Bow Wow (fiquem tranquilos, também não sabia quem ele era até então), que mostra pra ele o mostra qual a boa de Tóquio, que, claro, está relacionada com carros: um estacionamento subterrâneo gigante onde as pessoas vão para exibir seus automotores ultra tunados e potentes, ouvir música ruim, e observar japonesas em trajes sumários e fetichistas andando de um lado para o outro. Lá ele encontra Neela, a chica latina que chama sua atenção na escola, e logo descobre que ela é namorada do macho alfa do lugar, o Justin Timberlake de Tóquio, como o próprio Sean o descreve (COMO NÃO AMAR?), que não é ninguém ninguém menos que sobrinho de um chefão da yakuza, a máfia japonesa. E aí que naquela chincha imediata que surge, ambos se incham como pavões querendo se mostrar pra uma pavoa e, claro, se desafiam para um ~pega~.


Nosso herói, no entanto, não contava com a astúcia do Macho Alfa, que era mestre na arte dos driftings, uma técnica de fazer curvas muito mais complexa do que eu saberia explicar e descrever, que é o que há de mais quente nas quebradas de Tóquio, de modo que ele se ferra (e destrói o carro do Han - a Monalisa dos carros, como Bow Wow ressalta-, o japa-amor ali de cima, que oferece para que ele corresse) e a história desse forasteiro - ou melhor, gaidjin - tem início.


Lembraram de alguma coisa? Claro, The OC, a melhor série adolescente da história. Nela temos Ryan Atwood, um bad boy de Chino que é pego roubando um carro com seu irmão mais velho e é acolhido por um defensor público muito rico e boa praça, que o leva para Newport Beach, e acaba por adotá-lo. Em seu primeiro dia naquele paraíso ensolarado de milionários, o radar de Ryan já capta as vibrações desesperadas de Marissa Cooper, a homecoming queen do local (que aind anão virou biscat e nem loca loca loca, como acontece no decorrer da série), que, claro, é namorada do macho alfa californiano, Luke, capitão do time de pólo aquático, que obviamente não gosta nem um pouco de Ryan e o recebe calorosamente no lugar com um soco na cara e uma frase que se torna um clássico da série: Welcome to The OC, bitch.


Não demorou muito para que o tico e o teco aqui fizessem essa preciosa analogia. Sean, o herói de Velozes e Furiosos é Ryan Atwood. Os dois são forasteiros num local que não os aceita e cujas regras desconhecem, apaixonados por camisetas justas, munhequeiras e arranjar uma briga em absolutamente todo lugar que frequentam. Neela, a chica latina, é Marissa Cooper, e eu só queria que essa primeira tivesse mais participação no filme, não duvido que descobriríamos que ela vinha de uma família desestruturada e ela nos proporcionaria uma cena de impacto como essa. Para Bow Wow sobra a maior honra de todas, uma vez que ele, sendo fiel escudeiro de Sean, só poderia ser mesmo Seth Cohen, esse garoto meio bobo e engraçado que insere o herói nesse novo mundo, e lhe ensina as regras do mesmo. A única diferença é que estamos comparando Bow Wow com Adam Brody. Detalhe. Por fim, Han é o Sandy Cohen da vida de Sean, aquele cara rico e bacana que o acolhe, lhe ensina as manhas, está aí para protegê-lo contra as investidas do submundo japonês e é uma espécie de guru e bom pastor.


A única coisa que os dois não tem em comum é a trilha sonora. Enquanto The OC nos oferece uma miscelânea do melhor do indie rock da época, como Death Cab For Cutie e Rooney, Velozes e Furiosos peca na hora que nos oferece isso: 





sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Annas, Anninhas e Carianas

Meu pai adora contar que desde que era bem novo, tinha certeza que um dia teria uma filha, que seria menina e se chamaria Anna Vitória, assim, com dois enes. Eis que numa manhã ensolarada de sábado, no dia 26 de fevereiro, esse propósito se cumpre e minha pessoa chegou a esse mundo (depois de, claro, ouvir do Criador: desce e arrasa). Eu era o bibelô da família, e todo mundo enchia a boca pra dizer meu nome, que diziam ter bossa de princesa. Papai se inchava de orgulho. Até que, um dia, alguém resolveu que estava na hora de eu ter um apelido, e foi nesse fatídico e terrível momento que alguém pensou que seria divertido me chamar de Tó. Era engraçado and criativo and uma ótima maneira de implicar meu pai, todo sistemático, and, novamente, engraçado. Por isso que, por vários familiares e amigos dos meus pais, sou chamada de Tó há 17 anos.

