Mostrando postagens com marcador taylor swift. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador taylor swift. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Como é que eu vou dizer que acabou?

Para ler ouvindo:


Não escrevo nada aqui há cinco meses e há uns quatro parei de sofrer por causa disso, mas já não tenho vontade de escrever aqui há muito mais tempo. Falar sobre o fim é difícil mesmo quando ele já aconteceu. Eu vou do início:

Há exatamente um ano eu anunciei que faria o BEDA, me propondo o desafio de postar todos os dias durante um mês inteiro. Eu estava trabalhando, fazendo TCC, com problemas em casa, tentando virar adulta e já não tinha mais idade pra isso, mas sem pensar muito eu fui lá e fiz - e foi incrível. Me diverti com o blog como há anos não acontecia e isso só evidenciou como blogar havia se tornado algo que eu fazia muito mais por hábito, muito mais por nem me lembrar direito como era a vida sem ter um blog, do que porque sim, porque é divertido, porque eu quero, porque é tão melhor que todo o resto.

O BEDA foi a festa do divórcio, aquela viagem para Paris que um casal resolve fazer pra tentar salvar o casamento de anos sabendo que na volta eles vão do aeroporto direito pro escritório do advogado, aliviados por já terem começado a fazer as malas. 

Veja bem, a viagem foi ótima: eles passearam de mãos dadas, se beijaram na chuva, transaram com vigor adolescente na segurança de seus corpos adultos que sabem exatamente o que querem da vida e do outro. Foram jantares longos, restaurantes caros, sobremesas finas e vinhos deliciosos. Foi uma extravagância merecida. Ele não pensou em trabalho, ela esqueceu o celular, eles se permitiram dormir até mais tarde e conversar a noite inteira. Paris nunca esteve tão linda, eles nunca se amaram tanto, e isso deixou claro que eles já não se amavam mais. 

Aquilo não era a vida real e um casamento não é feito de viagens a Paris, mas de arroz com carne moída naquela quarta-feira, promoção de vinho, cantoria no carro e o charme daquele velho pijama furado. Se é preciso de Paris para ter graça e amor, é porque acabou. Eles estavam se amando sobre os escombros. 

Eu vou sentir falta daqui como quem sente falta daquele namorado que era perfeito, até que não foi mais. Aquele que a gente lembra com carinho e saudade, mas não se arrepende de ter seguido em frente. Voltar pra ele seria voltar para a pessoa que você era antes, e ela já não existe mais. É por isso que acabou. Eu já não existo mais aqui, como não existo mais na pele daquela Anna Vitória adolescente de 13 anos que um dia resolveu que começaria um blog pra valer. Eu não teria chegado aqui sem ela, mas é hora de descobrir todas as outras pessoas que eu ainda posso ser. 

Por que a insistência em tecer analogias entre o blog e um namoro? Porque junto com três ou quatro amizades, o blog é o relacionamento sério mais longo que eu tive e, como qualquer relacionamento, ele me mudou pra sempre e deixou marcas indeléveis na minha vida. Foi aqui que me transformei em gente que escreve, algo que tenho certeza que vou ser pra sempre. Nos últimos meses minha vida mudou bastante e sinto que tudo que aconteceu é uma consequência direta e indireta de um dia ter começado esse blog. Se fui sozinha para uma cidade enorme e nunca me faltou companhia pra almoçar, jantar e cantar no karaokê, foi porque um dia depois da escola eu sentei na frente do computador decidida a escrever sobre alguma coisa, qualquer coisa, porque sim, porque era divertido, porque eu queria e porque aquilo era tão melhor que todo o resto. Quando me lembro, são anos dourados.

Hoje começa mais um BEDA e várias pessoas legais vão participar. Isso me deixou nostálgica, quase que com vontade de entrar nessa de novo, mesmo que no fundo eu tenha certeza absoluta de que esse barco partiu faz tempo. Não quero insistir nessa viagem e me afogar. É como cruzar com uma pessoa que usa a mesma loção pós-barba daquele antigo namorado e de repente sentir tanta saudade a ponto de pensar em ligar bêbada pedindo pra ele voltar. É sempre desconcertante rever o grande amor.

Então resolvi escrever esse post, porque se eu não falar do fim o blog vai continuar aqui existindo como um blog platônico e acho que a gente merece mais que isso. No fim de semana contei para alguns amigos que faria isso e todos ficaram meio tristes (o que me deixou feliz de um jeito bem vaidoso), mas não sei até que ponto é melhor um final nunca dito, eternamente no ar, do que um ponto final claro e honesto. Já não escrevo aqui faz tempo e todos sobrevivemos. Como diz um dos meus poemas favoritos (hoje estou cheia de referências): seu destino foi curto longo e bom, não o choreis. No que depender de mim ele vai ficar no ar pra sempre, até porque eu virei aqui sempre que quiser relembrar algo especial dos últimos OITO ANOS da minha vida.

Como falei, eu sou e sempre vou ser gente que escreve e continuo escrevendo. Se você gosta e se identifica com as coisas que eu faço, ou se eu sou o tipo de pessoa que você lê pra ficar com raiva, você pode me encontrar em diversos lugares:

> Semanalmente, eu mando um e-mail pessoal esquisito para os assinantes da minha newsletter. Para receber também (são anedotas, crônicas, textões, o que estou lendo, ouvindo, assistindo e alguma foto de animal de roupinha), basta assinar a No Recreio

Qual a diferença disso pra um blog pessoal?, você se pergunta. Nenhuma e toda, eu respondo. É como receber o blog direto na sua caixa de entrada, só que de um jeito mais íntimo, complicado e perfeitinho. Existe uma sociedade secreta bacana, querida e crescente nas caixas de entrada (e a Aline Valek se deu ao enorme trabalho de fazer uma listagem dessas newsletters) e é o lugar que me sinto à vontade para escrever no momento. A newsletter é aquela coisa legal que eu faço porque sim, porque eu quero, porque é divertido e porque é tão melhor que todo o resto - e isso basta. O amanhã a Deus pertence.

> Há três meses lancei com algumas amigas o Valkirias, um site onde a gente escreve sobre cultura pop, feminismo e problematiza o impossível. Você pode conhecer o site, curtir nossa página, seguir a gente no Twitter e assinar nossa newsletter. Se tiver alguma ideia dentro do nosso nicho de interesse, pode até escrever junto com a gente.

> Eu continuo escrevendo na Pólen, porque alguém precisa cultivar o lugar de colaboradora mais enrolada e irresponsável de uma publicação absolutamente adorável.

> Também criei uma conta no Medium, porque um dia eu escrevi um textão que não se encaixava em nenhum outro lugar onde eu costumo publicar textões. Mas Anna você odeia o Medium!!! Pois é, mas às vezes ele se faz necessário. Caso essas circunstâncias se repitam, escreverei lá novamente e vida que segue. A VIDA É COMO UMA CAIXA DE BOMBONS, VOCÊ NUNCA SABE O QUE VEM DENTRO!!!!!!!!

