segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O que o BEDA me ensinou sobre a blogosfera atual

Ou: vamos usar o Blog Day para falar sobre blogs

Há um tempinho me deparei com o desabafo de uma garota lá no Rotaroots. Ela dizia que amava blogar, mas às vezes se sentia meio boba escrevendo sobre a própria vida e coisas que a interessavam diante de tantos outros blogs por aí com coisas mais relevantes para a sociedade. Eu entendi o que ela quis dizer com "relevante para a sociedade", mas mesmo assim respondi: e quem disse que sua vida não é relevante?

Claro, falar sobre a crise hídrica e problematizar o machismo na nossa sociedade é, sim, mais objetivamente relevante do que, por exemplo, uma discussão sobre o significado da minha casa de Hogwarts. Mas isso não significa que histórias assim não são importantes. Nunca assisti Doctor Who, mas encontrei uma citação do seriado no Tumblr e nunca esqueci: "We're all stories, in the end. Just make it a good one". Todos somos feitos de histórias, e gosto de pensar no ato de blogar (odeio esse verbo) ou simplesmente escrever sobre nossa vida e nossas opiniões como algo mais filosófico e até (por que não?) político. Estamos construindo com nossas próprias mãos a narrativa das nossas próprias vidas. Não é lindo isso? 

Comecei o meu blog porque vi ali uma chance de dizer coisas que as pessoas ao meu redor não estavam interessadas em ouvir, ou então que eu mesma não queria dizer em voz alta. Só que queria registrar aquilo de alguma forma, então fiz um blog. Quase oito anos se passaram, e a situação não é muito diferente. A blogosfera (odeio essa palavra), claro, mudou bastante. Aquela brincadeira de adolescentes virou negócio graúdo, e as marcas enxergaram ali um mercado e uma fonte de visibilidade bem típica da nossa época: não era mais um artista de TV naquela propaganda generalista convencendo você a usar o batom, mas a moça da casa ao lado, que podia ser sua melhor amiga, testando o batom no seu dia-a-dia de gente comum e recomendando o batom pra você. 

Não entendo muito de negócios e nem de marketing digital, mas minha visão de quem estava sentada de camarote observando tudo acontecer (parece que foi há 200 anos, mas eu ainda lembro do primeiro look do dia da Camila Coutinho super desajeitada e morrendo de vergonha, nada profissional) é que as pessoas que hoje ganham dinheiro de verdade com blogs eram pessoas que estavam no lugar certo, na hora certa, e tiveram uma visão absurda de pegar essa oportunidade e transformá-la numa mina de ouro. Com esses blogueiros no alvo dos grandes patrocinadores, indo até onde nenhum diário virtual tinha chegado, é claro que um monte de gente quis entrar pro filão - até porque a gente realmente não sabia o que estava acontecendo, e nem a dimensão que isso iria tomar. Os blogs começaram a se monetizar cada vez mais e de repente, de passatempo de gente à toa o blog virou profissão. Até porque, fala sério, quem não quer ganhar dinheiro fazendo o que gosta?

Não tinha como a blogosfera continuar sendo a mesma coisa, ao menos não num sentido mais amplo. Até porque os blogs não eram mais a única plataforma pra você compartilhar sua vida virtualmente, e numa internet cada vez mais dinâmica, instantânea e imagética (me sinto escrevendo um artigo pra faculdade), trabalhar com textão e manter uma página é bem mais trabalhoso do que contar aquela anedota engraçada no Facebook, mostrar a viagem pelas fotos do Instagram, e registrar sua rotina nos vídeos de 10 segundos do Snapchat. É natural que o número de blogs estritamente pessoais tenha diminuído. 

Mas, ao contrário do que muitas pessoas lamentam por aí, não acredito que a blogosfera tenha acabado, e acho que essa foi a grande revelação do BEDA pra mim: os blogs pessoais estão é muito vivos! Apesar dessa iniciativa já rolar há alguns anos, era sempre um movimento pontual, e esse ano a adesão foi bem grande, pelo menos entre os blogs que costumo acompanhar. Não foi todo mundo que chegou ao fim, mas uma quantidade enorme de gente se propôs a pelo menos tentar e acho que isso já é um avanço enorme. Pode até não dar certo, mas só de você dar a cara a tapa e dizer que vai tentar escrever todos os dias durante um mês, você já está fazendo muito mais que muitas pessoas, e até que você mesmo, que vive dizendo que quer escrever mais, mas nunca faz nada para, de fato, escrever mais (e eu me incluo nesse bolo). 


E aí, contrariando as expectativas dos outros e de nós mesmos, MUITA gente chegou ao final. Eu juro que não esperava isso - nem de mim e nem das outras pessoas. Não é que eu não acredite em mim ou em vocês, mas é que escrever todo dia é DIFÍCIL PRA CARAMBA, e é realmente verdade que o tempo é curto e temos um milhão de coisas concorrendo pela nossa atenção e criatividade. Mas, entre trancos e barrancos, chegamos aqui hoje, podemos contar essa história, e havia boatos de que ninguém mais blogava (argh, não tem um jeito menos ridículo de dizer isso?) por amor. 

Além disso, percebi que ao meu redor as pessoas não estavam apenas escrevendo, mas interagindo umas com as outras. Acho que o BEDA, na verdade, foi um grande movimento de maria-vai-com-as-outras, porque ninguém ia fazer, até que pouco a pouco fomos nos rendendo ao ver os outros entrarem na brincadeira. Não é demais isso? Olha só esse bando de tonto arrumando dor de cabeça gratuitamente, deixa eu entrar nessa rodinha também pra ver qual é a deles. Acho que não tem nada mais internet old school que isso. Aliás, tem sim: no início do BEDA pensei que fosse ficar falando com as paredes e que ninguém teria paciência de me ler todos os dias só minhas amigas, porque elas eram obrigadas a isso por força de contrato, mas o que aconteceu na prática foi que a média de comentários por post em agosto foi maior que a de todos os posts do resto do ano! 

E não foram apenas comentários, mas sim o que a gente tem o costume (e eu amo que a piada interna esteja se popularizando) de chamar de mimos. Mimar é comentar com carinho e atenção, não só como protocolo, mas porque você realmente tem algo a dizer sobre aquilo que o outro escreveu. Muita gente costuma pedir desculpas depois de um comentário muito grande, principalmente se  viaja na maionese ou conta uma história aleatória da própria vida, mas são justamente esses os comentários que eu mais amo, é essa troca que faz tudo valer a pena. Fui tão bem mimada por vocês nesses dias que chego até a ficar com vergonha, porque não sou a mimadora mais assídua - mas juro que faço o que eu posso. Às vezes me frustrava mais com o fato de não poder acompanhar os blogs do que com a dificuldade de escrever, porque eu sei que é essa comunidadezinha que faz a gente seguir em frente, se fosse para escrever e só ninguém estaria expondo a própria vida, certo?

Daí que alienada nesse meu cercadinho da internet li esse post da Duds e, embora concorde com muito do que ela escreveu, não assino embaixo de tudo. Não acho que a blogosfera seja uma bagunça, nem que "a blogosfera atual escreve por obrigação, procurando receita pra ganhar dinheiro". Acho que o que mudou de 2005 pra cá é que a blogosfera é muito maior, com muitas pessoas fazendo muitas coisas diferentes. Coisas tão diferentes, aliás, que até me questiono se podemos chamar tudo de blog, porque pra mim o Depois dos Quinze e o meu blog são tão radicalmente diferentes que nem parecem o mesmo veículo. Claro, a Bruna Vieira começou compartilhando sobre a própria vida e fez a vida em cima disso, mas, como eu disse lá em cima, tudo aconteceu num momento muito específico e que não vai se repetir. E eu tenho certeza que hoje ela não bloga com a mesma despretensão de antes: ela tem um mercado, tem um público pra atingir, e quem a acompanha por aí vê que ela se preocupa muito com esses leitores. O que vocês querem ver? O que vocês querem assistir? 

Ela não tá errada em fazer nada disso, mas percebem que é uma postura diferente? Por isso acho meio improdutivo tentar catequizar as pessoas das maravilhas da blogosfera old school. Acho (posso estar errada, inclusive adoro debater o assunto) que quem só quer acesso, alcance, fama, dinheiro e presentes com o blog, ou se frustra porque tem blog mas nunca recebeu jabá em casa, é porque, pra início de conversa, a pessoa não quer ter um blog. Ela quer ter acesso, alcance, fama, dinheiro e ganhar presentes. O blog foi só um jeito que ela encontrou de chegar até isso. É um mercado, e muitas pessoas ficam nessa ânsia de correr atrás dos blogs porque parece mais fácil. Pode até ter sido um dia, mas hoje já é tão engenhoso, quanto, sei lá, comprar uma franquia, montar uma banca de limonada ou um negócio qualquer. Então, se ela quer mesmo virar blogueira profissional, aí tem que colocar o foco nisso - e procurar entender um pouquinho mais daquele meio antes de se enfiar num fórum como o Rotaroots buscando dicas pra engordar o Analytics, né?

Mas aquelas pessoas que querem mesmo ter um blog e apenas um blog, não precisam de muito além da coragem pra começar. Como a Analu colocou num texto, essa blogosfera nossa, esse quintalzinho de internet da resistência, funciona como uma varanda fresquinha, com uma mesa enorme, em que amigos se reúnem pra bater papo e tomar sorvete no fim do domingo. Coisas engraçadas, coisas sérias, coisas tristes e felizes, um papo bestinha e especial como é a nossa vida. Não tem isso de se preocupar com a Relevância, eu juro que a gente está interessado em saber o que foi que você comeu no almoço e por que foi que você não gostou do tempero. Tenho um mês inteiro de postagens que prova isso, junto com a experiência de passar um mês lendo sobre batatas, chinelos e avós - e muito feliz por isso. 

