terça-feira, 30 de dezembro de 2014

More adventurous

Ou: Acontecem coisas 

I've felt the wind on my cheek coming down from the east
And thought about how we are all as numerous as leaves on trees.
And maybe ours is the cause of all mankind: 
Get loved, make more, try to stay alive.

O último post do ano é um texto que eu sempre fico ansiosa para escrever. Vai chegando novembro e eu começo a pensar em como definir aquele ano que está acabando, o que eu quero pro que vem em seguida, o que prestou e o que é melhor deixar para trás. Sei lá, sou brega e gosto de balanços, principalmente porque eles me mostram que as coisas são, estão e foram melhores do que o meu pessimismo me deixa enxergar, e eles me forçam a sempre agradecer mais do que pedir ou reclamar. 

Bem antes de novembro eu já sabia que o último post de 2014 seria intitulado de More Adventurous. Mais aventureiro. Grandes bosta, né? Eu explico: More Adventurous é o nome de um cd do Rilo Kiley, que não por acaso completou dez anos esse ano e é um dos meus discos favoritos da vida. Eles tem uma música com esse nome também, que é uma referência a um poema chamado Meditations In An Emergency, de um poeta americano, o Frank O'Hara. O verso diz: "each time my heart is broken it makes me feel more adventurous". Pra mim, esse espírito aventureiro catalisado pelo coração partido (olha o DOIS MIL E CATARSE de vocês o que que virou) passa uma mensagem que as frustrações acabam gerando resistência e coragem.


Quanto mais a gente suporta sem morrer, mais ousados ficamos. Olha, se eu aguentei isso eu aguento muita coisa, eu sou capaz de muito mais - ou algo assim. Não é maravilhoso? Sou tão apaixonada por essa ideia que eu, que sempre digo que não tenho tatuagem porque nunca pensei em nada que eu realmente queira tatuar, ando olhando a parte interna do meu braço e achando que ali talvez seja um bom lugar pra eu me lembrar de ser sempre mais aventureira.

2014 foi uma aventura. Foi um ano difícil, pesado, estranho. Não preciso enumerar os motivos, sei que cada pessoa que ler esse texto vai ter seu elenco particular de razões para justificar isso. No dia quatro de maio eu pulei sete ondas no Rio de Janeiro, de mãos dadas com as minhas amigas, porque nós já estávamos sentindo a coisa desandar e achamos que era melhor começar de novo. Agora vai, sabe como é? E eu não me arrependo de nenhum segundo daquela manhã na praia, nem lamento o voo perdido, a bronca levada, ou as quinze horas de viagem de volta. Mas a partir daquele dia foi só ladeira abaixo. 

o ano em uma imagem
Em 2014 eu vivi a pior fase da minha vida na faculdade. Eu, que sempre fui caxias mesmo nas piores circunstâncias (acho que quem suporta geometria analítica sem enlouquecer ou desistir no meio é muito vencedor), me vi matando aulas a rodo e deliberadamente deixando de fazer trabalhos simplesmente porque eu não tinha energia pr'aquilo. E isso me quebrava por dentro, drenava minhas forças, e deixou as pessoas ao meu redor preocupadas. De alguém que sempre diz que está tudo bem eu fiquei esgotada e me transformei na pessoa que responde que olha, não tá tudo bem não e se você me dá licença eu tô cancelando o dia pra ficar aqui deitada na minha cama vendo Breaking Bad. 

Em 2014 muita coisa deu errado. MUITA COISA. Sabe quando você planeja algo já contando que alguma merda vai brotar de algum lugar, nem que seja do espaço, porque foi assim que aconteceu nas últimas, sei lá, 18 vezes? E aí seu pressentimento é comprovado e dá tudo errado e lá vamos nós começar de novo, plano Q da cartilha. Sabe quando está tudo dando certo e você fica assustada porque sabe que se deu certo até agora é porque ainda não acabou e vai dar errado em algum momento e SURPRESA SURPRESA lá está você às duas da manhã chorando, tremendo de raiva, redigindo um maldito de um recurso que, spoiler, não vai servir pra nada? 2014, that's how we rolled. 

Em 2014, uma das coisas que eu mais queria e que todo mundo dizia que já era minha, que seria fácil, que não fazia o menor sentido do mundo eu não conseguir, deu, adivinhem, errado também. Mesmo eu tendo feito tudo certinho, mesmo tendo me esfolado por isso, mesmo tendo tentado o último dos recursos. Deu errado. Porque deu, porque a vida é assim, porque eu raspo do fundo do meu âmago atrás de uma fé que me consola dizendo que se não foi não era pra ser.

Em 2014 eu virei algumas noites trabalhando. Mas, nesse mesmo 2014, eu vi o sol nascer de uma pista de dança mais de uma vez. Eu me diverti em 2014, nossa, eu me diverti de verdade. Vendo futebol, dando gostosas risadas na internet, com a pizza nossa de toda sexta-feira, dançando, sambando, quebrando tudo sem parar. Eu aprendi a rebolar em 2014. Aprendi ou perdi a vergonha, qualquer um tá valendo. Nesse ano eu rolei na areia e fiquei louca, eu cantei Mardy Bum no show dos Arctic Monkeys, eu dancei Papo de Jacaré com meu pai e passei noites berrando músicas da Taylor Swift com minhas amigas. Em 2014 eu e meus amigos colocamos colchões na sacada gigante do nosso flat alugado no Espírito Santo e passamos horas deitados, sentindo a brisa do mar, cantando e pensando que a vida, ela às vezes é muito boa.

Em 2014 eu viajei pra caramba. Duvido que tenha passado um mês sem ter uma mala revirada num canto do meu quarto, porque eu simplesmente odeio desfazê-las. Eu viajei com minha família e junto com minha mãe mergulhei com peixinhos (que eu morri de medo risos) e conheci o melhor mar da minha vida. Viajei com minhas amigas sempre que deu, e um belo dia eu estava olhando passagens aéreas (exercício constante na minha vida) e achei uma pro Rio que não era exatamente barata mas não era exatamente cara, e eu pensei que não tinha literalmente nada melhor pra fazer com meu dinheiro do que transformá-lo numa loucura carioca, e um mês depois eu estava no Rio (de novo graças a Deus), com as minhas pessoas, na melhor festa da piscina que já se teve notícia. Eu viajei vinte horas no ônibus semi-decrépito da faculdade e descobri que faria tudo de novo. A ida, a volta e nosso pequeno idílio capixaba. Eu fugi pra São Paulo porque decidi que não apenas queria muito como eu ia de qualquer jeito ver o Castelo Rá-Tim-Bum e com isso eu descobri que, às vezes, quando a gente resolve fazer as coisas ao invés de só querer fazê-las, a gente de fato faz tudo o que quer. Ou pelo menos o que é possível. 

Apesar dos nossos corações partidos, we should become more adventurous, não é, Jenny? 

Me peguei lendo meus últimos últimos posts do ano e no de 2011, que na verdade foi escrito em 2012, eu pedia pelo amor de Deus para que o ano seguinte fosse diferente e interessante. Por muitos anos eu sentia que minha vida era bem mais do mesmo, principalmente durante o ensino médio.  Uma coisa morna, chata e repetitiva, sem surpresas. Quando a escola acabou eu queria dar um perdido na rotina e ver coisas novas, conhecer gente, viver, olha só que coisa, aventuras. Eu queria viver, caramba. E lendo aquele post eu sinto que hoje eu vivo a vida que eu sempre quis. Que não é fácil, mas eu nunca esperei que fosse. 