> Todos os dias, o dia inteiro, estou no Twitter escrevendo tudo quanto é lixo que se passa na minha cabeça. Ainda é meu lugar favorito na internet porque todo mundo ali sabe que a gente está nos escombros da rede mundial de computadores e precisamos manter essa locomotiva funcionando. 

> Eu também tenho Instagram, Skoob, Goodreads e abandonei o Snapchat, graças a Deus. Tenho também um portfólio online mais ou menos profissional, caso você, futuro empregador, esteja se perguntando. 

> Eu quero escrever um livro em algum momento. Manterei vocês informados.


Já que estamos falando de amor, deixo vocês com essa conclusão: em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba. Vejo vocês do outro lado e muito obrigada. Mesmo. Um milhão de vezes. Por tudo que esse blog já me fez ser, crescer e fazer, é realmente inagradecível. E como de praxe, me desculpem por ser ridícula.

Se essa é a lápide desse blog, essas são minhas mensagens finais (são várias, porque eu não sei escolher):

Sentimentos são os únicos fatos

Vamos todos morrer mesmo

O universo está se expandindo

Shakespeare e os gregos já disseram tudo antes

Vai Corinthians

Paz


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Long live


Mesmo com as pernas bambas e a cabeça zonza de tanto dançar, reunimos todas as forças possíveis para ter direito ao pacote completo daquela aventura, que incluía, sim senhores, o sol nascendo de frente pro mar.
Dos melhores dias de 2015.

Começou como uma brincadeira esse negócio de adolescência tardia, lá em fevereiro, no dia do meu aniversário de 21 anos, quando eu matei aula e fui furar um buraco no meu nariz. O piercing, claro, era resultado da angústia existencial pré-aniversário, quando bateu a consciência de que eu faria 21 anos de vida, e depois 22, 23, 30, 50, 60 e, antes que me desse conta, eu estaria morta - e o que eu tinha feito? Logo, fiz um piercing no nariz e dormi mais tranquila. 

Depois dele veio a mecha cor-de-rosa no cabelo, que se tornaram mechas (no plural) cor-de-rosas no cabelo, show da Fresno, minissaias, unhas lascadas, respostas atravessadas, impaciência, música pop, rock depressivo, tédio, mau humor, melancolia, e já era dezembro quando disse em voz alta para a senhora minha mãe que gostaria, por favor, de ficar sozinha no meu quarto vendo vídeos do One Direction. O que aconteceu?

Tenho 2005 como referência de pior ano da minha vida. Nele aconteceram várias coisas ruins que tiveram como resultado o fim da vida como eu conhecia até então, naqueles meus onze anos de indústria vital. Eu não tive essa consciência na hora, mas hoje vejo que foi o ano que descobri que não era mais criança. Ou que não podia mais ser criança. Ou que eu não me permitiria mais ser criança. Ou um pouco de tudo isso. O fato é que eu cresci, não era mais criança, e as pessoas ao meu redor diziam o tempo inteiro que eu deveria ser forte. E eu fui. 

Ninguém acredita que eu sou supersticiosa, na verdade eu acho graça da maioria das superstições, mas tenho meu quinhão de superstições nas quais acredito (sol em peixes, lua em virgem). Por causa delas, logo no ano novo eu tive a sensação de que 2015 seria difícil. Não necessariamente ruim, mas difícil. Porque já tinham se passado dez anos desde 2005 e... é, só por isso mesmo. Não faz sentido, eu sei, mas na minha cabeça existe lógica nisso e foi por isso que antes mesmo de 2014 acabar eu pedi força. Força e saúde, está até registrado aqui pra vocês não acharem que eu invento minhas intuições. Que graça. 

Conversando sobre esse ano com a Analu, concluímos duas coisas. A primeira foi que 2015 foi um ano adulto. Eu comecei a trabalhar, por exemplo. Não que já não tivesse trabalhado antes, mas foi minha estreia num ambiente de escritório, corporativo, ao melhor estilo The Office: folhas de ponto, engolir sapo de superiores e fontes, fofocas na copa, nunca mais sair de short e chinelas em dia de semana. Também lidei com a morte de perto, mais perto do que gostaria, e vi que ela é feia e triste. Não existe romantismo nenhum em morrer. Blue Lily, Lily Blue traz uma citação perfeita que diz que até determinado momento Blue Sargent não acreditava na morte, porque achava que ela vinha sempre acompanhada de certa cerimônia, não era uma coisa que simplesmente acontecia. Mas ela acontece, e o momento em que descobrimos isso divide pra sempre a nossa existência: a pessoa que não acreditava e a pessoa que acredita. Em 2015, virei uma pessoa que acredita. 

No meio desse turbilhão, escrevi um livro e uma monografia, dois trabalhos que são tudo de mim, quem eu era e quem eu me tornei em quatro anos de faculdade. Tenho o maior orgulho deles e deixo a modéstia de lado quando conto pra todo mundo como eles foram entusiasticamente elogiados e avaliados, porque foi difícil, custoso, porque eu dei tudo de mim e fico feliz que isso tenha sido reconhecido no final. Em 2015 me formei na faculdade, aluguei apartamentos, casei uma grande amiga (a primeira!), tive encontros com desconhecidos, desbravei Rio e São Paulo sozinha, vivi minhas primeiras entrevistas de emprego, ouvi os primeiros nãos da minha carreira, e pela primeira vez tive a chance de cuidar da minha mãe, que pela primeira vez precisou de verdade que eu cuidasse dela. 

É por isso que escrevi que tinha virado adulta. Ainda moro com meus pais, vivo de um estágio de meio período, não tirei carteira de motorista e Deus me livre dos entregadores de geladeira, mas é como se uma chave interna tivesse se virado aqui dentro. Como em 2005, em 2015 aconteceram coisas que transformaram minha vida em algo totalmente diferente do que eu conhecia até então,  e eu não faço a menor ideia do que vem pela frente. Não tem como passar por tudo isso sendo a mesma pessoa, e esse ano vivi, descobri e senti tantas coisas que é hora de deixar a Anna Vitória adolescente, aquela que nasceu aos onze anos, pra trás - ou melhor, é hora de reconhecer que esses dez anos e tudo que aconteceu nele nos fizeram outra, e é hora de seguir em frente bancando essa nova pessoa.

