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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Como é que eu vou dizer que acabou?

Para ler ouvindo:


Não escrevo nada aqui há cinco meses e há uns quatro parei de sofrer por causa disso, mas já não tenho vontade de escrever aqui há muito mais tempo. Falar sobre o fim é difícil mesmo quando ele já aconteceu. Eu vou do início:

Há exatamente um ano eu anunciei que faria o BEDA, me propondo o desafio de postar todos os dias durante um mês inteiro. Eu estava trabalhando, fazendo TCC, com problemas em casa, tentando virar adulta e já não tinha mais idade pra isso, mas sem pensar muito eu fui lá e fiz - e foi incrível. Me diverti com o blog como há anos não acontecia e isso só evidenciou como blogar havia se tornado algo que eu fazia muito mais por hábito, muito mais por nem me lembrar direito como era a vida sem ter um blog, do que porque sim, porque é divertido, porque eu quero, porque é tão melhor que todo o resto.

O BEDA foi a festa do divórcio, aquela viagem para Paris que um casal resolve fazer pra tentar salvar o casamento de anos sabendo que na volta eles vão do aeroporto direito pro escritório do advogado, aliviados por já terem começado a fazer as malas. 

Veja bem, a viagem foi ótima: eles passearam de mãos dadas, se beijaram na chuva, transaram com vigor adolescente na segurança de seus corpos adultos que sabem exatamente o que querem da vida e do outro. Foram jantares longos, restaurantes caros, sobremesas finas e vinhos deliciosos. Foi uma extravagância merecida. Ele não pensou em trabalho, ela esqueceu o celular, eles se permitiram dormir até mais tarde e conversar a noite inteira. Paris nunca esteve tão linda, eles nunca se amaram tanto, e isso deixou claro que eles já não se amavam mais. 

Aquilo não era a vida real e um casamento não é feito de viagens a Paris, mas de arroz com carne moída naquela quarta-feira, promoção de vinho, cantoria no carro e o charme daquele velho pijama furado. Se é preciso de Paris para ter graça e amor, é porque acabou. Eles estavam se amando sobre os escombros. 

Eu vou sentir falta daqui como quem sente falta daquele namorado que era perfeito, até que não foi mais. Aquele que a gente lembra com carinho e saudade, mas não se arrepende de ter seguido em frente. Voltar pra ele seria voltar para a pessoa que você era antes, e ela já não existe mais. É por isso que acabou. Eu já não existo mais aqui, como não existo mais na pele daquela Anna Vitória adolescente de 13 anos que um dia resolveu que começaria um blog pra valer. Eu não teria chegado aqui sem ela, mas é hora de descobrir todas as outras pessoas que eu ainda posso ser. 

Por que a insistência em tecer analogias entre o blog e um namoro? Porque junto com três ou quatro amizades, o blog é o relacionamento sério mais longo que eu tive e, como qualquer relacionamento, ele me mudou pra sempre e deixou marcas indeléveis na minha vida. Foi aqui que me transformei em gente que escreve, algo que tenho certeza que vou ser pra sempre. Nos últimos meses minha vida mudou bastante e sinto que tudo que aconteceu é uma consequência direta e indireta de um dia ter começado esse blog. Se fui sozinha para uma cidade enorme e nunca me faltou companhia pra almoçar, jantar e cantar no karaokê, foi porque um dia depois da escola eu sentei na frente do computador decidida a escrever sobre alguma coisa, qualquer coisa, porque sim, porque era divertido, porque eu queria e porque aquilo era tão melhor que todo o resto. Quando me lembro, são anos dourados.

Hoje começa mais um BEDA e várias pessoas legais vão participar. Isso me deixou nostálgica, quase que com vontade de entrar nessa de novo, mesmo que no fundo eu tenha certeza absoluta de que esse barco partiu faz tempo. Não quero insistir nessa viagem e me afogar. É como cruzar com uma pessoa que usa a mesma loção pós-barba daquele antigo namorado e de repente sentir tanta saudade a ponto de pensar em ligar bêbada pedindo pra ele voltar. É sempre desconcertante rever o grande amor.

Então resolvi escrever esse post, porque se eu não falar do fim o blog vai continuar aqui existindo como um blog platônico e acho que a gente merece mais que isso. No fim de semana contei para alguns amigos que faria isso e todos ficaram meio tristes (o que me deixou feliz de um jeito bem vaidoso), mas não sei até que ponto é melhor um final nunca dito, eternamente no ar, do que um ponto final claro e honesto. Já não escrevo aqui faz tempo e todos sobrevivemos. Como diz um dos meus poemas favoritos (hoje estou cheia de referências): seu destino foi curto longo e bom, não o choreis. No que depender de mim ele vai ficar no ar pra sempre, até porque eu virei aqui sempre que quiser relembrar algo especial dos últimos OITO ANOS da minha vida.

Como falei, eu sou e sempre vou ser gente que escreve e continuo escrevendo. Se você gosta e se identifica com as coisas que eu faço, ou se eu sou o tipo de pessoa que você lê pra ficar com raiva, você pode me encontrar em diversos lugares:

> Semanalmente, eu mando um e-mail pessoal esquisito para os assinantes da minha newsletter. Para receber também (são anedotas, crônicas, textões, o que estou lendo, ouvindo, assistindo e alguma foto de animal de roupinha), basta assinar a No Recreio

Qual a diferença disso pra um blog pessoal?, você se pergunta. Nenhuma e toda, eu respondo. É como receber o blog direto na sua caixa de entrada, só que de um jeito mais íntimo, complicado e perfeitinho. Existe uma sociedade secreta bacana, querida e crescente nas caixas de entrada (e a Aline Valek se deu ao enorme trabalho de fazer uma listagem dessas newsletters) e é o lugar que me sinto à vontade para escrever no momento. A newsletter é aquela coisa legal que eu faço porque sim, porque eu quero, porque é divertido e porque é tão melhor que todo o resto - e isso basta. O amanhã a Deus pertence.

> Há três meses lancei com algumas amigas o Valkirias, um site onde a gente escreve sobre cultura pop, feminismo e problematiza o impossível. Você pode conhecer o site, curtir nossa página, seguir a gente no Twitter e assinar nossa newsletter. Se tiver alguma ideia dentro do nosso nicho de interesse, pode até escrever junto com a gente.

> Eu continuo escrevendo na Pólen, porque alguém precisa cultivar o lugar de colaboradora mais enrolada e irresponsável de uma publicação absolutamente adorável.

> Também criei uma conta no Medium, porque um dia eu escrevi um textão que não se encaixava em nenhum outro lugar onde eu costumo publicar textões. Mas Anna você odeia o Medium!!! Pois é, mas às vezes ele se faz necessário. Caso essas circunstâncias se repitam, escreverei lá novamente e vida que segue. A VIDA É COMO UMA CAIXA DE BOMBONS, VOCÊ NUNCA SABE O QUE VEM DENTRO!!!!!!!!

> Todos os dias, o dia inteiro, estou no Twitter escrevendo tudo quanto é lixo que se passa na minha cabeça. Ainda é meu lugar favorito na internet porque todo mundo ali sabe que a gente está nos escombros da rede mundial de computadores e precisamos manter essa locomotiva funcionando. 

> Eu também tenho Instagram, Skoob, Goodreads e abandonei o Snapchat, graças a Deus. Tenho também um portfólio online mais ou menos profissional, caso você, futuro empregador, esteja se perguntando. 

> Eu quero escrever um livro em algum momento. Manterei vocês informados.


Já que estamos falando de amor, deixo vocês com essa conclusão: em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba. Vejo vocês do outro lado e muito obrigada. Mesmo. Um milhão de vezes. Por tudo que esse blog já me fez ser, crescer e fazer, é realmente inagradecível. E como de praxe, me desculpem por ser ridícula.

Se essa é a lápide desse blog, essas são minhas mensagens finais (são várias, porque eu não sei escolher):

Sentimentos são os únicos fatos

Vamos todos morrer mesmo

O universo está se expandindo

Shakespeare e os gregos já disseram tudo antes

Vai Corinthians

Paz


sábado, 5 de março de 2016

O prego (ou: um discurso de formatura)

Então eu formei. 