Não gosto nem um pouco desse apelido, e muitas vezes a simples referência à ele já me deixa meio cabreira com a pessoa que o disse, principalmente naqueles dias que eu acordo do lado errado da cama. De uns tempos pra cá já me resignei a esse triste destino, porque para um apelido ruim pegar e durar por anos, o princípio básico é você não gostar dele. Minha esperança é que um dia me esqueçam, embora saiba que minha mãe é chamada de Furreca (longa, longa história) por suas primas desde a época que mal sabia falar.

Tirando a excrescência supracitada, nunca tive nenhum apelido muito significativo. Todo mundo me chama de Anna, na maior parte das vezes, e não considero isso um apelido, porque pra mim é como se fosse um primeiro nome. Até porque meus pais só me chamam de Anna Vitória quando estão bravos ou sérios, e sempre que sou chamada assim tenho a impressão que a pessoa também está. Tenho um amigo que costuma me chamar assim, e vez ou outra, quando ele diz meu nome, já fico instintivamente tensa interiormente, pensando que ele vai continuar a frase com algo do tipo "Por que você não arrumou sua cama até agora?". Mania de perseguição, trabalhamos. Por causa das pernas compridas, o famigerado Anninha nunca pegou, até o dia que criei um blog.

Acho engraçado e fofo que os leitores mais chegados daqui sempre me chamam de Anninha, e quando tem conferência no Skype com as mafiosas amadas também é assim que me chamam. Às vezes rola uma confusão, porque nunca sei direito se elas estão falando comigo ou com a Analu, as duas An(n)as da galhera, porque acho que ela tem bem mais cara de Aninha do que eu, mas de toda forma, acho fofo, acho florzinha. Alguns professores também costumam usar o Anninha e no início eu acho estranho, não sei se é comigo que eles estão falando. É um apelido que meus amigos nunca usam, não naturalmente, acho que nunca ouvi um "Anninha, me empresta a borracha?" ou "Ai Anninha, que aula chata", o diminutivo é sempre usado como recurso de deboche ou persuasão ("Annniiiiiinhaaaaaa, vamos na cantina comigo?"); no entanto, para o primeiro, meus amigos recentemente tem adotado o Chatanna, ou até Chatanninha. Já o  Matheus costuma me chamar de Chicória (Vitória ~ Chicória). No começo era pra fazer graça, mas ele está começando a se acostumar com isso e vira e mexe eu atendo o telefone e escuto "E aí, Chicória?". Sou muito respeitada.

Anninhas e Chatannas à parte, depois de Tó eu só não gosto mesmo é que me chamem de Vitória. Não é porque eu não gosto do nome, mas é porque eu não me chamo Vitória. Estava conversando sobre isso com a Analu e ela disse que odeia quando a chamam de Luísa, simplesmente por esse não ser o seu nome. Se falam Vitória eu realmente acho que não é comigo e fico incomodada, como se estivessem me chamando de Bárbara, Coralina, ou um nome aleatório qualquer e o pior é que isso acontece bastante. Meu professor de Física do primeiro colegial, que só é perdoado porque foi um dos melhores professores do mundo, sempre que falava comigo primeiro usava o Vitória, invariavelmente. Aí ele me olhava, hesitava, e dizia "Não, peraí, Anna Vitória". Outro professor costumava usar Anna Vic e eu nem me importava tanto, mas tive uma professora de ballet que me chamava de VIC. Poxa, a mulher usava um apelido, de um nome que não era meu, ainda por cima com a grafia errada!

