Dando continuidade ao meme dos meus dez (doze) filmes preferidos, apresento-lhes agora a segunda e última parte dele, com os meus seis filmes preferidos de todos os tempos - e dessa vez a ordem realmente faz diferença, apesar que, no meu coração, todos ocupam praticamente o mesmo patamar de amor.
"Do you believe in miracles?" "Not today."
6 - O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Jean-Pierre Jeunet): Essa semana estava conversando com a Soft sobre esse meme e disse que só faltava uma posição pra escolher e que estava em dúvida entre quatro: Casablanca, Quanto Mais Quente Melhor, Harry e Sally ou 500 Days of Summer. E disse que até tinha pensado em colocar Amélie, mas que achava que já tinha passado dessa fase. E aí parei pra pensar e vi que não só não passei da fase Amélie Poulain como nunca vou passar. Quando comecei a me interessar por cinema, este foi um dos primeiros filmes que eu vi, e depois com a avalanche de obras que veio a seguir ele ficou meio de lado, meio esquecido, o que é uma sacanagem. Amélie Poulain é uma das personagens mais adoráveis do cinema, com a qual eu tanto me identifico. O filme é muito charmoso, passado em Montmartre, Paris, com uma das trilhas sonoras mais graciosas, um humor esperto, fotografia linda e fofura sem fim. Que me perdoem os quatro filmes que acabaram perdendo o lugar, mas por mais coisas lindas e heroínas cativantes que me apareçam nessa jornada cinematográfica, sempre vai haver um enorme espaço no meu coração para Amélie Poulain e o gnomo viajante.
5 - Funny Face (Stanley Donen): Que Audrey Hepburn é minha atriz favorita de todos os tempos não é novidade pra ninguém. E que eu amo tudo que ela faz, às vezes só por ela ter feito, também é uma coisa meio óbvia. Por isso, prometi que colocaria apenas um filme dela nessa lista, pra que não ficasse monotemática. O problema é que eu não sei qual o meu filme favorito dela, não sei mesmo. Fico em dúvida entre 4: Breakfast At Tiffany's, Como Roubar Um Milhão de Dólares, Love In The Afternoon e Funny Face. O último ganhou porque, além dela fazer par com o Fred Astaire - sobre o qual eu já falei e me declarei na primeira parte - é aquele filme que, se eu pudesse entrar na tela e morar ali pra sempre, seria o escolhido. Não tem uma história tão rica quando o Bonequinha... e a química do casal não é tão forte como em Love... ou Como Roubar..., mas é com certeza o mais adorável e cativante. Audrey interpreta Jo Stockton, uma aspirante a filósofa que é descoberta por um fotógrafo de moda (Fred Astaire) e convidada a ser a nova face da revista que ele trabalha, algo como uma Vogue. Para isso, ela é levada para Paris, sofre uma transformação, faz mil sessões de foto e no meio do caminho se apaixona pelo fotógrafo, enquanto ela só queria mesmo é ir prum bar escuro discutir sobre filosofia empaticista com seu autor favorito. O ambiente é maravilhoso, e nunca vi Audrey tão linda usando figurinos tão deslumbrantes. O filme é um musical e as músicas são bem lindinhas, principalmente as que o Fred Astaire canta. Gosto também da Audrey cantando, sem dublagem como aconteceu em My Fair Lady e fiquei surpresa com uma das cenas em que ela dança e humilha muito, ainda não conhecia essa gingado todo.
"Are you too proud Mr. Darcy? And would you consider pride a fault or a virtue?"
4 - Orgulho e Preconceito (Joe Wright): Não tenho um livro favorito, mas se fosse pensar nos meus três preferidos, Orgulho e Preconceito, da Jane Austen, estaria lá. Já o li inúmeras vezes e me sinto segura em dizer que a adaptação pro cinema é praticamente tudo que eu imaginava ao lê-lo. Os ambientes, os personagens... não poderia pensar em alguém melhor para interpretar minha heroína da literatura favorita, Lizzie Bennet, que não Keira Knightley. Sem falar, claro, que Matthew MacFadyen encarnou perfeitamente a minha maior paixão platônica da literatura, praticamente o homem da minha vida - se eu fosse personagem de cinema - que é Mr. Darcy. Sou obcecada pelo filme, assim como pelo livro, já fui até proibida de alugá-lo. Quando ganhei o DVD, assisti 4 vezes num fim de semana só, duas vezes com os comentários do diretor. Juro. Já até falei aqui da minha cena preferida, que é a primeira dança de Lizzie e Darcy, e eu sempre, sempre choro nos momentos finais. Se Funny Face é o filme em que eu queria morar, Orgulho e Preconceito contém o amor que eu queria viver."All work and no play makes Jack a dull boy."