O discurso a seguir foi escrito por mim para ser lido na cerimônia de colação de grau, que aconteceu no dia do meu aniversário de 22 anos. Tenho um fraco por discursos de formatura e voltei aos meus favoritos (Neil Gaiman, Jonathan Franzen (sim), Marina Keegan e Rory Gilmore) em busca de inspiração, mas quando vi estava, de novo, falando da Amanda Palmer. Eu não ligo para solenidades, mas naquela noite, cercada de amigos queridos, sendo assistida pela minha família amada, vestindo uma linda beca vermelha, me senti extraordinariamente pronta. Algumas vezes achei que a formatura chegou muito rápido, e em outros momentos parecia que não chegaria nunca. Dia 26, no entanto, senti que tudo aconteceu na hora certa. Foi uma noite muito feliz e gostaria de dividir um pedaço dela por aqui, porque esse blog me acompanha desde o início do ensino médio (!) e sabe Deus onde estaria se nunca tivesse começado a escrever. 

O PREGO
(inventei esse título agora)

Só sei tirar foto sozinha fazendo papel de idiota
Com todo o respeito a essa instituição e a solenidade acontecendo aqui, mas a verdade é que um diploma não significa nada. É só um pedaço de papel, e, como aprendemos em uma ou várias aulas, papel aceita tudo. E se um papel bonito e timbrado num canudo aveludado pode aceitar de tudo, o que dizer a respeito do papel jornal, com sua tinta que mancha nossos dedos, e aquele cheiro típico de peixe que aparece depois de vinte e quatro horas? Dá pra piorar: o que dizer da internet, que além de aceitar tudo, aceita qualquer coisa, de qualquer um?

Nossas mães diriam que a gente poderia ter escolhido melhor. 

No entanto, quatro anos depois, aqui estamos. Jornalistas. Não é um diploma, um pedaço de papel - muito bonito, aliás -, que torna isso mais ou menos real. Quem possui o poder de fazer isso somos nós, cada um no seu tempo. Alguns inclusive já chegaram sabendo, o curso só serviu para sedimentar a certeza. Pode ser que outros ainda precisem de mais uns dias, ou até anos, pra descobrir. Mesmo assim, cada um da sua forma, todos tivemos (ou ainda vamos ter) os nossos momentos - aquele momento - em que simplesmente soubemos: caramba, eu sou jornalista!

Pode ter sido no primeiro dia de aula, ou no último, na defesa do TCC ou naquele em você finalmente pegou o jeito do Scribus. Pode ter sido depois do primeiro chá de cadeira, o primeiro bolo, a primeira fonte desaparecida, o primeiro telefone batido na cara - todo mundo sabe que jornalista é aquela pessoa que precisa falar com todo mundo e com quem ninguém quer realmente falar. Pode ter sido num fechamento do Senso, ou melhor, naquele dia que você sentiu saudades de um fechamento do Senso. Era horrível, mas também era muito bom, né? Caso um dia bata uma insegurança, não se esqueça de que você passou em Teorias I. E II. E PEX. I e II. TCC também, vocês conhecem a história. 

Se alguém aqui ainda não se sente jornalista, basta lembrar das reclamações, porque a gente passou quatro anos - ou mais - reclamando. Dos textos, dos trabalhos, dos prazos, da quantidade de caracteres, das pessoas, das fotos, do alinhamento dos textos, das logos, das pautas, e de novo dos prazos, e mais um pouco das pessoas. Jornalista, aliás, é o primeiro a reclamar de qualquer coisa, principalmente de outros jornalistas, do jornalismo, e da própria condição de jornalista. 

Foi o George Orwell que disse que jornalismo é publicar algo que alguém não quer que se publique, aquilo que incomoda. Todo o resto é propaganda. Nossa profissão é incômoda, para os outros mas principalmente para nós. Ao longo desses oito semestres, aprendemos que quase nada é o que parece e que é muito difícil mudar o mundo. Aprendemos que as pessoas mentem, nem sempre colaboram, e que existe um interesse por trás de tudo. São necessárias umas cinquenta fotos antes da perfeita, matérias legais caem porque alguém não respondeu um e-mail a tempo, tripés são pesados, gravadores falham, caracteres sobram, a internet cai e alguns programas fecham sem salvar o que foi feito. Às vezes as pessoas são horríveis, os ângulos retratados não são honestos, e como o papel aceita tudo é muito fácil construir versões diferentes de uma mesma história e nem sempre vai haver espaço pra nossa voz. A profissão é difícil, perigosa, desconhece feriados, todo mundo sempre acha que é só escrever uns textinhos e dizer boa noite, e o salário ó…

Mesmo assim, de novo, aqui estamos. Por quê? 

Eu precisava muito desse momento, fiquei feliz que não foi preciso implorar por ele
Amanda Palmer, uma artista que já foi stripper, estátua viva, cantora e agora também escreve, contou em seu livro a história de um cachorro e seu dono. Era mais ou menos assim: um homem passa e escuta um cachorro ganindo de dor. Vendo a situação ele pergunta pro dono por que o cachorro está chorando, e o dono responde que é porque ele está sentado em um prego. “Mas então por que ele não levanta do prego?”, pergunta o moço. “Porque ainda não dói o suficiente”, diz o dono. 

O jornalismo é incômodo porque a zona de conforto não é notícia. Outra historinha, que ouvimos algumas vezes em sala de aula, diz que a notícia é quando o dono morde o cachorro e não o contrário. O mundo anda cada vez mais complicado, viver é complexo, e o jornalismo nos leva a ver as coisas de modo a doer o suficiente, porque só assim a gente consegue levantar do prego. E é só levantando do prego que podemos começar a pensar em mudar o mundo. 

Que esse incômodo vindo das coisas que não podemos desver ou ignorar nos possa levar sempre adiante, e que ao levantar do prego possamos ganhar as ruas e estar em contato com histórias reais, de pessoas reais, que nos ajudem a construir mensagens com poder de incomodar tanto os outros, de jeitos bons e ruins, que a sociedade como um todo se veja obrigada a sair do prego, seja ele qual for. E então quem sabe que rumo a vida tomará?

Não é um diploma que nos torna jornalistas, assim como não é uma palavra escrita numa folha de jornal que torna uma notícia verdadeira para alguém. Aprendemos que é a credibilidade faz isso, e acredito que tudo que passamos nos dá crédito o suficiente para nos afirmarmos jornalistas e validarmos aquele pedaço de papel timbrado - e não o contrário. Espero que doa o suficiente.

A última!
- Como todas as fotos bonitas e originais que já estiveram nesse blog, as fotos desse post também foram feitas pelo super Felipe Flowers.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Ode a Harry Styles

É uma verdade universalmente desconhecida que quando descobri o One Direction eu achava todos meio feios.

gente o Louis hahahaha
Como era preciso tomar uma decisão, elegi o Harry como meu favorito porque ele era o que tinha o cabelo menos ridículo e o sorriso mais adorável. O bom de ser fã de boyband é que a situação capilar é um critério completamente plausível para se avaliar alguém, e eu me encontrei nesse fandom porque respeito muito gente que leva cabelo a sério. 

Escolher o seu membro favorito de uma boyband é uma decisão equivalente ao vestibular. Aquilo vai moldar seu destino pra sempre e você pode até mudar de ideia depois, mas não sem antes encontrar dúvidas e crises existenciais pelo caminho. Fiz a minha escolha baseada num punhado de cachos e duas covinhas, e era com eles que deveria prosseguir.

isn't she lovely?
Foi um caminho tortuoso que nos trouxe até aqui (you and me got a whole lotta history etc): a voz estranha do período da puberdade, a fase crítica do cabelo crescendo, o episódio das tranças que eu prefiro fingir que nunca aconteceu, e muitas (MUITAS) tatuagens equivocadas. Fui tentada no meio do caminho, mas resisti todo esse tempo sem vender minha alma por um par de óculos (oi Niall) ou experimentar do fruto proibido de Zayn Malik.

Mas como diz a Bíblia Sagrada, aquele que perseverar será salvo. Então isso aconteceu:

oh

my

GOD

perdão, me excedi um pouco aqui
Hoje já é uma verdade universalmente conhecida que Harry Styles é o cara de 20 e poucos anos mais bonito do mundo. São os olhos, aquele queixinho, a voz rouca, o impecável senso estético, e aquele cabelo tão bonito que tenho certeza que várias marcas de condicionador sonham em tê-lo como garoto propaganda. Só porque atingimos peak Harry Styles em 2016 - em 2015 eu disse que tínhamos chegado em seu ápice, em 2014 também, de modo que acredito que ele vai explodir o universo em mil pedacinhos com sua beleza ali pra 2020 - não significa que a jornada só teve pedras no caminho. Nós nos divertimos bastante. Eu não trocaria ela por nenhuma outra.


