Antes de ser tendência na moda, ser gótica suave é um estilo de vida. Não sei muito bem o que define esse paradigma, sei que me identifico profundamente. Normalmente, ele está mais relacionado a moda: roupas pretas, renda, coturno, cabelos em tons pastéis, gargantilhas, cristais, batons escuros... é gótico de butique, até a página 6, de quem curtia Evanescence na pré-adolescência e nunca superou e tal.
Como comentei, eu e as meninas combinamos de fazer um post indicando várias coisas diferentes a respeito de um mesmo tema. Eu não fazia ideia do que postar. Primeiro pensei no óbvio: feminismo e mulheres maravilhosas. Mas sei lá, eu só falo disso. Então pensei em anos 90, mas achei tão abrangente que chega a ser sem graça. Aí eu pensei em falar sobre morte, que é o segundo assunto que eu mais penso (o primeiro é feminismo e mulheres maravilhosas), mas o domingo já é uma morte o suficiente, ainda mais nesse horário que estou postando. Daí a Sharon me deu uma sugestão pra fazer graça e eu acabei gostando da proposta: fale sobre ser gótica suave, ela sugeriu. Me parecia uma sugestão sem pé nem cabeça. Adorei.
Como nunca vi o conceito aplicado a outras coisas que não a moda, vou seguindo meu achômetro de coisas que eu acho que tem a ver com a vibe gótica suave. Uma coisa obscura pero no mucho, um mistério divertido, uma coisa complicada e perfeitinha, sexy sem ser vulgar. Eu não faço a menor ideia do que estou fazendo, vocês me perdoem e apenas tentem acompanhar o raciocínio.
MÚSICA
Pure Heroine (Lorde): A pergunta que não quer calar: por onde anda nossa bruxinha jovem favorita? Apesar do estilo das suas músicas não ser tão trevoso assim, sempre que escuto Lorde quero imediatamente usar um vestido preto longo de mangas compridas e sair andando de carro à noite, com as janelas abertas. Torci o nariz pra ela no início, achei superestimada, mas pouco a pouco a moça ganhou o meu coração gelado. Ela é a definição perfeita da gótica suave: esquisita, porém absolutamente adorável. Pure Heroine é cheio de músicas para ouvir de madrugada olhando a rua pela janela, assustando os transeuntes e bêbados desavisados. Não deixe de ouvir: Ribs, A World Alone e Bravado.
Belong (The Pains of Being Pure At Heart): Já falei sobre esse disco na época do seu lançamento, mas recordar é viver, não é mesmo? O The Pains é uma banda que se enquadra no gênero shoegaze. As bandas que se encaixam nele receberam essa classificação pois tinham em comum, além da atmosfera meio onírica das suas músicas, uma postura retraída no palco, com os músicos sempre acanhados, olhando pros próprios sapatos, gazing their shoes. Quer coisa mais gótica suave que isso? The Pains é um representante contemporâneo super válido, com esse clima de sonho e juventude, guitarrinhas rápidas e pelo amor de Deus olha o nome dessa banda. Não deixe de ouvir: Strange, Anne With an E, Belong.
Staring at The Sea (The Cure): Acho que o Robert Smith deveria ser o ícone oficial dos góticos suaves do mundo. Cês já viram esse senhor maravilhoso? Apesar dessa cara branca, desse cabelo divertido, de só usar preto e ter esse semblante de morte, o The Cure tem músicas adoráveis. Rola uma vibe vamos dar a mãozinha e ouvir músicas tristes no cemitério, mas é uma vibe muito boa. Apesar da maquiagem pesada, tudo que os fãs de The Cure querem é dançar In Between Days de olhos fechados e bracinhos abertos. Esse disco que escolhi é uma coleção de singles, e uma ótima maneira de se iniciar na banda. Foi a primeira coisa deles que ouvi, e pra onde eu sempre volto. Não deixe de ouvir: In Between Days, The Love Cats, The Caterpillar.
Dica de estilo: antes de sair sempre pense: o Robert Smith usaria essa roupa? Se a resposta for sim, siga em frente.
SÉRIE
Twin Peaks: Definir Twin Peaks é quase tão difícil quanto definir o que viria a ser um gótico suave. Talvez por isso os dois combinem. A série é ao mesmo tempo divertida e sombria, é cheia de morte, fantasmas, gente esquita e muita coisa estranha acontecendo. Mas, ao mesmo tempo, ela tem um senso de humor único, romancinhos pra gente shippar, personagens adoráveis, anões que falam ao contrário e cavalos fora de contexto. O clima é muito Gilmore Girls, seria totalmente Gilmore Girls se Stars Hollow fosse o portal pra um universo paralelo, a Rory fosse viciada em cocaína e aparecesse morta no primeiro episódio. Gótico. Mas suave.