Meus dias sempre são diferentes uns dos outros (o que é ótimo e terrível ao mesmo tempo, sempre tomem cuidado com aquilo que vocês desejam), eu vivo cercada de gente maluca (e a maioria é maravilhosa também), eu ralo muito pra conseguir o que eu quero (e sim, as coisas dão errado, mas quando elas dão certo elas dão muito certo e a satisfação é multiplicada por milhões), e eu acho assustadora essa coisa de estar vivendo a minha vida de acordo com o meu nariz (fico pensando quem foi que autorizou essa palhaçada), mas juro pra vocês que eu não queria que fosse de outro jeito. 

Em 2014 eu vivi muito, pro bem e pro mal. Ainda bem. 

E eu sobrevivi pra contar essa história pra vocês, então só tenho a agradecer a Deus por isso - por cuidar de mim, por não deixar eu me perder (muito), e por me fazer acreditar - sempre. Não tenho coragem de pedir pra desacelerar, não agora (quer dizer, seria ótimo desacelerar um pouco MAS É APENAS UMA SUGESTÃO), então pro ano que vem eu só quero saúde, pra mim e pros meus, pra continuar. Com o resto a gente se vira.

(Mas seria ótimo ter coragem pra furar o nariz também)
(Talvez seja um ano pra levar a sério essa coisa de escrever)
(Não seria de todo mal arrumar meu armário. Ou pelo menos organizar meus livros, isso eu preciso conseguir)
(Mas sério, o que eu preciso mesmo é parar de dormir depois da meia-noite)
(E ser uma pessoa melhor, sempre)

o futuro em um meme

((putz, meia noite e dezenove já))

domingo, 28 de dezembro de 2014

SO CONTAGIOUS AWARDS: melhores filmes, séries e qualquer outra coisa que possa ser vista numa televisão

Enfim chegamos à última parte desse tão importante prêmio para a comunidade internética. Queria trazer alguém mais interessante para finalizar essa cerimônia em grande estilo (?), mas fui informada que hoje é dia do Melhores do Ano do Faustão e os globais estão lá fazendo hora extra. Pra piorar, a Taylor Swift já está de férias. Então vocês vão ter que se contentar comigo mesmo. 
























Não sou uma pessoa com hábitos televisivos muito consistentes, por isso não vejo motivo de fazer um post especial só para séries porque 1) vejo pouca coisa mesmo e 2) do pouco que eu vejo nada é de 2014. No entanto, 2014 foi o ano que eu assisti Breaking Bad e nossa. NOSSA. Eu poderia ter assistido a todas as séries que estão no ar atualmente e eu aposto muita coisa que nenhuma delas seria melhor que Breaking Bad. Me sinto até desobrigada de assistir outras coisas, porque sei que nada vai superar Breaking Bad então meio que lavo minhas mãos. 

"Mas nossa Serial é tão legal!!111" "Mas Anna, e o casamento vermelho????" "Ai, mas com esse tanto de expectativa eu vou me decepcionar :( "


Então, se você estiver meio sem perspectiva para 2015, siga um bom conselho, eu te dou de graça: inútil dormir que a dor não passa assista Breaking Bad. Se tudo der errado no seu ano, pelo menos você vai ter assistido a uma série ótima e vai ficar feliz por isso (ou não, porque até hoje perco o sono preocupada com Jesse Pinkman). 

Nessa minha jornada ao lado de Mr. White e baby Jesse, escrevi dois textos: um sobre a série e outro focado na sua trilha sonora, com meus 10 momentos musicais favoritos. E caso você tenha perdido, para celebrar o último ano da série no Emmy, o Aaron Paul organizou uma incrível caça ao tesouro de Breaking Bad com direito a brindes espalhados por Los Angeles sendo entregues pelo próprio elenco. A brincadeira teve direito a café da manhã com Walter Jr. e o próprio Aaron Paul, uma das melhores pessoas a habitar o mundo em 2014, aguardando os fãs na linha de chegada. Aff, melhor série.

Claro que a Breaking Bad levou os prêmios mais importantes, e então isso aqui aconteceu:


Ainda que eu tenha começado a assistir Parks and Recreation ano passado, foi em 2014 que a série ganhou um espaço definitivo e irrevogável no meu coração, ficando abaixo apenas de Friends entre as comédias - que todos sabemos que é hors concurs. Eu amo tanto essa série e esses personagens que meu coração chega a doer. Leslie Knope é uma das melhores personagens femininas e um dos meus principais role models televisivos, e Ben Wyatt veio para ocupar o lugar de Seth Cohen na minha vida, naquela categoria amo-tanto-que-tenho-medo-de-nunca-conseguir-gostar-de-um-cara-do-jeito-que-eu-gosto-dele. A última temporada de Parks vai ao ar agora em janeiro e eu definitivamente não estou pronta.

O que me consola é, apesar do tanto que ela é subestimada, em 2014 a Amy Poehler finalmente ganhou um Globo de Ouro, então isso aconteceu: 


As menções honrosas ficam pro fato de que esse ano eu finalmente comecei a assistir Game Of Thrones! Só assisti a primeira temporada até agora, porque vivo uma doce ilusão de que vou conseguir ler os livros antes de ver a série, mas sei que as coisas se misturam ali pela terceira temporada e sinceramente não sei se vale a pena esperar e perseverar nas leituras, ou se é melhor tacar-le o pau de uma vez. Comecei a assistir também Six Feet Under, que eu tenho vontade de ver desde a época que ela passava na Warner e tinha uns comerciais excêntricos e maravilhosos. Amo a série com todo o meu coração, mas é algo que eu definitivamente não consigo e nem pretendo maratonar, porque acho ela densa demais, me esgota emocionalmente e eu gosto de absorver cada detalhe macabro e triste da saga da família Fisher. O John Teti, do AV Club, está revendo a série e fazendo uma análise bem minuciosa de cada episódio. Estou amando assistir com ele e recomendo muito as discussões que rolam nos comentários. Pra fechar, comecei a ver The Middle, uma comédia que é meu oásis mental sempre que estou enlouquecendo. Série com uma vibe ótima e personagens muito apaixonantes. Recomendo bem. 

Muito importante: agora tem Gilmore Girls no Netflix. Estou revendo, derretendo, sorvendo cada episódio como se fosse o néctar dos deuses, chorando descontroladamente o tempo inteiro e está sendo absolutamente maravilhoso. Obrigada, Netflix. 

E micão do ano (quiçá da década, já que esse ano Lost completou 10 anos e pode descansar em paz), CLARO que foi a tão aguardada temporada final de How I Met Your Mother. Eu já estava odiando tanto o prelúdio do fim, com aqueles episódios sem pé na cabeça, que não acreditei que o final poderia me causar tanta repulsa. Mas nossa. NOSSA. Não tive força vital para comentar sobre porque só conseguiria gritar e ter ânsia de arrancar aquela peruca medonha da Robin, mas a Milena fez um ranking definitivo com as 5 coisas ruins melhores que o final de HIMYM, a Fernanda escreveu uma análise mais racional sobre o fim (e concluiu que foi uma bosta, risos) e o João Baldi fala do fim da série como uma não-jornada do herói.  O máximo que eu consegui foi lamentar o potencial perdido e falar dos meus momentos musicais favoritos da série. Pra mim, a única coisa que prestou na última temporada foi eles terem usado "Try a Little Tenderness" para o Ted e a Mother. 