No fundo somos todos histórias, basta puxar a cadeira e contar uma boa. 


> A proposta do blog day, a qual já sou adepta há alguns anos (vide posts de 2014, 2013, 2011 e 2010) é indicar alguns blogs bacanas que você descobriu ao longo do último ano. Não tenho tantas novidades assim para compartilhar, mas não posso encerrar essa aventura de postar todos os dias durante um mês sem falar sobre as pessoas que me acompanharam nessa aventura. 

Queria dedicar esse post a todo mundo que me faz acreditar que a blogosfera é real e importante, e todas as pessoas que não deixam a peteca cair, que fazem com que há oito anos isso seja MUITO legal. Falo das minhas amigas do peito, irmãs, camaradas, que começaram essa história toda e me arrastaram até aqui: Analu, Paloma, Sharon, Iralinha, Couth e Rafinha, e não posso esquecer de quem participou da #resistênciaBEDA e não me deixou aqui falando com as paredes (mesmo que eu seja horrível e nem sempre retribua o carinho como elas merecem): Ana, Ana Flávia, Alê, Amanda, Rodarte, Sofia, Mia, BincasBeatriz

Queria também dedicar esse Oscar mandar um salve pra todas as pessoas que, participando do BEDA ou não, acompanhando meu blog ou não, fazem a minha blogosfera bem mais divertida: além de todos os blogs que já indiquei em todos os blog days por aí, queria falar da Vanessa, do Felipe, da Ba, da Carol, da Debs, da Sarah, da Dani, da Lorena, da Amandinha, da Larie, da Manie, da Isadora, da outra Isadora, de mais uma Isadora, da Raquel, da outra Raquel, da Ana Paula, da Lilica, da Bárbara, da Isabela, da Anica, da , da Cacá, da Renata, da Júlia, da Nambara, da Natália, da Lidy, do André, da Patrícia, da Jana, da Lya, da Ivi (sim estou lendo meu blogroll) e de todas as pessoas que eu esqueci, mas que fazem meu dia mais feliz e completo porque, apesar dos pesares, insistem em escrever ou têm coragem de me ler.

Eu queria ser blogueira rica só pra poder dar uma festa de arromba hoje e celebrar nossa vida besta, nossos casos irrelevantes, e o fato de que, finalmente, O BEDA ACABOU E A GENTE SOBREVIVEU!



>> Agora que o BEDA acabou vou aproveitar para escrever um romance, correr uma maratona, reassistir Gossip Girl, iniciar meu projeto de mestrado, ter um filho e não pera. O ritmo de atualização vai diminuir (dã), pode demorar um mês ou uma semana, mas acho que antes de vocês sentirem saudades já estarei de volta. 

domingo, 30 de agosto de 2015

31 days, 25 songs: uma trilha sonora do BEDA

Ficou combinado desde o começo que domingo, dia 30, postaríamos uma mixtape com as músicas que ouvimos ao longo do mês. Nesse clima de despedida e oba-oba, a playlist seria tipo os créditos finais para essa ideia de jerico que tivemos. As meninas passaram a semana toda pensando socorro a mixtape, que raiva, nem escuto música, não ligo, o que eu vou fazer, por que inventamos isso??? e o tempo todo eu estava me sentindo muito feliz porque eu AMO mixtapes. Além disso, eu absolutamente amo trilhas sonoras, sou fascinada pela ideia de dirigir artisticamente minha vida, e achei demais a proposta de pensar numa trilha sonora para agosto. 

Como era o combinado, anotei todos os dias as músicas que mais tinha curtido ouvir, que tinham marcado algum momento ou que simplesmente tinham ficado na minha cabeça. Só que critério e coerência nunca foram lá meu forte, então dessa lista saiu de um tudo e como eu ia explicar que passei três dias de TPM ouvindo Sharon Van Etten embaixo do chuveiro no escuro, mas aí no meio deles teve um dia em que a música mais importante foi a nova da Anitta? São questões. 

Como eu sou doente, juntei todas as músicas e tentei construir um todo mais ou menos coerente, porque eu acho que continuidade é importante e não suportaria a ideia de publicar uma mixtape com as transições cagadas. Investi minha tarde nessa atividade que faz a diferença unica e exclusivamente para a minha pessoa, mas, por favor, pelo menos finja que você prestou atenção nisso pra eu ficar felizinha, ok?

Desculpa, sou pedante.

Bom, já disse que teve de tudo um pouco nesse mês? Então, teve de tudo um pouco esse mês. A playlist começa com uma música da Alanis Morissette porque desenterrei o Jagged Little Pill, disco icônico dela, graças àquela participação especial no show da Taylor Swift. Coincidentemente, ele faz 20 anos esse ano, e acho que é uma boa época pra recordar a moça, né? "Hand in My Pocket" sempre foi a minha favorita, e mais pro fim coloquei "You Oughta Know" porque acho impossível recordar Alanis sem ouvir um dos rants mais importantes da música. Nessa vibe anos 90, a lista traz algumas bandas que descobri esse mês que possuem uma sonoridade muito da década, mas que são mais contemporâneas - não sei se vocês repararam, mas 2015 na verdade é um simulacro de 95. São elas Alvvays, Girlpool e Speedy Ortiz. Outro diferencial é que as três têm vocal feminino, e nas sugestões de temas pra posts teve alguém que me pediu indicações de bandas de mulheres, então fica aí três ótimas dicas.

Aliás, vocal feminino foi o que não faltou nessa mixtape. Não sei por que, mas sempre gostei muito mais de vozes masculinas do que femininas, só que recentemente tenho ouvido mais mulher do que qualquer outra coisa. O meio da playlist é bem pop, com os lançamentos das últimas semanas que fizeram minha cabeça: Carly Rae Jepsen, Demi Lovato e Anitta. Completando o mix rebolativo (músicas que escuto fazendo os exercícios de cardio antes do pilates #dicas), tem Shakirão ("Loca" é tipo, a MELHOR música dela e queria que as pessoas dessem mais valor a ela) e até Kanye West. Não, nossa melhor amiga famosa não ficou de fora desse pagode, mas dessa vez ela volta às suas origens representando o country. Ouvi MUITO o primeiro cd da Taylor Swift esse mês e coloquei na lista minhas duas favoritas: "Tim McGraw" e "Picture to Burn". 

Por falar em country, tem The Broken Circle Breakdown Bluegrass Band (ufa!), que os fãs de Alabama Monroe vão reconhecer, com um cover incrível de "Don't Think Twice It's Alright", e Sharon Van Etten, St. Vicent, Sandy e Kate Nash representam a parte mais melancólica e introspectiva do mês (eu disse que era MUITA MINA reunida, todas maravilhosérrimas, eu juro). Wilco também não ficou de fora com duas pérolas incríveis do Star Wars, disco novo deles: "Where Do I Begin?" e "Magnetized". A mixtape encerra, ironicamente, com a primeira música que eu anotei: "Turn to Stone", da Electric Light Orchestra, banda INCRÍVEL dos anos 70 que vocês precisam muito conhecer, e ainda tem Tim Maia, que rege praticamente todos os meus domingos, pra gente terminar o dia sambandinho e de bem com a vida. 

O mix não tem 31 músicas pois algumas foram cortadas em nome da coerência interna (como enfiar Avril Lavigne e outra música da Anitta nesse bolo?), mas gostei do resultado de todo jeito. Acho que é uma seleção bem eclética, com várias descobertas para quem se interessar, muita música animada e dançante pra rebolar pela casa e ouvir andando na rua, e um pouco daquilo que eu ouço sempre e já é parte de mim. Sei que um total de 0 pessoas está interessado nisso, mas eu adorei. 

E como sou muito legal, também fiz uma playlist lá no Spotify. De nada.


1) Hand in My Pocket (Alanis Morissette)
2) Archie, Marry Me (Alvvays)
3) Blueside (Rooney)
4) Before The World Was Big (Girlpool)
5) American Horror (Speedy Ortiz)
6) Various Disgraces (The Blam)
7) Tongue Tied (Grouplove)
8) Run Away With Me (Carly Rae Jepsen)
9) Deixa Ele Sofrer (Anitta)
10) Loca (Shakira)
11) Cool For The Summer (Demi Lovato)
12) Black Skinhead (Kanye West)
13) Don't Think Twice It's All Right (The Broken Circle Breakdown Bluegrass Band)
14) I Love You, But I'm Lost (Sharon Van Etten)
15) All My Stars Aligned (St. Vincent)
16) Tim McGraw (Taylor Swift)
17) Where Do I Begin? (Wilco)
18) Segredo (Sandy)
19) Are You There Sweetheart? (Kate Nash)
20) Cups (Anna Kendrick)
21) You Oughta Know (Alanis Morissette)
22) Picture to Burn (Taylor Swift)
23) Turn To Stone (Electric Light Orchestra)
24) Réu Confesso (Tim Maia)
25) Magnetized (Wilco)

sábado, 29 de agosto de 2015

Minha semana #4: catarses, planos e uma chuva que nunca veio


O que a última semana teve de marasmo, essa teve de agito. Sexta passada meu avô nos deu um susto e foi parar no hospital, e lá ficou até terça. Apesar dele só ter passado esse tempo internado para observação, sempre fica aquele desconforto, um coração que nunca está completamente em paz, fora todas as correrias de revezamento no hospital e o telefone aqui de casa que não parou de tocar por um minuto. Felizmente, terça-feira cheguei do trabalho e dei de cara com aquela cena ali em cima, meu velhinho agindo naturalmente, jogando baralho sozinho como sempre. Vovô e vovó ficaram aqui até hoje de manhã e foi muito bom tê-los em casa por esses dias.

