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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Como é que eu vou dizer que acabou?

Para ler ouvindo:


Não escrevo nada aqui há cinco meses e há uns quatro parei de sofrer por causa disso, mas já não tenho vontade de escrever aqui há muito mais tempo. Falar sobre o fim é difícil mesmo quando ele já aconteceu. Eu vou do início:

Há exatamente um ano eu anunciei que faria o BEDA, me propondo o desafio de postar todos os dias durante um mês inteiro. Eu estava trabalhando, fazendo TCC, com problemas em casa, tentando virar adulta e já não tinha mais idade pra isso, mas sem pensar muito eu fui lá e fiz - e foi incrível. Me diverti com o blog como há anos não acontecia e isso só evidenciou como blogar havia se tornado algo que eu fazia muito mais por hábito, muito mais por nem me lembrar direito como era a vida sem ter um blog, do que porque sim, porque é divertido, porque eu quero, porque é tão melhor que todo o resto.

O BEDA foi a festa do divórcio, aquela viagem para Paris que um casal resolve fazer pra tentar salvar o casamento de anos sabendo que na volta eles vão do aeroporto direito pro escritório do advogado, aliviados por já terem começado a fazer as malas. 

Veja bem, a viagem foi ótima: eles passearam de mãos dadas, se beijaram na chuva, transaram com vigor adolescente na segurança de seus corpos adultos que sabem exatamente o que querem da vida e do outro. Foram jantares longos, restaurantes caros, sobremesas finas e vinhos deliciosos. Foi uma extravagância merecida. Ele não pensou em trabalho, ela esqueceu o celular, eles se permitiram dormir até mais tarde e conversar a noite inteira. Paris nunca esteve tão linda, eles nunca se amaram tanto, e isso deixou claro que eles já não se amavam mais. 

Aquilo não era a vida real e um casamento não é feito de viagens a Paris, mas de arroz com carne moída naquela quarta-feira, promoção de vinho, cantoria no carro e o charme daquele velho pijama furado. Se é preciso de Paris para ter graça e amor, é porque acabou. Eles estavam se amando sobre os escombros. 

Eu vou sentir falta daqui como quem sente falta daquele namorado que era perfeito, até que não foi mais. Aquele que a gente lembra com carinho e saudade, mas não se arrepende de ter seguido em frente. Voltar pra ele seria voltar para a pessoa que você era antes, e ela já não existe mais. É por isso que acabou. Eu já não existo mais aqui, como não existo mais na pele daquela Anna Vitória adolescente de 13 anos que um dia resolveu que começaria um blog pra valer. Eu não teria chegado aqui sem ela, mas é hora de descobrir todas as outras pessoas que eu ainda posso ser. 

Por que a insistência em tecer analogias entre o blog e um namoro? Porque junto com três ou quatro amizades, o blog é o relacionamento sério mais longo que eu tive e, como qualquer relacionamento, ele me mudou pra sempre e deixou marcas indeléveis na minha vida. Foi aqui que me transformei em gente que escreve, algo que tenho certeza que vou ser pra sempre. Nos últimos meses minha vida mudou bastante e sinto que tudo que aconteceu é uma consequência direta e indireta de um dia ter começado esse blog. Se fui sozinha para uma cidade enorme e nunca me faltou companhia pra almoçar, jantar e cantar no karaokê, foi porque um dia depois da escola eu sentei na frente do computador decidida a escrever sobre alguma coisa, qualquer coisa, porque sim, porque era divertido, porque eu queria e porque aquilo era tão melhor que todo o resto. Quando me lembro, são anos dourados.

Hoje começa mais um BEDA e várias pessoas legais vão participar. Isso me deixou nostálgica, quase que com vontade de entrar nessa de novo, mesmo que no fundo eu tenha certeza absoluta de que esse barco partiu faz tempo. Não quero insistir nessa viagem e me afogar. É como cruzar com uma pessoa que usa a mesma loção pós-barba daquele antigo namorado e de repente sentir tanta saudade a ponto de pensar em ligar bêbada pedindo pra ele voltar. É sempre desconcertante rever o grande amor.