Passando pro cinema, mas ainda falando de coisas ruins e micão, o filme que eu menos gostei de ver esse ano foi Malévola. Quer dizer, eu vi um filme com a Giovana Antonelli que foi SOFRÍVEL e eu não acredito até agora que paguei pra vê-lo, mas não é como se eu estivesse esperando que fosse bom. Com Malévola eu ainda tinha uma esperança. Pequena, mas uma esperança bem sincera que foi totalmente despedaçada por esse filme mal escrito pacas, que se foca tanto em ser transgressorzão e desenvolver uma personagem que esquece de todo o resto. Como se não fosse possível ficar pior, eles ainda me colocam a Lana del Rey para ANIQUILAR minha música favorita da Disney.

A parte boa foi que ele me fez rever A Bela Adormecida versão clássico da Disney e sim, ele continua maravilhoso e sombrio e o príncipe Felipe é completamente apaixonante. As três boas fadas choram sobre os chifres da Angelina Jolie (e já acendem uma vela pra adaptação de Cinderela que vem aí).


Da temporada de premiações (meu comentário sobre quase todos os filmes aqui), meu favorito do ano (que é do ano passado, mas enfim) é O Lobo de Wall Street, porque lógico. Foi o primeiro dos concorrentes ao Oscar que eu assisti e mesmo sem ver o resto já cravei que ele seria meu favorito e assim ele se manteve. Infelizmente não ganhou todos os prêmios que merecia, e não foi dessa vez que nosso Leozinho DiCaprio foi agraciado com uma estatueta, mas de Oscar do meu coração Leozinho faz coleção teve bão demais. Menção honrosa para Her,  que por pouco muito pouco não fica em primeiro lugar. Por ser um filme tão bonito, tão triste e tão assustador ao mesmo tempo. Eu temi muito pelo nosso futuro, e vocês? E, claro, pela lavagem de roupa suja classuda entre Spike Jonze e Sofiazinha Coppola no embate entre o filme dele com o Lost In Translation dela.

O Troféu Good Vibes do ano fica com About Time, comédia romântica britânica que é o melhor filme sobre viagem no tempo que eu já assisti. Tem Domhnall Gleeson sendo ruivo, lindo e encantador, tem Rachel McAdams mais uma vez fazendo com que todas nós queiramos ser ela nem que seja por um dia, e tem uma daquelas mensagens fofas, simples, de deixar o coração quentinho, que nos provoca uma vontade genuína de ser uma pessoa melhor e aproveitar mais a vida.

Ser Rachel McAdams inclui casar de vermelho também por favor 


















Só esse ano que eu assisti ao absolutamente necessário Medianeras e preciso falar dele também. Além de ter monólogos incríveis e nos apresentar uma Buenos Aires caótica e lindíssima (vocês também anotaram o nome dos prédios para uma possível futura visita ou fui a única?), ele é um filme que nos ajuda a acreditar, sabe? Pra mim ele é a materialização da minha quote favorita do John Green: true love will triumph in the end - which may or may not be a lie, but if it is, then it's the most beautiful lie we have. 

Já que estamos aqui na América do Sul, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho foi meu filme nacional favorito do ano. Vi pouquíssimos filmes brasileiros esse ano, novidades menos ainda, mas estou segura de que esse foi um dos melhores por ser sobre jovens e por tratar o amor, independente da forma, de uma forma tão delicada e bonita.

No terreno das adaptações, esse ano foi marcado por três filmes muito aguardados, que vieram carregados de bastante expectativa e que se superaram, ao menos pra mim: o primeiro foi A Culpa É Das Estrelas, que conseguiu captar lindamente o espírito da história e ainda melhorou o livro em vários aspectos. Detestei a trilha, mas amei todo o resto e chorei minha alma pelos olhos (por vários e inconvenientes minutos). Depois veio Garota Exemplar, que eu assisti sem saber nada da história e sem ter lido o livro. Achei o filme MUITO BOM, e o livro é excepcional - por isso que, tendo reassistido ele essa semana, não pude deixar de concordar que sim, perde-se um bocado, mas continua sendo um filme especialmente bem feito e o que é Rosamund Pike como Amy? Sempre acreditei em você, Jane Bennet!


Por fim, agora no finzinho do ano assisti a primeira parte (por que, Deus, por quê????) de A Esperança, da trilogia Jogos Vorazes. Vocês sabem que eu tenho problema com os livros, e mantenho minha posição de Em Chamas: os filmes são tão melhores! TÃO MELHORES! Talvez já seja hora de relê-los para elaborar melhor essa opinião, mas enquanto não me sobra tempo (nem paciência pois Katnizzzz) fica no ar minha declaração que o cinema dá conta da história de forma bem mais completa que os livros. O que o segundo filme tem de energia, esse tem de peso e tristeza. Chorei desesperada e sozinha a sessão toda e não sei de onde vou tirar forças emocionais pra parte final.

O Troféu Surpresa 2014 vai para um filme que estava no meu computador desde que saiu em torrent e eu só resolvi assistir porque sabia que ele tinha uma trilha sonora interessante e eu precisava de uma pauta para a Coffee & TV. O que aconteceu foi que eu fiquei tão apaixonada por Frank que emendei a leitura do livro no qual o personagem principal foi baseado na mesma noite, e saí lendo tudo a respeito da história na internet. Eu recomendaria mais para quem curte filmes sobre música e a indústria no geral, porque ele vai falar sobre experimentalismo, artistas marginais, relação entre internet e música, e a desumanização do hype. No entanto, ele é bem divertido e adoravelmente estranho, e o personagem do Frank, uma interpretação realmente impressionante do Fassbender (com uma cabeça de papel-maché na cabeça o tempo todo e ASSUSTADORAMENTE expressivo), é um personagem tão foda que acaba valendo a pena pra todo mundo.

A quem interessar possa, escrevi sobre ele de forma mais completa (com um pouco da história real do Frank) lá no Move. 





















Deixei o melhor pro final, claro, já que vocês me aguentaram até aqui e merecem um prêmio. O vice-campeão de filme favorito de 2014 vai pra melhor experiência no cinema do ano. Não estou falando nada de revolucionário ou ambicioso como Gravidade, mas de um filme que me fez lembrar por que eu ainda saio de casa e encaro as pessoas para ver filmes. Por que eu pago caro por isso, e às vezes ainda pago mais caro ainda por pipoca e Coca-Cola pra acompanhar. Quando vi Guardiões da Galáxia no cinema eu já estava revendo o filme e fiquei tão feliz por ter pagado pra ver uma história eu já conhecia! Ok que a qualidade do meu download estava horrível, mas fiquei especialmente satisfeita com aquela sessão, sabe? Reservar duas horas do meu dia para estar com personagens divertidos aprontando altas confusões no espaço, ao som de uma sensacional trilha sonora e o lindo do Chris Pratt. Entretenimento puro, blockbuster, exploração da Marvel e coisa e tal? Também, mas por que isso precisa ser necessariamente ruim ou inferior. Superem. Que coisa bem boa foi ver esse filme.

E o melhor filme do ano é o Melhor Filme do Ano™ também pelo fator experiência cinematográfica, mas dessa vez o conceito é mais filosófico. Boyhood é meu filme do ano porque ele me lembrou por que é que a gente ainda faz e se importante com o cinema - ou com qualquer forma de arte, mesmo. Não é um filme de quase três horas que acompanha doze anos (por doze anos) da vida de um garoto, mas um filme sobre a gente e a nossa história, nossas infâncias, nossos problemas de família, nosso primeiro beijo e primeiro coração partido, sobre as músicas que tocavam no carro do nosso pai e melhor spoiler: TOCA WILCO NO CARRO DO PAI DO MASON.

Escrevi um texto que eu realmente gostei sobre esse filme, então como já falei demais, vou deixar aqui e vocês aproveitem (ou não).