De 2010 pra cá, Harry Styles se tornou um dos popstars (popstars?) mais interessantes e importantes (!) do momento. Me perdoem por ligar o raio problematizador num dia que deveria ser só de fangirling e celebração, mas preciso falar sobre esse modelo de masculinidade que o Harry propõe através de suas escolhas na moda e sua postura no geral. Com inspiração óbvia e declarada no Mick Jagger e no David Bowie, Harry ousa cada dia mais, tanto no tapete vermelho como na vida real. Ternos com estampas florais, camisas de seda com estampas variadíssimas (todas delicadas, elegantes, exóticas e gloriosamente abertas), lenços no pescoço, colares, anéis, calças justas (muitas vezes femininas), flores e borboletas rabiscadas pelo corpo.

Harry brinca o tempo inteiro com papéis de gênero - coisa que pouquíssimos caras com a mesma visibilidade que ele se atrevem a fazer - e incorpora vários trejeitos femininos. Cruza as pernas, dança como mulher no palco, é explicitamente carinhoso com outros homens e costuma falar sobre relacionamentos de forma neutra. Harry me fez pensar muito sobre o discurso da Emma Watson na ONU: embora eu concorde que ela deveria ter usado o alcance da plataforma para falar de questões mais urgentes e relevantes para o feminismo no momento, o efeito do machismo nos homens é um tópico a ser conversado. Fiquei pensando nisso principalmente depois de viver dois episódios em que dois caras tiveram uma reação completamente ridícula e desproporcional por medo de perderem suas carteirinhas de macho. Um deles se sentiu ameaçado por uma festa. O outro por uma... música. Só tem viado aqui. Isso é coisa de boiola.

Enquanto isso, no reino encantado de Harry Styles...

 ¯\_(ツ)_/¯
Na urgência de negar qualquer característica feminina (sempre vistas como algo negativo), homens são impedidos de demonstrar vulnerabilidade (algum dia vou parar de falar sobre isso?), rejeitam todo traço de comportamento que remeta às mulheres, e precisam reafirmar constantemente sua condição de Homem. Isso se reflete na forma como eles se relacionam consigo mesmos, com os outros, com as outras, podendo se estender inclusive para as roupas. Além de nociva, é uma cultura chata para caramba.

É por isso que o Harry surge como um sopro gostoso e necessário de criatividade e ousadia, um ponto de alívio num mainstream cheio de egos masculinos que precisam se reafirmar constantemente, validando um modelo único de representação que na maioria das vezes é agressivo e pouquíssimo gentil com as mulheres - ainda que eles tenham cara de bom moço. Calma, caras. Ser homem não é só isso. Ou melhor, ser homem não é isso. Essa é a mensagem de Harry Styles pra vocês.

QUE HOMEM
E já que estamos no assunto, uma anedota interessante. Na edição mais recente da minha newsletter (olha o clickbait aí gente), contei o caso de um cara que de início muito tinha me impressionado. A gente se paquerou por uns dias, mas acabamos nos desencontrando em algum ponto entre Uberlândia e Curitiba. Foi aniversário dele e, apesar de enterrada qualquer chance de romance num futuro próximo, decidi ser fofa e desejar parabéns pro moço. O clima entre a gente era sempre de muitos risos e piadinhas, de modo que pra mim mandar a icônica canção "22", da minha guia espiritual  e melhor amiga famosa Taylor Swift, fazia todo sentido do mundo na minha cabeça. Ele estava fazendo 22 anos e o que mais eu posso desejar numa ocasião assim além de que ele seja happy-free-confused-and-lonely-in-the-best-way? Pois é. Como resposta, recebi a seguinte frase: meio boiola pra mim, não acha?

 Enquanto isso, no reino encantando de Harry Styles...


I rest my fucking case. Por ora, só me resta dizer: feliz aniversário, Hazza. Que você possa sempre ser happy-free-confused-and-lonely-in-the-absolut-best-way. Eu fiz umas contas aqui e acho que a gente pode ser perfeito um pro outro. Me liga quando descobrir a mesma coisa.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Long live


Mesmo com as pernas bambas e a cabeça zonza de tanto dançar, reunimos todas as forças possíveis para ter direito ao pacote completo daquela aventura, que incluía, sim senhores, o sol nascendo de frente pro mar.
Dos melhores dias de 2015.

Começou como uma brincadeira esse negócio de adolescência tardia, lá em fevereiro, no dia do meu aniversário de 21 anos, quando eu matei aula e fui furar um buraco no meu nariz. O piercing, claro, era resultado da angústia existencial pré-aniversário, quando bateu a consciência de que eu faria 21 anos de vida, e depois 22, 23, 30, 50, 60 e, antes que me desse conta, eu estaria morta - e o que eu tinha feito? Logo, fiz um piercing no nariz e dormi mais tranquila. 

Depois dele veio a mecha cor-de-rosa no cabelo, que se tornaram mechas (no plural) cor-de-rosas no cabelo, show da Fresno, minissaias, unhas lascadas, respostas atravessadas, impaciência, música pop, rock depressivo, tédio, mau humor, melancolia, e já era dezembro quando disse em voz alta para a senhora minha mãe que gostaria, por favor, de ficar sozinha no meu quarto vendo vídeos do One Direction. O que aconteceu?

Tenho 2005 como referência de pior ano da minha vida. Nele aconteceram várias coisas ruins que tiveram como resultado o fim da vida como eu conhecia até então, naqueles meus onze anos de indústria vital. Eu não tive essa consciência na hora, mas hoje vejo que foi o ano que descobri que não era mais criança. Ou que não podia mais ser criança. Ou que eu não me permitiria mais ser criança. Ou um pouco de tudo isso. O fato é que eu cresci, não era mais criança, e as pessoas ao meu redor diziam o tempo inteiro que eu deveria ser forte. E eu fui. 

Ninguém acredita que eu sou supersticiosa, na verdade eu acho graça da maioria das superstições, mas tenho meu quinhão de superstições nas quais acredito (sol em peixes, lua em virgem). Por causa delas, logo no ano novo eu tive a sensação de que 2015 seria difícil. Não necessariamente ruim, mas difícil. Porque já tinham se passado dez anos desde 2005 e... é, só por isso mesmo. Não faz sentido, eu sei, mas na minha cabeça existe lógica nisso e foi por isso que antes mesmo de 2014 acabar eu pedi força. Força e saúde, está até registrado aqui pra vocês não acharem que eu invento minhas intuições. Que graça. 

Conversando sobre esse ano com a Analu, concluímos duas coisas. A primeira foi que 2015 foi um ano adulto. Eu comecei a trabalhar, por exemplo. Não que já não tivesse trabalhado antes, mas foi minha estreia num ambiente de escritório, corporativo, ao melhor estilo The Office: folhas de ponto, engolir sapo de superiores e fontes, fofocas na copa, nunca mais sair de short e chinelas em dia de semana. Também lidei com a morte de perto, mais perto do que gostaria, e vi que ela é feia e triste. Não existe romantismo nenhum em morrer. Blue Lily, Lily Blue traz uma citação perfeita que diz que até determinado momento Blue Sargent não acreditava na morte, porque achava que ela vinha sempre acompanhada de certa cerimônia, não era uma coisa que simplesmente acontecia. Mas ela acontece, e o momento em que descobrimos isso divide pra sempre a nossa existência: a pessoa que não acreditava e a pessoa que acredita. Em 2015, virei uma pessoa que acredita. 

No meio desse turbilhão, escrevi um livro e uma monografia, dois trabalhos que são tudo de mim, quem eu era e quem eu me tornei em quatro anos de faculdade. Tenho o maior orgulho deles e deixo a modéstia de lado quando conto pra todo mundo como eles foram entusiasticamente elogiados e avaliados, porque foi difícil, custoso, porque eu dei tudo de mim e fico feliz que isso tenha sido reconhecido no final. Em 2015 me formei na faculdade, aluguei apartamentos, casei uma grande amiga (a primeira!), tive encontros com desconhecidos, desbravei Rio e São Paulo sozinha, vivi minhas primeiras entrevistas de emprego, ouvi os primeiros nãos da minha carreira, e pela primeira vez tive a chance de cuidar da minha mãe, que pela primeira vez precisou de verdade que eu cuidasse dela. 