(Estou fazendo uma força enorme para não falar em crisálidas e borboletas, por favor valorizem isso)

Mas e aquela história de adolescência tardia?, se pergunta o caro leitor atordoado. Pois é, essa foi a segunda coisa que eu e Analu concluímos: 2015 foi um ano muito adulto, mas também foi um ano muito Speak Now. Sim, estou falando de Taylor Swift, mais especificamente seu terceiro álbum, que saiu quando nossa melhor amiga famosa tinha 21 anos (um minuto para absorvermos esse intenso simbolismo). De acordo com as estatísticas foi o disco que mais ouvi em 2015 e foi de propósito que deixei ele de fora da retrospectiva musical do ano. Porque eu não consigo falar sobre o Speak Now sem falar sobre esse ano, e como vocês podem ver essa é uma reflexão que demanda fôlego. Respiremos fundo, então. 

Para mim, o mais importante que pode ser dito a respeito do Speak Now é que ele é o disco da Taylor Swift que vem mais carregado de sentimentos. Eu sei, todo o seu trabalho tem como base os sentimentos, mas esse é mais forte, intenso, imoderado, com pouco espaço para sutilezas ou meias palavras. Quando ela fala de amor, é um amor urgente, que joga tudo pro alto e se beija na calçada, idealiza sem limitespede pelo amor de Deus que seja o único. Quando ela fala de tristeza e coração partido, é uma tristeza resignada, de quem aceita que perdeu, de quem se conforma com o desamparo de um dia ser amada e no outro não mais. Quando ela fala de raiva, ela cita nomes, tripudia, sua vingança brilha como fogos de artifício, chegando ao ponto de ser maldosa. Quando ela fala de realização, ela fala em coroas, glórias, sobre vencer dragões e dominar o mundo

E eu ouvi essas músicas sem parar, me identificando com elas o tempo inteiro.


Foi preciso muita terapia (e aí eu dou créditos a mim mesma e às longas conversas com minhas amigas, a única forma de análise a qual tive contato nesse tempo) para que eu entendesse que lá atrás, em 2005, eu acreditava que crescer e ser forte era parar de sentir. Ou sentir menos. Ou não deixar ninguém ver que eu estava sentindo as coisas, nem eu mesma. Só nos últimos anos que eu percebi a grande besteira que isso era, a começar pelo fato de que hoje vejo que a força vem justamente da vulnerabilidade, de se permitir sentir tudo o que vier. Não é tarefa fácil e ao primeiro sinal de dor nossa reação é querer se fechar numa bolinha e bloquear todas aquelas coisas que estão te transformando numa massaroca disforme de SENTIMENTOS, SENSAÇÕES, CONFLITOS E DÚVIDAS, mas como já disse Jon Foreman, is when you're breaking down, with your insides coming out, that's when you find out what your heart is made of. 

Parece muito bonito, e às vezes é mesmo, mas talvez seja a hora de buscar terapia de verdade, porque eu também tenho limites e testá-los sozinha é exaustivo.

Minha adolescência foi bem normal e eu só fui entender agora aquilo que dizem sobre essa fase da vida em que tudo é descoberta, entramos em conflito com o mundo, sentimos demais, não sabemos direito quem somos, e nossa opinião sobre as coisas e as pessoas mudam. Acho que eu me achava especial demais para passar por um rito tão mundano (ou só era bobinha mesmo e precisei de uns cinco anos a mais para descobrir isso tudo), mas o fato é que tudo isso aconteceu agora. 2015 foi uma montanha-russa emocional e seria injustiça dizer que foi de todo ruim. A metáfora perfeita vem de Harry Potter: em alguns dias, era como se um dementador tivesse me atacado - me sentia drenada de toda a minha energia e era como se eu nunca mais pudesse ser feliz -, em outros me sentia tão absoluta e plenamente feliz que sabia que se em algum momento tivesse que conjurar um patrono, era àquelas memórias e àqueles dias que eu iria recorrer. Que coisa. Que ano.

Como escreveu a Tais em sua linda retrospectiva, o grande feito de 2015 foi me quebrar toda sozinha - para deixar eu me refazer inteira. 

Depois de tudo isso, como escreveu dessa vez a Anne T. Donahue, fica a sensação de que todos nós merecemos 2016 e o que quer que seja que ele tenha para oferecer. Empreguinhos? Romances? Passagens aéreas compradas em dez vezes no cartão? Não gosto de fazer desejos específicos (superstições, superstições), e estando nessa situação de realmente não fazer a menor ideia do que vai ser da minha vida, eu gostaria que 2016 me apresentasse um caminho, já que passei um ano inteiro reconstruindo minhas pernas. 

À nós, um ano de noites mais tranquilas. Tim tim!


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Made In The AM: sentimentos são os únicos fatos

Interrompemos nossa programação anedotária, melancólica e sentimental para uma intervenção necessária à sanidade mental da blogueira que vos escreve. Hoje é segunda-feira e desconfio que ninguém aqui precise do Estado Islâmico, da polícia militar de São Paulo ou da tabela periódica inteira que invade os rios brasileiros para nos matar lentamente. Vamos todos morrer mesmo, e é por isso que hoje, queridos leitores, nós vamos falar sobre One Direction. Me agradeçam depois. 

LOUIS MUITO GATO NESSA CAPA BENZADEUS
Eis que na fatídica sexta-feira 13 nossos meninos lançaram um disco novo, como já tem se tornado uma feliz tradição que ilumina nossos novembros. No entanto, 2015 é diferente: Made In The AM é o primeiro trabalho deles sem nosso coqueluche misterioso Zayn Malik e o último antes do hiatus da banda, que não vai sair em turnê e sabe Deus se algum dia volta. O que penso sobre isso? Assim como o carnaval, toda boyband em seu fim. Foi uma longa e incansável jornada (cinco discos e cinco turnês em cinco anos!), e se Made In The AM for a última novidade que eles tiverem para oferecer ao mundo, arrisco dizer que eles vão embora deixando saudade o bastante para cobrarem preços extorsivos a cada vez que resolverem sair em turnê pelos velhos tempos - afinal, a gente não pode morrer sem ouvir Perfect ao vivo.

Não sei se foi o timing - nunca ouvi tanto pop como em 2015 porque nunca precisei tanto do pop como em 2015 -, o desgaste dos últimos meses, a urgência de sentir aquela felicidade besta e genuína que só uma boyband de meninos lindos e imbecis pode trazer, mas o fato é que a única coisa que posso dizer na forma de uma avaliação prematura é que minha música favorita são todas (MARTINS, Milena. 2015) e feelings are the only facts. Como preciso de mais espaço para compartilhar gifs do Harry Styles, farei aquele faixa a faixa malandro para quem interessar possa, com minhas reações a respeito de cada música desse álbum que já é uma das melhores coisas de 2015, ano oficial da adolescência tardia (por favor, leiam esse texto da Anne T. Donahue explicando por que o dia em que o One Direction e o Justin Bieber lançam um disco é o dia mais importante da nossa vida de escravos do pop).