Segunda eu finalmente tive aula e foi um pesadelo. Foi a primeira de TCC II e bastou um dia de volta a essa realidade que minha cabeça começou a doer. Semestre passado eu tinha dor de cabeça praticamente todos os dias, e o incômodo foi embora tão logo entrei de férias. Passo uma tarde em aula e hello darkness my old friend. Estava bem desesperada com o cronograma apertado e com o detalhe de que eu muito sinceramente não estava muito segura com o conteúdo do TCC. Fiz o projeto semestre passado ao mesmo tempo em que estava escrevendo o livro, então fui levando as coisas meio com a barriga, só cumprindo os prazos, mas sem tempo de pensar nele como um todo, com atenção. 

Só na quarta consegui sentar com a minha orientadora para resolver isso, e foi uma reunião muito boa. Conseguimos delinear a estrutura da monografia e montar um plano, e agora, mesmo com um milhão de prazos pra cumprir e uma cacetada de leitura, estou tranquila porque (acho que) sei o que estou fazendo. 

Pinterest #fail do século: minha mãe ficou tão puta quando viu isso que disse que ia me dar um quadro de cortiça, mas até o fechamento dessa edição isso ainda não tinha acontecido
Na quarta também assisti a uma palestra com um dos fundadores do Catarse, que veio falar na minha universidade. A história de criação do site é muito bacana (ele só tem 24 anos!!!), e conhecer alguns ~cases de sucesso~ me deixou cheia de gás pra começar o planejamento pra lançarmos uma campanha pro Itinerância (curte nossa página? nunca te pedi nada!). Já pensei e repensei e acho que o financiamento coletivo é a melhor solução para fazermos nosso librinho ganhar o mundo, e quero fazer isso o quanto antes pra não correr o risco de deixar sempre pra depois, depois, depois e acabar com mais um projeto eternamente engavetado. Vocês vão ajudar, né? Já separa o troquinho do lanche aí! 

Depois de dias de sol tinindo, tempo seco e calor daqueles, na quinta finalmente o tempo mudou. Tive que ir resolver umas coisas no centro da cidade no fim do dia e poderia jurar que seria levada pela ventania. Chegando em casa cantei a maior vitória por ter vencido a chuva que cairia a qualquer momento, só que esse momento nunca chegou. Às vezes acho que a chuva se recusa a cair se eu não estiver embaixo. Pelo menos deu para tirar um casaquinho do armário, e foram dois dias tão fresquinhos que saí com Matheus para comermos crepe à noite e não aguentamos ficar nas mesas ao ar livre. Uma pena que hoje a cidade tenha voltado pro seu estado normal: 35 graus na sombra. 


Gulodices da semana: um milhão de crepes de atum e depois chocolate branco pra arrebatar // açaí com leite ninho pra equilibrar o desgraçamento mental do TCC
O que mais? A semana foi tão corrida que só consegui fazer blogilates ontem e hoje (e por isso estou morrendo). No domingo comecei um livro incrível, The Girl's Guide to Hunting and Fishing, e ele me passa muito a impressão de ser um Apanhador no Campo de Centeio, só que com uma protagonista feminina. Depois de mais de um mês pelejando com Toda Luz que Não Podemos Ver, um livro bom mas com ritmo péssimo, foi ótimo experimentar aquela urgência de ler que faz você passar a aula inteira lendo sem perceber, sair da sala grudada no Kindle e só perceber que está literalmente lendo enquanto anda, feito uma maluca, quando alguém te para no meio do caminho e diz pra você tomar cuidado pra não tropeçar. 

Ontem assisti o primeiro capítulo de Narcos e gostei bastante, vou aproveitar que segunda-feira é feriado por aqui e tentar assistir tudo. O que vocês acharam do sotaque do Wagner Moura?


A semana no blog
  • No sábado, fiz o terceiro resumo da semana;
  • No domingo, fiz um guia de bolso para góticos suaves, indicado livros, filmes e discos para quem quiser entrar no clima da sombra e das trevas;
  • Na segunda não teve post #crise
  • Na terça, respondi ao meme 5 Coisas que Não Dou a Mínima;
  • Na quarta, listei algumas coisas que aprendi escrevendo todos os dias no blog;
  • Na quinta, contei sobre os melhores shows que já fui na vida e listei os que eu preciso ver antes de morrer;
  • Na sexta, escrevi sobre aceitação, sobre a minha Rory Gilmore interior e fiz as pazes com a minha casa de Hogwarts, a Corvinal;
  • Essa semana saíram dois textos meus pela internet: na Pólen, escrevi sobre como crescer com a internet contribuiu para a pessoa que sou hoje, e lá no Move That Jukebox falei sobre Alabama Monroe e música country. 
A semana na Máfia
  • Na segunda, a Analu escreveu sobre como o "quase" não existe, sendo apenas um afago mentiroso que invetamos para nos sentirmos melhor com nossos fracassos;
  • Ontem a Sharon escreveu um texto super sincero e difícil sobre essa coisa difícil que é viver os 20 e poucos anos (algum dia vamos esgotar esse tema? são questões)
  • Na quarta, a Couth escreveu sobre sua avó e a relação das duas (vocês PRECISAM ver as fotos no fim do post);
  • Também na quarta, a Iralinha escreveu sobre a dificuldade de ser professora e ter que lidar com os pais dos seus alunos (os gifs, meu Deus, os gifs);
  • E na quarta (quarta-feira bombou hein amigas) a Paloma escreveu sobre On The Jellicoe Road, um livro que eu não li ainda, mas já amo mesmo assim;
A semana na internet
  • Por que eu nunca quero ter filhos, Vaneça sempre fazendo o BEDA valer a pena;
  • 23 notícias que só poderiam ter acontecido no Paraná, se vocês soubessem o tanto de risada que eu dou das notícias do Paraná talvez começariam a me olhar de um jeito estranho;
  • De caixas de lápis e vivências escolares; texto da Marília Barros na Pólen sobre as pequenas coisas que produzem identificação quando estamos lendo algo que é próximo de nós;
  • Mudança de casa, texto da Marina Vieira também na Pólen, sobre sua aceitação lufana, que inspirou meu post de ontem;
  • Última página: meu obrigada a Antonio Prata, Lorena, também na Pólen (se vocês acham que eu só li a Pólen essa semana estão certinhos), falando sobre nosso cronista favorito da vida;
  • Os estranhos que nos levaram a Lisboa, saga do Felipe, da Debbie, dos dois cães e das várias malas para chegar em Portugal;
  • O Move That Jukebox está com uma série nova, a Música do Dia, em que eles indicam? uma música? todos os dias? acho ótima a proposta que nos convida a realmente tirar um tempinho do dia pra ouvir de verdade alguma música, não só escutar enquanto faz outras coisas. A série abriu com California Stars, e claro que eu passei o dia inteiro ouvindo sem parar;
  • Saiu o disco novo da Carly Rae Jepsen e ele é ótimo! Adorei a Listening Party (amo amo amo esses vídeos) que o Consequence of Sound fez pra falar sobre ele, recomendo;

A lista da semana está realmente magrinha, frequentei muito pouco a internet nessa semana. Aliás, a última semana do BEDA foi um completo show de horrores, tive pouco tempo, mas o principal motivo é que eu não aguento mais. Hehe. Falhei na segunda, e quarta-feira rabisquei QUALQUER COISA só pra não avacalhar mais ainda a semana. Queria dizer que estou triste e vou sentir saudades, mas estou muito feliz que tá acabando. O único texto que gostei de escrever essa semana foi o de ontem, e o ciclo de não conseguir escrever - odiar o que estou escrevendo - forçar a barra - postar algo qualquer  - me frustra demais e me desanima de todo o resto. Fui uma péssima blogueira nesses dias, não dei atenção pra quase ninguém e não mereço a atenção de vocês, então tchau.

Brincadeira, só estou cansada. Desculpa? Vou melhorar? Ainda temos mais dois dias pela frente, dá tempo de eu me redimir. Vamos que vamos.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A minha é Corvinal - foi mal?

Eu cresci ouvindo que tinha que ser inteligente. Não era algo opressivo (nem sempre), mas estava ali. Meus pais me criaram pra ser inteligente. Não um gênio ou um prodígio, mas simplesmente boa naquilo que eu fizesse - fosse caligrafia, o A B C, tabela de multiplicação, história, português, vestibular e qualquer profissão que eu escolhesse. A escolha por uma faculdade de jornalismo não emocionou muito meus pais que sonhavam com uma médica ou uma diplomata, mas eles não deixaram de me apoiar por isso, só pediram que então eu fosse a melhor jornalista que eu pudesse ser.


No começo era fácil, e até a oitava série consegui tirar de letra isso de ser boa nas coisas. Como a Analu escreveu no blog dela esses dias, eu fui uma criança e tanto, e logo aprendi que "se eu tinha um charme nessa vida, era esse. Eu era inteligente. Eu conseguia fazer as coisas. Eu era aprovada em tudo o que eu me predispunha a fazer." Até que (sempre tem um até que) a coisa começou a desandar. Fui pra uma outra escola no ensino médio, uma escola grande, e lembro até hoje da primeira devolutiva das provas que fizemos. Não lembro detalhes, mas foi mais ou menos assim: se antes minha menor nota era 8, dessa vez a maior tinha sido um 7,5. Tirei o meu primeiro vermelho. Chorei de soluçar na frente de todo mundo e a professora parou a aula pra ir conversar comigo, porque humilhação pouca é bobagem. Eu tinha falhado. Como ia explicar aquilo pros meus pais?

À noite, meu pai me levou pra comer um sanduíche e conversar. Ele disse que aquilo não era o fim do mundo, mas não passou a mão na minha cabeça: disse que era normal estranhar no começo e que agora em diante eu tinha que me esforçar um pouco mais e logo pegaria o ritmo. O que eu senti foi como se o meu melhor, que antes tinha garantido que eu fosse, se não a primeira, pelo menos a segunda ou a terceira da turma, agora custava a me colocar na média. 