É por isso que escrevi que tinha virado adulta. Ainda moro com meus pais, vivo de um estágio de meio período, não tirei carteira de motorista e Deus me livre dos entregadores de geladeira, mas é como se uma chave interna tivesse se virado aqui dentro. Como em 2005, em 2015 aconteceram coisas que transformaram minha vida em algo totalmente diferente do que eu conhecia até então,  e eu não faço a menor ideia do que vem pela frente. Não tem como passar por tudo isso sendo a mesma pessoa, e esse ano vivi, descobri e senti tantas coisas que é hora de deixar a Anna Vitória adolescente, aquela que nasceu aos onze anos, pra trás - ou melhor, é hora de reconhecer que esses dez anos e tudo que aconteceu nele nos fizeram outra, e é hora de seguir em frente bancando essa nova pessoa.

(Estou fazendo uma força enorme para não falar em crisálidas e borboletas, por favor valorizem isso)

Mas e aquela história de adolescência tardia?, se pergunta o caro leitor atordoado. Pois é, essa foi a segunda coisa que eu e Analu concluímos: 2015 foi um ano muito adulto, mas também foi um ano muito Speak Now. Sim, estou falando de Taylor Swift, mais especificamente seu terceiro álbum, que saiu quando nossa melhor amiga famosa tinha 21 anos (um minuto para absorvermos esse intenso simbolismo). De acordo com as estatísticas foi o disco que mais ouvi em 2015 e foi de propósito que deixei ele de fora da retrospectiva musical do ano. Porque eu não consigo falar sobre o Speak Now sem falar sobre esse ano, e como vocês podem ver essa é uma reflexão que demanda fôlego. Respiremos fundo, então. 

Para mim, o mais importante que pode ser dito a respeito do Speak Now é que ele é o disco da Taylor Swift que vem mais carregado de sentimentos. Eu sei, todo o seu trabalho tem como base os sentimentos, mas esse é mais forte, intenso, imoderado, com pouco espaço para sutilezas ou meias palavras. Quando ela fala de amor, é um amor urgente, que joga tudo pro alto e se beija na calçada, idealiza sem limitespede pelo amor de Deus que seja o único. Quando ela fala de tristeza e coração partido, é uma tristeza resignada, de quem aceita que perdeu, de quem se conforma com o desamparo de um dia ser amada e no outro não mais. Quando ela fala de raiva, ela cita nomes, tripudia, sua vingança brilha como fogos de artifício, chegando ao ponto de ser maldosa. Quando ela fala de realização, ela fala em coroas, glórias, sobre vencer dragões e dominar o mundo

E eu ouvi essas músicas sem parar, me identificando com elas o tempo inteiro.


Foi preciso muita terapia (e aí eu dou créditos a mim mesma e às longas conversas com minhas amigas, a única forma de análise a qual tive contato nesse tempo) para que eu entendesse que lá atrás, em 2005, eu acreditava que crescer e ser forte era parar de sentir. Ou sentir menos. Ou não deixar ninguém ver que eu estava sentindo as coisas, nem eu mesma. Só nos últimos anos que eu percebi a grande besteira que isso era, a começar pelo fato de que hoje vejo que a força vem justamente da vulnerabilidade, de se permitir sentir tudo o que vier. Não é tarefa fácil e ao primeiro sinal de dor nossa reação é querer se fechar numa bolinha e bloquear todas aquelas coisas que estão te transformando numa massaroca disforme de SENTIMENTOS, SENSAÇÕES, CONFLITOS E DÚVIDAS, mas como já disse Jon Foreman, is when you're breaking down, with your insides coming out, that's when you find out what your heart is made of. 

Parece muito bonito, e às vezes é mesmo, mas talvez seja a hora de buscar terapia de verdade, porque eu também tenho limites e testá-los sozinha é exaustivo.

Minha adolescência foi bem normal e eu só fui entender agora aquilo que dizem sobre essa fase da vida em que tudo é descoberta, entramos em conflito com o mundo, sentimos demais, não sabemos direito quem somos, e nossa opinião sobre as coisas e as pessoas mudam. Acho que eu me achava especial demais para passar por um rito tão mundano (ou só era bobinha mesmo e precisei de uns cinco anos a mais para descobrir isso tudo), mas o fato é que tudo isso aconteceu agora. 2015 foi uma montanha-russa emocional e seria injustiça dizer que foi de todo ruim. A metáfora perfeita vem de Harry Potter: em alguns dias, era como se um dementador tivesse me atacado - me sentia drenada de toda a minha energia e era como se eu nunca mais pudesse ser feliz -, em outros me sentia tão absoluta e plenamente feliz que sabia que se em algum momento tivesse que conjurar um patrono, era àquelas memórias e àqueles dias que eu iria recorrer. Que coisa. Que ano.

Como escreveu a Tais em sua linda retrospectiva, o grande feito de 2015 foi me quebrar toda sozinha - para deixar eu me refazer inteira. 

Depois de tudo isso, como escreveu dessa vez a Anne T. Donahue, fica a sensação de que todos nós merecemos 2016 e o que quer que seja que ele tenha para oferecer. Empreguinhos? Romances? Passagens aéreas compradas em dez vezes no cartão? Não gosto de fazer desejos específicos (superstições, superstições), e estando nessa situação de realmente não fazer a menor ideia do que vai ser da minha vida, eu gostaria que 2016 me apresentasse um caminho, já que passei um ano inteiro reconstruindo minhas pernas. 

À nós, um ano de noites mais tranquilas. Tim tim!


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

SO CONTAGIOUS AWARDS: Discoteca 2015

A semana que antecede o recesso é a sexta-feira do ano, em que passamos cinco dias presos naquela meia-hora antes do fim do expediente que parece não acabar nunca. As luzes foram acesas, os panetones chegaram às gôndolas, as uvas-passas foram postas no arroz, o Papai Noel chegou nos shoppings e, se você for como eu, ainda falta comprar todos os presentes e seria bom descobrir um jeito de estar em três lugares ao mesmo tempo para dar conta de todas as confraternizações e todos os amigos que você pre-ci-sa encontrar antes do reveillon. Senhoras e senhores, queridas e queridos, não dá mais para escapar: estamos NAQUELA ÉPOCA DO ANO.

Se você for uma pessoa normal, aproveite, fico feliz por você. Se você for uma pessoa como eu, que queria dormir dia 18 de dezembro e só acordar dia 02 de janeiro, saiba que em algum lugar no interior de Minas Gerais eu também estou sofrendo, você não está só. Como já é sabido por aqui, a única forma de sobreviver a essa época respirando sem a ajuda de aparelhos é porque elas estão aqui para nos salvar: as listas de melhores (ou não) do ano. Como a minha opinião não solicitada sobre uma diversa gama de assuntos também já é tradição, declaro abertas oficial e solenemente as celebrações do SO CONTAGIOUS AWARDS 2015. Hoje, falamos sobre o álbuns que conquistaram um espaço na discoteca do meu coração.

*aperta o play* sorry - justin bieber.mp3
DISCLAIMER:
  1. Eu não ouvi todos os discos do ano, nem mesmo todos os discos importantes do ano (desculpa);
  2. Essa não é uma lista séria de melhores discos do ano;
  3. Essa é uma lista mais ou menos séria de melhores discos do meu ano;

DISCO IMPORTANTE DO ANO: To Pimp a Butterfly (Kendrick Lamar)


Eu finjo que não me importo com listas sérias dos melhores discos do ano, mas é mentira. Eu leio todas que aparecem na minha frente, eu penso sobre elas, eu concordo e discordo mesmo não tendo ouvido todos os álbuns listados ali. Por estar há um tempo nessa função, consigo identificar certos comportamentos e consensos. Por exemplo: em alguns anos, as listas costumam ser uniformes, como se todos os editores tivessem combinado de só dar importância a uma porção X de bandas e artistas. Em outros, como esse, as listas são MUITO heterogêneas, o que eu acho muito mais honesto e interessante. Interessante porque mesmo com tanta variedade, alguns discos permanecem, e é aí que a mágica acontece. Esse é o caso do To Pimp a Butterfly, do Kendrick Lamar.