Querido leitor, deixe seu coração gelado lá fora junto com os sapatos, se aconchegue aqui no sofá, me dê a mão e aproveite a viagem:

1) Hey Angel



Bom, eu vou dizer: essa música é a "Bittersweet Symphony" dos nossos tempos. Não adianta negar, EU SEI que você pensou a mesma coisa e ficou com vergonha de dizer. Vergonha não, receio. Pelo menos foi isso que eu senti logo quando dei play na música e imediatamente comecei a pensar que já tinha ouvido aquilo antes, mas não lembrava onde. Então a cena final de Segundas Intenções veio na minha cabeça e não tinha mais como negar as aparências e disfarçar as evidências. Ainda bem que a Brodie Lancaster percebeu a mesma coisa, e se ela publicou isso na Vulture, meu irmãozinho, o diário virtual So Contagious está autorizado a assinar embaixo.

Esperava que o anjo do título fosse mais um vocativo sapeca pra uma mocinha sortuda? Esperava, mas adorei essa coisa mística acontecendo na letra de uma música com astral perfeito pra abrir um disco.

2) Drag Me Down

NOBODY NOBODY
Então, eu tenho uma relação problemática com essa música. Eu absolutamente ODIEI nas primeiras vezes em que ouvi, e ainda mantenho meu posicionamento de que ela não se parece nada com eles, mas sim com algum hit genérico com feat do David Guetta ou do Calvin Harris. Sempre que escuto a parte do Liam consigo visualizar algum BBB bêbado no fim da festa, pulando sozinho com o braço pra cima. "All my life you stood by me, when no one else was ever behMINHA MÚSICA TE AMO MÃE OBRIGADA BRASIL!!111". Sabe? Dispenso.

No entanto, não sou de ferro: depois de certa insistência, me apeguei. É um hit, afinal, e hits são feitos pra isso: grudar, apesar dos nossos melhores esforços.¯\_(ツ)_/¯

3) Perfect


Esse é o momento em que eu me exalto, porque nenhuma fanfic mental pode ser melhor do que o ponto que "Perfect" adiciona à nossa narrativa da história secreta de Harry Styles e Taylor Swift. É como se tudo que já foi feito e dito até agora fosse uma preparação pro momento em que o Harry diz que é perfeito para uma pessoa que está procurando alguém sobre quem escrever suas músicas de fim de namoro. Tá tudo ali: os encontros secretos (orientação sexual: Harry Styles pronunciando rendez-vous, como bem apontou minha amiga Rafaela Venturim), o mistério, a sedução, a TENSÃO, os sentimentos. Eu não tenho capacidade para lidar com essas informações.

* Eu sei que tem quem defenda toda uma carga LARRY nessa música, mas eu simplesmente não consigo desapegar da minha ideia fixa e não tenho tempo de ficar caçando evidências de outra narrativa de fã então se quiserem resumir nos comentários ficarei bem feliz, mas deixo essa pros jovens.


Apenas contemplem esse mash-up. A cultura pop ela é simplesmente maravilhosa.

Além disso (!), tem o fato de que TODOS

todos mesmo
ESTÃO


EXTREMAMENTE GATOS


NESSE CLIPE


Se eu fosse 10 anos mais nova estaria nesse momento escrevendo uma carta de metro pra cada um deles. Melhor música do meu ano, obrigada One Direction. 



Depois da saraivada de balas oferecida por "Perfect", a gente precisa respirar. "Infinity" faz isso por nós. Não sou a maior fã das baladas do 1D (pasmem!), mas tenho meus momentos. Essa música parece trilha sonora promocional de franquias milionárias, tipo Crepúsculo ou Jogos Vorazes. Já podem negociar com algum blockbuster aí se quiserem fazer um troquinho nas férias - quero minha comissão, tá?

5) End Of The Day


MUITO APEGO por essa canção. Ela tem tudo que eu mais gosto na banda: letra romantiquinha, muito ALTO ASTRAL E SENTIMENTOS E POSITIVIDADE, com selinho FEELINGS ARE THE ONLY FACTS de aprovação. Além disso, musicalmente ela tem uma estrutura interessante, com uma super quebra de ritmo quando entra o refrão. Já ouvi aproximadamente 15 mil vezes e ainda não deixou de ser legal.

YOU AND I CAN STAY AWAKE AND KEEP ON DREAMING
YOU AND I CAN STAY AWAKE AND KEEP ON DREAMING

6) If I Could Fly & 7) Long Way Down


Coloquei as duas juntas porque são duas baladas, e eu sinceramente tenho dificuldade de diferenciar uma da outra. É uma balada. Sentimentos? Gostei bastante das duas, mas estou num momento vulnerável e não se essa opinião se manterá por muito tempo porque REALMENTE não é o tipo de música que eu gosto. "If I Could Fly" parece algo que uma boyband genérica apresentaria no X-Factor, e não sei até que ponto isso é um elogio. "Long Way Down", por sua vez, me lembrou Ed Sheeran. Tema romântico de casal de novela das sete. Façam o que quiser com essa observação.

Mas tô ouvindo, tô curtindo.

8) Never Enough & 9) Olivia


 

Novamente agrupei duas músicas porque elas são MUITO parecidas, poderia quase ser um medley. Mas são duas gêmeas adoráveis e, do fundo do meu coração, é totalmente algo que o Paul McCartney faria. Ou pelo menos músicas que ele gostaria bastante. Abra seu coração, você vai concordar comigo.

"Never Enough" é a cara deles, divertida, chiclete, mas diferente e interessante ao mesmo tempo. Os gritos de "COME OOOOOON" do Liam são preciosos. Já "Olivia" é uma obra de arte. Eu sinceramente queria chamar uma filha de Olivia só pra dar de presente pra ela uma música escrita pelo Harry Styles que diz "I live for you, I long for you, Olivia. I've been idolising the light in your eyes, Olivia". Se você acha que essa música não pertence ao Sgt. Peppers, você não entendeu o Sgt. Peppers - pelo menos não o coração do Paul McCartney contido nele.

10) What a Feeling


Acho que foi a única música que eu realmente não gostei, MAS ESSA SOU EU. Lembrando que odiei Out Of The Woods quando foi lançada e hoje é uma das minhas favoritas do 1989, então podemos sempre contar com um efeito rebote. Por enquanto me parece exatamente o tipo de música que algum deles vai lançar quando resolver sair em carreira solo, os minutos finais de fama antes de morrer ou ir pra Record.

11) Love You Goodbye


Balada cafonérrima. Adorei.

12) I Want To Write You a Song


Essa música me lembra muito "Hey There, Delilah". Coincidência? Acho que não (HAHAHA QUE FASE, LOUIS). Acústica fofinha, gostei.

13) History


Meu Deus, que canção deliciosa. Ela parece parte de um musical, ela pede pelo amor de Deus por uma versão acapella em Pitch Perfect 3. Que delícia. Que vibe boa. Que bombom de maracujá. Quero dar a mão pra eles e cantar isso dançando em roda enquanto aplaudimos o pôr-do-sol na nossa cerimônia de casamento poliamoroso. Quando fizerem um remake de Curtindo a Vida Adoidado em 2035 eu tenho certeza que o Ferris vai cantar History no meio do desfile em Chicago.

