quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Trois

O cronista se separa da esposa (ou do marido, no caso da cronista ou do cronista gay) e não liga tanto para a partilha. No mesmo dia, depois que ela sai com as melhores malas, ele começa a se preocupar com a crônica que aquele evento vai gerar. Se for texto ruim, a separação não valeu a pena. É esperar pela reconciliação para ver se ocorrem umas trovas melhorezinhas. O cronista não dá vexame sem calcular o rendimento dos parágrafos de humor. O cronista não se restringe às narrativas com começo, meio e fim. O cronista participa da vida dos textos.

Um cronista não se mete a romancista. A veia inventiva do cronista não é tão forte. O cronista depende muito mais das pequenas sortes do cotidiano. O romancista cria demais. O cronista recria.”

Caçar em campo alheio ou como escrever crônicas – Ana Elisa Ribeiro

Difícil escrever um post de aniversário, principalmente o terceiro. Apesar do momento ser sempre outro, porque um ano muda muita coisa, o sentimento é praticamente igual. Aquela velha história de que eu realmente não imaginava que chegaria até aqui, ou que mesmo com os trancos e barrancos, falta de tempo e inspiração, eu tenho um apego tão forte por esse blog que seria complicado pensar em mim sem isso aqui. E isso vai muito mais e além do que aquela coisa que as pessoas adoram dizer que escrevem pra registrar os momentos, para botar pra fora aquilo que angustia por dentro, usar como válvula de escape. Talvez até seja um pouco, e já foi bastante tudo isso, mas hoje é mais. É mais porque se eu nunca tivesse montado esse blog, não teria descoberto minha paixão nessa vida, que é escrever. Que brincar com palavras, contar histórias minhas e inventar outras é um troço que eu gosto tanto que até me deixa meio pinel vez ou outra, porque a todo momento eu ando pensando em novos textos. A maioria, vale dizer, nem chega a ir pro papel ou pro documento no Docs.

Sem esse exercício disfarçado de distração eu nunca teria descoberto aquela coisa que eu faço com paixão e olhos brilhando. E tem tantos aí melhores que eu, e há tanto ainda pra ser aprendido, mas a questão no momento não é essa. Porque eu posso resolver seguir meu lado Izzie Stevens e ser médica, posso seguir com meus planos de Jornalismo, posso flertar com a diplomacia e ir fazer Direito e independente disso, vou ter descoberto, digamos assim, a minha praia. Porque mais do que querer ser Audrey Hepburn ou Meryl Streep, eu quero ser escritora quando eu crescer. Ainda que não oficialmente, ainda que pra ninguém ler.

A única coisa que não posso deixar de repetir é meu agradecimento a vocês, que estão aí do outro lado. Escrever para si é muito legal, e eu tenho coisas aqui que ninguém leu e nem vai, mas compartilhar também é muito bom. Poder ler o que me escrevem só não é melhor que escrever: os comentários engraçados, os pitacos que de vez em quando vocês dão, as histórias que me contam, até mesmo quando discordam dizendo que aquele filme que me fez sair de órbita não foi nada demais, eu gosto. Porque eu acho isso tudo tão legal! Portanto, obrigada à você, que chegou aqui agora, e também a quem está aqui desde a época que eu falava horrores de shopping e escola – beijo, Jana!

E no mais, parabéns pra mim, pro blog, e também pro Woody Allen que hoje é aniversário dele.