É verdade que eventualmente me acostumei ao ritmo da escola e minhas notas melhoraram bastante, mas nunca mais fui a melhor. Me garantia nas humanas, passava sempre raspando em física e matemática, estudava química e biologia feito uma maluca. Quando o boletim chegava no fim do bimestre, sempre acontecia um troço meio chato que era eu ter que explicar por que continuava tirando 6 em algumas matérias sendo que minha única obrigação na vida era estudar. Se era difícil pros meus pais entenderem que tinham coisas que a menininha inteligente deles não dava conta, que tinha um limite ali, se eles lutavam pra aceitar essa quebra de expectativa,  imagine como era pra mim. No começo eu sofria, chorava, adoecia, e ia atrás de plantões e professores particulares, mas depois aprendi a não ligar tanto assim. Fui criando uma rejeição a esse ideal de perfeição, ao estereótipo da garota inteligente melhor em tudo, coloquei a culpa no sistema - eu era realmente muito boa em culpar o sistema.

Escrevi um comentário num post da Sharon sobre cinema dizendo que eu adorava cinema e música quando era mais nova, e sonhava em ser crítica quando crescesse. Só que em determinado momento percebi que eu sabia demais e me divertia menos com as coisas, então comecei a investir meu tempo consumindo aquilo que me divertia e com o que eu me identificava. Não que eu não me divertisse com o cânone, muito menos que as coisas divertidas sejam ruins, mas cês entendem a diferença simbólica de Jurassic Park e um filme do Godard, né?

Era uma vida confortável essa de abraçar as imperfeições e a diversão depois de tantos anos me preocupando em ser e melhor em tudo - e depois sofrendo por nem sempre (quase nunca) chegar lá. Era um alívio. Eu estava muito feliz com essa identidade que construíra pra mim mesma, via isso como um ato de amor próprio e, ao mesmo tempo, rebeldia. De garota chata fã de Radiohead que passava dois dias chorando por conta de uma nota 5, eu agora lia livros adolescentes sem pedir desculpas, e dava risada das minhas notas ruins (gargalhei quando tirei meu primeiro zero? gargalhei) dançando Shakira. A vida era boa.

Até o dia que eu fiz o teste do chapéu seletor no Pottermore e descobri que era uma corvinal.


Querido leitor, se você não se importa com Harry Potter e acha isso demodê por favor dê meia volta e saia já daqui , fique sabendo que uma coisa importante sobre mim é o fato de que eu levo cultura pop a sério e acho que esse tipo de coisa diz muito sobre quem somos. Antes de fazer o teste, eu queria muito ser da Lufa-Lufa. Minha nova postura diante do mundo era totalmente lufana, eu queria fazer parte dessa galera gente boa, parceira, de coração bom e que mora perto da cozinha. 

Corvinais são famosos por sua inteligência, mas dizem as más línguas que são arrogantes. Eles querem ser os melhores em tudo e tiram seu valor disso, representando basicamente tudo que eu lutava com tanta força pra tirar de mim. Normalmente acontece o movimento contrário: as pessoas querem ser corvinais (ou grifinórios), se revoltam quando se descobrem lufanos, e depois abraçam a personalidade despretensiosa e gentil dos texugos. Tudo que eu queria era ser relax e gente fina, mas sou essa pessoa pilhada e megalomaníaca, que quer tudo certinho e pira num livrão. Eu não queria ser essa pessoa, me devolve minha sala comunal perto da cozinha porque tenho certeza que lá as pessoas estão ouvindo Taylor Swift fazendo uma ciranda e aqui nessa torre estão me obrigando a fazer um teste de aptidão, SOCORRO!!11 

Minha revolta durou o tempo necessário para ler a carta de boas vindas, porque de repente eu estava chorando e me sentindo muito abraçada (eu me importo com essas coisas mesmo, e você que é feio?). Com aquela mensagem, descobri que corvinais tem essa coisa de ser espertos, mas o mais importante é que eles são únicos e até meio excêntricos, e celebram a individualidade de forma criativa ou investindo em novas descobertas. Corvinal é a casa de pensar fora da caixa, inventar moda e questionar o status quo. De gente que às vezes pensa demais, mas que não tem nada de errado com isso. Ler aquela carta naquele dia me mostrou que aquilo que fazia com que eu me sentisse chata e diferente poderia, sim, ser o meu charme. 

spirit animal
A obrigação de ser infalível já me machucou muito, e a autocobrança é algo com que eu tenho que lutar todos os dias, o tempo inteiro. Preciso constantemente me lembrar de que tudo bem errar e não ser sempre a melhor. Preciso fazer força pra ser leve e correr atrás de uma folia na cozinha. Mas existe, e sempre existiu, muito de mim nessa personalidade cabeçuda. Se eu não tirasse uma realização muito genuína nos estudos, acho que as expectativas dos meus pais jamais teriam grudado com tanta força. Elas ficaram porque eram minhas também, desde sempre e eu tenho redescoberto elas agora que voltei a estudar.

Não que eu tivesse parado, mas só agora fazendo minha monografia que voltei a ter uma rotina pesada de estudos. Porque eu escolhi um tema tão difícil que nem eu sabia explicá-lo (sério, eu tive que pedir ajuda pra um professor explicar pra mim mesma o que eu queria com meu projeto) (eu ainda não sei explicar direito, por isso não vou fazer isso agora), e vou usar o método mais complexo por aí. Existiam mais o menos uns 6485 jeitos de fazer isso de forma mais fácil, só que eu escolhi a difícil. Não por ser difícil, mas porque senti aquela coceirinha de me desafiar a fazer algo grande, que me assustasse na mesma medida que me fascinasse. 

Li esses dias na newsletter da Isa Sinay (recomendo muito) um troço que me identifiquei muito profundamente: 

"Eu, embora ame muitas coisas na vida e não ame meu trabalho todos os dias, sou o tipo de pessoa que sim, se realiza no que faz profissionalmente. Mas mesmo assim foi algo muito libertador quando eu percebi que essa era eu, mas não todo mundo. Porque se realizar em algo é muito mais sobre se encontrar naquilo, sobre aquilo aplacar uma ambição e uma vontade em você. A minha vontade se satisfaz nas pessoas que eu ensino e na construção de raciocínios longos e complexos sobre coisas que a princípio não interessam a ninguém. Eu me sinto feliz nas horas infinitas que eu tenho passado lendo sobre um assunto tão pouco agradável quanto o Holocausto. Eu até quase me sinto feliz nas horas que tenho passado estudando sobre história do hebraico. No entanto, mesmo no tédio, mesmo no "mddc, não quero saber sobre mudanças sintáticas no período pós-exílio da Babilônia" eu estou satisfeita com as minhas escolhas, algo meu está em casa ali."

Não estou estudando nada tão complexo como o Holocausto, muito menos a história do hebraico, mas são coisas que me fazem vibrar por dentro, é uma felicidade quase idiota, porque ainda estou na fase de me ferrar muito e acho que vai ser assim até no final. Mas está ali, gritando pra mim. Tão alto que às vezes fico com medo de me transformar numa acadêmica delusional que define a si mesma e aos outros de acordo com o lattes ou o quanto essa pessoa sabe de Foucault. Já gastei muito caractere e saliva falando contra o modelo acadêmico das coisas, pregando que é muito mais ser divertido e produzir identificação do que ser formalmente bom. Odeio gente arrogante e pretensiosa, metida a inteligente, e odiaria me transformar em alguém assim, mas ao mesmo tempo tô aqui lendo Hegel e achando o máximo e orgulhosa por estar conseguindo produzir algum raciocínio em cima disso.

Tenho problemas?

Provavelmente esse textão não fez o menor sentido pra vocês, mas hoje li esse texto incrível na Pólen sobre aceitação lufana (quão ótimo é escrever para uma revista que trata com seriedade esse tipo de tema?) e ele me fez pensar sobre minha aceitação corvinal, e sobre como nas últimas semanas tenho feito as pazes com a Anna Vitória CDF que eu fui um dia - ou nunca deixei de ser, só estava ali batendo papo na cozinha com os elfos.

Foi essencial pra minha sanidade jogar pra cima a obrigação de ser boa em tudo, que fazia com que meu entusiasmo pelas coisas fosse oprimido por esse imperativo de ser perfeita. Igualmente necessário tem sido redescobrir aquela chama da empolgação, e escrevo isso hoje pra não me esquecer dela: não me importo se for a mais inteligente, tirar a nota mais alta ou fazer o melhor trabalho, contanto que ao final dele eu tenha feito o melhor no que seja melhor pra mim. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Os melhores shows da minha vida

Olha, se tem uma coisa que faz a vida ser show, é ir em shows (dsclp). Shows de música são uma das coisas que eu mais amo no mundo inteiro, e eles continuamente se provam maravilhosos mesmo com todo o contexto que nunca é favorável. Shows são caros, desconfortáveis, cansativos, insalubres, reúnem as melhores e as piores pessoas do mundo num mesmo lugar (e as piores sempre vão estar perto de você), é sempre um perrengue pra ir e pra voltar (e piora bastante quando você mora no interior e precisa viajar sempre 600km pra qualquer show grande) e você sempre corre o risco do artista estar num dia ruim e entregar uma apresentação meio bosta, fazendo com que todo esse esforço seja em vão. Mas, mesmo assim, vale a pena correr o risco. Eu acho. 

Sempre escrevo sobre os shows que vejo aqui no blog logo quando eles acontecem, mas como recordar é viver, resolvi fazer uma lista mais breve contando um pouquinho sobre cada um, porque estou morrendo de saudades e com uma vontade muito errada de colocar um showzinho no meu calendário ainda esse ano (alguém me leva na mala pra ver o Belle and Sebastian, por favor, nunca pedi nada pra vocês). 