14) Temporary Fix 


OLHA SÓ ESSES DANADINHOS, cheios de segundas, terceiras e quartas intenções. Tell me about waking up in my t-shirt, let me be your goodnight, climb over me while I climb in the backseat, LET ME TOUCH YOU WHERE YOUR HEART IS. Acho que ouvir isso vai causar nas pré-adolescentes o mesmo estrago que Enrosca na versão do Júnior provocou em mim. ¯\_(ツ)_/¯

Além da safadeza a música é ótima, divertida e cativante, não sei por que eles deixaram como faixa bônus.

15) Walking In The Wind

Bem bônus track mesmo, dessas que você nem percebe que o CD ainda tá tocando e pensa se o player já começou uma aleatória. Desculpa.

16) Wolves 

Toda uma coisa Electric Light Orchestra acontecendo, ou qualquer banda goodvibes dos anos 70 (que acontece em vários momentos do disco, aliás). Apesar disso, não me provocou nenhuma paixão especial.

17) A.M


Juro que isso não sou eu forçando a barra, mas é uma música muito Taylor Swift. Ela poderia facilmente estar no Red, ali nas faixas finais. É uma letra cheia de imagens, conversas na madrugada, nostalgia, e don't wanna sleep 'cause we're dreaming out loud é tão típico de Taylorene que poderia jurar que tinha uma colaboração envolvida. Mas com isso não quero dizer nada, até porque ela parece falar mais sobre amizade e a própria história dos meninos do que qualquer outra coisa. É só uma pequena e inocente observação.

E com isso concluo essa extensa avaliação. De um modo geral, gostei MUITO do disco, as músicas boas são realmente muito boas, e as mais ou menos são boas o bastante pra vencerem a preguiça de mudar de faixa. Peço perdão por todos os limites ultrapassados nesse post, e em breve voltamos com a programação normal.

Pela atenção, muito obrigada.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Estive em 1989 com o Ryan Adams e conto o que ouvimos juntos

Então o Ryan Adams regravou todo o 1989. Da Taylor Swift. O Ryan Adams. 

Não satisfeito, ele foi além: quando divulgou seu novo projeto, Ryan Adams disse que seu 1989 seria gravado "ao estilo de The Smiths", mas também inspirado no Nebraska, do Bruce Springsteen.  Parecia uma ideia péssima - logo, fiquei obcecada imediatamente.


Aos não iniciados, um pequeno contexto: quem é Ryan Adams, de onde ele vem, do que ele se alimenta? Bom, como ele próprio se define, Ryan Adams é aquele cara esquisito que resolveu regravar "Wonderwall" pra colocar no próprio disco. Foi assim que a gente se conheceu. O cover dele pra música do Oasis toca num episódio da primeira temporada de The O.C., um dos meus preferidos, aquele do dia dos namorados que termina com Seth e Summer dançando no quarto. Eu sei praticamente todas as falas desse episódio, principalmente dessa cena. Acompanhem comigo:

- You're so cheesy, Cohen!
- C'mon, I'm sweeping you off your feet

- Well, the sad part is you kind of are
(ALL THE FEELS)

Estou divagando. Voltemos ao Ryan Adams: coincidentemente ou não, o episódio se chama The Heartbreak, que é (quase) o nome de um dos discos do Ryan Adams. Aliás, o nome dos seus discos diz muito sobre a pessoa do Ryan Adams: Heartbreaker. Love Is Hell. Ele também é ótimo pra dar nome às suas músicas, vide "To Be Young (Is to be Sad, Is to be High" (good vibes) ou "Damn, Sam (I Love a Woman That Rains)". Eu amo uma mulher que chove, meu Deus!!! A gente precisa respeitar esse cara. O som dele é meio folk, country alternativo, sei lá, gêneros não são caixas fechadas, definir-se é limitar-se, etc. O importante é que ele tem esse pé no country, e o que esses cowboys sabem fazer é sofrer.

If all this love is real, how will we know?
If we're only scared of losing it, how will it last?
{If I'm a Stranger - Ryan Adams}

O Ryan Adams também está na trilha sonora mais importante de todos os tempos, que, coincidência ou não, é a minha favorita: falo, obviamente, de Elizabethtown. Ryan Adams contribui com o filme com a música "Come Pick Me Up", que toca quando a Claire e o Drew passam a noite inteira falando no telefone. 

MOMENTOS
Bom, como se não bastasse estar intimamente ligado ao meu seriado e ao meu filme preferido, o Ryan Adams produziu o disco mais recente da Jenny Lewis, minha cantora favorita, do qual eu já falei bastante por aqui. Sim, os riffs de "She's Not Me" são dele. Apreciem comigo:


Depois dessas evidências deu pra perceber que eu tenho um carinho nada gratuito pelo Ryan Adams. Eu gosto dele de verdade, acho gente boa, adoro o sofrimento brejeiro e sei apreciar um cara que sofre sem medo de ser infeliz e deixar que todo mundo saiba disso. Ele, inclusive, foi casado com a Mandy Moore, e a inspiração para gravar o 1989 veio do divórcio (parei por um momento para pesquisar sobre os dois e agora estou sofrendo com o fim de um relacionamento que até algumas semanas atrás eu nem sabia que existia). Sozinho pela primeira vez em seis anos para as festas de Natal e Ano Novo, ele enxergou uma luz nas músicas da Taylor Swift. Sua justificativa para regravar o manifesto pop da nossa melhor amiga famosa foi que, embora ele tenha achado o álbum perfeito (palavras dele, não minhas), ele sentiu que tinha algo a contribuir. Em músicas tão iluminadas e cheias de vigor, esperança, poder e juventude, ele encontrou umas notas tristes que quis explorar.

Então, com sua jaquetinha jeans, seus braços cheios de pulseiras e seu cabelo bagunçado de garoto de 15 anos, Ryan Adams, sem saber que era impossível, foi lá e fez - ou pelo menos tentou de verdade. Sei lá, eu queria um globinho de neve com o Ryan Adams dentro pra ficar balançando enquanto ele sofre e toca guitarra.

"Love is hell" ADAMS, Ryan.
Depois de uma longa espera (mentira, ele gravou isso num tempo ridículo), a pergunta que fica é: PRESTOU? Antes de responder, queria fazer algumas considerações. A primeira é que eu amo covers e isso me faz gostar automaticamente do projeto. Gosto porque acho muito interessante como uma mesma música pode soar totalmente diferente dependendo da perspectiva de quem canta. Ver o Ryan Adams interpretando Taylor Swift é duplamente interessante porque os dois vem do mesmo lugar - o country -, mas se encontram num momento totalmente diferente agora. O 1989 é o primeiro disco declaradamente pop de Taytay, e ouvi-lo através do Ryan Adams é uma forma de sabermos como ele soaria se ela ainda ostentasse a cabeleira cacheada e não tivesse trocado os vestidos rodados e o jeans rasgado por hot pants e blusas com barriga de fora.