"The new James Bond gonna be black as me"
"Anna, você é tão branca", me disse um amigo uma vez me vendo dançar. Era uma brincadeira, mas isso ficou na minha cabeça e a frase ficava se repetindo sempre que eu pensava em escutar esse disco que estava todo mundo escutando e me deixava tão intimidada. Porque eu não entendo nada de rap e hip-hop, não sei a diferença entre eles, e esse é um disco que fala sobre MUITAS coisas, mistura MUITAS referências e não faz questão nenhuma de ser didático e nem palatável. E eu me sentia irremediavelmente burra e inadequada tentando dar conta de tudo isso. Não é o tipo de coisa que a Kylie Jenner vai ouvir no carro enquanto faz caras e bocas e finge não saber que está sendo filmada, sabe?

Que bom. Nada contra músicas que Kylie Jenner escuta enquanto faz caras e bocas (muitas coisas a favor, inclusive), mas é importante ouvir coisas que nos forçam a ir além. Nesse disco o Kendrick Lamar faz isso, enquanto artista, rapper de sucesso, negro numa indústria tão racista e apropriativa. Ele faz isso jogando um monte de referências, misturando as batidas de hip-hop tradicionais com samples de jazz, funk, poemas, entrevistas, um troço muito rico que, apesar de grandioso, não é pretensioso porque ele também não tem todas as respostas. A Arte™ existe justamente pra fazer essas perguntas difíceis e nos tirar do conforto, diferente da maioria da Bostaiada Indie que a gente adora e só fala de si e para si. Esse disco é perfeito para o momento que vivemos e é o tipo de coisa que vai ficar, porque um ano não é suficiente e essas coisas ainda vão ressoar por muito tempo.

Então, sei lá, mesmo que você se sinta como a Taylor Swift tentando forçar um swag inexistente, ouça o disco do Kendrick Lamar, porque a melhor coisa que a gente pode fazer quando se está de fora de uma causa ou contexto é OUVIR.

Músicas favoritas: Complexion (A Zulu Love), Alright, i, King Kunta.


Taylor Swift is all of us
Em notas mais ou menos relacionadas, nossa melhor amiga famosa trouxe Kendrick Lamar para seu squad em 2015: primeiro, ele expressou seu amor profundo por Shake It Off e várias trocas de elogios nas redes sociais depois, o moço acabou no clipe de Bad Blood, com featuring na música e tudo que lhe era de direito.

ONE HIT WONDER DE 2015: Hotline Bling (Drake)


Não quero desmerecer o Drake ao chamar sua música de one hit wonder num ano em que ele lançou disco novo, mas é que existe um número limitado de álbuns que eu consigo ouvir num ano. Mesmo passando reto pelo If You're Reading This It's Too Late (dsclp), acho que Hotline Bling é essencial para a experiência 2015. Vendo esse clipe sinto que o Drake me monitorou dançando sozinha em casa e quis prestar uma singela homenagem, a qual eu retribuo diariamente quando me pego dançando sua música de forma desavisada, no meio da rua, esperando o semáforo abrir.  Porém, vou deixar aqui uma provocação pra vocês:


Chegaram quase lá: Sorry (Justin Bieber), Bitch Better Have My Money (Rihanna), Cool For The Summer (Demi Lovato).

MELHOR CLIPE DE 2015: Perfect (One Direction) + Style (Taylor Swift)



Bom, eu vou me abster de comentar qualquer coisa.

Chegaram quase lá: Alright (Kendrick Lamar), She's Not Me (Jenny Lewis), Confident (Demi Lovato), Bang (Anitta), No Cities To Love (Sleater-Kinney). 
DISCOS QUE NÃO SÃO DE 2015 MAS EU ADOREI OUVIR ESSE ANO E VOCÊ PODE CONHECER EM 2016: 

They Want My Soul (Spoon, 2014): O Spoon é uma banda muito firmeza. O Spoon é uma banda tão firmeza que eles lançam disco bom atrás de disco bom, disco bom atrás de disco bom, e como o ser humano é sobretudo um animal que não sabe dar valor nas coisas boas, a gente não dá o valor que o Spoon merece, porque se acostuma com eles sendo bons sempre. O maior arrependimento do meu ano é ter perdido a chance de vê-los no Popload Festival, porque o They Want My Soul é um discão, chega bem perto do meu favorito deles, o Ga Ga Ga Ga Ga, e merecia demais ser ouvido ao vivo. Quem mandou ser trouxa, né? Músicas favoritas: They Want My Soul, New York Kiss, Inside Out

Marry Me (St. Vincent, 2007): O show da Annie Clark no Lollapalooza desse ano foi uma coisas mais impressionantes que eu já vi. E olha que eu vi pela TV, e mesmo assim dava pra sentir a energia absurda que ela emanava. É hipnotizante, eu tenho certeza que um dia vamos descobrir que ela na verdade é uma fada, um anjo, um alien ou algo assim, porque não pode ser gente como a gente. Por conta do show, resolvi explorar a discografia da moça e deu tão certo que estou parada no seu primeiro CD até agora, sem conseguir seguir em frente. Músicas favoritas: Your Lips Are Red, All My Stars AlignedLandmines

Are We There (Sharon Van Etten, 2014): Antes de qualquer coisa: estamos de acordo que é uma das capas de álbum mais bonitas do mundo? É uma das capas de álbum mais bonitas do mundo. Esse disco é lindo, triste e melancólico, a companhia perfeita para quando tudo o que você quer da vida é um tempinho pra deitar no quarto escuro e ficar pensando em coisas que não deveria. É terapêutico, mas pode destruir a falsa ideia de segurança que nossos corações constroem pra nos impedir de, sei lá, pirar. Me lembra muito Cat Power e Jenny Lewis em seus melhores momentos. Músicas favoritas: I Love You But I'm Lost, Break Me, Tarifa.

Night Time, My Time (Sky Ferreira, 2013): Eu simplesmente amo a Sky Ferreira. Sei que a internet tem alguma coisa contra ela porque um dia expressei meu amor pela moça no Twitter e recebi vários amiga, calma como resposta. Tomei a decisão madura de não ir atrás da treta porque Night Time, My Time foi uma das coisas que eu mais amei ouvir esse ano, que alavancou minha mania electro-pop, e acho que seria injusto destruir meus momentos com ele por conta da personalidade controversa da moça. Dela só me interessa uma coisa: quando, pelo amor de Deus, sai aquele disco novo? Fica o desejo pra 2016. Músicas favoritas: I Blame Myself, Everything's Embarrassing, Heavy Metal Heart.

Hoje (Ludmilla, 2014): Outra mulher por quem eu sou simplesmente apaixonada é a Ludmilla, um amor que vem desde os tempos que ela era MC Beyoncé. Apesar da domesticação ridícula que estão fazendo para que ela parece mais pop, comercial e digerível, seu disco oficial de estreia ainda é um apanhado de funks maravilhosos para dias em que a única coisa que importa é encontrar aquela oportunidade de rebolar a bunda. Eu gosto de funk de um jeito nada irônico, e acho que ele só merece a etiqueta de guilty pleasure pela insistência das mulheres de se colocarem umas contra as outras. Vamos nos amar? Músicas favoritas: Amor Não É Oi, Garota Recalcada (dsclp), Hoje (sim). 


MELHOR TRILHA SONORA DE 2015: São questões

Sendo eu uma pessoa que há quase quatro anos escreve sobre trilhas sonoras, esse é o tipo de pergunta que eu deveria saber responder. Ou pelo menos, não sabendo responder, deveria ficar em dúvida entre vários títulos maravilhosos. O problema é que esse ano foi atípico e eu consegui assistir a pouquíssimas coisas e a prestar atenção em menos ainda. Eu adorei muito o documentário sobre o Kurt Cobain. Serve? Tem as músicas lindas que a Jenny Lewis escreveu para Song One, filme bonitinho que apesar de ser de 2014, só foi lançado aqui em 2015. As minhas favoritas são as cantadas pelo Johnny Flynn, principalmente Silver Song. E, por fim, acho que fica a lembrança de Mad Max: Fury Road, que apesar de não ser o tipo de trilha sonora que eu fico ouvindo depois que o filme acaba, tem UM MALUCO PENDURADO EM CIMA DO TANQUE TOCANDO UMA GUITARRA QUE LANÇA CHAMAS!!!!