Pra finalizar, já que eu, por algum estranho motivo, comecei esse texto falando do Melhores do Ano do Faustão, me sinto no direito de comentar a melhor coisa que aconteceu esse ano na TV brasileira e ela foi: sim migas, Chay Suede no horário nobre com sotaque pernambucano. Obrigada, Império, pela graça alcançada. QUE HOMEM. Volta, Chay!




terça-feira, 23 de dezembro de 2014

SO CONTAGIOUS AWARDS: melhores (piores, y otras cositas más) leituras do ano

Eu ia gravar um vídeo. Eu juro que eu ia, inclusive gravei um vídeo de meia hora mas fui interrompida por uma coisa que chamaremos aqui de falta de voz. A garganta da Analu esperou cinco dias para doer e a minha foi ainda mais parceira e esperou duas semanas, mas doeu, dói, e sequestrou minha voz. Como vou viajar hoje e só volto dia 27, pra depois viajar de novo, resolvi fazer a retrospectiva logo e não deixar pra 2015 e zicar meu ano literário.

Se você queria um vídeo eu juro que ano que vem tem alguma coisa (pode cobrar, Lu), se você não queria pode levantar as mãos pro céu que não vai ter euzinha falando groselha por mais de 50 minutos - fique à vontade pra me trocar por um episódio de Sherlock. Sempre tem outros troféu. Por ora, vamos de textão mesmo.


2014 não foi um ano muito produtivo, literariamente falando. Li 34 livros, mais do que ano passado, mas a classificação de duas e três chicórias dominou (clique aqui pra entender meu sistema), vários livros foram bem descartáveis, e sinto que só encontrei meu ritmo por volta de agosto. Insisti muito em livros enormes que não estava gostando, li vários calhamaços que me atrasaram por meses e, no geral, sinto que já tive anos melhores. (lista completa)

Seguindo o esquema de retrospectivas passadas, vou usar como base aquele questionário da Tary, com algumas adaptações para os títulos desse ano. 

O casal mais apaixonante

Eleanor e Park, de Eleanor & Park (Rainbow Rowell): O John Green disse que esse livro nos lembrava como é estar apaixonado - por uma pessoa e por um livro. Acho a Rainbow ótima para descrever sensações, e é graças a isso que fui atropelada por um caminhão de SENTIMENTOS e vi faíscas saindo do simples ato de um garoto segurar a mão de uma garota pela primeira vez. Mais do que um par romântico, Eleanor e Park são parceiros, e todo o movimento coming of age que acontece na vida deles ao longo da história é bem por causa da presença do outro, que os faz mais fortes e corajosos, capazes de vencer o mundo e a eles mesmos. Sempre acredite em histórias de amor que começam com X-Men e The Smiths, e fazem lembrar XO, da Beyoncé.

O melhor livro nacional do ano

- Acredita na fisiologia do coração? Não lhe parece um disparate, esta ciência pretensiosa que se mete a explicar e definir o incompreensível, aquilo que não entende o próprio que o sinta, e que sinta-se, sem ter muitas vezes a consciência desse fenômeno moral? Só há um fisiologista, mas esse não define, julga. É Deus, que formando sua criatura do limo da terra, como ensina a escritura, deixou-lhe ao lado esquerdo, por amassar, uma porção de caos de que a tirou.

Ano passado fiquei com vergonha porque quase não li autores brasileiros. Para remediar isso, me comprometi a ler um autor brasileiro por mês em 2014. Cumpri minha meta direitinho até setembro - depois joguei tudo pro alto porque tinha coisas mais urgentes que me interessavam por aí. Essa brincadeira me rendeu ótimas leituras e me ajudou a cumprir várias pendências, e o melhor resultado disso foi Senhora, do José de Alencar. Tinha trauma com o autor graças a Iracema, por motivos óbvios, mas Senhora mandou todo o receio pelo ralo e me deixou com uma vontade irremediável de ser forte e sensacional como Aurélia Camargo, heroína destruidora, e o mais feminista que uma personagem feminina do século XIX escrita por um homem poderia ser. 

A menção honrosa fica por conta de Nada Dramática (Daysa Dantas), YA nacional delicioso que me levou de volta pro ano de vestibular e me ajudou a fazer as pazes com vários momentos do meu ensino médio. Em 2015, quero ler mais livros nacionais, principalmente os YAs contemporâneos. 

O que me fez chorar 

Enquanto lia Fangirl (Rainbow Rowell), tinha a impressão que ele contava uma história especial porque era vivida, real, por mais peculiar que a Cather seja. Não sei se a Rainbow viveu uma história assim, mas eu passei por bocados bem parecidos e esse livro tocou em aspectos extremamente sensíveis da minha vida (e foi uma ótima terapia), por isso me fez chorar muito, mesmo não sendo um livro-de-chorar. Foi uma identificação cortante, quase uma regressão a medos e inseguranças que já pautaram muito a minha vida, por isso sofri com a Cath, me apavorei com ela, e chorei, emocionada, a cada vez que a ela conseguiu superar ela mesma e sair da casca. Esse livro é muito especial pra mim e foi um dos melhores do ano (#spoiler). 
Menção honrosa para O Segredo de Emma Corrigan (Sophie Kinsella), um chick-lit que definitivamente não é um livro-de-chorar, mas que eu devo ter lido num período sensível da vida porque chorei horrores e até hoje sinto um arrepiozinho gosto de emoção quando lembro do Jack dizendo "I'm afraid of the dark". Paloma me entende.

Decepção do ano

Vi The Vacationers (Emma Straub) em várias listas de livros mais aguardados de 2014, e comecei a aguardar por ele também. O plot de uma família cheia de problemas escondidos embaixo do tapete dividindo a mesma casa de férias numa ilha espanhola isolada é o tipo de coisa que eu adoro, mas a impressão que eu fiquei depois de ler foi que a execução é tão pretensiosa como a família Post, e no fim das contas me pareceu um filme meia boca do Woody Allen, desses que enchem nosso saco a cada três anos. Emma Straub cozinhou seus personagens na lama por tempo demais para tirá-los de lá muito limpinhos, como se tudo fosse um grande mal entendido. Foi uma boa leitura de praia e aeroporto nas minhas férias, mas o buzz definitivamente não se justifica. 

Menção desonrosa para Como Ter Uma Vida Normal Sendo Louca (Jana Rosa e Camila Fremder) que eu sei que é uma sátira, mas me incomodou por fazer graça de coisas que não acho que estejam no patamar da piada (a parte sobre saúde e bem estar me incomodou muito), e O Lobo de Wall Street, autobiografia do Jordan Belfort que provou que os roteiristas do filme fizeram milagre ao transformar 500 páginas de delírio narcisista naquele filmaço sensacional. 

O irrelevante do ano 
























Se eu não tivesse assistido a adaptação de Matilda (Roald Dahl) tantas vezes, provavelmente teria me divertido mais com o livro. O mérito do filme de ser extremamente fiel à história meio que tira a graça da leitura, já que tudo acontece bem do jeitinho que eu me lembro da Sessão da Tarde. Pelo menos a edição vale pelas ilustrações lindas do Quentin Blake.