Los Hermanos e Radiohead no Just a Fest (2009)


Com 15 anos eu não fiz festa e nem fui pra Disney, mas meu pai me levou pra ver o show do Radiohead. Adoro essa história primeiro porque me faz parecer muito cool (acredite, eu estava me sentindo MUITO COOL naquele momento), e segundo porque foi um dos presentes mais lindos e inesperados que ganhei na vida. Tipo, quais as chances do meu pai ter sozinho a ideia de me levar pra ver um show de uma banda que ele mal conhecia e de quem eu mal falava, mas amava muito mesmo assim? Sabe aquela coisa que você acha tão improvável de acontecer que nem chega a sonhar com ela? Então, eu nem sonhava que um dia teria essa oportunidade, mas ela chegou um mês depois do meu aniversário de 15 anos.

E aí veio a outra surpresa, talvez a maior, que nem meu pai poderia imaginar: o Los Hermanos tocaria no mesmo dia, o primeiro show depois do hiato, uma graça deles que nem os fãs imaginariam que viria. Mas veio. E eu estava lá pra ver. 

Costumo brincar que meu pai ainda me deve um show dos Los Hermanos de verdade, porque perdemos o começo presos no trânsito, coisa que não teria acontecido se tivéssemos saído na hora que eu sugeri. Lembro da minha aflição na fila ouvindo "Todo carnaval tem seu fim", de começar a chorar de desespero lá fora, e entrar em colapso ao ouvir "O vento" assim que finalmente conseguimos entrar. Mas, mesmo com esses erros de percurso, eu jamais trocaria esse momento com Los Hermanos que eu tive, porque foi o meu momento, sabe? Posso assistir milhões de outros shows deles que nenhum vai ser como aquele. 

Além de estar vivendo o ápice do meu amor pela banda e ser imensamente apaixonada por todas aquelas músicas, eu também tinha acabado de ter meu coração quebrado depois de uma não-história-de-amor toda embalada por Los Hermanos. "Sentimental" foi a penúltima música, e embora estivesse me preparando pra ela durante todas as outras, senti aquilo com tanta força que achei que fosse morrer, cantando entre soluços e pensando que não podia ligar para a pessoa que eu mais queria que ouvisse aquilo. "Eu sei não é assim, mas deixa eu fingir, e rir..."


Recuperada a estabilidade emocional, era hora de ver o Radiohead. Foi o primeiro show grande que eu vi e não tinha como saber, mas eu estava presenciando o melhor show que veria na vida. Sei que ainda sou nova, tenho muitos shows pela frente e nunca vi o Wilco, mas se nem o Paul McCartney superou o Radiohead, acho difícil que qualquer outro supere a banda. Foi tudo absolutamente perfeito e muito impressionante, as luzes no palco, os telões que mostravam detalhes inesperados (tipo o olho do Thom Yorke), e todas as pessoas tão hipnotizadas, encantadas e felizes, genuinamente felizes, por estarem ali. Era como se estivéssemos todos - incluindo a banda - num transe coletivo de puro amor e reverência à música. 

Aí veio a chuva e aquela coisa louca que foi "Paranoid Android", selando pra sempre meu destino de fã que iria pra pra sempre procurar aquela emoção de novo em todos os shows subsequentes. O show está disponível na internet por conta de um projeto colaborativo MUITO LEGAL que foi feito na época, juntando registros de todas as pessoas que estavam lá para montar a apresentação. Lembro de acompanhar o Rain Down pelo Orkut (!) e até hoje reassisto e fico muito feliz porque algo assim existe, uma das minhas melhores memórias registradas de forma única. Eu não era a única pessoa sendo transformada naquela noite. God loves his children.

Switchfoot em Ribeirão Preto (2010)


Lembrar do Switchfoot é lembrar de toda a minha história com a Anaisa, uma das minhas melhores amigas. Tudo o que vivemos em mais de dez anos de amizade teve junto a presença do Jon Foreman, mesmo na época quando ainda não o conhecíamos. As músicas do Switchfoot são trilha sonora para nossas aventuras absurdas, as loucuras sem sentido, os planos malucos, as noites sem dormir, os sonhos, os choros e tudo de mais profundo que nos une. Ver o show da banda foi viver isso tudo na máxima potência, anos de emoção e memórias condensados em duas horas. 

Levamos cartazes pro show pedindo "Gone", nossa música favorita, a música da nossa vida, e por conta deles fomos parar na beirada do palco (!), chamadas pelo Jon (!!), enquanto ele cantava "Gone" (!!!). A casa era pequena e o Jon era um maluco que se pendurava nas estruturas do palco e jogava o corpo pra frente, ficando com o rosto a centímetros de distância de quem estava na grade, me deixando ver de perto o azul claro absurdo dos seus olhos. A gente gritou, chorou e morreu diversas vezes, era a nossa noite com o cara que mais amávamos no mundo, tão perto que chegava a suar na nossa cara, e foi tudo o que sonhamos e talvez um pouquinho mais. 

Paul McCartney no Morumbi (2010)

que homem
Ver o Paul McCartney também era algo que eu não imaginava que fosse viver. Não sei se vocês lembram, mas há pouquíssimo tempo ainda era coisa rara essa brincadeira de shows internacionais no Brasil. Quando acontecia, era um evento. Se eu não me engano, essa turnê do Paul foi a primeira que passou por aqui depois de mais de 15 anos. Eu não era nem nascida no último show que ele fizera aqui, e já tinha aceitado que morreria sem ver um beatle. Até que o Paul estava diante de mim.

Lembro de passar o show inteiro tão estupefata que demorei algumas músicas para conseguir reagir apropriadamente. Só ficava olhando embasbacada aquele velhinho lindo com seu elegante terno azul. Nunca vou esquecer do terno azul e do fato de que depois de três horas de show o Paul não estava suado. Fiquei tão extasiada de emoção que só fui chorar quando ele foi embora, foi como acordar de um sonho bom. Como assim vão tirar ele da gente? Não, pelo amor de Deus, deixa esse homem aqui. Ainda acho que foi por isso que ele escorregou e caiu antes de sair do palco, era muita gente não suportando a ideia dele ir embora.

Assim como a Couth, até agora não acredito que esse show aconteceu e eu estava lá, mas as lembranças às vezes me tomam no meio do dia e fico arrepiada lembrando: os primeiros acordes de "The long and winding road" e minha alma em pedaços, o português de gringo lindo antes de "My love" - "essa música é para minha gatinha Linda" (não sei se vocês sabem, mas sou uma heavy shipper de Paul e Linda) - as fotos do George aparecendo ao som de "Something" no ukulele, dançar "Band on the run" abraçada com desconhecidos, melhores amigos instantâneos unidos pela magnitude daquele momento: estávamos diante de um beatle, e ele era maravilhoso demais pra ser verdade. Mas era.

The Killers no Lollapalooza (2013)


Pensa numa aventura errada. Pois é, essa é minha história no Lollapalooza de 2013. Foi um troço que começou e terminou errado demais, e até hoje a única explicação que tenho para estar aqui hoje viva contando essa história envolve um milagre, um ônibus misterioso e uma dose cavalar de sorte depois de porções estratosféricas de azar. Só que no meio disso tudo teve um show que fez todo o perrengue valer a pena. 

Foi como se a vida tivesse entrado em stand-by assim que eles abriram o show com "Mr. Brightside", pra só voltar a funcionar ao fim de "When you were young", que fechou a apresentação. Eu comecei a pular na primeira música e só parei na última, carregada pelas pessoas. Chovia quando eles tocaram "All these things that I've done" (chuvas são muito importantes pro impacto emocional dos shows), e eu estava abraçada com os meus amigos dizendo que "I've got soul but I'm not a soldier", como a gente disse que faria tantas vezes sonhando com esse momento, que mesmo cheio de obstáculos, atrasos e doenças (eu já contei que o Matheus estava com dengue e passando mal?), estava acontecendo e era incrível.

E meu Deus do céu como o Brandon Flowers é lindo.

Arctic Monkeys na Arena HSBC (2014)

QUERO
HAHAHAH EU NUNCA VOU SUPERAR ESSE HOMEM DEITADO NO PALCO
É muito difícil separar esse show de tudo que veio antes dele, e tudo que veio depois. Porque eu estava no Rio de Janeiro com as minhas amigas, vivendo um dos melhores fins de semana da minha vida, e estar diante de Alex Turner perdendo a voz tentando cantar "Fluorescent Adolescent" tão rápido quanto ele foi mais um elemento dessa colcha de retalhos maravilhosa. Tínhamos virado a noite dançando até morrer numa festa incrível e tiramos força não sei de onde para estar ali de pé, pulando e gritando histericamente.

Fomos parar no meio de uma roda punk com caras malucos se batendo e fazendo algazarra, mas eram caras malucos se batendo e fazendo algazarra muito do bem. As pessoas se afastaram com medo, e nós ficamos ali, lépidas e faceiras, curtindo o espaço aberto e aproveitando a brecha pra fazer muita festa. E aí tinha o Alex Turner, o cara mais gostoso e incrível do mundo, tão lindo que até doía, com aquela guitarra, aquela roupa ridícula, aquele cabelo que ele insistia em arrumar toda hora, dizendo coisas que não dava pra entender porque o menino tem uma dicção horrível, e lembro de no final pular com tanta força ouvindo "R U Mine" que quase caí e derrubei várias pessoas. E teve Mardy Bum, rápida, só no violão, que eu jamais vou esquecer. 

Quando tudo fica difícil penso nele se oferecendo pra ser meu aspirador de pó e depois fazendo o apelo: "can't we just laugh and joke around?", sim, Alex, a vida é muito curta pra fazer cara feia, vamos rir e fazer piadas, no fundo isso é tudo que importa.