FINALMENTE: MEUS MELHORES DISCOS DE 2015 (em ordem mais ou menos cronológica)
"It's not a new wave, it's just you and me"
No Cities To Love (Sleater-Kinney): Eu conheci o Sleater-Kinney esse ano. É uma vergonha admitir isso, logo eu, feminista viciada em cultura pop, passei tanto tempo ignorando uma banda punk formada por garotas incríveis, que nos anos 90 fizeram parte do Riot Grrrrl, um movimento super importante que uniu música e feminismo, basicamente falando que tinha espaço sim para que garotas montassem suas bandas, tocassem baixo, guitarra, bateria e principalmente o terror. O Sleater-Kinney, formado pelas divinas Carrie Brownstein, Corin Tucker e Janet Weiss, estava lá construindo essa história e ressurge esse ano com um álbum que chegou pra mim com a missão de me apresentar ao evangelho do Sleater-Kinney. Me perdoem por ter sido ridícula por 21 anos. Músicas favoritas: No Cities To Love, A New Wave, Hey Darling.  


"I wanna go out but I wanna stay home"
Sometimes I Sit and Think, And Sometimes I Just Sit (Courtney Barnett): Eu também conheci a Courtney Barnett esse ano, mas acho que aí estou junto com a maioria das pessoas, já que esse é seu disco de estreia. Ela me ganhou completamente na faixa Nobody Really Cares If You Don't Go To The Party, cujo refrão diz: eu quero sair, mas eu quero ficar em casa, o que basicamente resume a minha vida. As letras da Courtney são cheias dessas observações perspicazes e ótimas sobre as coisas, que às vezes parecem ser óbvias e simples mas que ninguém colocou em palavras tão bem quanto ela. Músicas favoritas: Nobody Really Cares If You Don't Go To The Party, Depreston, Elevator Operator

"There's a flaw in my heart's design for I keep trying to make you mine"
Kintsugi (Death Cab For Cutie): Lendo os comentários sobre esse disco no Rdio, achei um que dizia o seguinte: he's sad again :-) Ele, no caso, é o Ben Gibbard, vocalista e líder da banda, e o sorriso é porque a tristeza dele significa nossa satisfação enquanto público que deseja, acima de tudo, mais um disquinho do Death Cab pra sofrer. O Kintsugi é o disco que eu espero deles há alguns anos, e ouvi-lo é como voltar pra casa. Ele é bonito, triste, e carregado de um sentimento que parece saudade, mas soa também como urgência por algo que não vivi ou evitava viver. Ou alguém. Ben Gibbard está triste de novo e eu sinto muito, mas não tanto assim. Músicas favoritas: Little Wanderer, You've Haunted Me All My Life, Hold No Guns

"Girl, I can change for you"
The Desired Effect (Brandon Flowers): Eu acho que rola uma má vontade generalizada das pessoas com o Brandon Flowers nos últimos tempos simplesmente pelo fato de ele ter mudado. Se eu sinto saudade de quem ele era na época do Sam's Town? Todos os dias. Mas a gente aceita e segue em frente, e eu aprendi a gostar muito desse novo lugar que ele se encontra, em meio a sintetizadores, luzes estroboscópicas e new wave. Se bater a má vontade, assista esse vídeo e pensa no tanto que ele tá feliz aqui curtindo as próprias lambadinhas (sem camisa). As avaliações prematuras do álbum foram desanimadas, mas foi engraçado ver, pouco a pouco, os braços se torcendo. The Desired Effect é ótimo. Que baile bom. E que homem, né? Músicas favoritas: I Can Change, Diggin' Up The Heart, Lonely Town, Still Want You

"Why do our disasters creep so slowly into view?"
Star Wars (Wilco): Eu queria escrever um poema sobre aquela tarde de quinta. Era um fim de tarde de quinta, eu estava de férias em casa e tinha acabado de comer um pedaço de bolo de abacaxi com café. Já era um fim de tarde acima da média antes de eu entrar na internet e descobrir que minha banda favorita tinha lançado um disco novo de surpresa e que em alguns minutos ele chegaria, de graça, no meu e-mail. Porque o Jeff Tweedy achou que seria divertido. Claro que ele achou, olha só esse gato na capa, olha só o título desse disco e o ano em que ele está sendo lançado. Foi divertido. Foi lindo. Foi uma delícia. Foi como um pedaço de bolo de abacaxi e um golinho de café numa tarde de férias. Depois vocês não sabem por que a gente que é fã do Wilco é tudo besta por causa deles, mas olha só as coisas que eles fazem. Tem que ficar besta mesmo. Músicas favoritas: You Satellite, Taste The CeilingMagnetized. 

"You touched me and suddently I was a lilac sky and you decided that purple just wasn't for you"
Badlands (Halsey): 2015 foi o ano que me transformou em uma pessoa que gosta de electro-pop synthpop, sei lá como vocês chamam essas músicas cheias de batidinhas, que não tem guitarra, baixo, bateria e essas coisas com as quais eu estou acostumada. A vida nos conduz por caminhos inesperados, então eu fui ouvir o disco da Halsey e, contra todas as minhas expectativas, gostei. E gosto cada vez mais. Não tenho muito o que dizer além de electro-pop synthpop, música jovem e moderna, misteriosa, sexy sem ser vulgar, pra ouvir se querendo muito enquanto não sei o disco novo da Lorde (QUANDO MEU DEUS???). Músicas favoritas: Colors, New Americana, Hold Me Down.

"We are falling but not alone"
Every Open Eye (Chvrches): Aquela mesma história. Electro-pop. Synthpop. Sei lá como vocês chamam isso. Ainda não sei escrever (nem pronunciar) o nome da banda direito, mas me apaixonei pela Lauren Mayberry, a vocalista, antes mesmo de ouvi-la cantando. Esse ano ela se posicionou bastante com relação à misoginia no meio musical e compartilhou experiências com assédio sexual e relacionamentos abusivos. "My life, my voice, my body, my rules", seu texto para a Lenny Letter, newsletter da Lena Dunham que vocês já deveriam ter assinado, é precioso. Foi munida dessa admiração prévia que resolvi conhecer a banda da moça, que se adequou muito bem à minha vibe do momento. Estamos nos curtindo bem, dançando bastante, chorando às vezes. Músicas favoritas: Make Them Gold, Keep You On My Side, Empty Threat, Afterglow.


"I really really really really really like you"
Emotion (Carly Rae Jepsen): Eu amo que esse disco se chame Emotion, porque resume totalmente meu sentimento sobre ele e explica por que Carly Rae Jepsen me cativou: EMOÇÃO. Como disse, esse ano foi uma montanha russa emocional pra mim e só o pop conseguiu dar conta disso. Esse álbum me lembra muito o 1989, pelo motivo óbvio dos dois terem uma vibe oitentista muito forte, mas principalmente por serem cheios de energia e muito femininos. Enquanto a Taylor libera seu lado mais confiante e nunca soou tão madura, a Carly Rae Jepsen, embora não seja infantil, carrega as músicas de uma vulnerabilidade adorável, embora continue sassy, divertida e apaixonada por festas e garotos. O apelo de Call Me Maybe era inegável e os mais resistentes não conseguiram resistir. Com esse disco, como ela explica nessa entrevista ótima feita por ninguém menos que Tavi Gevinson, a ideia não foi repetir Call Me Maybe, mas dá pra ver claramente de onde o poder da música surgiu. Músicas favoritas: Run Away With Me, Gimmie Love, I Really Like You, Boy Problems

"You don't understand, I don't need a man"
Revival (Selena Gomez): De repente selenator. É claro que isso só poderia acontecer no ano oficial da adolescência tardia. Eu gosto muito de narrativas clássicas da cultura pop, e uma das minhas favoritas é o momento Eu Cresci Agora Sou Mulher das estrelas mirins. Foi lendo um artigo sobre isso que me interessei pelo disco da Selena Gomez, uma artista que era absolutamente irrelevante pra mim até o momento. A coisa fica ainda melhor quando pensamos que seu ex problemático, Justin Bieber, também lançou um disco esse ano com várias indiretas e pedidos de perdão para ela, que de sua parte quer dançar, curtir a vida com as amigas e ok, ok, também se questiona por que ele só a ama quando está fora de si enquanto ela faz tudo pra ser boa pra ele. Isso não faz de Seleninha menos maravilhosa, e o disco é ótimo: sexy e perfeito para dançar. Seu possível affair com Niall, do One Direction, e a resposta maravilhosa que ela deu quando perguntaram se ela preferia Purpose ou Made In The AM só me faz amá-la mais. Músicas favoritas: Sober, Hands To Myself, Me & My Girls.