Os únicos que tem permissão para me chamar de um nome que não é meu são meus avós. São muitos anos de troca incessante de nomes no clã dos Rocha, e se eu fosse um tantinho só mais instável mentalmente, já teria desenvolvido uma personalidade independente para cada nome que me chamam. Minha tia, irmã do meu pai, se chama Carolina, mas em casa todos a chamam de Loli. Ela tinha mais ou menos uns 19 anos quando eu nasci, mas até hoje somos bem parecidas fisicamente, o que imagino ser a razão dos meus avós, em exagerada frequência, me chamarem de Carolina/Loli, e a ela de Anna Vitória. Quando um deles abre a boca já fico até rindo vendo sair o clássico "Ô Carolin...Anna Vitória". A confusão se tornou ainda maior quando minha prima Mariana nasceu, nenhuma de nós três nunca mais foi chamada pelo nome certo, até porque o Gustavinho, irmão da Mariana, a chama de Nana, assim como o resto da família, e pedir pra separar Anna de Nana é meio demais, né? O episódio mais engraçado, no entanto, aconteceu quando Mariana tinha alguns dias de vida e a casa estava naquele furor por conta do novo bebê. Minha avó foi falar comigo e olha bem o que saiu: "Ô Carolina, er, quer dizer, Mariana, hmmm CARIANA, VEM CÁ".

No meio dessa confusão toda, meus primos me chamam de Tetê, e até hoje ninguém sabe de onde eles tiraram isso.

Katie White curtiu esse post



terça-feira, 11 de outubro de 2011

Aurora da minha vida

Semana do dia 12. No Ensino Fundamental era sinônimo de Semana da Criança, onde cada dia tinhamos uma atividade diferente na escola: parques, excursões, filmes e piscina, e eu me dividia entre elas e a programação da Sessão da Tarde, já que tinha o privilégio de, nesses dias, escolher se eu queria ou não ir pra escola. Ficava em casa nos dias de filme dos Trapalhões, Elvira - A Rainha das Trevas e Convenção das Bruxas, nos outros ia para escola fazer farra e dar sossego pros meus pais. Já no Ensino Médio, pelo menos aqui em Minas, é Semana do Saco Cheio. Uma semana sem aulas, indo dormir tarde, acordando mais tarde ainda, cinema e casa dos amigos todo dia, fazendo farra e tirando o sossego dos meus pais - até parece. Terceiro ano, duas semanas para o Enem, os burros de carga da escola (nós) fazendo provas de manhã e a noite (sim, senhores), feriado quarta pra ninguém morrer e quinta e se inicia a mega-revisão, onde temos o direito de ficar de boca fechada, de preferência anotando rápido as 17 mil palavras que os professores dizem por segundo.

É sério que um dia eu disse que queria crescer?

Para compensar a frustração de sair de casa às 7h e ver as ruas praticamente ausentes de pessoas com menos de 18 anos usando uniforme, nesse tempinho delícia de dias cinzas bons pra dormir o dia todo, nada melhor do que voltar ao passado. Ou nada pior, porque nesse momento a nostalgia traz mesmo é raiva. Mas ok, fingirei que está tudo bem, que sou florzinha, e responderei a esse meme, que de fato é um amor, que a Dani passou, com memórias de infância. Porque recordar, é viver. Ou quase. Se não for, de todo jeito, é o que temos pra hoje.

Desenhos favoritos

Já começo o meme causando, porque ao invés de 5, falarei de 15 desenhos animados. Sim, porque a infância, veja bem, dura muito tempo, e confesso que não fui a criança mais fiel do mundo às minhas atrações favoritas. Explico: quando eu era bem nova, assistia só Cartoon Network. O dia todo. Minha vida era o Cartoon, a programação do meu dia era regida de acordo com a grade horária do canal e pra mim o único mundo que existia além disso era do Bananas de Pijama, que passava no programa da Eliana. Alguns anos depois, descobri o Nickelodeon, e uma nova porta se abriu na minha televisão. E daí rolou um conflito, claro, porque eu tinha que ficar me dividindo entre os desenhos que passavam no mesmo horário, e vocês sabem que eu sou do tipo que tem problema na hora de fazer escolhas, ainda mais se forem cruciais como essa. Além da Nickelodeon, surgiu na minha vida também o antigo Boomerang, que passava os clássicos da Hanna Barbera que saíram da grade do Cartoon. Eram os desenhos da época dos meus pais, e eles assistiam comigo e também se divertiam pra caramba. Por isso escolhi 15 desenhos, dividindo-os entre 3 classes: Cartoon Network, Nickelodeon e Boomerang, que também pode ser subentendidas como primeira infância, segunda infância e pouca infância.

