Acho que pela primeira vez na vida assisti a um Harry Potter no cinema sem meus amigos. Como estava em São Paulo perdi metade de toda a diversão que é um novo filme do Harry, ou seja, a ansiedade, as horas na fila, a bagunça, a loucura para conseguir os melhores lugares, os gritos no início da sessão ao ver o símbolo da Warner, as unhas cravadas no braço da pessoa ao lado em cenas tensas, as implicâncias com as chatices do Harry, os comentários... Vi o filme no sábado, num cinema estranho na avenida Paulista, numa sala cheia de adultos e só com meu primo, que não partilha de um quinto da minha emoção com aquele filme, que não esperou ansiosamente por aquilo igual eu esperava, que estava vendo um filme como qualquer outro. Se bem que se não fosse por ele eu não teria percebido que o duende Grampo é a cara do Bob Dylan.Não achei lento como um monte de gente disse que era. Na verdade, quando acabou, bateu aquela sensação de "mas já?". Achei bem fiel ao livro, e foi tão do jeito que eu imaginei na minha cabeça que foi como aquela não fosse a primeira vez que eu via o filme. Chorei logo nas primeiras cenas, aquela que a Hermione lança um Obliviate nos pais. Fiquei fascinada com a animação feita para explicar a história das Relíquias da Morte, a sequência do Ministério da Magia é demais, o coração dói quando Harry vê o túmulo de seus pais em Godric's Hollow, meu asco por Bellatrix Lestrange foi tão, tão enorme que a única hora que me exaltei, matando meu primo de vergonha, foi quando falei um "vagabunda!" meio alto quando ela atira aquele punhal fatídico. Achei o início do filme corrido, a questão do Harry ter virado Indesejável nº 1 ficou confusa para quem não leu o livro e uma lacuna que não perdôo, mas também não saberia como introduzir no filme, é a repercussão que o "A Vida e as Mentiras de Alvo Dumbledore" tem na cabeça de Harry, o que acho que é uma coisa essencial do livro. Aliás, a história de Dumbledore foi mencionada assim por alto, né? Quis vomitar nos momentos Harry e Gina, aqueles dois não se ajudam. Fiquei em êxtase ao finalmente ver Gui Weasley, que é a coisa mais adorável do mundo, sempre tive uma quedinha por eles e morria de vontade de vê-lo em algum filme.
Só que o que me fez sair do cinema satisfeita foi a maneira como David Yates conseguiu captar a relação de Harry, Rony e Hermione. Os três não são mais crianças e os riscos que correm levam a coisas muito piores que a expulsão de Hogwarts. É muito bonita essa coisa de abandonar família, estudo e sonhos para ir atrás de uma missão com um amigo, quando não se sabe direito o que fazer, aliás, quando não se sabe absolutamente qual o próximo passo, bonito de dizer, mas na verdade é uma coisa penosa para todos eles, e assim como o livro mostra, nem tudo são flores. E ao mesmo tempo que a percepção que temos é a de como a amizade deles balança, ao final percebemos como aquele laço é forte. E lindo.
Boscov, minha filha, quando a Veja chega eu sempre corro para suas críticas. A gente discorda de vez em quando, mas normalmente estamos de acordo. Não entendi o que você escreveu sobre Harry Potter. Com todo respeito, senta lá. Isso não se faz. Leia os livros, assista de novo e muito foco nessa cena porque ela diz absolutamente tudo:
(Contém spoilers. A qualidade está péssima, é de um behind the scenes, foi o melhor que achei)
"What a beautiful place to be with friends!" - Dobby
"What a beautiful place to be with friends!" - Dobby