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sábado, 6 de março de 2010

Da minha recente vida tripla.

PAAES foi marcado pro dia 21 de março. Vocês tem idéia do que isso significa? (PAAES é um processo seriado da federal daqui, que eu deveria ter feito a primeira etapa no fim do ano passado, mas não o fiz por uma série de confusões, e a prova foi adiada pro começo desse ano) Significa que vida é uma lembrança distante, que eu já tive, lembro mais ou menos como era, mas não tenho mais. Tudo gira em torno disso. Desde os primeiros pensamentos quando eu acordo - planejando como organizarei os estudos do dia - até as conversas, porque parece que alguém da família todos os dias tem que fazer algum comentário a respeito, como se eu fosse me esquecer ou algo assim.

Começou a revisão na escola. Terça e quinta a noite tenho aula, e sábado de manhã também. Aulas corridas, para enxugar um ano de matéria em um mês. Volto com a mão, os dedos e o pulso completamente duros, porque faço anotações num ritmo frenético. Só assim que aprendo. Mas tem sido muito bom, cansativo, porém muito importante. Tem me deixado mais tranquila, sanado um pouco aquele pânico de ter esquecido tudo aquilo que aprendi no decorrer do ano passado. Matemática? Sinceramente, já entreguei nas mãos de Deus. Vou contar com o que sei de Geometria, logarítmos, leitura de gráficos e progressões numéricas. O resto é história.

A escola virou meu mundo praticamente. Tenho ido para lá a tarde também, para estudar. Minha escola tem um espaço muito bom de estudos, que tem sido melhor que em casa, onde eu tenho além do computador, todo o sono do mundo para me desviar do meu intento. Lá eu posso contar com vários livros, uma cabininha só pra mim, ar condicionado na medida, silêncio absoluto, e rendimento de vento em popa. Passo o dia lá e juro que não vejo o tempo passar, chego a levar susto quando o celular toca e é mamãe me avisando que está na porta me esperando. Eu gosto de estudar, me distraio, me interesso. O duro é começar. Largar o que estou fazendo, dizer não ao sono gostoso pós almoço, aos seriados que me esperam no computador, dos blogs que estou deixando de ler. Uma vez que eu estou lá, o que me resta é me afundar nos livros.

Tenho tentado não viver só disso. Um episódio de House antes de dormir, uma fugida pra comer pastel no meio da tarde. Ontem, mesmo tendo passado o dia inteiro na escola, arranjei forças do além para pegar uma sessão de cinema. Queria ver "Precious", mas acabei em "It's Complicated" e foi bem melhor, precisava relaxar. Saí para bater perna e fazer compras hoje, e amanhã tem o Oscar. Fazendo o possível para não me auto-sabotar com minha ansiedade, e até agora está funcionando bem.

Dia 21 está aí, e eu não sei se rio ou choro com isso. Choro de medo, de nervoso, e de frio no estômago, mas rio porque vou ter uma folguinha pra voltar pra minha rotina - que apesar de não ser mole, é razoável. Se eu demorar um pouquinho pra responder os comentários, portanto, estou desculpada?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Em paz para o PAS.

No meio do ano me inscrevi para o PAS, o programa se avaliação seriada da UNB, a Universidade de Brasília. Me inscrevi sem ter o menor interesse em estudar lá. O que primeiro me motivou foi o conselho que uma amiga me deu para fazer a prova, porque nunca se sabe o dia de amanhã, vai que dia desses eu acordo com vontade de ir pra Brasília, e isso é muito importante pra mim, que ainda não faço muita idéia do que quero da vida. Além disso, a prova seria realizada uma semana antes do PAIES, prova que eu mais tenho interesse. Como nunca fiz uma "prova de verdade", não queria chegar virgem e imaculada em uma que eu de fato tenho muito interesse. Experiência é tudo.

Aí que o meu PAIES foi adiado pro ano que vem e eu me dei uma carta de alforria antecipada e larguei mão de estudar (gente, tão divertido fazer as provas finais na escola sem estudar! adrenalina pura!), e me vi bem desanimada a fazer o PAS. Ia fazer porque já tinha me inscrito, seria mais por desencargo de consciência do que qualquer outra coisa. Mesmo sem a mínima vontade me dispus a ir nos dois dias de revisão que minha escola organizou, de novo por desencargo de consciência e porque não queria arriscar tirar numa nota negativa no exame, já que lá, cada resposta errada anula uma certa.