Bônus: top 5 6 shows que eu preciso ver antes de morrer
  • Wilco - O sonho do Wilco no Brasil nunca morre, mas já tenho uma poupança em andamento para vê-los no Solid Sound em 2017, e quem viver verá meu óbito ao som de "Pot kettle black";
  • Taylor Swift - Mas nem que eu tenha que caçar essa abusada no inferno;
  • The Strokes - Eu tinha vestibular no dia seguinte ao show que eles fizeram no Planeta Terra e tentei me consolar imaginando que seria horrível - o Julian é imprevisível e era a turnê do Angles (do Angles!!) - mas no dia seguinte li no jornal que eles só tocaram músicas antigas e que tinha sido incrível (chorei horrores), e guardo mágoa desse dia até hoje - até porque nem passei na prova. Vida, você me deve essa;
  • Death Cab For Cutie  - Sinto que esse sonho está cada dia mais próximo, Ben Gibbard (que agora está gato) que me aguarde;
  • Jenny Lewis - Quero as dancinhas, quero participação especial das HAIM, quero as histórias entre uma música e outra e, sobretudo, quero o coralzinho de "Acid tongue" pra eu chorar horrores, e minha spirit animal em todo o seu esplendor e maravilhosidade (com várias músicas do Rilo Kiley no set), dá pra ser?
  • St. Vincent - Nem dava bola pra ela até assistir pela TV o show que a Annie fez no Lolla desse ano e ficar obcecada e ir atrás de todas as suas apresentações no Youtube. Se quiserem ver uma deusa da guitarra em ação e questionar sua sexualidade, faça a mesma coisa e venha sonhar com um show dela comigo;

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

O que eu aprendi escrevendo por 25 dias, todos os dias

A primeira coisa, e a mais importante, é que as ideias não acabam, mas se multiplicam.

Se executá-las fosse tão fácil como tê-las, do BEDA poderíamos pular, sem sustos ou sufocos, para um BEDS, ou até quem sabe um BEDO. Pena que escrever não tá tão fácil quanto pensar em escrever.

Não estou nem entrando no mérito de discutir se as minhas ideias são boas ou ruins (uma delas envolve cortes de cabelo e sonhos platinados), isso é outra coisa. Para pensar se uma ideia é boa ou ruim, ela precisa existir antes de tudo, e há muito mais coisas envolvidas num processo criativo (sim, escrever uma lista de bobagens exige um processo criativo, me deixem, sou complexa) do que supõe a vã filosofia de quem acredita que é *só* sentar e escrever.

Eu já sabia disso, mas é sempre bom lembrar: NUNCA é só sentar e escrever, pelo menos pra mim. Se for assim pra você, parabéns, te invejo pra sempre. Você provavelmente dorme, trabalha e estuda mais que eu, e com certeza já terminou de ver Sense 8 e Orange is The New Black.

Uma constatação preocupante: minhas prioridades são absolutamente distorcidas. O certo seria pensar em monografia, trabalho e BEDA, necessariamente nessa ordem, com as necessidades básicas costuradas aí no meio. Certo? Certo. Pena que eu sou tão errada que não consigo pensar em nada enquanto o BEDA  não está resolvido. Em minha defesa, eu sempre tento, mas não dá. Só consigo me concentrar nas minhas obrigações depois que minha diversão (risos) está concluída. Desculpa, mãe. Eu levo essa merda muito a sério, ainda bem que tá acabando.

Aí tem o negócio das flutuações de humor. A primeira semana foi linda, cheia de uma ansiedade gostosa, e cada dia era uma conquista a ser comemorada. A segunda viu a euforia passar e o desafio ganhou ares de comodismo. Na terceira senti saudades de algo que nem tinha acabado, e cheguei a acreditar que poderia fazer isso pra sempre. 

Risos. Risos eternos.

Hoje eu estou tão esgotada que só não jogo tudo pro alto porque a única coisa mais piada pronta do que abandonar o desafio nos primeiros dias seria largá-lo a menos de uma semana do fim. Teria me sacrificado durante todo o processo pra nunca poder contar os louros da vitória. As if!

Ao escrever por 25 dias, todos os dias, aprendi que qualquer detalhe insignificante na minha rotina (e até a própria rotina) pode ser tema de um texto, passando então a significar alguma coisa, nem que seja a força. Descobri que as pessoas se interessam de verdade pelo que eu escrevo, mas que até as listas cansam em determinado momento. Aprendi que nem o esforço repetitivo e cansativo faz ir embora a euforia quase ridícula (na verdade absolutamente ridícula) que é terminar um texto satisfeita com o lugar em que todas as palavras estão.

Nesses 25 dias provei mais uma vez que ter com quem dividir as grandes e pequenas coisas torna tudo automaticamente maior e melhor. Eu com certeza não teria durado um dia nessa se estivesse sozinha, e mesmo se tivesse conseguido não teria tanta graça de lembrar depois. Vi nesses dias que eu podia bem mais do que eu sabia, mas que é impossível escapar da crônica sobre a falta de assunto. Ou tempo. Ou vontade. Ou tudo isso junto. Desculpa?

Descobri que minha cabeça nunca para de narrar as coisas, e que a escrita é como coração de mãe e de cachorro: quando a gente pensa que chegou no limite, aparece uma pedra no meio do caminho cheia de detalhes que imploram pra ser descritos minuciosamente. Ou você acaba tropeçando nela, quebra o dedão e até comemora - agora tens aí algo sobre o que escrever, e mais uma vez o dia foi salvo.

Às vezes você passa o dia angustiada por não conseguir desenvolver nenhum dos seus textos, mas antes de escrever que aprendeu nesses 25 dias que tem alguns dias em que não dá mesmo (e tudo bem!), quando você vê lá se foram mais de 10 parágrafos escritos no caderno, à mão mesmo, sobre não conseguir escrever. 

O que eu aprendi escrevendo todos os dias, por 25 dias, é que tem dias em que não dá mesmo. E tudo bem. Hoje foi um deles, mas já tá acabando.

Até amanhã.


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Cinco coisas que eu não dou a mínima

Se eu não me engano, o 5 Coisas que Eu Não Dou a Mínima surgiu no GWS e é uma das minhas tags favoritas do site. Lá elas convidam sempre uma blogueira ou ~personalidade~ da internet pra responder. Sendo eu uma blogueira (agora depois desse BEDA sinto que sou o que eu quiser nessa merda), porém não uma personalidade, acho que o único espaço pra responder isso é aqui no blog, né? A ideia está começando a se espalhar e nesse mês vi posts assim no blog do Felipe e da Vanessa, e eu e as migas resolvemos fazer isso hoje - vejam os posts nos blogs da Analu, da Sharon, da Couth, da Paloma e da Iralinha

O título é autoexplicativo, então vamos lá:

CARROS

caguei?
Olha, eu realmente não me importo se você ama seu carro e adora dirigir, acredito de verdade que a vida de algumas pessoas muda por conta disso - inclusive aceito uma carona sempre que for possível, parabéns pra você. Mas, por favor, entenda que existem pessoas com outras prioridades na vida. Meus amigos motoristas adoram me encher o saco falando que eu não ligo pra carro porque não passei na prova da autoescola, mas acho que, se eu desse a mínima, nesses dois anos já teria ido atrás de fazer esse negócio de novo, né? Sei que eventualmente precisarei tirar a carteira, e inclusive quero, mas só pra me ver livre de vocês e não pensar mais nisso. Se eu ainda não fiz é porque, olha só que coisa, tenho outras prioridades na vida.

Não me importo de andar de ônibus, adoro andar a pé e acho que caronas são o melhor dos  mundos (vó, pai e Matheus, amo vocês), mas se tivesse que ficar sem elas eu daria o meu jeito. Prefiro pagar táxi do que arcar com os custos fixos de um carro (vocês sabem quanto custa um estacionamento?), e se eu ganhasse um hoje com uma fita vermelha em volta a primeira coisa que eu faria seria vendê-lo, pegar o dinheiro e viajar. Sei que é fácil pra mim ter esse estilo de vida porque estudo e trabalho a dois quarteirões da minha casa e todo o resto consigo resolver com um ou dois ônibus em menos de quarenta minutos - é um privilégio, claro, e justamente por isso gosto de fazer uso dele sendo menos uma alma atormentada numa caixa de metal que queima petróleo ocupando espaço e poluindo o meio-ambiente. Porque a gente não está no trânsito, a gente É o trânsito.

SALÃO DE BELEZA

por fora

por dentro
Primeiro que é caro. CARO. Sempre que vou ao salão e deixo lá uma boa parcela do meu suado dinheirinho, penso no quanto poderia economizar se pudesse fazer eu mesma tudo isso, no conforto do meu lar (além de ser mais barato, acho super divertido). Hoje dependo de salões de beleza só mesmo pra retocar a raiz e cortar o cabelo, mas sonho com a total independência dos profissionais de beleza. Já consigo tosar meu cachorro e lidar com minha franja, é quase a mesma coisa, né? O outro problema é o tempo. Aquilo demora. São horas que você nunca vai ter de volta, e eu já gastei toda a minha cota na infância, esperando minha mãe - essa sim, fã de toda a pajelança - em salões por aí. 

E depois tem a questão da conversinha. Existe essa convenção social de que você tem que conversar num salão de beleza, tem que ficar comentando foto de celebridade de Instagram com as outras clientes (no salão onde eu pinto o cabelo as celebridades de Instagram são uma obsessão generalizada), não pode simplesmente ficar quieta, lendo Caras ou um livro sem conversar com ninguém. Mas como não sou obrigada, eu fico quieta, lendo Caras ou um livro sem conversar com ninguém, e é por isso que todo mundo me odeia e com certeza fica falando de mim depois que eu vou embora, aquela ruiva esquisita que sai sempre de cabelo molhado. 