Tom e Jerry, O Laboratório de Dexter, Pokémon, As Trigêmeas, Hamtaro, Franklin, Doug, A Pantera Cor-de-Rosa, Os Flintstones, Space Ghost, Coiote e Papaléguas, Corrida Maluca, Ei Arnold e Ginger

Programas de Tv preferidos
Olha, eu vejo novela desde que me entendo por gente. Uma das minhas novelas favoritas é Por Amor, do Maneco, que foi ao ar quando eu tinha 3 anos, e depois umas duas vezes de reprise. Assisti a praticamente todas as novelas das oito (e das seis, e das sete) até mais ou menos os 13 anos de idade, e acho que isso não me fez crescer com valores deturpados ou algo do tipo. Por isso sempre me irrito sempre que alguém vem com esse papo de que criança só pode ver coisa educativa senão vai crescer e ser uma pessoa ruim e com péssimas influências. Isso pra mim é papo de quem não sabe educar filho direito, ou tem medo de não saber. A única novela que minha mãe não me deixava ver era Torre de Babel e até hoje não sei bem o por que da proibição, mas estamos aí. Até hoje nunca matei ninguém e estou longe de pensar que dinheiro e aparência são tudo na vida. Sem falar que aprendi desde cedo que existem pessoas más no mundo, e vi que bebês não vem das cegonhas sem ter que embaralhar meus pais com essas questões constrangedoras. Além de novelas, gostava bastante de Você Decide, Bom Dia e Cia, Caça Talentos e Xuxa Park.


 Filmes favoritos
Barbie, A Estrela do Rock é uma pérola. Alugava-o numa frequência obsessiva na mini-locadora que meus pais frequentavam, e depois que ela fechou nunca mais encontrei esse filme épico em lugar algum. Não me lembro muito bem da história, mas sei que tem algo a ver com a Barbie roqueira fazendo shows no espaço ou algo do estilo, bem o tipo de coisa que jamais existiria não fosse pelos anos 80. Já tentei achar pra fazer download, mas só consegui mesmo foi a trilha sonora, que tem uma versão traduzida de I'm Happy Just To Dance With You, que virou Só Quero Dançar Com Você - tentei achar no Youtube, mas não rolou (beijo, Tulipa!)

Mulan, Os Três Porquinhos, Barbie Estrela do Rock, Anastasia e Branca de Neve

Brinquedos favoritos:


 Apesar de gostar muito de Barbie, a coisa que eu mais brinquei durante toda minha infância foi de boneca, dessas comuns estilo bebêzão e não essas medonhas que de fato parecem bebês. Tenho medo. Sou mais essas cabeçudas carecas que tem cheiro de talco. Já a Barbie me dava um pouco de preguiça, porque montar a casa dela era um pouco complexo. Nunca tive casa a casa da Barbie - na verdade acho que nunca existiu a casa completa - e, portanto, tinha que improvisar com os pedaços de casa que eu tinha, como o quarto - que era lindo -, a piscina, a cozinha - que era genérica e um pouco maior que as proporções da Barbie (as comidas eram mais ou menos do tamanho do tronco dela) - e pronto. Uma coisa que eu amava eram as Barbies de coleção. Passava HORAS no site babando em todas e nunca realizei meu sonho de ter uma. A minha preferida era essa da foto, especial da Versace (sim!) e hoje acho que ela parece uma versão mais simpática da própria Donatela, meio biscate, mas ok.

Guloseimas:

 
Minha mãe sempre foi muito cheia de frescuras no que dizia respeito à minha alimentação. Eu era toda saudável e verde. Achava um saco, claro, mas hoje agradeço por isso, porque mesmo depois de anos de educação alimentar rígida eu tenho esse ogro dentro de mim, imagina o que teria acontecido caso o monstro tivesse crescido sem freios? Pesaria uns 215 quilos fácil. Então, todas essas guloseimas tinham o sabor mais que especial de serem raras e sempre proibidas. Se eu comia alguma coisa dessas uma vez no mês já estava no lucro, era o ponto alto do período. É claro que ficava pra trás de todas as coleções, como aquelas coisas que vinham dentro dos salgadinhos, os cars de Pokémon e tudo mais, embora minha coleção de surpresas do McDonalds fosse de dar inveja. Tinha tudo.