Os dois dias inteiros de aula foram ótimos. Relembrei coisas que eu nem mesmo lembrava que já havia estudado um dia, aprendi técnicas pra otimizar o tempo e fazer a prova do melhor jeito, e no fim da tarde de sexta, após sair da escola, eu já estava bem empolgada para a prova do dia seguinte. No sábado fiquei surpresa quando vi que estava até nervosa. Dizia pra mim e pra todos que estava tranquila, mas não parava de olhar no relógio, já que conhecendo todo meu histórico de atrasos, tinha até sonhado com a cena de chegar lá e encontrar os portões fechados. Minhas mãos estavam geladas, e eu não parava de checar se todos os meus documentos estavam certos, e se estava tudo no lugar. Ainda assim acho que meus pais estavam mais nervosos que eu, papai da hora que eu acordei, até a hora que saí de casa pra fazer a prova, me ligou 3 vezes. Mamãe quase saiu do restaurante que almoçamos deixando o troco pra trás.

Depois que cheguei no local de prova sem atraso e encontrei meus amigos, todo o nervosismo passou. Tava curiosa pra saber como era a farra pré-prova pela qual minha escola é muito famosa, e de fato eles inventam musiquinhas estimulantes bem engraçadas que creio que ajudam bastante, porque dão um gás e relaxam quem está nervoso e dá uma abaladinha na concorrência. Tocou o sinal, fui pra sala sozinha, já que nenhum amigo tinha ficado na mesma sala que eu.

No começo surtei, porque meu lugar era bem ao lado da porta, pensei que fosse perder a concentração, mas foi tão engraçado que as vezes eu reparava em pessoas entrando de volta na sala que eu não tinha visto sair. Eu também pensei que ia ser um esquema super de segurança FBI essas coisas, mas a tia que ficou na minha sala era fofa, explicou todas as normas direitinho e me deixou bem mais tranquila, porque eu tinha medo de olhar para os lados.

Achei a prova relativamente fácil. Com boa interpretação de texto e boa noção de conhecimentos gerais qualquer um faz aquela prova com o pé nas costas. Pra alguém que a um mês não pegava num livro, eu fui bem. Óbvio que tinha questões de matemática que eu nem me dei ao trabalho de ler, pois sabia que não saberia fazer. De Física fiz umas, outras tive branco total e preferi não arriscar. Química eu sabia um pouco, já que as aulas sobre mol e cálculo estequiométrico estavam nas minhas aulas a distância, que eu me recusei a assistir até precisar delas de verdade. O resto posso dizer com toda a certeza que estava tranquilíssimo. Três textos do Chico, sendo 4 questões sobre a Ópera do Malandro, um texto do Saramago, eu estava em família. As questões discursivas que todo mundo tanto temia era facílimas, bastava abraçar os discursos inflamados pseudo-comunistas que dava pra tirar de letra.

No mais, achei uma ótima experiência, me ajudou a perder aquele medo de prova oficial, vi que não é o bicho de sete cabeças que eu sempre imaginei e acho que me deu uma boa força pro PAIES. Sem falar que tenho 120 questões pra fazer e refazer como ajuda nos estudos, né? Mas não vou pensar nisso agora, porque com o fim das aulas de revisão e tendo feito essa prova, finalmente encontro-me oficialmente de FÉRIAS!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A revolta das cajazeiras.

Durante o ano inteiro vim estudando e surtando para o Paies. Para os que não sabem, é o vestibular seriado da federal daqui, que faz com que desde o primeiro colegial a neura se instale nas nossas vidas. E claro, se tratando de neuras e se tratando de estudos, sou uma candidata premium a ter um piripaque acadêmico, uma vez que se as provas escolares já me tiram do sério, imagina uma prova com potencial pra decidir meu futuro! Então que eu passei o ano estudando pra isso. Eu passei o ano tendo crises homéricas de insegurança que se convertiam em horas e mais horas de choro descontrolado por conta dessa porcaria. Pra chegar na reta final e a prova simplesmente ser adiada. Pro ano que vem. Pra março do ano que vem. Na melhor das hipóteses. Isso significa que todo esse preparo intensivo, que alcançaria seu ápice agora em dezembro, pra que eu fizesse uma boa prova dia 20, agora me são inúteis. O estudo de meses valeu, claro que sim. A loucura, pelo menos de agora, não faz o menor sentido. Vou ter que estudar nas férias mesmo. Soube disso faz um mês mais ou menos, e desde então tenho me recusado a estudar.

E olha, isso é bem legal. Eu sempre quis ser inconsequente, ainda que essa inconsequência seja bem relativa, já que vai ser compensada lá na frente. Ainda assim, passar um mês sem pegar num livro está pra mim em termos de libertação assim como os sutiãs queimados em praça pública estiveram pras feministas nos áureos anos 60 ou 70. Acho que significa até mais, pra ser sincera. É como se tivesse acendido em mim um espírito Hermione Granger no quinto livro-filme, cada tarde de estudo jogada pelos ares faz ecoar em mim a frase "Isn't it exciting? Breaking the rules?"