Sim, eu saio do salão de cabelo molhado porque 1) não vou pagar 30 reais pra secarem meu cabelo se tenho secador em casa e 2) isso significaria passar mais uns 20 minutos lá dentro e eu acho que a vida é muito curta pra isso.

GAMES

minha reação diante de um vídeo-game é mais ou menos minha reação diante da Lana Del Rey
Quando eu era criança eu tive um vídeo-game chinfrim, o Dynavision Radical da Dynacom. Cês lembram disso? Eles anunciavam na Rede TV. Insisti muito pros meus pais me darem o Dynavision Radical da Dynacom, e me cansei dele depois de mais ou menos duas semanas. Teve uma época que o Pedro vinha pra cá nas férias sempre com seu Playstation a tiracolo, e lembro de um verão que realmente ficamos investidos nisso e zeramos o jogo do X-Men, uma vitória tão importante na minha vida que queria que fosse apropriado colocar isso no currículo. Eu jogava Mario quando ia na casa das minhas primas, Sonic com as vizinhas, e Guitar Hero sempre que possível, mas vídeo-game sempre foi isso, uma diversão efêmera. Nunca consegui me interessar por um jogo por mais de duas ou três semanas, e acho a cultura gamer muito exótica por isso. Nem de joguinhos de celular eu gosto - no máximo o da cobrinha (saudades eternas) e olhe lá. 

Aí tem  outro lado da história que quando um jogo me pega, vira uma obsessão. Tipo com Flappy Bird, que eu joguei até ter crise de tendinite, ou Candy Crush, que eu abandonei no dia que paguei $0,99 por um pirulito. Game é um troço que quando me pega, vira um foco de ansiedade na minha vida. Eu era muito infeliz jogando Flappy Bird, cês não fazem ideia. Então, se não consigo encontrar um equilíbrio saudável, não faço questão de me inteirar do assunto.

FICAR/FAZER AS COISAS SOZINHA


Eu sou filha única e aprendi cedo que ou eu dava um jeito de me divertir comigo mesma e me bastar, ou eu não ia me divertir nunca. Aliás, nem sei se isso tem a ver com o fato de eu ser filha única, mas sempre tive essa natureza solitária. Gosto de ficar sozinha, me sinto bem assim e preciso disso. Então me acostumei a brincar sozinha, chegar nos lugares sozinha, ir ao cinema, comer e passar dias sozinha. E tudo bem, sabe? Não estou triste e nem odeio as pessoas, mas gosto de não depender da boa vontade alheia pra fazer as coisas que eu quero, não vou deixar de fazer nada porque não tenho companhia. Se falo que vou no cinema sozinha, por exemplo, as pessoas ficam nossa, coitadinha e, gente, sério mesmo? Tô com vontade, tenho duas horas livres no meu dia, vou gastá-las no cinema, que é uma das coisas que eu mais gosto de fazer. Coitada por quê?

No carnaval desse ano meu pai e minha mãe viajaram, todos os meus amigos também, e eu passei uns três ou quatro dias completamente sozinha. Mamãe e papai, mortificados, ligavam todo dia, várias vezes ao dia, tentando me convencer a ir pra algum lugar, ficar com alguém e arranjar companhia. Fico feliz pela preocupação, agradeço o cuidado, mas sério: enquanto pensam que estou infeliz e abandonada, eu fico dançando Banda Eva, faxinando a casa do meu jeito (sabendo que não vai ter alguém pra 5 minutos depois tirar tudo do lugar), comendo pizza, dormindo no sofá e curtindo a minha melhor companhia - e no fundo, a gente é a nossa única companhia definitiva na vida, né? 

POMPA E CIRCUNSTÂNCIA


Sou uma pessoa super informal e tenho muita preguiça de tradições, rituais, festas e esse tipo de coisa. Não é nem que eu não goste (aceito convites para formaturas, casamentos e festas de 15 anos inclusive), mas não é uma coisa importante pra minha vida. Não vou fazer formatura da faculdade, não me formei na escola, não tive festa de 15 anos e adivinha só, não morri por isso, minhas experiências não foram menos significativas porque não usei um vestido de baile ou dancei uma valsa constrangidíssima. Entendo quem goste (inclusive queria ser assim, me pouparia muitas explicações e angústias), e acho que se você realmente se realiza com essas coisas tem mais é que investir nisso pois só se vive uma vez, mas entenda de uma vez por todas que não, não vou gastar cinco, dez mil reais numa festa de formatura e não é por isso que minha graduação vai passar em branco. E outra: pode querer passar em branco, sim, a formatura é minha, o aniversário é meu, e o problema também.

Mas já aviso de antemão que a única coisa que eu faço questão nessa vida é de uma festa de casamento. Grande, pequena, com noivo e até sem noivo, mas eu vou casar de branco (ou de vermelho) (e nunca vou superar About Time) nem que seja obrigada. Porque eu tenho certeza que assim que começar a planejar as coisas e ver os gastos, vou querer imediatamente investir isso em outra coisa (uma viagem, óbvio), e vai ser o papel de vocês não deixar que isso aconteça.

Estou falando, claro, com minhas madrinhas que estão lendo esse post.

> Não sei se vocês repararam, mas ontem não teve post. Desde sexta-feira meu cronograma está completamente descontrolado e eu entrei numa espiral de angústia que não estou mais conseguindo me divertir fazendo esse troço. Decidi pular o dia de ontem pra me organizar melhor e mesmo assim o post saiu mais tarde que o normal. Não vou morrer na praia (eu espero), mas já peço desculpas se os textos não forem lá essas coisas pois estamos oficialmente em crise. 

domingo, 23 de agosto de 2015

Guia de bolso da gótica suave

Antes de ser tendência na moda, ser gótica suave é um estilo de vida. Não sei muito bem o que define esse paradigma, sei que me identifico profundamente. Normalmente, ele está mais relacionado a moda: roupas pretas, renda, coturno, cabelos em tons pastéis, gargantilhas, cristais, batons escuros... é gótico de butique, até a página 6, de quem curtia Evanescence na pré-adolescência e nunca superou e tal.

Como comentei, eu e as meninas combinamos de fazer um post indicando várias coisas diferentes a respeito de um mesmo tema. Eu não fazia ideia do que postar. Primeiro pensei no óbvio: feminismo e mulheres maravilhosas. Mas sei lá, eu só falo disso. Então pensei em anos 90, mas achei tão abrangente que chega a ser sem graça. Aí eu pensei em falar sobre morte, que é o segundo assunto que eu mais penso (o primeiro é feminismo e mulheres maravilhosas), mas o domingo já é uma morte o suficiente, ainda mais nesse horário que estou postando. Daí a Sharon me deu uma sugestão pra fazer graça e eu acabei gostando da proposta: fale sobre ser gótica suave, ela sugeriu. Me parecia uma sugestão sem pé nem cabeça. Adorei. 

Como nunca vi o conceito aplicado a outras coisas que não a moda, vou seguindo meu achômetro de coisas que eu acho que tem a ver com a vibe gótica suave. Uma coisa obscura pero no mucho, um mistério divertido, uma coisa complicada e perfeitinha, sexy sem ser vulgar. Eu não faço a menor ideia do que estou fazendo, vocês me perdoem e apenas tentem acompanhar o raciocínio. 

MÚSICA

Pure Heroine (Lorde): A pergunta que não quer calar: por onde anda nossa bruxinha jovem favorita? Apesar do estilo das suas músicas não ser tão trevoso assim, sempre que escuto Lorde quero imediatamente usar um vestido preto longo de mangas compridas e sair andando de carro à noite, com as janelas abertas. Torci o nariz pra ela no início, achei superestimada, mas pouco a pouco a moça ganhou o meu coração gelado. Ela é a definição perfeita da gótica suave: esquisita, porém absolutamente adorável. Pure Heroine é cheio de músicas para ouvir de madrugada olhando a rua pela janela, assustando os transeuntes e bêbados desavisados. Não deixe de ouvir: Ribs, A World Alone e Bravado.

Belong (The Pains of Being Pure At Heart): Já falei sobre esse disco na época do seu lançamento, mas recordar é viver, não é mesmo? O The Pains é uma banda que se enquadra no gênero shoegaze. As bandas que se encaixam nele receberam essa classificação pois tinham em comum, além da atmosfera meio onírica das suas músicas, uma postura retraída no palco, com os músicos sempre acanhados, olhando pros próprios sapatos, gazing their shoes. Quer coisa mais gótica suave que isso? The Pains é um representante contemporâneo super válido, com esse clima de sonho e juventude, guitarrinhas rápidas e pelo amor de Deus olha o nome dessa banda. Não deixe de ouvir: Strange, Anne With an E, Belong.

Staring at The Sea (The Cure): Acho que o Robert Smith deveria ser o ícone oficial dos góticos suaves do mundo. Cês já viram esse senhor maravilhoso? Apesar dessa cara branca, desse cabelo divertido, de só usar preto e ter esse semblante de morte, o The Cure tem músicas adoráveis. Rola uma vibe vamos dar a mãozinha e ouvir músicas tristes no cemitério, mas é uma vibe muito boa. Apesar da maquiagem pesada, tudo que os fãs de The Cure querem é dançar In Between Days de olhos fechados e bracinhos abertos. Esse disco que escolhi é uma coleção de singles, e uma ótima maneira de se iniciar na banda. Foi a primeira coisa deles que ouvi, e pra onde eu sempre volto. Não deixe de ouvir: In Between Days, The Love Cats, The Caterpillar.

Dica de estilo: antes de sair sempre pense: o Robert Smith usaria essa roupa? Se a resposta for sim, siga em frente.