Seriados favoritos:

Dessas cinco, certamente, Castelo Rá-Tim-Bum foi minha favorita. Assisti por anos e tinha todas as fitas - ah que arrependimento de ter dado todas para os primos bebês. Não esqueço de um dia que sonhei que estava no castelo e acordei chorando pra caramba porque não era verdade. O programa passa até hoje na Tv Cultura, e ainda na Tv Rá-Tim-Bum, um canal novo mágico que passa todos os clássicos da Tv Cultura, vejo sempre. Já Sabrina, Alf e Kenan e Kel são clássicos do Nickelodeon, que eu amava e amo até hoje. Meu preferido  era Kenan e Kel, o mais abestalhado de todos. Hoje em dia confesso que só acho graça quando assisto com meus primos, sozinha eu vejo como é idiota. Já Alf eu amo muito atualmente, e amo estar na madruga boladona vendo tv de madrugada e ver que está passando. É sensacional. Sabrina - A Aprendiz de Feiticeira é o único que não passa mais, uma pena, era muito legal. O mais bizarro e engraçado do programa todo é o Salém, esse gato preto muito artificial, notadamente um robôzinho muito mal disfarçado. O outro, Clube do Travesseiro, passava no Boomerang logo depois que o canal parou de exibir os desenhos antigos. A história é de um grupo de amigas que adoram fazer noites do pijama e unir forças para enfrentar as agruras da pré-adolescência. Minha cara, né?



quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Para gostar de Beatles

Sempre que falo sobre os Beatles por aqui, algumas pessoas comentam que conhecem pouco da banda e que gostariam de saber mais, que apesar de gostarem da proposta não tem paciência para conhecer a discografia, ou então que só conhecem os grandes hits e que não foram muito tocados por estes. Pensando nessas pobres almas e também naquelas que ousam dizer que não curtem o fab four, resolvi fazer essa mixtape para converter a todos, ou ao menos alguns. Porque olha, não confio em quem não gosta dos Beatles. Não confio porque é a melhor banda do mundo. E você pode preferir Rolling Stones, AC/DC, U2 e Led Zepellin, e eu não questiono a qualidade de nenhum deles, mas o que os Beatles fizeram e trouxeram para a música não vai se repetir. Eles são eternos, e isso eu não li em lugar algum ou me foi contado por alguém, eu vi: naquela linda noite de novembro, estava lá com 60 mil pessoas, crianças e senhores de cabeça branca, coxinhas e metaleiros, ouvindo o coro uníssono em canções de uma banda que acabou há mais 30 anos, regidas por um velhinho de 68, charmoso como poucos em seu terno azul.

Eu era bem nova quando ouvi Beatles pela primeira vez: foi num jantar na casa dos meus tios onde tocava o One. Meus pais gostaram muito do disco e compraram também, mas eu tinha um bocado de medo de ouví-lo, porque sabia que o John Lennon havia morrido, e naquela época eu tinha medo de ouvir gente morta cantando. Paranoias de infância. Então que um dia, me borrando de medo, apertei o play e pus aquele cd vermelho pra tocar, e pensei que algo tão legal e divertido não poderia fazer mal. Minhas músicas favoritas eram Love Me Do e Lady Madonna. Alguns anos depois ganhei o Revolver de presente, e fiquei surpresa com aquele som, que pra mim não tinha cara de Beatles. Beatles pra mim era ié-ié-ié e existe alguma coisa menos ié-ié-ié do que o Revolver? Aos poucos, fui me acostumando com aquele som novo, a aprendi a gostar; aliás, gostei tanto que depois disso peguei até uma birra das canções antigas. Nessa época, For No One se tornou minha música favorita, e ouso dizer que ela talvez seja minha favorita até hoje - se não A favorita, certamente uma das.

Algum tempo depois vim a conhecer o resto da discografia, e aí não tinha mais volta. Me apaixonei perdidamente por todos os cds, cada um a seu tempo, e todas as músicas tiveram seu momento especial. De tempos em tempos cismo com algum cd e ele então se torna meu favorito, mas logo mudo de ideia e escolho outro. O primeiro que amei foi o Revolver, depois o Please, Please Me (fiz as pazes com o ié-ié-ié), Abbey Road, que foi meu amor por muito tempo, Rubber Soul, e já faz alguns meses que ando de amores com o o Álbum Branco. Copiando a ideia da Rúvis, que tentou converter seus leitores em fãs de Death Cab For Cutie, nessa mixtape tentei mesclar o que há de melhor e mais amado em todos eles, na esperança de que vocês venham a amar também.


Mais blablabla sobre as músicas escolhidas!



domingo, 2 de outubro de 2011

Apenas um filme chato