Então resolvi escrever esse post, porque se eu não falar do fim o blog vai continuar aqui existindo como um blog platônico e acho que a gente merece mais que isso. No fim de semana contei para alguns amigos que faria isso e todos ficaram meio tristes (o que me deixou feliz de um jeito bem vaidoso), mas não sei até que ponto é melhor um final nunca dito, eternamente no ar, do que um ponto final claro e honesto. Já não escrevo aqui faz tempo e todos sobrevivemos. Como diz um dos meus poemas favoritos (hoje estou cheia de referências): seu destino foi curto longo e bom, não o choreis. No que depender de mim ele vai ficar no ar pra sempre, até porque eu virei aqui sempre que quiser relembrar algo especial dos últimos OITO ANOS da minha vida.

Como falei, eu sou e sempre vou ser gente que escreve e continuo escrevendo. Se você gosta e se identifica com as coisas que eu faço, ou se eu sou o tipo de pessoa que você lê pra ficar com raiva, você pode me encontrar em diversos lugares:

> Semanalmente, eu mando um e-mail pessoal esquisito para os assinantes da minha newsletter. Para receber também (são anedotas, crônicas, textões, o que estou lendo, ouvindo, assistindo e alguma foto de animal de roupinha), basta assinar a No Recreio

Qual a diferença disso pra um blog pessoal?, você se pergunta. Nenhuma e toda, eu respondo. É como receber o blog direto na sua caixa de entrada, só que de um jeito mais íntimo, complicado e perfeitinho. Existe uma sociedade secreta bacana, querida e crescente nas caixas de entrada (e a Aline Valek se deu ao enorme trabalho de fazer uma listagem dessas newsletters) e é o lugar que me sinto à vontade para escrever no momento. A newsletter é aquela coisa legal que eu faço porque sim, porque eu quero, porque é divertido e porque é tão melhor que todo o resto - e isso basta. O amanhã a Deus pertence.

> Há três meses lancei com algumas amigas o Valkirias, um site onde a gente escreve sobre cultura pop, feminismo e problematiza o impossível. Você pode conhecer o site, curtir nossa página, seguir a gente no Twitter e assinar nossa newsletter. Se tiver alguma ideia dentro do nosso nicho de interesse, pode até escrever junto com a gente.

> Eu continuo escrevendo na Pólen, porque alguém precisa cultivar o lugar de colaboradora mais enrolada e irresponsável de uma publicação absolutamente adorável.

> Também criei uma conta no Medium, porque um dia eu escrevi um textão que não se encaixava em nenhum outro lugar onde eu costumo publicar textões. Mas Anna você odeia o Medium!!! Pois é, mas às vezes ele se faz necessário. Caso essas circunstâncias se repitam, escreverei lá novamente e vida que segue. A VIDA É COMO UMA CAIXA DE BOMBONS, VOCÊ NUNCA SABE O QUE VEM DENTRO!!!!!!!!

> Todos os dias, o dia inteiro, estou no Twitter escrevendo tudo quanto é lixo que se passa na minha cabeça. Ainda é meu lugar favorito na internet porque todo mundo ali sabe que a gente está nos escombros da rede mundial de computadores e precisamos manter essa locomotiva funcionando. 

> Eu também tenho Instagram, Skoob, Goodreads e abandonei o Snapchat, graças a Deus. Tenho também um portfólio online mais ou menos profissional, caso você, futuro empregador, esteja se perguntando. 

> Eu quero escrever um livro em algum momento. Manterei vocês informados.


Já que estamos falando de amor, deixo vocês com essa conclusão: em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba. Vejo vocês do outro lado e muito obrigada. Mesmo. Um milhão de vezes. Por tudo que esse blog já me fez ser, crescer e fazer, é realmente inagradecível. E como de praxe, me desculpem por ser ridícula.