SÉRIE


Twin Peaks: Definir Twin Peaks é quase tão difícil quanto definir o que viria a ser um gótico suave. Talvez por isso os dois combinem. A série é ao mesmo tempo divertida e sombria, é cheia de morte, fantasmas, gente esquita e muita coisa estranha acontecendo. Mas, ao mesmo tempo, ela tem um senso de humor único, romancinhos pra gente shippar, personagens adoráveis, anões que falam ao contrário e cavalos fora de contexto. O clima é muito Gilmore Girls, seria totalmente Gilmore Girls se Stars Hollow fosse o portal pra um universo paralelo, a Rory fosse viciada em cocaína e aparecesse morta no primeiro episódio. Gótico. Mas suave. 

LIVROS

O oceano no fim do caminho (Neil Gaiman): Acho que qualquer livro do Neil Gaiman poderia ser colocado aqui, mas quis citar esse porque, com o perdão do trocadilho infame, é como se o leitor fosse convidado a molhar os pés no oceano de mistério e fantasia. O livro narra o retorno de um cara ao vilarejo que ele morou na infância, e lá ele relembra de um troço estranho que aconteceu com ele e sua melhor amiga quando eles eram crianças. No começo achei estranho, me parecia que os elementos fantásticos da história estavam meio jogados, flutuando na trama, mas a graça é justamente essa instabilidade das nossas memórias e a forma como lembrança, delírio e mágica se fundem. Ele consegue provocar um friozinho na barriga em alguns momentos, é meio triste, mas é também muito bonito. E tem fantasmas. Fantasmas são importantes.

Mentirosos (E. Lockhart): Acho muito difícil escrever sobre esse livro porque tenho a impressão que qualquer coisa que eu disser sobre ele vai ser uma dica pro grande mistério da história, e você ser pego de surpresa é completamente essencial pra esse livro. Vou dizer apenas que ele é contado por uma garota que vai passar as férias na ilha de sua família (sim, a família tem uma ilha) depois de sofrer um acidente grave. Ela sabe que existe algo estranho em torno desse acidente que ela sofreu. Ela sabe que existe algo que as pessoas não estão contando pra ela. Ela sabe que existe algo estranho acontecendo ao seu redor. O livro gira em torno dessas dúvidas, e é um suspense muito ótimo esse construído enquanto tateamos no escuro junto com Cadence em busca da verdade. Gostei tanto que li duas vezes, uma seguida da outra.

Bliss (Lauren Myracle): Então, eu li esse livro ano passado e consta no Goodreads que eu gostei o suficiente pra dar 4 estrelas pra ele. O negócio é que eu realmente não lembro de muita coisa a respeito da trama, mas sempre que olho ele ali na minha estante me parece algo que minha gótica suave interior apreciaria muito. Coisas que eu lembro: o livro se passa nos anos 60 e é contado pela Bliss, uma garota que é nova na escola e conhece Sandy, uma amiga estranha. Amigas estranhas são sempre um ótimo plot. Eu sei que tem algo sobre uma garota morta no prédio da escola há muito tempo. Sei que tem algo que envolve rituais malignos e pássaros. Sei que existe alguém querendo se vingar. Sei que achei o final meio ridículo e forçado, o livro usa uns estereótipos meio errados, mas gente estranha, fantasmas e rituais: I'm in!

Venha ver o pôr-do-sol (Lygia Fagundes Telles): Eu li esse livro no ensino fundamental, e lembro que quase ninguém da minha sala gostou (COMO??) porque, segundo eles, era estranho demais. Eu, claro, adorei. São vários contos e todos eles têm uma aura de mistério e bizarrice pairando sobre as histórias, principalmente a que dá título ao livro, que conta a história de um casal que vai ter um encontro no cemitério. Porque lógico. Acho que a Lygia Fagundes Telles é a vovó gótica que todos secretamente desejamos, dessas que contam histórias inapropriadas de terror para as crianças que vão dormir na casa dela e esse tipo de coisa. Sempre imagino ela lendo "As formigas" pros netos, que obviamente vão ficar acordados a noite inteira com um medo de coisas que eles nem vão saber dizer direito o que são.

Vampire Academy (Richelle Mead): Acho que se eu tivesse um superpoder, queria que ele fosse o poder de convencer as pessoas que Vampire Academy é bom de verdade. Eu entendo o receio de vocês, às vezes quando falo sobre ele em voz alta tenho dificuldade de acreditar em mim mesma, mas sério. Sério. Vampire Academy é bom mesmo. Além da mitologia da história ser bem interessante, a personagem principal, que narra a história, é muito boa. Ela não é uma mocinha tonta, ela não tem síndrome de justiceira, ela é uma heroína torta muito divertida e badass, que tem a língua solta, se mete em encrencas e adora frisar que é muito sexy. Como não amar Rosinha? São seis livros grandes, mas nada cansativos, as personagens femininas são ótimas e os ships são tão incríveis que até o triângulo amoroso é interessante e plausível.

Bônus: Sinto que tenho duas funções sociais nesse blog: convencer vocês a ler Vampire Academy e convencer vocês a ler Raven Cycle. Pra não ficar cansativo, vou revezando. Não falei oficialmente, mas, sim, é óbvio que Raven Cycle é uma saga super gótica suave que vocês deveriam ler.

FILMES

The Rocky Horror Picture Show (Jim Sharman, 1975): O filme completou 40 anos esse mês, e se você ainda não assistiu, essa é uma belíssima oportunidade. Pense num filme louco. Pois é. Trata-se de uma comédia musical de horror com toques de ficção científica. Pois é. Quando o carro do casal Brad e Janet (é a Susan Sarandon!!) estraga no meio da noite embaixo da chuva, eles entram numa mansão suspeita pra pedir ajuda e ali encontram o Dr. Frank-N-Furter, um travesti com ambições de doutor Frankenstein que quer construir o homem perfeito. I KNOW RIGHT!!! Parece um filme absurdo, é um filme absurdo, mas é também divertido pacas e as músicas são muito boas, tem coreô e tudo. Na dúvida, escute Science Fiction/Double Feature e tente resistir.

Edward Mãos de Tesoura (Tim Burton, 1990): Em seu tempos áureos, Tim Burton era o cineasta dos nossos corações góticos e suaves. Ele ainda é um dos nossos, só precisa superar a si mesmo. De todos os seus filmes, acho que Edward é meu favorito. Aliás, sou tão perturbada que sou fissurada por ele desde que era criança. Depois fui descobrir que é um filme TRISTE, quase trágico, e eu ligava pra isso na época? Não, estava interessada apenas em cortes de cabelo, esculturas de gelo e na Winona Ryder. Enfim, vocês conhecem essa história, né? Edward foi vítima de um pseudo Dr. Frankenstein e acabou com mãos de tesoura. O resto é história. Ele tem todos os elementos no lugar: é obscuro e ao mesmo tempo divertido, é triste, tem o Johnny Depp e a Winona Ryder. Não precisa de mais nada.

Heathers (Michael Lehmann, 1988): Se Tim Burton é o cineasta ícone dos góticos suaves, a nossa musa, sem dúvida alguma, é a Winona Ryder, ultimate trevosinha do meu coração. Meio que qualquer filme dela pode ser considerado um filme gótico suave, porque taí uma criatura que só se mete em filme esquisito sobre gente estranha, então escolhi falar do meu favorito. Porque lógico. O que pode ser melhor e mais errado do que essa história da garota que resolve se rebelar contra o sistema hierárquico do ensino médio americano com um plano absurdo de literalmente matar todos os garotos populares, simulando o suicídio de cada um deles? Às vezes nem eu acredito que esse filme existe, porque é isso combinado com muito humor negro e figurinos maravilhosos. Assistam.

The Lost Boys (Joel Schumacher, 1987): Bom, acho que até aqui vocês já entenderam que 1) eu sou estranha 2) eu tenho um gosto muito peculiar 3) os anos 80 foram muito especiais. Esse filme é mais um da leva de coisas-absurdas-que-obviamente-só-poderiam-existir-nos-anos-80. Garotos Perdidos é tão errado. TÃO ERRADO. Mas maravilhoso, claro. O título faz referência a um bando de garotos motoqueiros heavy metal bizarros que faziam o terror na vizinhança, e acabam chamando atenção dos dois garotos novatos no bairro. Enquanto um deles faz amizade com um menino que jura que é um caçador de vampiros, o outro irmão fica cada dia mais estranho, mais parecido com um...vampiro! Sério, gente, muito maravilhoso. E errado. Foi um dos filmes que mais me fez dar risada na vida. Aproveitem.

Deixa Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008): Pra não dizer que só indico bobagens, vai aí um filme sério e conceitual pra vocês, aquele que talvez seja o melhor filme de suspense/terror que eu já vi. Ele conta a história de um garoto que faz amizade com sua vizinha do prédio que é uma garota - adivinha - estranha. Ela cheira mal, tem uns sumiços, não pode ficar no sol e precisa de sangue pra sobreviver. Eli é uma vampira. É até equivocado dizer que se trata de um filme de terror, porque apesar de ter algumas cenas bem violentas, ele não dá medo. É muito mais triste do que assustador, porque o garoto sofre muito bullying na escola e é a amiga que lhe ensina a revidar e a lidar melhor com isso. O filme tem uma adaptação americana com a Chloe Moretz, que não é ruim, mas o original (sueco) é uma obra-prima.

ÍCONES DE ESTILO

Winona Ryder



Lourdes



Rodarte

coleção de 2010 eterna no meu coração

David Bowie
> Não deixem de conferir os posts temáticos das meninas: a Analu falou sobre maternidade, a Paloma sobre amizade feminina, a Irala sobre liberdade, e a Couth sobre a idealização romântica das mulheres.

>> Update: Desculpa ser estranha (eu juro que sou limpinha), mas é que acabei de ler esse artigo sobre um cemitério de Belo Horizonte e um pouco sobre a história e a filosofia por trás dos mausoléus e achei válido compartilhar;