Por outro lado, eu realmente odeio essa tendência em que artistas """sérios""" regravam músicas pop, às vezes ironicamente, com uma condescendência ridícula de quem acha que pode validar o coleguinha, acreditando que é superior só porque não é pop. Aliás, superem o pop - acho muito mais genuíno do que esses acústicos de voz rouca que não dizem absolutamente nada, só transformam as músicas dos outros (que, como em todos os outros gêneros, possui exemplares autênticos e outros enlatados) numa mesma coisa e ainda por cima tratam o trabalho alheio, por mais questionável que seja, com desrespeito. Superem.


Não acho que a ideia do Ryan Adams fosse fazer sua versão séria com selo de qualidade musical do 1989, muito menos que sua intenção fosse mostrar que olha, apesar de ser um disco pop feito por uma garota, as músicas são até que boas e vou provar isso pra vocês. Não. Achei muito genuíno tudo que ele disse sobre a Taylor e suas músicas, e acredito de verdade que seu 1989 vem de uma posição de admiração, respeito, e, principalmente, identificação - os pontos fortes do trabalho que a Taylor Swift consegue fazer. Palavras dele, não minhas: "De compositor para compositor, eu acho que ela é extraordinária. Ela trabalha duro e é realmente uma boa pessoa, e eu a admiro pra caramba. Muito disso veio do fato de eu amar não apenas seus discos, mas sua voz na música - e querer me perder nisso. E eu amo essas músicas e pensei que elas poderiam me levar a uma jornada.".

O problema é que as pessoas, meu Deus, AS PESSOAS. O disco mal saiu e já bateu errado, porque a maioria das coisas que li a respeito do disco - e olha que eu tenho um empenho pra fazer clipping de coisas relacionadas a Taylor Swift que eu não tenho nem com meu TCC - estão tratando o trabalho do Ryan Adams como a versão da Taylor Swift que elas finalmente podem admitir que gostam. Ele, o cara do country, o cara sério da guitarra e das músicas tristes, foi o salvador da pátria que corrigiu tudo que estava de errado, colocou seu selo de qualidade, e agora as donzelas podem sair da sua torre de marfim e ouvir o resultado - só pra dizer que olha, ouvindo desse jeito até que presta, sim. 


A Folha de São Paulo, no texto mais babaca e esnobe que li em muito tempo, disse que Ryan Adams "converteu Taylor Swift em gênio" ao despir suas músicas da embalagem pop pasteurizada e descartável, pra revelar que por trás de tudo ela sabe, sim, escrever. Amigo, só não sabia disso quem é limitado o bastante pra descartar um álbum só porque é pop feito por uma garota. O Mary Sue fez um paralelo bacana que eu concordo demais: não coincidência que a música pop seja considerada inferior ou superficial justamente por ser um terreno dominado majoritariamente por mulheres. É como a "literatura feminina", ou chick-lit, vista como entretenimento vazio, uma coisa bobinha para passar o tempo, porque uma mulher não pode escrever algo genuíno, de qualidade, se está escrevendo sobre seus sentimentos com bom humor - isso só se torna genuíno e digno de nota quando chega um cara com sua guitarra e com sua voz rouca e repete as suas palavras.

'Cuz darling I'm a nightmare dressed like a daydream
Porque o 1989 (eu fiz um faixa a faixa em outubro, lembra?) é isso: de novo, Taylor Swift está escrevendo sobre sua vida, suas experiências e abrindo o coração. A diferença desse disco pros outros é que dessa vez ela fala de um lugar mais empoderado, em que o amor não é mais eterno, o coração partido foi guardado numa gaveta, e ela se descobriu feliz num mundo em que não está apaixonada. Ela pisca o olho na cara de quem ouve, rebola diante dos críticos e faz piadas com a imagem que a mídia constrói dela. Ela é dona do mundo - e da própria vida - e sabe disso, celebra isso. E é por isso que o 1989 é pop em sua essência: alto, vibrante, virtuoso e divertido.

E é por isso que o Ryan Adams - embora tenha tentado, tentando com afinco, e tentando bonito - não vai chegar lá, e ele também sabe disso, celebra isso. Seu objetivo não é melhorar ou corrigir o álbum, mas sim oferecer seu ponto de vista e mostrar de que modo aquelas músicas conversaram com ele, e aí sim é mágico ver como uma mudança de perspectiva altera absolutamente tudo. Pessoalmente, não gostei de "Blank Space", muito menos de "Out of the Woods", mas achei incrível como na voz dele as músicas contam uma história completamente diferente. Taylor faz graça da sua lista de ex-namorados, Ryan Adams lamenta todos os corações que já quebrou, e todas as vezes que o seu foi quebrado. Taylor se joga numa relação incerta, mas se empolga com isso e vê uma saída no meio das árvores, enquanto Ryan aceita que não há nenhuma saída e talvez as árvores sejam mesmo os seus monstros.


Os pontos altos pra mim estão em "Style" (onde ele substitui "James Dean daydream look in your eyes" por "Daydream Nation look in your eyes", em referência ao disco do Sonic Youth), "All You Had To Do Was Stay" e "Wildest Dreams". Eu adoro como as músicas ainda mantém aquele feeling dos anos 80, essencial ao espírito do disco, mas de um lugar completamente diferente. Consigo ouvir elas tocando num filme John Hughes com muita facilidade. Realmente repudiei "Shake It Off" e acho que fui a única, mas realmente não consigo ouvir a versão sem imaginar o Ryan Adams como um tio estranho e tarado tentando falar a língua dos jovens para dar em cima das amigas da sobrinha.

Como o Stereogum colocou muito bem (a resenha deles está impecável, não deixem de ler), o que estamos ouvindo é um exercício pessoal de escrita, onde um compositor desconstrói e reconstrói o trabalho de outro para tentar entender e aprender com seu processo. Mas, ao mesmo tempo, we’re hearing a sad, lonely middle-aged man attempting to reckon, for maybe the first time, that he’s become a sad, lonely middle-aged man, and using the songs of Taylor Swift as a vehicle to do it. There’s something beautiful about that.



Eu já disse isso algumas vezes, mas o que eu mais gosto no trabalho da Taylor Swift é que ela consegue falar de coisas infinitamente pessoais e transformá-la em sentimentos universais que, quando atingem o ouvinte, se transformam em algo infinitamente pessoal - e nosso. Eu e Ryan Adams já descobrimos isso, e queria que mais pessoas pudessem ver isso também.