O pior livro do ano

Esse livro ilustra bem minha fissura de dar muito mais bola para recomendações negativas do que positivas. Duas amigas leram Vidas Trocadas (Katie Dale) e não gostaram e claro que eu resolvi ler na primeira oportunidade que tive. Aposto que se elas tivessem amado eu não teria lido até hoje. É muito drama e novela mexicana pra um livro só, e quem fala isso é uma pessoa que ama drama e vive uma novela mexicana particular. É bebê trocado na maternidade, doenças degenerativas e incuráveis, pai que não é pai, namorado roubado, mãe ausente, mágoas, mil mágoas, e só personagens insuportáveis. Mal escrito, enredo muito mal amarrado, péssimos personagens e brega de doer. Se vale por alguma coisa é pela desgraçadinha de cabeça provocada pela ideia do que você faria no lugar das personagens, mas SÓ.

O livro mais grifado de 2014

O esporte e a vida, especialmente a vida de artista, não são exatamente análogos. Uma das coisas sensacionais do esporte é a crueldade com que, nele, as coisas são muito claras: um corredor de cem metros ruim ou um volante cabeça de bagre que simplesmente deu sorte são coisas que não existem aqui; o cara acaba desmascarado. (...) Acho que a história do Gus Caesar tem ressonâncias reais: contém uma lição terrível destinada aos sonhadores que pensam que seu próprio senso inabalável de destino é significativo. O Gus deve ter pensado que era bom, assim como qualquer banda pop que tocou no Marquee tem certeza de que está destinada a chegar ao Madison Square Garden e à capa da NME e como todo escritor que manda um manuscrito pra Faber and Faber está convicto que dali a dois anos ganhará o Booker. A gente põe a vida nesse sentimento, sente correr pelas veias, feito heroína, a força e a determinação que vem dali... e isso não quer dizer absolutamente nada.

Febre de Bola (Nick Hornby) foi meu campeão de marcações, e fico imaginando se isso teria acontecido se eu tivesse lido em qualquer outro momento que não o que eu o li, que foi durante a Copa do Mundo. Eu estava vivendo um dos períodos mais trevas do ano todo, e usei descaradamente a Copa das Copas como minha válvula de escape, deixando a vida stand-by para viver em função de futebol. Foi ótimo, no fim das contas, porque vivi ali emoções e experiências que nunca me imaginei capaz de viver e adorei me entregar, me envolver e sofrer naqueles meses. Não sabia que eu tinha isso dentro de mim, e foi ótimo descobrir isso. E como a arte sempre me ajudou a organizar as coisas que eu sinto, as memórias do Nick Hornby baseadas na sua vida de torcedor do Arsenal vieram no momento mais oportuno de todos os tempos e fico feliz que a gente tenha se encontrado.

O melhor livro de não-ficção do ano

Mais uma prova de que timing é tudo nessa vida: teria eu eleito Vacaciones (Ana Paula Barbi) a melhor não-ficção do ano se não tivesse lido ele nesse mesmo período negro no qual tudo que eu queria na vida era fugir? Não sei, porque ele não tem nada a ver comigo. A Polly é espirituosa e o livro tem seu mérito, mesmo sendo um apanhado dos posts de seu blog. Entre 2004 e 2007 (!) ela viajou pelo Brasil sem plano, perspectiva ou dinheiro algum, passando fome, dormindo em banheiros de rodoviária e curtindo loucamente tudo isso. Não me identifico nada com essa coisa de viver la vida louca de forma inconsequente, nem sei como funciona, mas me apeguei, me encantei, e paguei um pau pra coragem dela. Tem que ser muito porreta pra passar por isso, e esse espírito livre me inspirou e ensinou muito. Obrigada, Polly. De coração.

Duas menções honrosas: Female Chauvinist Pigs (Ariel Levy) é uma análise bem interessante sobre a raunch culture americana, e traz um debate sobre pós-feminismo, se ele existe e se aquilo que muitas entendem como liberação sexual, principalmente quando a gente coloca a mídia no meio (pensem em Beyoncé e Miley), é de fato empoderamento ou mais um delírio do sistema opressor machista. É um pouquinho datado e acho que a discussão já avançou muito desde que ele foi publicado (2005), mas não deixa de trazer bons pontos. Frank - The True Story That Inspired The Movie (Jon Ronson) é mais um ensaio bem grande do que um livro, e conta a história bem impressionante do Frank Sidebottom, um artista britânico bem excêntrico, que se apresentava por aí com uma cabeça de papel maché gigante na cabeça. O livrinho conta a história real do cara que inspirou o personagem central do filme Frank, com o Michael Fassbender. Os dois são incríveis, e o livro, além de ser absurdamente tocante, é muito divertido. Recomendo bem.

Desgraçamento de cabeça do ano

Saí do cinema direto pra livraria, porque Garota Exemplar (Gillian Flynn) tem o tipo de história que, quando acaba, deixa você desesperada querendo saber mais, entender melhor, discutir incansavelmente para tentar dar conta de todos os temas que ele aborda, e tão bem. É uma ótima adaptação, mas o livro ganha de lavada porque desenvolve ainda mais lindamente os dois personagens centrais, e o cenário de casamento doentio e destrutivo que ele pinta é total desgraçador de cabeça. A discussão de gênero que ele propõe é maravilhosa (tatuando o monólogo da cool girl SIM), a crítica social feita aos papéis que a sociedade nos impõe, e a forma como a gente se acomoda a eles, é brilhante e incômoda, sem falar no cutucão que ele dá na mídia sensacionalista. Ainda não tirei a história da cabeça e nem quero. Assim que é bom.

Catatau do ano

Me dei um Kindle de Natal ano passado e não tive mais desculpas para não começar a ler As Crônicas de Gelo e Fogo (George R. R. Martin), pois não sou obrigada a carregar esses calhamaços comigo pra lá e pra cá. Foi um salto de fé e coragem, porque aventura e fantasia não são meus gêneros favoritos, mas fiquei feliz de ter corrido o risco porque ADOREI a história. Demorei a me apegar, levando um mês até chegar na metade, mas matando o resto em dois dias. Quis até fazer um GOT Report aqui no blog, mas acabei esquecendo pois euzinha. Pretendo encarar o segundo livro ainda no início de 2015, então quem sabe, né? Pra quem tem vontade de ler mas tá hesitante, super recomendo ir na fé. Harry Potter adulto não no sentido de ser superior, mas de usar uma dinâmica parecida para abordar temas mais faca na bota.

Delírio cor-de-rosa do ano


Coloquei essa categoria aqui, copiada da Analu, porque precisava falar da série Quarteto de Noivas, da Nora Roberts. Porque às vezes tudo que a gente precisa é de um romance besta com a certeza de um casamento no final, e essa é a essência desses quatro livros. Cada um acompanha a história de uma das sócias da Vows, uma empresa de casamentos, e a vida de Mac, Emma, Parker e Laurel é absolutamente perfeita e descolada da realidade: elas são lindas, ricas, bem sucedidas, melhores amigas, amam o que fazem, são boas nisso e, independentemente de qualquer problema (sempre ínfimo e facilmente contornável), elas encontram o amor. Que é sempre um cara gato, rico e incomensuravelmente apaixonado por elas, além de ser amigo de todas, formando uma grande família ridicula e deliciosamente feliz. Li os dois primeiros livros esse ano, são bestas que só, mas às vezes é tudo que a gente precisa. Laurel e Parker me aguardam em 2015!

Gostosas risadas de 2014 

Sendo bem sincera, eu li livros mais engraçados que As Pupilas do Senhor Reitor (Júlio Dinis) em 2014. Bem mais engraçados. Mas nenhum deles me pareceu tão genuinamente divertido como essa novelinha portuguesa, e nenhum outro me fez ficar rindo gostosamente só de lembrar das expressões dos personagens. Ele parece uma novela das seis de roça e de época, que conta a história dos romances cruzados entre dois irmãos e duas irmãs. O clima da história é muito gostoso, os personagens são cativantes e ele é cheio de cenas que não servem pra nada se não pra divertir gratuitamente o leitor, como aquele momento em que o padre chega no bar e constrange de propósito as pessoas que estão jogando baralho, pra recolher a esmola dos jogadores pra igreja - se fingindo de bravo, mas morrendo de rir por dentro.