LIVROS
O oceano no fim do caminho (Neil Gaiman): Acho que qualquer livro do Neil Gaiman poderia ser colocado aqui, mas quis citar esse porque, com o perdão do trocadilho infame, é como se o leitor fosse convidado a molhar os pés no oceano de mistério e fantasia. O livro narra o retorno de um cara ao vilarejo que ele morou na infância, e lá ele relembra de um troço estranho que aconteceu com ele e sua melhor amiga quando eles eram crianças. No começo achei estranho, me parecia que os elementos fantásticos da história estavam meio jogados, flutuando na trama, mas a graça é justamente essa instabilidade das nossas memórias e a forma como lembrança, delírio e mágica se fundem. Ele consegue provocar um friozinho na barriga em alguns momentos, é meio triste, mas é também muito bonito. E tem fantasmas. Fantasmas são importantes.
Mentirosos (E. Lockhart): Acho muito difícil escrever sobre esse livro porque tenho a impressão que qualquer coisa que eu disser sobre ele vai ser uma dica pro grande mistério da história, e você ser pego de surpresa é completamente essencial pra esse livro. Vou dizer apenas que ele é contado por uma garota que vai passar as férias na ilha de sua família (sim, a família tem uma ilha) depois de sofrer um acidente grave. Ela sabe que existe algo estranho em torno desse acidente que ela sofreu. Ela sabe que existe algo que as pessoas não estão contando pra ela. Ela sabe que existe algo estranho acontecendo ao seu redor. O livro gira em torno dessas dúvidas, e é um suspense muito ótimo esse construído enquanto tateamos no escuro junto com Cadence em busca da verdade. Gostei tanto que li duas vezes, uma seguida da outra.
Bliss (Lauren Myracle): Então, eu li esse livro ano passado e consta no Goodreads que eu gostei o suficiente pra dar 4 estrelas pra ele. O negócio é que eu realmente não lembro de muita coisa a respeito da trama, mas sempre que olho ele ali na minha estante me parece algo que minha gótica suave interior apreciaria muito. Coisas que eu lembro: o livro se passa nos anos 60 e é contado pela Bliss, uma garota que é nova na escola e conhece Sandy, uma amiga estranha. Amigas estranhas são sempre um ótimo plot. Eu sei que tem algo sobre uma garota morta no prédio da escola há muito tempo. Sei que tem algo que envolve rituais malignos e pássaros. Sei que existe alguém querendo se vingar. Sei que achei o final meio ridículo e forçado, o livro usa uns estereótipos meio errados, mas gente estranha, fantasmas e rituais: I'm in!
Venha ver o pôr-do-sol (Lygia Fagundes Telles): Eu li esse livro no ensino fundamental, e lembro que quase ninguém da minha sala gostou (COMO??) porque, segundo eles, era estranho demais. Eu, claro, adorei. São vários contos e todos eles têm uma aura de mistério e bizarrice pairando sobre as histórias, principalmente a que dá título ao livro, que conta a história de um casal que vai ter um encontro no cemitério. Porque lógico. Acho que a Lygia Fagundes Telles é a vovó gótica que todos secretamente desejamos, dessas que contam histórias inapropriadas de terror para as crianças que vão dormir na casa dela e esse tipo de coisa. Sempre imagino ela lendo "As formigas" pros netos, que obviamente vão ficar acordados a noite inteira com um medo de coisas que eles nem vão saber dizer direito o que são.
Venha ver o pôr-do-sol (Lygia Fagundes Telles): Eu li esse livro no ensino fundamental, e lembro que quase ninguém da minha sala gostou (COMO??) porque, segundo eles, era estranho demais. Eu, claro, adorei. São vários contos e todos eles têm uma aura de mistério e bizarrice pairando sobre as histórias, principalmente a que dá título ao livro, que conta a história de um casal que vai ter um encontro no cemitério. Porque lógico. Acho que a Lygia Fagundes Telles é a vovó gótica que todos secretamente desejamos, dessas que contam histórias inapropriadas de terror para as crianças que vão dormir na casa dela e esse tipo de coisa. Sempre imagino ela lendo "As formigas" pros netos, que obviamente vão ficar acordados a noite inteira com um medo de coisas que eles nem vão saber dizer direito o que são.
Vampire Academy (Richelle Mead): Acho que se eu tivesse um superpoder, queria que ele fosse o poder de convencer as pessoas que Vampire Academy é bom de verdade. Eu entendo o receio de vocês, às vezes quando falo sobre ele em voz alta tenho dificuldade de acreditar em mim mesma, mas sério. Sério. Vampire Academy é bom mesmo. Além da mitologia da história ser bem interessante, a personagem principal, que narra a história, é muito boa. Ela não é uma mocinha tonta, ela não tem síndrome de justiceira, ela é uma heroína torta muito divertida e badass, que tem a língua solta, se mete em encrencas e adora frisar que é muito sexy. Como não amar Rosinha? São seis livros grandes, mas nada cansativos, as personagens femininas são ótimas e os ships são tão incríveis que até o triângulo amoroso é interessante e plausível.
Bônus: Sinto que tenho duas funções sociais nesse blog: convencer vocês a ler Vampire Academy e convencer vocês a ler Raven Cycle. Pra não ficar cansativo, vou revezando. Não falei oficialmente, mas, sim, é óbvio que Raven Cycle é uma saga super gótica suave que vocês deveriam ler.