Alguns links para saber (e ouvir) mais:

  • Avaliação prematura que o Stereogum fez sobre o disco, e a melhor coisa que li até agora sobre ele. Queria dormir de conchinha com esse texto porque além dele chamar de psicopatas as pessoas do culto a caras-tristes-com-suas-guitarras-fazendo-cover-irônico-de-música-pop, ele ainda é um exemplo incrível de como uma resenha pode ser ao mesmo tempo lúcida, coerente e entusiasmada;
  • O A.V. Club também escreveu um texto bem bacana a respeito;
  • A New Yorker também;
  • Já indiquei o do Mary Sue também, mas vou indicar de novo porque é muito bom;
  • Entrevista bem legal e completa com o Ryan Adams sobre o projeto, com muitas coisas bacanas sobre processo criativo e composição;
  • 5 covers de músicas da Taylor Swift feita por artistas improváveis (gosto muito da do Vaccines pra "We're Never Ever Getting Back Together", que acaba sendo muito parecida com a que a Taylor está fazendo na tour 1989, e a do Screaming Females pra "Shake It Off" é diferente de tudo que eu poderia imaginar e acho que dá surpreendentemente certo);
> Perdão pela overdose de links em inglês, mas a imprensa nacional não está nem um tico interessada no assunto como nossos amigos gringos estão - e quando se interessam, é pra falar merda.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Long list of ex-lovers

Defendo muito a tese de que, ao contrário do que muitos adoram dizer por aí, as músicas sobre amor da Taylor Swift são sempre muito mais sobre ela do que a respeito de qualquer outra pessoa, principalmente os caras. Já falei sobre isso aqui numa outra oportunidade, e a Tavi Gevinson já falou sobre isso muito melhor que eu num artigo pra revista The Believer. 

Ela escreveu e eu cito: 

"As Tay quoted Neruda in her Red liner notes, “Love is so short, forgetting is so long.” This is basic Nabokov shit, right? Everything hits harder in memory. Everything changes color. Her first album will tell you she is a natural crusher, daydreamer, hopeless romantic. Obsessing over the briefest of encounters is what we do. She was just born to translate it for millions of people. (...)
I don’t care that her relationships aren’t long-term—she’s a little busy running a goddamn empire! I don’t care if she only dates guys to write songs about them, like people say—she dates people, she writes songs about her life, naturally many of these songs are about people she’s dated, and many of them aren’t, as well. Mostly, basically: I DON’T CARE, I LOVE IT."

Tendo estabelecido meu ponto, preciso admitir que a narrativa midiática da vida pessoal da Taylor Swift é por demais irresistível pra gente deixar passar. Sim, é muito mais sobre ela, mas isso não me impede de dedicar muito tempo pensando a respeito da sua vida amorosa, certo? Até porque se as músicas não fossem tão boas em captar momentos e imagens, a gente não estaria fazendo isso. A culpa não é minha que a vida da pessoa é uma fanfiction pronta pra ser escrita. Tenho certeza que no meu lugar ela faria a mesma coisa. 

É por isso que hoje vou fazer uma análise definitiva de toda sua long list of ex-lovers, e a gente vai viver esse momento como se estivéssemos numa grande festa do pijama, comendo cookies, ouvindo Faith Hill and making fun of our exes. Essa é uma daquelas noites. Me deem a mão e vamos lá:

Joe Jonas



O que sabemos sobre ele? Ex-Jonas Brothers - nem o mais bonito e nem o mais interessante -, fazia chapinha na época em que eles namoravam.

Altura: 1,70m

O que aconteceu? Terminou com ela por telefone numa ligação de menos de trinta segundos.

Música tema: Forever & Always. 

São questões: O que diabos faz Joe Jonas como novo membro do squad de Taylor, passando o 4 de julho na casa dela, viajando pra Londres e namorando Gigi Hadid, uma de suas migas? Jamais entenderei esse paradigma e essa evolução espiritual. Vocês recomendariam pra uma amiga um cara te disse "forever and always", te deu o pé por telefone e te desgraçou tanto as ideias que te fez escrever uma música equivocada pela qual você é crucificada até hoje? São questões.

Veredicto: Merece nosso desprezo eterno porque não se dispensa nem Taylor Swift nem pessoa alguma por telefone, ainda mais sendo você Joe Jonas, uma criatura de 1, 70m de chapinha no cabelo. Taylor pode ter perdoado, partindo da filosofia de que a gente não lembra pra sempre do cara que terminou com a gente por telefone aos 18 anos, mas pode ter certeza que eu não esqueço. 


"Oh, and it rains in your bedroom, everything is wrong. It rains when you're here and it rains when you're gone. Cause I was there when you said forever and always. You didn't mean it baby, I don't think so"

Taylor Lautner

ele tem uma carinha boa, né?
O que sabemos sobre ele? Pra sempre será lembrado ou como o mala do Jacob, de Crepúsculo, ou como o eterno Sharkboy de Sharkboy & Lavagirl (o tipo de filme que não dá pra desver). Sério, eu olho pra cara dele e não consigo pensar em nada além do Sharkboy.

Altura: 1,74m

O que aconteceu? Especula-se que Taylor-macho gostava de Taylor-fêmea muito mais do que ela estava pronta para retribuir, e como boa melhor amiga famosa da minha pessoa que ela é, a querida deu o pé no moço, fugiu pras montanhas e depois aparentemente se arrependeu. 

Música tema: Back To December

São questões: Especula-se (veja bem, metade das informações contidas nesse post são provenientes de especulações) que Taylor Lautner seja um dos poucos (se não for o único) ex famoso com quem Taylorene mantém uma relação amigável. Apesar de ter rolado aquela indiretinha do "too late to apologize" no AMA, ele é gente fina e não guardou mágoas. A pergunta que não quer calar é: Taytay realmente queria ele de volta, como diz em Back To December, ou aquela saudade da pele morena e o pedido pra amá-lo de volta foi um exagero para efeitos poéticos? São questões.

Veredicto: Eu absolutamente não tenho motivo nenhum pra não gostar do moço a não ser o fato de que eu olho pra cara dele e vejo, isso mesmo, o Sharkboy. E na boa, eu jamais conseguiria ficar com um cara que parece o Sharkboy, tem o mesmo nome que eu e ainda por cima é baixinho. 


"And then the cold came, with the dark days when the fear crept into my mind. You gave me all your love and all I gave you was goodbye"

John Mayer


O que sabemos sobre ele? Músico vaidoso que não sabe a hora de parar o solo e parece sempre transar com a guitarra (ou seja, com ele mesmo) durante os shows, voz doce, jeitinho com as palavras, ultimate Homenzinho de Merda™.

Altura: 1,91m (!)

O que aconteceu? O segundo J da vida de Taylor Alison Swift fez estrago viu. Não mais que o terceiro (spoiler alert), mas ainda assim. Foi feio. A gente entende: Taylor, uma jovem de 19 anos que ama música country, vai cantar com o John, daquela altura, com aquele braço cheio de tatuagens, aquele jeitão de brejo de butique. A gente te entende amiga. Mas deu a lógica, né? You should've known, mas quem nunca?