A melhor leitura de 2014

(Chegaram perto, muito perto, quase lá: Garota Exemplar e Fangirl)

Eu terminei Deuses Americanos (Neil Gaiman) ontem, depois de mais de um mês de leitura, e então eu entendi (como eu tinha entendido desde as primeiras páginas, pra ser bem franca) por que é que os fãs do Neil Gaiman são tão entusiasticamente fãs do Neil Gaiman. Não foi meu primeiro livro dele, mas foi o primeiro que me tocou de verdade, me remexeu por dentro e me fez querer ser sua amiga, filha adotiva, pinguim de geladeira, sei lá. Que escritor, amigos, que mente, QUE HOMEM.


Deuses Americanos conta a história de Shadow, um cara que de repente não mais que de repente se vê no meio de uma batalha iminente entre os deuses antigos - que chegaram até a América na mente e no coração de imigrantes do mundo todo, ao longo dos séculos - e os deuses modernos - a mídia, o dinheiro, a internet, as drogas sintéticas, etc. Sim, é uma fantasia, mas é um universo tão real, com deuses humanizados, decadentes, cômicos e trágicos ao mesmo tempo. Tem um milhão de coisas bizarramente estranhas acontecendo, mas a escrita de Gaiman faz com que tudo pareça muito trivial, e você tem a impressão que nem ele mesmo percebe como tudo aquilo é esquisito. Seu surrealismo me lembrou muito o do David Lynch, e acho que o livro me ganhou por causa do climão Twin Peaks que impera ao longo de toda a história.

Acredito em um deus pessoal que cuida de mim e se preocupa comigo e supervisiona tudo que eu faço, em uma deusa impessoal que botou o universo em movimento e saiu fora pra ficar com as amigas dela e nem sabe que eu estou viva. Eu acredito em um universo vazio e sem deus, um universo com caos causal, um passado tumultuado, e pura sorte cega. Acredito que qualquer pessoa que diz que o sexo é supervalorizado nunca fez direito, que qualquer um que diz saber o que está acontecendo pode mentir a respeito de coisas pequenas. Acredito na honestidade absoluta e em mentiras sociais sensatas. Acredito no direito ao aborto, no direito dos bebês de viver, que, ao mesmo tempo em que toda vida humana é sagrada, não tem nada de errado com a pena de morte se for possível confiar no sistema legal sem restrições, e que ninguém, a não ser um imbecil, confiaria no sistema legal. Acredito que a vida é um jogo, uma piada cruel e que a vida é o que acontece quando se está vivo e o melhor é relaxar e aproveitar. 

Um dos cenários de Deuses Americanos é a Casa da Pedra, um museu do absurdo localizado no meio do nada de Wisconsin, com atrações como a sala do infinito, o maior carrossel interno do mundo e uma sala com instrumentos musicais que tocam sozinhos. Quase morri do coração quando soube que essa lugar existe de verdade (e já planejei uma maravilhosa viagem imaginária para lá), e que Gaiman pegou leve na descrição para que ele parecesse mais real. Esse detalhe resume o livro pra mim: Deuses Americanos mostra o lado mais louco e mágico do nosso mundo, que a gente insiste em reduzir, desmitificar e tratar de forma objetiva porque, se a gente parar pra pensar, vai parecer tudo uma grande piada. Enorme, absurda, e absolutamente mágica.

Só os deuses são reais.


sábado, 20 de dezembro de 2014

SO CONTAGIOUS AWARDS 2014: melhores discos do (meu) ano




































Duas coisas me mantém viva em dezembro, superando meu ódio às festas de fim de ano: as retrospectivas e as expectativas para a temporada de premiações. Ou seja, adoro uma boa lista de melhores, piores, o que vier. Há alguns anos mantenho uma tradição de listar aqui meus discos e livros favoritos, e em 2014 resolvi unir tudo na premiação SO CONTAGIOUS AWARDS. Pretendo falar de música, filmes e livros, começando hoje com o que eu mais gostei de ouvir nesse ano que passou.

Vocês bem sabem que nunca tive pretensão de fazer nenhuma lista definitiva sobre os melhores álbuns do ano, tecnicamente falando. Minha lista é única e exclusivamente para os meus propósitos, e segue a proposta daquilo que eu gostei de ouvir ao longo de 2014 – independentemente de ser um lançamento ou não. As 36 capas que aparecem na arte ali em cima (clique aqui para ver a original) são dos CDs que eu mais ouvi nos últimos 365 dias (ou quase isso, já que ainda é dia 20): algumas figurinhas repetidas de sempre, algumas novidades e algumas modas do ano passado que ou não foram embora ou me pegaram atrasada. A montagem foi gerada com essa widget aqui, a partir do meu Last FM.

Se quiserem ler uma lista mais séria e profissional, não deixem de conferir os melhores do ano da firma, porque meus colegas do Move That Jukebox fizeram uma seleção de responsa

Bloco 1: arroz de festa



















Se sou eu, pode ter certeza que vai ter Wilco, vai ter Rilo Kiley e vai ter Jenny Lewis no meio. Eles compõem minha trilha sonora universal, são meu leitmotif, os favoritos do DJ, a prata da casa. Take Offs and Landings, More Adventurous, Yankee Hotel Foxtrot, Summerteeth, Rabbit Fur Coat, Acid Tongue e Being There: obrigada pela companhia de sempre e seguimos juntos ano que vem.

(Um beijo na boca de cada integrante do Wilco, porque esse ano a banda completou vinte anos e saíram várias preciosidades das celebrações: o What's Your 20?, com músicas essenciais da carreira da banda, e a coletânea Alpha Mike Foxtrot, quatro discos cheios de lados B, versões alternativas, demos, lives ENFIM maravilhosidades. Vida longa ao Wilco, venham logo pro Brasil, beijos)

A presença do Death Cab For Cutie tem sido uma constante nas minhas listas de final de ano, de modo que não me surpreende que o Transatlanticism e o The Photo Album estejam batendo ponto aqui de novo, assim como o Mellon Collie and The Infinite Sadness do Smashing Pumpkins. Sobre esse último, pode ter certeza que ele só está na lista porque "Jellybelly" é, e sempre vai ser, minha música pauleira favorita pra ouvir quando eu preciso descarregar minhas energias. Já o Red, da Taylor Swift, chegou em 2012 pra nunca mais me largar e eu acho difícil me imaginar não pulando ao som de "22" ou sofrendo com "All Too Well"

Por fim, andei meio enjoada de Los Hermanos, mas agora no final do ano tenho escutado bastante o Ventura e lembrando por que, afinal, coloquei ele na minha lista de CDs mais importantes da vida. Arctic Monkeys segue comigo também, porque claramente não superei o AM, muito menos o Suck It and See. 

Bloco 2: aleatório porém honesto


Aquele cd Sasha Fierce não sei das quantas me afastou muito da Beyoncé, sabe. Muito mesmo. Se não fosse por "Single Ladies" e "Ego" eu diria que podia ser queimado numa fogueira do Ray Bradbury. Por isso, nem quis saber qual era a do 4, que veio em seguida, mas ainda bem que tomei tento nessa vida pois: MELHOR DISCO DE BEY. O que dizer sobre uma sequência que começa com "Love on Top", passa por "Countdown" e termina com "End of Time"? Vamos lá de novo: MELHOR DISCO DE BEY. Fiquei feliz que resolvi explorá-lo de novo, pois me rendeu vários hinos pra vida.