"Oh baby, every morning there are mountains to climb, taking all my time. Oh, when I get up this is what I see: welcome to reality"
Art Angels (Grimes): Um ano tão estranho como esse só poderia terminar comigo virando fã da Grimes. Assim, nada contra. Ela só não fazia meu tipo. Porque a Grimes é estranha, a música feita por ela é estranha, e a gente precisa escolher as batalhas que vai lutar nessa vida. Mas aí, de repente, a Grimes aconteceu graças ao Descobertas da Semana do Spotify (me sigam por lá, sou annachicoria e vira e mexe faço umas playlists sem sentido compartilhando barbaridades) e não parou de tocar por aqui desde então. Sigo sem fazer a menor ideia do que está acontecendo (olha a capa desse CD, olha esse clipe, olha essa foto), mas tenho adorado colocar meus fones de ouvido pretensiosos e dançar no escuro com essa barulheira como se tudo ao redor estivesse se quebrando. Músicas favoritas: California, Flesh Without Blood, Kill V. Maim.


O DISCO FAVORITO DE 2015

"We can live forever"
Made In The A.M. (One Direction): Se preparem, estou prestes a ser profunda. Não é só porque o disco é ótimo. Ele é ótimo, mas tem mais. Não é só porque é o melhor trabalho deles. É o melhor trabalho deles, mas tem mais. É sobre a adolescência tardia e a validação dos sentimentos. Has Anna Vitória finally gone too far?, vocês se perguntam, consternados. Queridos leitores, existem TESES que comprovam isso. HAS SCIENCE GONE TOO FAR? Fica a critério de vocês. Com a fala, Dr. Jamie Goodwin-Uhler, psicólogo especialista em cultura de fã: "the experience of allowing oneself unabashed infatuation with handsome, famous, unreachable young men might recreate the kind of teenage abandonment that we (as adults) wonder to be long-lost. Adolescence is a powerful developmental period, rife with complicated feelings, a steeped-in-hormones search through and discovery of one's sexuality and identity. Boy band fandom could allow one to re-experience that some of that youthful, vital energy—and for a person slogging through the often un-fun responsibilities of adulthood, that energy could be intoxicating." 

Resumo: boybands nos permitem experimentar de novo aquela energia vital gostosa da adolescência, completamente esmagada por essa experiência infinitamente chata que é a vida adulta. Mas não é só isso. Poucos depoimentos me representam tanto quanto esse de uma directioner de 25 anos: "Amar One Direction obsessivamente como eu finalmente me fez perceber algo que meus terapeutas sempre tentaram me mostrar: que todos os meus sentimentos, sejam eles racionais ou não, são completamente válidos.". Sentimentos são os únicos malditos fatos. Pode parecer besteira para alguns, mas esse é um dos temas que mais tem me interessado nos últimos tempos e uma desconstrução que venho operando em mim mesma há algum tempo. E tem sido ótimo. O pop, a adolescência tardia, a Amanda Palmer, ESTÁ TUDO CONECTADO. Me sinto idiota escrevendo isso? Muito. Mas é completamente verdadeiro, só sei sentir. Meu único crime em 2015 foi amar demais. Beijos de luz.

Música favorita: todas.
Para encerrar, OS MELHORES MOMENTOS DO ONE DIRECTION EM 2015
E se vocês estão sentindo a ausência da nossa melhor amiga famosa nessa lista, meu Last Fm não me deixa mentir: em 2015, minha música mais ouvida foi Style. Seguida por Blank Space e Out Of The Woods. Depois vem Sparks Fly. Aí a gente pula Mardy Bum, dos Arctic Monkeys, e abraça essa gloriosa sequência: Enchanted, Back To December e The Story of Us. Tá bom pra vocês? Não? Então só queria lembrar que dia 20, também conhecido como domingo, a Tour 1989 finalmente vai ser disponibilizada para nós, pobres mortais latinoamericanos, lá no Apple Music. Porque 2015 só acaba quando termina. Por último, acho necessário compartilhar essa entrevista gigantesca que saiu com ela na GQ. Eu queria ser essa entrevista e casar com ela ao mesmo tempo. Leiam. 

Com isso, declaro encerrados os trabalhos da Discoteca 2015 So Contagious. Se isso fosse a cerimônia do Oscar já seriam 3 da manhã e vocês estariam de saco cheio, então obrigada por aguentarem até aqui e perdão pelos limites ultrapassados. Ano que vem tem mais, e se Deus quiser com discos novos do David Bowie, da Lorde, e até, uuuuh quem sabe, dos Strokes. Eventualmente eu volto para falar de filmes, livros e televisão. 

Stay beautiful.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Made In The AM: sentimentos são os únicos fatos

Interrompemos nossa programação anedotária, melancólica e sentimental para uma intervenção necessária à sanidade mental da blogueira que vos escreve. Hoje é segunda-feira e desconfio que ninguém aqui precise do Estado Islâmico, da polícia militar de São Paulo ou da tabela periódica inteira que invade os rios brasileiros para nos matar lentamente. Vamos todos morrer mesmo, e é por isso que hoje, queridos leitores, nós vamos falar sobre One Direction. Me agradeçam depois. 

LOUIS MUITO GATO NESSA CAPA BENZADEUS
Eis que na fatídica sexta-feira 13 nossos meninos lançaram um disco novo, como já tem se tornado uma feliz tradição que ilumina nossos novembros. No entanto, 2015 é diferente: Made In The AM é o primeiro trabalho deles sem nosso coqueluche misterioso Zayn Malik e o último antes do hiatus da banda, que não vai sair em turnê e sabe Deus se algum dia volta. O que penso sobre isso? Assim como o carnaval, toda boyband em seu fim. Foi uma longa e incansável jornada (cinco discos e cinco turnês em cinco anos!), e se Made In The AM for a última novidade que eles tiverem para oferecer ao mundo, arrisco dizer que eles vão embora deixando saudade o bastante para cobrarem preços extorsivos a cada vez que resolverem sair em turnê pelos velhos tempos - afinal, a gente não pode morrer sem ouvir Perfect ao vivo.

Não sei se foi o timing - nunca ouvi tanto pop como em 2015 porque nunca precisei tanto do pop como em 2015 -, o desgaste dos últimos meses, a urgência de sentir aquela felicidade besta e genuína que só uma boyband de meninos lindos e imbecis pode trazer, mas o fato é que a única coisa que posso dizer na forma de uma avaliação prematura é que minha música favorita são todas (MARTINS, Milena. 2015) e feelings are the only facts. Como preciso de mais espaço para compartilhar gifs do Harry Styles, farei aquele faixa a faixa malandro para quem interessar possa, com minhas reações a respeito de cada música desse álbum que já é uma das melhores coisas de 2015, ano oficial da adolescência tardia (por favor, leiam esse texto da Anne T. Donahue explicando por que o dia em que o One Direction e o Justin Bieber lançam um disco é o dia mais importante da nossa vida de escravos do pop).

Querido leitor, deixe seu coração gelado lá fora junto com os sapatos, se aconchegue aqui no sofá, me dê a mão e aproveite a viagem:

1) Hey Angel



Bom, eu vou dizer: essa música é a "Bittersweet Symphony" dos nossos tempos. Não adianta negar, EU SEI que você pensou a mesma coisa e ficou com vergonha de dizer. Vergonha não, receio. Pelo menos foi isso que eu senti logo quando dei play na música e imediatamente comecei a pensar que já tinha ouvido aquilo antes, mas não lembrava onde. Então a cena final de Segundas Intenções veio na minha cabeça e não tinha mais como negar as aparências e disfarçar as evidências. Ainda bem que a Brodie Lancaster percebeu a mesma coisa, e se ela publicou isso na Vulture, meu irmãozinho, o diário virtual So Contagious está autorizado a assinar embaixo.