Se essa é a lápide desse blog, essas são minhas mensagens finais (são várias, porque eu não sei escolher):

Sentimentos são os únicos fatos

Vamos todos morrer mesmo

O universo está se expandindo

Shakespeare e os gregos já disseram tudo antes

Vai Corinthians

Paz


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Still sane

Sophie Moates Design
A Tavi Gevinson sempre escreve sobre esse lugar em Chinatown onde você pode tirar uma foto da sua aura. É algo que ela faz de tempos em tempos, e o aspecto da aura sempre muda: azul arroxeado quando ela está introspectiva, vermelho vibrante logo após um show da Taylor Swift. Se eu tirasse uma foto da minha aura por dia, em todos esses dias em que estive sumida, distante, mais pra lá do que pra cá, teria uma tabela Pantone inteira de cores, emoções e estados de espírito para guardar. Foram tempos estranhos. 

Eu sumi, né? Sei que já escrevi aqui antes que odeio quando dizem que eu sumi, porque, a não ser que eu tenha me enfiado em uma caverna (ou num quarto de hotel), o que ainda não aconteceu, eu não fui a lugar nenhum, os outros é que não se deram ao trabalho de me procurar. Mas acontece que dessa vez eu sumi de verdade. Não para uma caverna ou para o quarto de hotel que eu tanto queria, mas de mim, ou pelo menos de quem eu era antes de 2015, ou antes de abril, ou antes de outubro. Ou talvez eu tenha sumido pra todo o resto porque estava afogada em mim mesma. Dia desses eu cheguei a desenhar um barquinho na mesa, pra ver se ele me ajudava a recuperar o fôlego. 

As pessoas pensam que eu tô brincando quando digo que estou voltando a ser uma pessoa de verdade, mas é isso mesmo que tá acontecendo. Não foi só pela faculdade ou o TCC que eu finalmente terminei, entreguei, defendi e fui aprovada muito bem obrigada (caso você esteja se perguntando), mas por tudo, todas as coisas, boas e ruins, maravilhosas e péssimas, porque a vida pesou no chicote e 2015 foi um ano de extremos. Escrevi aqui também que comigo nunca é uma coisa de cada vez, mas sim ao mesmo tempo, e é verdade - porque tudo se acalmou ao mesmo tempo, e agora eu posso respirar. It's hard to dance with the devil on your back.

Nesse suspiro já coube uma semana de sono quase ininterrupto, que eu abandonava em intervalos regulares quando era extremamente necessário que eu estivesse acordada: para comer e trabalhar, por exemplo, e esses outros pequenos detalhes da vida. Coube um novo corte de cabelo e quase seis horas de áudios trocados com minha melhor amiga, conversando, cantando e chorando, porque ficamos meses sem nos falar de verdade. Coube um livro, o sumiço milagroso da enxaqueca, minhas unhas voltando a crescer, e o fim da lista de todas as provas e trabalhos que me separavam do fim definitivo da faculdade. Mais alguns papéis (sempre tem alguns papéis) e serei jornalista, e durante todo esse ano quando conversava com as pessoas sobre minha inevitável formatura eu sempre dizia: não sei como isso aconteceu. Inclusive cheguei a escrever isso agora, mas apaguei. Mais alguns papéis e serei jornalista, não sei como isso aconteceu. 

Mentira, sei sim. 

Porque segunda, no dia da minha defesa, eu soube. Mal dormi à noite, não comi nada o dia inteiro, gaguejei e esqueci tudo quando fui ensaiar a apresentação junto com a minha orientadora, mas quando chegou a hora, passou. Não sei se foram as orações, a energia boa de quem não podia estar ali mas estava, ou minha própria cara e coragem, mas cheguei lá na frente serena e confiante, ao melhor estilo bring on all the pretenders I'm not afraid. Porque eu não estava com medo mesmo, falei por meia hora sem perceber e não vi ninguém, só meus slides ricamente ilustrados com gifs animados e fotos da Beyoncé (sim). A banca foi linda e especial, um momento em que eu me senti plenamente feliz e realizada, que terminou de botar sentido nesses últimos quatro anos. Eu sei exatamente como isso aconteceu porque estive ali o tempo inteiro e vivi tudo que foi possível. Agora acabou.