FILMES
The Rocky Horror Picture Show (Jim Sharman, 1975): O filme completou 40 anos esse mês, e se você ainda não assistiu, essa é uma belíssima oportunidade. Pense num filme louco. Pois é. Trata-se de uma comédia musical de horror com toques de ficção científica. Pois é. Quando o carro do casal Brad e Janet (é a Susan Sarandon!!) estraga no meio da noite embaixo da chuva, eles entram numa mansão suspeita pra pedir ajuda e ali encontram o Dr. Frank-N-Furter, um travesti com ambições de doutor Frankenstein que quer construir o homem perfeito. I KNOW RIGHT!!! Parece um filme absurdo, é um filme absurdo, mas é também divertido pacas e as músicas são muito boas, tem coreô e tudo. Na dúvida, escute Science Fiction/Double Feature e tente resistir.
Edward Mãos de Tesoura (Tim Burton, 1990): Em seu tempos áureos, Tim Burton era o cineasta dos nossos corações góticos e suaves. Ele ainda é um dos nossos, só precisa superar a si mesmo. De todos os seus filmes, acho que Edward é meu favorito. Aliás, sou tão perturbada que sou fissurada por ele desde que era criança. Depois fui descobrir que é um filme TRISTE, quase trágico, e eu ligava pra isso na época? Não, estava interessada apenas em cortes de cabelo, esculturas de gelo e na Winona Ryder. Enfim, vocês conhecem essa história, né? Edward foi vítima de um pseudo Dr. Frankenstein e acabou com mãos de tesoura. O resto é história. Ele tem todos os elementos no lugar: é obscuro e ao mesmo tempo divertido, é triste, tem o Johnny Depp e a Winona Ryder. Não precisa de mais nada.
Heathers (Michael Lehmann, 1988): Se Tim Burton é o cineasta ícone dos góticos suaves, a nossa musa, sem dúvida alguma, é a Winona Ryder, ultimate trevosinha do meu coração. Meio que qualquer filme dela pode ser considerado um filme gótico suave, porque taí uma criatura que só se mete em filme esquisito sobre gente estranha, então escolhi falar do meu favorito. Porque lógico. O que pode ser melhor e mais errado do que essa história da garota que resolve se rebelar contra o sistema hierárquico do ensino médio americano com um plano absurdo de literalmente matar todos os garotos populares, simulando o suicídio de cada um deles? Às vezes nem eu acredito que esse filme existe, porque é isso combinado com muito humor negro e figurinos maravilhosos. Assistam.
The Lost Boys (Joel Schumacher, 1987): Bom, acho que até aqui vocês já entenderam que 1) eu sou estranha 2) eu tenho um gosto muito peculiar 3) os anos 80 foram muito especiais. Esse filme é mais um da leva de coisas-absurdas-que-obviamente-só-poderiam-existir-nos-anos-80. Garotos Perdidos é tão errado. TÃO ERRADO. Mas maravilhoso, claro. O título faz referência a um bando de garotos motoqueiros heavy metal bizarros que faziam o terror na vizinhança, e acabam chamando atenção dos dois garotos novatos no bairro. Enquanto um deles faz amizade com um menino que jura que é um caçador de vampiros, o outro irmão fica cada dia mais estranho, mais parecido com um...vampiro! Sério, gente, muito maravilhoso. E errado. Foi um dos filmes que mais me fez dar risada na vida. Aproveitem.
Deixa Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2008): Pra não dizer que só indico bobagens, vai aí um filme sério e conceitual pra vocês, aquele que talvez seja o melhor filme de suspense/terror que eu já vi. Ele conta a história de um garoto que faz amizade com sua vizinha do prédio que é uma garota - adivinha - estranha. Ela cheira mal, tem uns sumiços, não pode ficar no sol e precisa de sangue pra sobreviver. Eli é uma vampira. É até equivocado dizer que se trata de um filme de terror, porque apesar de ter algumas cenas bem violentas, ele não dá medo. É muito mais triste do que assustador, porque o garoto sofre muito bullying na escola e é a amiga que lhe ensina a revidar e a lidar melhor com isso. O filme tem uma adaptação americana com a Chloe Moretz, que não é ruim, mas o original (sueco) é uma obra-prima.
ÍCONES DE ESTILO
Winona Ryder
Lourdes
Rodarte
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| coleção de 2010 eterna no meu coração David Bowie ![]() |
> Não deixem de conferir os posts temáticos das meninas: a Analu falou sobre maternidade, a Paloma sobre amizade feminina, a Irala sobre liberdade, e a Couth sobre a idealização romântica das mulheres.
>> Update: Desculpa ser estranha (eu juro que sou limpinha), mas é que acabei de ler esse artigo sobre um cemitério de Belo Horizonte e um pouco sobre a história e a filosofia por trás dos mausoléus e achei válido compartilhar;
>> Update: Desculpa ser estranha (eu juro que sou limpinha), mas é que acabei de ler esse artigo sobre um cemitério de Belo Horizonte e um pouco sobre a história e a filosofia por trás dos mausoléus e achei válido compartilhar;



