Esperava que o anjo do título fosse mais um vocativo sapeca pra uma mocinha sortuda? Esperava, mas adorei essa coisa mística acontecendo na letra de uma música com astral perfeito pra abrir um disco.

2) Drag Me Down

NOBODY NOBODY
Então, eu tenho uma relação problemática com essa música. Eu absolutamente ODIEI nas primeiras vezes em que ouvi, e ainda mantenho meu posicionamento de que ela não se parece nada com eles, mas sim com algum hit genérico com feat do David Guetta ou do Calvin Harris. Sempre que escuto a parte do Liam consigo visualizar algum BBB bêbado no fim da festa, pulando sozinho com o braço pra cima. "All my life you stood by me, when no one else was ever behMINHA MÚSICA TE AMO MÃE OBRIGADA BRASIL!!111". Sabe? Dispenso.

No entanto, não sou de ferro: depois de certa insistência, me apeguei. É um hit, afinal, e hits são feitos pra isso: grudar, apesar dos nossos melhores esforços.¯\_(ツ)_/¯

3) Perfect


Esse é o momento em que eu me exalto, porque nenhuma fanfic mental pode ser melhor do que o ponto que "Perfect" adiciona à nossa narrativa da história secreta de Harry Styles e Taylor Swift. É como se tudo que já foi feito e dito até agora fosse uma preparação pro momento em que o Harry diz que é perfeito para uma pessoa que está procurando alguém sobre quem escrever suas músicas de fim de namoro. Tá tudo ali: os encontros secretos (orientação sexual: Harry Styles pronunciando rendez-vous, como bem apontou minha amiga Rafaela Venturim), o mistério, a sedução, a TENSÃO, os sentimentos. Eu não tenho capacidade para lidar com essas informações.

* Eu sei que tem quem defenda toda uma carga LARRY nessa música, mas eu simplesmente não consigo desapegar da minha ideia fixa e não tenho tempo de ficar caçando evidências de outra narrativa de fã então se quiserem resumir nos comentários ficarei bem feliz, mas deixo essa pros jovens.


Apenas contemplem esse mash-up. A cultura pop ela é simplesmente maravilhosa.

Além disso (!), tem o fato de que TODOS

todos mesmo
ESTÃO


EXTREMAMENTE GATOS


NESSE CLIPE


Se eu fosse 10 anos mais nova estaria nesse momento escrevendo uma carta de metro pra cada um deles. Melhor música do meu ano, obrigada One Direction. 



Depois da saraivada de balas oferecida por "Perfect", a gente precisa respirar. "Infinity" faz isso por nós. Não sou a maior fã das baladas do 1D (pasmem!), mas tenho meus momentos. Essa música parece trilha sonora promocional de franquias milionárias, tipo Crepúsculo ou Jogos Vorazes. Já podem negociar com algum blockbuster aí se quiserem fazer um troquinho nas férias - quero minha comissão, tá?

5) End Of The Day


MUITO APEGO por essa canção. Ela tem tudo que eu mais gosto na banda: letra romantiquinha, muito ALTO ASTRAL E SENTIMENTOS E POSITIVIDADE, com selinho FEELINGS ARE THE ONLY FACTS de aprovação. Além disso, musicalmente ela tem uma estrutura interessante, com uma super quebra de ritmo quando entra o refrão. Já ouvi aproximadamente 15 mil vezes e ainda não deixou de ser legal.

YOU AND I CAN STAY AWAKE AND KEEP ON DREAMING
YOU AND I CAN STAY AWAKE AND KEEP ON DREAMING

6) If I Could Fly & 7) Long Way Down


Coloquei as duas juntas porque são duas baladas, e eu sinceramente tenho dificuldade de diferenciar uma da outra. É uma balada. Sentimentos? Gostei bastante das duas, mas estou num momento vulnerável e não se essa opinião se manterá por muito tempo porque REALMENTE não é o tipo de música que eu gosto. "If I Could Fly" parece algo que uma boyband genérica apresentaria no X-Factor, e não sei até que ponto isso é um elogio. "Long Way Down", por sua vez, me lembrou Ed Sheeran. Tema romântico de casal de novela das sete. Façam o que quiser com essa observação.

Mas tô ouvindo, tô curtindo.

8) Never Enough & 9) Olivia


 

Novamente agrupei duas músicas porque elas são MUITO parecidas, poderia quase ser um medley. Mas são duas gêmeas adoráveis e, do fundo do meu coração, é totalmente algo que o Paul McCartney faria. Ou pelo menos músicas que ele gostaria bastante. Abra seu coração, você vai concordar comigo.

"Never Enough" é a cara deles, divertida, chiclete, mas diferente e interessante ao mesmo tempo. Os gritos de "COME OOOOOON" do Liam são preciosos. Já "Olivia" é uma obra de arte. Eu sinceramente queria chamar uma filha de Olivia só pra dar de presente pra ela uma música escrita pelo Harry Styles que diz "I live for you, I long for you, Olivia. I've been idolising the light in your eyes, Olivia". Se você acha que essa música não pertence ao Sgt. Peppers, você não entendeu o Sgt. Peppers - pelo menos não o coração do Paul McCartney contido nele.

10) What a Feeling


Acho que foi a única música que eu realmente não gostei, MAS ESSA SOU EU. Lembrando que odiei Out Of The Woods quando foi lançada e hoje é uma das minhas favoritas do 1989, então podemos sempre contar com um efeito rebote. Por enquanto me parece exatamente o tipo de música que algum deles vai lançar quando resolver sair em carreira solo, os minutos finais de fama antes de morrer ou ir pra Record.

11) Love You Goodbye


Balada cafonérrima. Adorei.

12) I Want To Write You a Song


Essa música me lembra muito "Hey There, Delilah". Coincidência? Acho que não (HAHAHA QUE FASE, LOUIS). Acústica fofinha, gostei.

13) History


Meu Deus, que canção deliciosa. Ela parece parte de um musical, ela pede pelo amor de Deus por uma versão acapella em Pitch Perfect 3. Que delícia. Que vibe boa. Que bombom de maracujá. Quero dar a mão pra eles e cantar isso dançando em roda enquanto aplaudimos o pôr-do-sol na nossa cerimônia de casamento poliamoroso. Quando fizerem um remake de Curtindo a Vida Adoidado em 2035 eu tenho certeza que o Ferris vai cantar History no meio do desfile em Chicago.

14) Temporary Fix 


OLHA SÓ ESSES DANADINHOS, cheios de segundas, terceiras e quartas intenções. Tell me about waking up in my t-shirt, let me be your goodnight, climb over me while I climb in the backseat, LET ME TOUCH YOU WHERE YOUR HEART IS. Acho que ouvir isso vai causar nas pré-adolescentes o mesmo estrago que Enrosca na versão do Júnior provocou em mim. ¯\_(ツ)_/¯

Além da safadeza a música é ótima, divertida e cativante, não sei por que eles deixaram como faixa bônus.

15) Walking In The Wind

Bem bônus track mesmo, dessas que você nem percebe que o CD ainda tá tocando e pensa se o player já começou uma aleatória. Desculpa.

16) Wolves 

Toda uma coisa Electric Light Orchestra acontecendo, ou qualquer banda goodvibes dos anos 70 (que acontece em vários momentos do disco, aliás). Apesar disso, não me provocou nenhuma paixão especial.

17) A.M


Juro que isso não sou eu forçando a barra, mas é uma música muito Taylor Swift. Ela poderia facilmente estar no Red, ali nas faixas finais. É uma letra cheia de imagens, conversas na madrugada, nostalgia, e don't wanna sleep 'cause we're dreaming out loud é tão típico de Taylorene que poderia jurar que tinha uma colaboração envolvida. Mas com isso não quero dizer nada, até porque ela parece falar mais sobre amizade e a própria história dos meninos do que qualquer outra coisa. É só uma pequena e inocente observação.

E com isso concluo essa extensa avaliação. De um modo geral, gostei MUITO do disco, as músicas boas são realmente muito boas, e as mais ou menos são boas o bastante pra vencerem a preguiça de mudar de faixa. Peço perdão por todos os limites ultrapassados nesse post, e em breve voltamos com a programação normal.

Pela atenção, muito obrigada.