Descobri a Chela no canal Gato & Gata (inclusive fica a dica) e não parei nunca mais de ouvir essa música. Se não fosse de 2013 poderia ser total minha jam de 2014.

Bloco 3: rebarba de 2013

Pois é, nem sempre um disco me pega logo quando é lançado. Foi o caso, por exemplo, de Pure Heroine, da Lorde. Ouvi ano passado, curti, mas não foi aquelas coisas. No entanto, com o tempo, ele só foi crescendo com o passar dos meses e foi uma das coisas que eu gostei de ouvir em 2014 - "400 Lux", "Ribs" e "World Alone" foram músicas muito importantes no meu ano. 


Outro caso bem comum é que eu deixo passar vários lançamentos e acabo descobrindo a mágica só depois que todo mundo já celebrou e até encheu o saco. Eu acompanho a Kate Nash desde seu primeiro álbum, mas acabei deixando o Girl Talk passar. Não fazia ideia da guinada punk que ela deu na carreira, mas aplaudi de pé, morri de me esgoelar junto com ela e participei de vários mosh pits imaginários ao som de "Sister". Girl Talk é um disco TÃO NECESSÁRIO! Falou-se muito sobre ele,  e de um jeito bem horrível, aliás: seria simplesmente patético se não fosse tão deprimente e revoltante ver como os homens resenham mal trabalhos femininos sobre questões femininas. O tanto de bosta que eu li sobre esse CD é uma daquelas coisas que eu queria desler mas infelizmente não posso. Muito rant feminista e aquelas letras com verdades sobre relacionamento que doem na alma. Obrigada, Kate, pelo "Rap for Rejection", por "Conventional Girl" e por "Are You There Sweetheart?". Obrigada por ter me deixado gritar junto com você esse ano, ainda que atrasada. 

Ano passado também saiu essa coletânea com uns lado B do Rilo Kiley, meio que um prêmio de consolação depois do fim definitivo da banda. Chega a ser maldade o Rkives ser tão bom, porque nunca vamos ouvir aquelas músicas ao vivo e "Let Me Back In" e "It'll Get You There" nasceram pro palco. É um álbum bem bom, bem especial, e a impressão que eu tenho é que ele funciona como um apanhado de tudo que a banda tem de melhor, mas com músicas que são, em sua maioria, novas pro público. Não é maravilhoso? SDDS RILO KILEY, SDDS BLAKE & JENNY, VOLTEM PFVR. 

Por fim, descobri o Hurray For The Riff Raff só esse ano, graças ao primeiro clipes deles. Ainda que o disco lançado esse ano esteja entre meus melhores de 2014 (#spoiler), o que me conquistou mesmo foi o My Dearest Darkest Neighbor, de 2013. O som da banda é um country alternativo que eu gosto pacas, e esse cd é de uma brejeirice maravilhosa e ainda vem com covers incríveis de "Jealous Guy", "My Sweet Lord" e "I'm So Lonesome I Could Cry". Recomendo muito pra quem estiver sofrendo ou só curte uma dramatizada na vida. 

Bloco 4: trilha sonora do ano


Essa eu nem precisei pensar: Guardiões da Galáxia. Porque lógico. Não é trilha original, tem músicas que já tocaram em vários outros filmes (alô I'm Not In Love!), mas ninguém bate o Awesome Mix da senhora mãe do nosso querido Star Lord. Do cinema a trilha sonora foi direto pro meu celular e meses depois ainda sou assolada por ondas de sentimentos sempre que "Fooled Around And Fell In Love" começa a tocar de surpresa. E tem David Bowie, Jackson 5 e The Runways! Eu desconfio é de quem já superou essa paulada!

Bloco 5: clipe favorito de 2014

FEELINGS ARE THE ONLY FACTS. Ninguém faz clipes melhores que os do One Direction. Ninguém. Nem a Beyoncé. Aliás, o disco novo deles, Four, só não aparece na lista de melhores do ano (#spoiler 2) porque estive muito ocupada não superando o Midnight Memories. 

Bloco 6: meus melhores discos de 2014




































Warpaint (Warpaint): Se eu consegui entregar algum trabalho no prazo esse ano, pode colocar na conta dessas meninas aí. O disco novo das Warpaint (aquela banda das músicas das lojas chiques e descoladas, segundo uma amiga minha) foi minha melhor e mais eficiente companhia nas eternas madrugadas redigindo artigos e terminando trabalhos. 
Músicas favoritas: "Love Is To Die" e "Disco//very"




































Wild Onion (Twin Peaks): Amei antes de ouvir só por causa do nome, porque são de Chicago e porque descobri via Rdio do Spencer Tweedy? Sim, senhores. Ouvi o disco há pouco mais de duas semanas e ele já entrou pra lista de álbuns mais ouvidos do ano? Apenas verdade. As músicas são incríveis porque tem nome de comida? Amém, amigos. Jovens nervosinhos e com cara de sujos, me passam a impressão de um Strokes dos bons tempos, revisitado e atualizado. Vida longa. 
Músicas favoritas: "Sloop Jay D" e "Making Breakfast".




































Everything Will Be Alright In The End (Weezer): Rivers Cuomo, é você??? Que coisa bem boa ver uma banda que tinha se perdido por aí se reencontrar, principalmente se é uma banda tão querida e sensacional como o Weezer. Só falta confirmar uns showzinhos no Brasil, né amados? Se bem que não pois não terei dinheiro pra ir 
Músicas favoritas: "Eulogy For a Rock Band", "Go Away" (BETHANY COSENTINO EU TE AMO), "Back To The Shack".




































Small Town Heroes (Hurray For The Riff Raff): Nunca clico em matérias sobre estreias de clipes, muito menos assisto aos tais clipes estreantes, mas por um estranho motivo cliquei nessa, assisti ao clipe e me apaixonei. Era destino conhecer Alynda Lee Segarra, mina faca e ternura na botina, brejeiríssima e maravilhosa, assim como o country moderninho da sua banda. No meio de uma música ela suspira e diz: "It's so hard to love someone..." e tipo, nossa, uau, parabéns moça, é isso mesmo.
Músicas favoritas: "Levon's Dream" e "I Know It's Wrong (But That's Alright)".




































English Oceans (Drive-By Truckers): Tá pouco de country, manda mais. Vi esse disco em uma lista de melhores do ano até agora, o que é uma lástima gigantesca. Holy guacamole, que CD bem bonito esse. Só "Pauline Hawkins" já valeria uma posição em qualquer lista. Desisto de entender vocês.
Músicas favoritas: "Pauline Hawkins" e "Natural Light".




































Banda do Mar (Banda do Mar): Torci o nariz o quanto pude, porque aqui é team Amarante, saudades eternas do Little Joy e idade mental de 13 anos. Eventualmente sucumbi: em Alagoas, na beira de um mar cuja água chega na temperatura de 22º tudo desce mais gostoso. CD delicinha, adorei os arranjos roqueirinhos e quase ignoro que todas as músicas do Camelo soam como todas as músicas dele no Los Hermanos.
Músicas favoritas: "Muitos Chocolates", "Me Sinto Ótima" e "Seja Como For".




