Música tema: Dear John (eu gosto que a Taylor Swift é acima de tudo sutil)

São questões: Será se ele não teve um pingo de vergonha de fazer o coitado e dizer que ficou humilhado pela música (amigo, é LÓGICO que você foi humilhado, mas seje menas), e será se ele acreditou mesmo que Paper Doll era uma resposta à altura? São questões.

Veredicto: Tava na cara que isso ia dar merda, até a Taylor sabia, mas Lorelai Gilmore já nos ensinou que sempre chega a hora de termos um bad boy nas nossas vidas. John foi o de Taylor. E acho que Dear John é tão maravilhosa que vale por tudo que ele fez. Sério. O que são os fogos de artifício sincronizados com a música na hora do show?

Trívia: eu não gostava dessa música, até que uma performance apaixonada da Milena e da Analu fez com que eu revisse todos os meus conceitos e entendesse a profundidade do drama.


"But I took your matches before fire could catch me, so don't look now. I'm shining like fireworks over your sad empty town"

Jake Gyllenhaal


O que sabemos sobre ele? Grande amor da vida de Taylor Swift, Jake é um Homem. Um grande homem. Um homem indicado ao Oscar, que colhe maçãs e dança de madrugada na cozinha à luz da geladeira. 

Altura: 1,82m

O que aconteceu? Depois de levar Taylor para conhecer sua família e passear na casa da sua irmã (um final de ano que nós jamais esqueceremos), Jake fez um estrago. Isso aqui foi amor verdadeiro, foi doído, foi profundo, foi misterioso. Especula-se que ele foi o primeiro homem na vida de nossa amiga (vocês me entenderam) e que ele terminou com ela de um jeito escroto, deixando a moça chorando no banheiro no dia da sua festa de aniversário. 

Música tema: Todas, mas principalmente e inesquecivelmente All Too Well (depois The Moment I Knew, State of Grace? We Are Never Ever Getting Back Together? Red? Todas?)

São questões: Como eles se conheceram? Como isso começou? O que diabos Jake teria dito que foi so casually cruel in the name of being honest a ponto de quebrar Taylor como uma promessa e deixá-la se sentindo como um papel amassado? Será mesmo que ele deu o bolo na sua festa de aniversário? Seria real a história do cachecol esquecido? Será que até hoje ele tem o cachecol na gaveta? O que ele sente quando ouve qualquer música do Red? SERÁ QUE ELE SE LEMBRA DE TUDO, TUDO, MUITO BEM? São muitas questões.

Veredicto: Olha. Foi bonito, foi intenso, foi dolorido, foi real e foi necessário. Jake foi aquele cara que mudou tudo, que separou a menina da mulher: aquela paixão intensa, o amor profundo, aquele cara que olha nos seus olhos e faz você ter certeza que vocês vão se casar e ser felizes um dia, aquela decepção tão violenta e profunda que ou mata ou fortalece. E Taylor se fortaleceu. Ela aprendeu a lição. Ela gravou a obra-prima da vida dela por conta do Jake Gyllenhaal então, assim, foi difícil, mas valeu a pena (ê ê). 


"And you called me up again just to break me like a promise, so casually cruel in the name of being honest. I'm a crumpled up piece of paper lying here cause I remember it all... all... all too well"

Conor Kennedy


O que sabemos sobre ele? Numa busca rápida pelo nome de Conor Kennedy no Google, a primeira página de resultados são só a respeito dele com a Taylor Swift. Quando prosseguimos para a página 2, as notícias sobre ele tem a ver com a sua linhagem familiar. Então sim, dá pra dizer que as únicas coisas interessantes sobre esse garoto são que 1) ele já namorou a Taylor e 2) ele é um Kennedy.

Altura: 1,87m

O que aconteceu? Depois de uma temporada no retiro de veraneio do clã Kennedy em Hyannis Port, depois de Taylor Swift fazer a psicopata e comprar imóveis e fazer outras extravagâncias para ficar perto do novinho, o namoro acabou sem grandes dramas, por conta da distância.

Música tema: Begin Again? Everything Has Changed? Ela também escreveu Starlight, uma música fofíssima, para a avó dele.

São questões: O que a Taylor Swift viu nesse cara? São questões.

Veredicto: Aquela coisa, né, eu gosto muito de Begin Again e vários lugares dizem que a música é pra ele. Veio depois do Jake, o cara novinho, encantado, deve ter tratado ela super bem (ele é um Kennedy, after all), liberado os saltos, puxado a cadeira, ter bom papo mas é isos. Puf. Cabô.


"I've been spending the last eight months thinking all love ever does is break, and burn and end. But on a wednesday, in a cafe, I watched it begin again"

Harry Styles



O que sabemos sobre ele? Harry é membro do One Direction, fica lindo com qualquer tipo de cabelo, é o xodó das velhinhas frequentadoras de padaria, consegue sexy com as camisas mais feias do universo e tem as melhores tatuagens misteriosas de todos os tempos.

Altura: 1,80m

O que aconteceu? Confesso que não sei bem os detalhes. Foi tão pouco tempo, né? A verdade é que nenhuma versão da vida real vai ser igual a versão desse romance que existe na minha cabeça, cheia de mistério, paixões avassaladoras, e encontros furtivos em lugares escuros.
 
Música tema: I Knew You Were Trouble, Style (risos), Out Of The Woods, Wildest Dreams? I Know Places? O 1989 inteiro?

São questões: Escreverei algum dia uma fanfiction que conta a história dos dois que existe na minha cabeça? Mais importante ainda: esse romance já deu tudo o que tinha que dar? Será que ainda rende mais? O Harry esqueceu a Taylor? A Taylor esqueceu o Harry? Eu acho que não. São questões.

Veredicto: Quero.


"He said 'what you heard is true but I can't stop thinking about you" and I, I said 'I've been there too, a few times'"

Bônus: Calvin Harris


O que sabemos sobre ele? When I met you in the summerrrrROIIINC

Altura: 1,96m (!)

O que aconteceu? Por enquanto, nada, só muitas demonstrações públicas de afeto e Calvin se metendo numa treta com Zayn Malik pra supostamente defender a honra da Taylor (?).

Música tema: Por enquanto nenhuma.

São questões: É namoro ou publicidade? Seria ele um Homenzinho de Merda™? E a história com a Ellie Goulding? Será que é sério mesmo isso? São questões.

Veredicto: Calvin Harris não me parece o típico boy swíftico, a impressão que tenho é que ele é a materialização da filosofia de I can make the bad guys good for a weekend, sabe? Esse jeitão de férias em Ibiza não me parece o tipo de homem que inspiraria um bom disco. Vê lá se Calvin Harris tem cara de quem dança na cozinha. Não tem.