“Oi, meu nome é XYZ e escolhi Jornalismo porque blablabla whiskas sachê eu gosto de fotografia.”
Essa frase acima certamente foi a que mais ouvi durante esta que foi a minha primeira semana na faculdade. A coisa que mais fiz foi me apresentar pros outros, e ouvindo apresentações alheias cheguei à conclusão que 80% da minha turma, se não mais, está ali porque gosta de fotografia. Enquanto as pessoas afirmavam seu amor pela fotografia, eu ficava ali, meio desconfortável, olhando pros lados, esperando que alguns furúnculos irrompessem no meu rosto denunciando a pária social que eu me revelava naquela sala por ser talvez a única que não estava nem aí para as fotos.
Todo mundo tem uma foto assim, menos eu
Não é que eu não goste de fotografia, querido leitor. Não precisa fechar a página e parar de seguir o blog. Só não sou uma aficcionada por fotos. Se tivesse, por exemplo, que enumerar três razões que me levaram ao Jornalismo, fotografia não seria uma delas. E caso tivesse que dizer cinco coisas que tenho como passatempo, fotografia também não estaria entre minhas preferências. Pronto, simples assim. Continuo sendo uma pessoa limpinha, simpática e que ama os animais.
Digo isso porque às vezes tenho a impressão que não amar fotografia hoje em dia é o equivalente a dizer em voz alta que não gosta de chocolate ou que os Beatles são superestimados. Todo mundo ama foto, na minha nova sala de aula e na internet. As pessoas saem de casa para tirar fotos. As pessoas trocam figurinhas sobre lentes, câmeras e até filmes. As pessoas marcam encontros em parques para ficar fotografando umas às outras. As pessoas fazem projetos para tirar uma foto por dia (e eu fico vendo, achando amor e bonitinho, pensando que seria legal fazer algo parecido, mas só de pensar em tirar uma foto por dia, e de buscar criatividade para fotografar coisas menos óbvias, desisto). As pessoas postam sobre fotógrafo X e olha, meu Deus, que legal isso e… eu costumo pular esses posts. Se eu parasse pra olhar, certamente acharia bacana, bonito, inspirador, mas ficar vendo foto é uma coisa com a qual não tenho lá tanta vontade de gastar meu tempo. Acho que a única vez que uma exposição de fotografias mexeu comigo a ponto de eu passar mais de um dia pensando nela, foi a do Wim Wenders que eu vi no MASP, “Lugares, estranhos e quietos”; também sou apaixonada por aquele livro que tem a última sessão de fotos da Marylin Monroe, quase chorei na primeira vez que passei os olhos nele. De resto, pouca coisa mudou minha vida.
Para mim, fotografia é como frango: é uma coisa que eu gosto, mas não amo. Entre bife de frango ou de vaca, sempre escolherei o de vaca. São raras as vezes em que acordo pensando “Puxa, que vontade de comer frango!”. E também não costumo ir a um restaurante e pedir algum prato com frango. Mas se tiver frango, eu como feliz. No almoço de hoje, por exemplo, tinha frango ao molho com uma farofa melhor que a vida e eu comi e me fartei, felizona; mas, se me perguntassem se para o almoço de sexta da semana que vem eu prefereria um revival do frango ou um bifinho, escolheria o bife sem pestanejar.
E agora que já desabafei e tirei esse peso dos ombros, podemos voltar com a programação normal do blog. E vocês que não curtem fotos, manifestem-se! A única razão pela qual eu exponho minhas estranhezas aqui é para que alguém se identifique com elas e eu me sinta mais normal ou menos solitária na minha anormalidade.