Sukierae (Tweedy): Li um tuíte muito ótimo que dizia que esse disco era o que aconteceria se o placar do 7x1 fosse invertido. O projeto solo do Jeff Tweedy, do Wilco, com seu filho, Spencer (QUE MOLEQUE LINDO) é isso mesmo, uma delicinha, e esteve comigo em todas as estradas de 2014, que não foram poucas. Aff, melhor família.
Músicas favoritas: "Please Don't Let Me Be So Understood", "Wait For Love" e "Low Key".




































Beyoncé (Beyoncé): A mulher me lança um disco surpresa quase no fim do ano, quando todas as listas já estão fechadas só pra rir da nossa cara e dizer que não precisa disso. Mas precisa, ainda que com atrasado. Desde janeiro minha rotina é acordar, lavar o rosto, escovar os dentes, colocar a água do café pra ferver e ouvir o cd da Beyoncé enquanto preparo meu café da manhã. Todos os dias, há um ano. Yoncé all on his mouth like liquor pra sempre.
Músicas favoritas: "Partition", "***Flawless" e "Drunk In Love".




































1989 (Taylor Swift): Tão estranho pensar que esse disco saiu em outubro, porque a impressão que eu tenho é que estou ouvindo essa música há muito mais tempo. 1989 virou codinome pra 2014 e suas músicas tocaram nos momentos mais importantes do meu ano mesmo quando nem existiam ainda. Obrigada Taylor, por ser minha melhor amiga famosa e my spirit animal.
Músicas favoritas: "Style", "Blank Space" e "New Romantics".




































The Voyager (Jenny Lewis): O único motivo que faz o 1989 estar em segundo lugar nessa lista é porque o primeiro já é da Jenny Lewis desde junho. Com corações rabiscados na capa e tudo, porque sim, porque é a única opção possível. A gente não poderia ter se encontrado numa hora mais certa, e como eu já disse aqui antes, fico feliz e aliviada por saber que as coisas mais loucas da minha vida, os sentimentos mais confusos e os perrengues mais complexos estão pra sempre registrados nas músicas da Jenny, minha ultimate sad girl, complicada e perfeitinha do coração, irmã mais velha das minhas mágoas, louca e difícil demais pro seu próprio bem.
Músicas preferidas: "She's Not Me", "Just One Of The Guys" e "Late Bloomer"

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sejamos rápidos! Fortes! Lentos!

Sejamos rápidos! fortes! lentos! E não digam poemas de amor a menos que... não sei como essa frase termina. Não sei nem se esse trecho que eu lembro tem alguma coisa a ver com a citação original. Provavelmente não, já que eu cansei de jogar esses fragmentos no Google para não receber nada de significativo como resultado. 

A história disso é que há muito tempo, lá em 2000-e-meu-sonho-era-ser-gold-camera-no-fotolog, eu tinha esse arquivo do Bloco de Notas onde eu colocava várias quotes legais que eu lia nos fotologs alheios, tudo de um jeito bem misturado e sem noção, sem link algum para referências futuras. Apenas eu levando a vida como sempre, lá em 2006. E tinha esse trecho que eu transcrevi acima, que eu lembro que era retirado de um filme, e era absolutamente lindo e incrível. O esquema era meio fluxo de consciência, com uma pessoa falando várias coisas ao mesmo tempo e dizendo grandes verdades aos jovens, tudo com muitos pontos de exclamação.

Aquele texto era foda - logo, eu o perdi pra sempre. Numa dessas formatações de computador o trechos_legais.txt sumiu nesse limbo assombroso onde ficam todas as deletadas dos computadores, aquelas que juram os entendidos que nunca se perdem pra sempre (ideia para livro de ficção científica: um passeio por esse universo de lixeiras esvaziadas sem querer), mas que nunca estão lá quando a gente mais precisa.

O que isso tem a ver com o post? Meio que nada, mas eu sempre me lembro desse começo quando estou com muitas coisas na minha cabeça, eufórica por qualquer motivo que seja. Sejamos rápidos! fortes! lentos! e por algum motivo, vamos maneirar nos poemas de amor. 2014 pra mim foi assim: rápido, forte e lento também. 

A contradição é proposital. Terça-feira eu estava na festa de final de ano com os meus amigos e enquanto festejávamos nosso Natalveillon fora da data, lembrei com uma nitidez absurda daquela mesma festa no ano passado, quando passamos o champanhe de mão em mão e juramos que 2014 seria o melhor ano das nossas vidas. Ao mesmo tempo, esses dias vi uma foto de uma viagem feita em maio e aquilo me pareceu outra vida, um universo paralelo. Se fosse chutar, diria que foi em 2012 e olhe lá.

Esse post não é uma retrospectiva de final de ano, não ainda, mas é só uma reflexão sobre como as coisas acontecem muito rápido e muito devagar ao mesmo tempo, e como a nossa percepção do tempo é maluca. Uma amiga me disse hoje mesmo que a vida estava acontecendo numa velocidade cruel demais, porque eu estava desde segunda querendo falar com ela mas só tive tempo de mandar uma mensagem e conversar com calma na quarta. Nessa mesma toada, me dei conta que não postava no blog há quase duas semanas, mas não foi anteontem que eu escrevi aquele texto sobre o show? 

Rápido, forte e lento. No último mês eu comecei e terminei o trabalho mais maluco da minha vida. Eu tive uma ideia, acreditei nela, fiquei com medo dela, corri atrás de tudo pra dar certo, vi tudo dando errado centenas de vezes, pensei em desistir outras tantas, acreditei que fosse melhorar, desisti de novo, chorei de madrugada, no carro, na chuva, dormi 9 horas em três noites, e consegui. Ufa, passou. No último fim de semana eu viajei mil quilômetros, ouvi o cd da Taylor Swift aproximadamente 218 vezes, nadei, comi muita carne, muito doce, fiz muitas caipirinhas, vi mais de cem pessoas se formarem, dormi mil horas, dancei outras tantas, fui tão feliz que pensei que fosse explodir, conheci um cara legal, perdi pra sempre esse cara legal, dormi de vestido, cabelo e cara de festa, quis sumir e me esconder, fiquei doente, chorei sentada no chão de um aeroporto, mas ainda não desfiz minhas malas. Desde a última terça eu já cataloguei mais de cem livros, não dormi quase nada, comecei e terminei o trabalho mais irresponsável da minha vida, ralei pepinos, comprei presentes, celebrei Natal e Ano Novo alternativos, tomei chuva três vezes, fiz prova, fui mal na prova, dormi no sofá da sala e acordei às seis da manhã. 

E hoje ainda é quinta-feira.

A Analu escreveu sobre ficar sem escrever e compartilhou um medo real, que também é meu, de deixar a vida atropelar o blog até o ponto de ele não caber mais na minha rotina. Ela pediu pro ano que vem mais fôlego e inspiração, porque a vida não pode parar. Ela não pode e não para nunca, mas eu preciso parar um pouco. 


Não, o blog não vai parar junto comigo, mas eu só preciso reconhecer e tornar público que eu preciso de um tempo de dedicação ao nada para que escrever aqui não se torne mais uma das tantas coisas que eu tenho que fazer, uma obrigação eternamente frustrante porque sempre vai ser ela que eu não vou cumprir quando a coisa apertar. Eu só preciso tirar esse peso das minhas costas e ir dormir hoje, dia 18 de dezembro, sabendo que tudo que eu tinha que cumprir esse ano eu cumpri e agora chega. É provável que amanhã eu já acorde cheia de ideias, com as minhas retrospectivas que eu espero o ano todo pra fazer na ponta dedos, mas o expediente acabou por 2014 até segunda ordem.

Sejamos mais devagar. Suaves. Calmos. E vamos arrumar um tempo pra escrever uma quadrinha de amor por aí.