Suspiro.

Esse post não é uma retrospectiva, nem uma despedida. Ontem me perguntaram o que alguém encontraria no meu blog e eu disse que encontraria o registro mais completo da minha vida nos últimos oito anos. Eu não mantenho diários, sempre esqueço de revelar as fotos, não debutei e nem vesti beca, mas há oito anos, completos nesse início de dezembro, escrevo aqui sobre todas as coisas importantes ou não que acontecem comigo, e mesmo o que fica de fora fica registrado, porque é impossível esquecer daquilo que é sórdido, difícil, triste, importante, grande, lindo, incrível demais pra ser escrito. Esse post sou eu colando as fotos das minhas auras nas paredes: azuis (crown and anchor me or let me sail away), vermelhas (mean reds, burning red), cinzas (so devoid of color I don't know what it means), douradas (falling but not alone), lilases (and suddently I was a lilac sky and you decided that purple just wasn't for you) - pequenas descrições até o dia que eu for a Nova York conhecer Chinatown só para ter guardada uma polaroid com a minha aura naquele momento específico.

Click. Nesse aqui eu acho que virei adulta. Não que eu saiba o que isso significa, muito menos o que eu estou fazendo, ou qual é a cor para algo assim, mas é um alívio enorme sair da negação. Só isso é assunto pra outro post. Porque eu voltei e o blog fez oito anos. Parabéns para nós e obrigada por aguentarem até aqui. O resto é história.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A problemática das primeiras vezes





A Iralinha ontem fez um post fofo e ricamente ilustrado nos incentivando a fazer as coisas pela primeira vez, porque elas sempre nos ensinam alguma coisa. Apesar de ver verdade e poesia aí, sempre acho difícil fazer algo pela primeira vez, não importa se é beijar de língua ou comer um sanduíche de carne com abacaxi. Sou uma pessoa que calcula riscos e possibilidades, gosto de saber o que me espera do outro lado pra poder estar preparada.

Mas quando é a primeira vez, não tem como saber.

Ontem, por exemplo, foi meu primeiro dia de estágio num lugar novo, um ambiente de escritório que até então eu não tinha vivenciado. Pedi pra ficar no turno da tarde nessa primeira semana justamente pra, teoricamente, ter a manhã pra me preparar melhor e não lidar com a vida no susto, com atraso e remela nos olhos. Agora a gente ri um pouco por dentro porque, sério, o que eu esperava com isso?

Eu esperava acordar cedo, finalmente começar minha rotina no Blogilates (pobres segundas-feiras carregadas de expectativas, metas, e mudanças de vida esperando pra acontecer e então falhar), programar posts até sexta-feira, ligar no meu curso de francês e fazer minha matrícula, fazer meu almoço e sair pro trabalho cheirosa, bem vestida, e confiante. No entanto, pouca coisa mudou: fiquei até as duas da manhã assistindo novela pelo computador, só consegui levantar da cama uma hora e quinze minutos depois do primeiro toque do despertador, e ao invés de fazer ginástica fiquei dançando Anitta pela casa com pouco compromisso aeróbico envolvido.

Não liguei no francês porque ainda não estava pronta pra lidar com isso, não escrevi posts porque não estava feliz com os temas (GENTE ME SUGIRAM POSTS PLMDD), e comecei a fazer o almoço atrasada o suficiente pra ter que comer um omelete de vento, já que não tinha tempo de ir ao mercado nem pra comprar queijo (!). Saí esbaforida, mais ou menos bem vestida, me perguntando se meu cabelo ainda cheirava a ovo e cebolinha. Cheguei na firma™ dois minutos atrasada, e quando perguntei pra moça da recepção o que eu deveria fazer, tive que ouvir de volta essa acalentadora declaração:

- Boa pergunta, hoje também é meu primeiro dia  - ¯\_(ツ)_/¯

Estava todo mundo em horário de almoço, então tive que ficar esperando. Eventualmente os responsáveis chegaram e eu fui apresentada a uma sala de imprensa praticamente deserta (período de férias + grave: pense numa várzea), e minha chefe, uma fofa em potencial, me explicou mais ou menos o que eu tinha que fazer e me indicou um computador. "Ok, mas o que eu faço agora?":

- Por enquanto não tem nada, mas se tiver eu te passo - ¯\_(ツ)_/¯


No seu primeiro dia de trabalho você não sabe direito até que ponto pode fazer nada no computador e quando é aceitável tirar o catatau que está lendo de dentro da bolsa, mas à medida que eu via as outras pessoas no Facebook sem muito pudor - "Ô Sousa, cê viu essa foto aqui? kkkkkkkkk os caras não perdoam uma" - me senti no direito de abrir 10 abas diferentes e acompanhar os BEDAs do dia. Quando minha chefe saiu mais cedo pra ir ao médico, entendi que o dia seria isso mesmo e me dediquei a ler blogs com cara de quem fazia algo muito importante, usando minhas energias só para enfatizar a quem perguntasse que meu nome é ANNA VITÓRIA.  

A primeira vez que você diz seu nome pra alguém é a única oportunidade que você tem de garantir que a pessoa vai dizer ele direito das próximas vezes. Qualquer entonação menos firme pode te colocar no buraco negro que é ser chamada de Vitória pra sempre, como acontecia no  meu antigo trabalho. Nada contra Vitórias, só não é o meu nome.

Outra problema das primeiras vezes é que você precisa descobrir algumas coisas que, se você for como eu, vai ter um pouco de vergonha de perguntar. São informações cuja ignorância te fazem parecer meio idiota, ainda que seja seu primeiro dia. Tipo, onde é o banheiro? Onde tem água? Preciso trazer meus bloquinhos? Pelo amor de Deus, onde, quando, como eu consigo um café??? Estava prestes a chorar embaixo da mesa de sono e abstinência quando um dos jornalistas me olhou e disse: Moça, cê não vai comer nada? Vai passar o dia sem um cafezinho? Nossa, nem tinha percebido a hora, hehehe, olha só que coisa. Vou lá tomar meu café, já estava mesmo ficando com fome hehehehe.

Primeira vez: você sempre vai parecer meio idiota, ainda que esteja tentando muito não parecer.


Na hora de ir embora, de novo a insegurança. Então eu simplesmente levanto e vou? Tenho que avisar alguém? Vou ser idiota e ficar até às 18h, quando o resto do pessoal for, mesmo que meu expediente acabe às 17h? Só eu vou sair antes? Será que essas pessoas sabem que não fiz nada o dia inteiro e estão me julgando? Vou ter que mandar um tchau coletivo e alto, mesmo odiando falar alto? Por que mesmo que eu não vim de manhã com os outros estagiários? São tantas questões que acho que foi muito mais fácil perder o BV.

Eventualmente fui embora - dei um sorrisinho pra menina do meu lado, então, deixa eu correr porque tenho um compromisso às sete (eu, Paul Rudd, duas formigas e um balde de pipoca) - sorri e acenei pras pessoas nas outras mesas, e só respirei depois que estava a uns dez passos de distância da portaria. No meio do caminho encontrei uma amiga, justamente a que ia ao cinema comigo, e desisti de ir pra casa pra ir direto junto com ela.

O filme do Homem Formiga é muito mais legal do que eu jamais poderia esperar, e entre sorvetes e Elvis Presley, cheguei em casa quase dez horas depois de ter saído, sorrindo muito, pensando em formigas gigantes e achando a vida até que bem boa. O que me deixa nervosa nas primeiras vezes é que a gente nunca sabe como vai ser, e às vezes é mesmo muito melhor do que a gente espera. Daí fica a vontade que todo dia seja um novo começo, mas pelo menos na próxima já vou saber onde fica o café.