quarta-feira, 2 de junho de 2010

Piscina, margarina, Carolina, gasolina


Você sabe que encontra uma pessoa pra confiar pelo resto da vida quando ela sabe cantar "Inesquecível" inteira, e "Baby" é uma de suas músicas favoritas. Ainda mais quando você descobre que ela é fã incondicional do Chico Buarque, do Vinícius de Moraes e do Fred Astaire. E você pode ter certeza que nunca pode deixar que ela saia da sua vida quando, ao ouvir pela primeira vez a história da Pôneylândia, ela não ri da sua cara ou te acha idiota, mas quer ser um pôney logo de cara.

Conheci a Sofia há muitos anos atrás, no tempo que eu passava minhas manhãs na academia de dança me revezando entre aulas de ballet e sapateado, e ela também. A vida, essa coisa faceira, fez com que nos encontrássemos novamente ano passado, perdidas naquela escola enorme e muitas pessoas desconhecidas, sentindo-nos oprimidas até não poder mais. A gente adora brincar que naquele pseudo-Upper East Side que é a escola, estamos na base, da base, da base da pirâmide social, afogadas na lama com nossos moletons, meias coloridas, comportamento autista diante de coisas banais, risadas histéricas em momentos impróprios ("Anna, é o Snape!") e euforia declarada quando no recreio toca Chico Buarque.

A minha querida Sofia-com-uma-flor sou eu mais rock'n'roll, mais contestadora e mil vezes melhor em exatas. Nos identificamos tanto e nos damos tão bem que não é raro ler um dos belíssimos textos que ela escreve, e passar por vários trechos e ter certeza absoluta que eu poderia ter escrito aquilo sem medo de mentir, porque sinto igual. Queria ter mais dessa força dela de não ter medo de dar a cara a tapa, e não abaixar tanto a cabeça para aquilo que eu sei que está errado, mas me calo porque sempre foi assim. É essa Sofia teimosa e guerreira que eu tanto admiro, essa Sofia filósofa e autora de textos tão sinceros, verdadeiros e intensos.

Sori-Soft querida, no seu aniversário (que é amanhã, mas sou teimosa e postei hoje), desejo um horizonte de felicidade para você. E você bem sabe o quanto eu digo isso com toda a vontade do mundo. Lembro agora de uma frase que é até xula, mas que te descreve muito, "companheiro é companheiro, filho da puta é filho da puta". Minha sempre presente companheira, para ver filme de terror, para ver filmes flopados, para inventar projetos, para cantar o dia inteiro, para compartilhar livros e filmes e músicas, para dançar enlouquecidas "Like a Rolling Stone" na sacada da escola e não esconder a revolta quando trocam nosso Bob Dylan por Lady Gaga, ainda que o mundo inteiro nos ache bizarras por isso.

E damos risada do grande amor... mentira?