3 - O Iluminado (Stanley Kubrick): Se hoje suspense é meu gênero cinematográfico preferido, é por causa desse filme. Foi quando eu deixei o medo de lado pra prestar atenção em outras coisas, e ver o que é a perfeita execução de um filme. Porque Kubrick é assim. Os filmes dele tem esse quê de grande, majestodo e de absoluta perfeição técnica. Já assisti O Iluminado muitas vezes, e nunca termino o filme sem me sentir embasbacada com aquilo, pensando que não é possível que exista algo tão bom assim. Já li o livro, e não hesito ao dizer que prefiro o filme. Porque eu gosto muito do Stephen King, mas gosto muito mais do Jack Nicholson fazendo papel de louco, quebrando a porta com o machado dizendo "Here's Johnny!", amo muito mais os planos longos feitos com steady-cam - algo totalmente novo pra época - a trilha sonora que gela a espinha e os quadros tão marcantes e inesquecíveis que a cada frame você tem a impressão de momento icônico que vai ficar na memória."Does he look like a bitch?"
2 - Pulp Fiction (Quentin Tarantino): É um filme violento, lotado de humor negro, politicamente incorretíssimo, mas eu não conseguiria pensar em qualquer outro que seja tão cativante. Acho que eu gosto dele de um tanto que beira a doença. Ele é todo cheio de momentos épicos, e logo na primeira vez que assisti já tinha decorado muitas e muitas frases, porque Pulp Fiction é o tipo de filme com textos e diálogos tão marcantes que até mesmo quem não seja aficcionado com esse tipo de coisa acaba guardando alguns momentos, como meu pai, que repete "Zed's dead" junto com o Bruce Willis. Pulp Fiction é 8 ou 8000: ou você vai odiar e não ver graça alguma, tipo a Rê, ou você vai gostar tanto que vai se unir com pessoas que gostam tanto quanto e trazer o filme pra dentro da sua vida, encenando partes dele em momentos aleatórios, como eu e meu primo fazemos, já que sempre estamos prontos para a leitura dramática da nossa cena favorita. Um olha pro outro e a doença começa: "Say what again! I dare you, I double dare you, motherfucker!" e é assim que a gente leva a vida. E se meu sonho seria dançar "Cheek to Cheek" num baile de debutante, sonho com mais vontade ainda em participar de algum concurso de twist numa lanchonete retrô e ganhar o prêmio da noite, porque eu posso não saber dançar nada, mas aprendi twist com Mia Wallace e Vincent Vega, dançando em frente à televisão junto com eles."We are intrepid. We carry on."
1 - Elizabethtown (Cameron Crowe): Complicado falar sobre nosso filme favorito, principalmente quando a gente vai pensar que ele realmente não tem nada de tão notável assim. Porque se eu gosto tanto dele, é por razões tão minhas e de mais ninguém, e tão por causa da repercusão interior (olha que poética!) que ele causa que às vezes nem eu entendo, que fica difícil colocar em palavras. Só sei que nele há evidências minúsculas que revelam que foi feito justamente pra mim: "Oh! What a World" na lista de músicas para viagem; cena de "Roman's Holiday" na televisão do quarto de hotel de Drew; "A Postcard to Henry Purcell" tocando num dos momentos-chave da história; Holly Baylor - Susan Sarandon, musa absoluta - dançando sapateado ao som de "Moon River" no memorial de seu marido; todas as mil reflexões e frases de Claire Colburn, interpretada pela maravilhosa e musa eterna Kirsten Dunst, que trazem a sensação que foram ditar por ou então para mim. Quando estou meio perdida, assisto a esse filme que, de uma maneira bizarra, me ajuda a clarear as ideias e é como se ele me colocasse mais em contato com as coisas que eu acredito, e com meu jeito de enxergar a vida, pois minhas filosofias de vida batem exatamente com as do filme. E se essas coisas que eu disse não fazem a menor diferença na vida de vocês, o que é compreensível, assistam pelo Orlando Bloom, que é o protagonista e está muito muito lindo no filme.





