Parte 2
Parte 1: aqui!
No início de 2010 ninguém lembrava de Pelicana. Na verdade, ninguém se lembrava de praticamente nada relacionado a escola, uma vez que aquelas haviam sido uma das melhores férias de todos os tempos; ou dependendo do referencial, o ano anterior havia sido o mais infernalmente corrido em termos escolares. Fato é que ninguém estava afim de aula. Um belo dia, um Lucas muito saltitante tira algo do estojo e mostra radiante aos seus amigos: "Olha o que eu comprei, uma Pelicana!!!!". O regozijo foi intenso, afinal ninguém se lembrava mais como era uma Pelicana bela e plena, sem pedaços faltando. Um minuto de silêncio se sucedeu quando Naná, que permanecia traumatizada pelo fim trágico que levara sua querida borracha, retirou do estojo a coisa disforme e pequena que restara da Pelicana-mor.
Ficou acordado que a nova borracha poderia levar o nome de Pelicana, só que a antiga, a sofrida, a pobre Pelicana anciã deveria ser sempre lembrada como precursora da dinastia Pelicana, sendo logo promovida a Pelicana Mãe.
Mas, como diz o ditado, alegria de pobre dura pouco: "CADÊ A PELICANA?!! O QUE VOCÊS FIZERAM COM A PELICANA?????!!!!" berrava Lucas enquanto revirava repetitivamente seu estojo (que na verdade é um case de PSP onde ele também carrega lápis e caneta), sua pasta, seus bolsos.
Uma vez que todo o grupo era formado por crianças de oito anos aprisionadas em corpos de adolescentes de dezesseis, Lucas logo iniciou suas acusações, já que um dos passatempos mais corriqueiros observado nesse grupo de pessoas é pegar as coisas dos coleguinhas e esconder, just to the hell of it, como diria Holden Caulfield. O primeiro acusado fora GOX, vulgarmente conhecido como Filipe, sem nenhum motivo aparente. Ofendido com as acusações iniciou um intenso bate-boca com Lucas, o Chato, já que é de hábito desse estudante obcecado por bochechas perder suas coisas, ou simplesmente esquecê-las em casa, e acusar seus pobres amigos de roubo. GOX logo fora absolvido e retornou a sua cantoria solitária de músicas traduzidas de Lady Gaga, enquanto Lucas, imerso em uma fúria de titã, voltou-se para Matheus, um habitué no que diz respeito a roubar coisas dos outros, que detem a posse da uma caneta vermelha da sofrida Anna Vitória; a cara de pau dele é tamanha que falando ele até a convence de que a caneta sempre fora dele, e quem quer roubar, no caso, é ela. Pobre Anna Vitória!
No frigir dos ovos, todas as mochilas foram reviradas, no estojo de Matheus apenas fora encontrado um lápis de escrever de Naná; nas coisas de Naná não havia nada demais, só uma pequena bolsa cor-de-rosa onde se encontravam um espelho, anti-ácidos e fósforos; na bolsa mágica de Anna Vitória pôneys coloridos saltaram, enfeitiçando a todos com muito amor; e nas coisas de Sofia haviam apenas alguns desenhos de girassóis; já na de Caio, depois do incidente com as velas, ninguém se arriscou a mexer. De Pelicana, nada, só a triste e breve lembrança.
Foi uma semana difícil para Lucas. Desolado e solitário na Barreto's Mansion ele andava, cantarolando baixinho "Vento no Litoral" e se lembrando dos fugazes e intensos momentos que passara com Pelicana, "olha só o que eu achei... cavalos marinhos..." e via a ele mesmo desenhando cavalos marinheiros na parede da sala de cinema, e apagando-os com facilidade ímpar com a potente Pelicana.
Ele que não sabia que todo esse sofrimento seria recompensado pelo triunfal reencontro...
(continua...)
Parte 1: aqui!
No início de 2010 ninguém lembrava de Pelicana. Na verdade, ninguém se lembrava de praticamente nada relacionado a escola, uma vez que aquelas haviam sido uma das melhores férias de todos os tempos; ou dependendo do referencial, o ano anterior havia sido o mais infernalmente corrido em termos escolares. Fato é que ninguém estava afim de aula. Um belo dia, um Lucas muito saltitante tira algo do estojo e mostra radiante aos seus amigos: "Olha o que eu comprei, uma Pelicana!!!!". O regozijo foi intenso, afinal ninguém se lembrava mais como era uma Pelicana bela e plena, sem pedaços faltando. Um minuto de silêncio se sucedeu quando Naná, que permanecia traumatizada pelo fim trágico que levara sua querida borracha, retirou do estojo a coisa disforme e pequena que restara da Pelicana-mor.
Ficou acordado que a nova borracha poderia levar o nome de Pelicana, só que a antiga, a sofrida, a pobre Pelicana anciã deveria ser sempre lembrada como precursora da dinastia Pelicana, sendo logo promovida a Pelicana Mãe.
Mas, como diz o ditado, alegria de pobre dura pouco: "CADÊ A PELICANA?!! O QUE VOCÊS FIZERAM COM A PELICANA?????!!!!" berrava Lucas enquanto revirava repetitivamente seu estojo (que na verdade é um case de PSP onde ele também carrega lápis e caneta), sua pasta, seus bolsos.
Uma vez que todo o grupo era formado por crianças de oito anos aprisionadas em corpos de adolescentes de dezesseis, Lucas logo iniciou suas acusações, já que um dos passatempos mais corriqueiros observado nesse grupo de pessoas é pegar as coisas dos coleguinhas e esconder, just to the hell of it, como diria Holden Caulfield. O primeiro acusado fora GOX, vulgarmente conhecido como Filipe, sem nenhum motivo aparente. Ofendido com as acusações iniciou um intenso bate-boca com Lucas, o Chato, já que é de hábito desse estudante obcecado por bochechas perder suas coisas, ou simplesmente esquecê-las em casa, e acusar seus pobres amigos de roubo. GOX logo fora absolvido e retornou a sua cantoria solitária de músicas traduzidas de Lady Gaga, enquanto Lucas, imerso em uma fúria de titã, voltou-se para Matheus, um habitué no que diz respeito a roubar coisas dos outros, que detem a posse da uma caneta vermelha da sofrida Anna Vitória; a cara de pau dele é tamanha que falando ele até a convence de que a caneta sempre fora dele, e quem quer roubar, no caso, é ela. Pobre Anna Vitória!
No frigir dos ovos, todas as mochilas foram reviradas, no estojo de Matheus apenas fora encontrado um lápis de escrever de Naná; nas coisas de Naná não havia nada demais, só uma pequena bolsa cor-de-rosa onde se encontravam um espelho, anti-ácidos e fósforos; na bolsa mágica de Anna Vitória pôneys coloridos saltaram, enfeitiçando a todos com muito amor; e nas coisas de Sofia haviam apenas alguns desenhos de girassóis; já na de Caio, depois do incidente com as velas, ninguém se arriscou a mexer. De Pelicana, nada, só a triste e breve lembrança.
Foi uma semana difícil para Lucas. Desolado e solitário na Barreto's Mansion ele andava, cantarolando baixinho "Vento no Litoral" e se lembrando dos fugazes e intensos momentos que passara com Pelicana, "olha só o que eu achei... cavalos marinhos..." e via a ele mesmo desenhando cavalos marinheiros na parede da sala de cinema, e apagando-os com facilidade ímpar com a potente Pelicana.
Ele que não sabia que todo esse sofrimento seria recompensado pelo triunfal reencontro...
(continua...)