Final de ano já traz consigo aquela típica preguiça e má vontade. Eu juntei o útil ao agradável. Não, também não tenho dado muita bola pras aulas, numa atitude que eu sempre condenei: chutar o balde só porque já passei de ano. É que esse ano eu percebi que a gente começa a se sacrificar tão cedo por algo que nesse nosso mundinho parece enorme (oooooh vestibular raios e trovões), e na verdade, não é. Não que os estudos não sejam importantes, mas sinceramente, não valem essa loucura, até porque, a insanidade não é pelo amor ao saber, e sim pra absorver tudo e passar numa prova. Ou vocês acham que alguém um dia vai te parar na rua e perguntar como é o gráfico de uma função logarítmica? Até os professores estão de saco cheio no final do ano. Nem ligam tanto pras conversas paralelas que, sugestivamente, predominam nas minha vizinhança na sala.

Não estou sozinha nessa, ainda bem. Matheus e Sofia abraçaram a mesma filosofia de vida, Naná também, mas ela prefere ficar dormindo à jogar conversa fora conosco. Por tanto papo furado em horas inoportunas, ganhamos do professor de Geografia (a matéria que a gente mais chuta o balde) o apelido de irmãs cajazeiras, que depois fiquei sabendo que eram personagens da novela O Bem Amado, três irmãs solteironas que tinham um caso com o mesmo homem (a imagem no começo do post). Tenho sorte esse ano que a grande maioria dos professores se simpatizam comigo e com meus amigos, porque somos matracas inofensivas, tanto que é em meio de risadas que eles ocasionalmente me mudam de lugar pra tentar apaziguar a conversa. Esses dias fui parar na mesa do professor em plena aula de História. E pela foto, vocês percebem como isso foi um baque pra mim.

Eu feliz ao fundo, Naná (ela é assim mesmo, tadinha), Soft e Matheus.

No fundo, é bem como eu (e Hermione) estava dizendo, é até emocionante quebrar as regras.

* Fiquei constrangida depois que vi a quantidade de posts que fiz esse ano só surtando e me queixando em relação aos estudos. Eles estão linkados ali nas frases coloridas.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Era uma vez o hidrogênio.

Meu professor de Química sempre fala que quando a gente pensa no hidrogênio, devemos sentir dó, muita dó. Veja bem, o coitado não tem família! Além disso, ele é obrigado a carregar a cruz de ser o elemento da tabela periódica mais incompreensível, e a ele ser dedicado em todos os livros e apostilas apenas um asterisco no rodapé da página avisando que o hidrogênio é um elemento com características peculiares que ainda não são bem compreendidas e portanto você, querido estudante, deve só engolir que ele não é 1A apesar de ter só um elétron de valência, estabiliza com dois e não é um gás nobre apesar de estar mais ou menos no mesmo período que o hélio. Sem família e com problemas de auto-conhecimento.

E vocês já repararam em como o hidrogênio é dependente? Um belo dia o oxigênio resolveu que seria simpático com ele, coitado, lá em cima da tabela todo sozinho, o que custa? Aí o hidrogênio não largou mais e quando pode, está sempre lá, grudado no oxigênio em tudo quanto é lugar. Quando os dois vão passear com o fósforo, de vez em quando, muito de vez em quando, ele dá uma folguinha e dá os braços pro P, mas isso é raro e ainda assim, o bando todo nunca deixa um oxigênio andar sozinho. É dependente, amigo encosto. Pobre hidrogênio.

Agora vem a parte crítica, quando a água entra na história e inunda a vida do pobre hidrogênio de problemas. Vem a água, malvada e rancorosa, arranca quem quer que esteja do lado do hidrogênio e ainda leva consigo seu único elétron e lá fica o próprio hidrogênio vagando solitário pelos sistemas, um próton sem rumo procurando um lugar para se abrigar. O oxigênio é legal, ele sempre é, tem dó do hidrogênio, cede um espacinho mesmo que não vá ganhar mais estabilidade por isso. Mas antes que o oxigênio se compadece, o hidrogênio se revolta e usa seus métodos, nenhum oxigênio é tão legal assim por livre e espontânea vontade. O hidrogênio arranca com força, pega lá os elétrons. "Me dá, e eu não te dou os meus!" e está feita a ligação dativa, como muito didaticamente foi explicado nas minhas anotações durante a aula de química sobre ionização: "e o hidrogênio, desesperado por estabilidade, se liga rapidamente ao oxigênio da água, e tal desespero caracteriza a propriedade corrosiva tão famosa entre os ácidos" (não estou mentindo, eu anotei assim no caderno)

Portanto, se algum dia você se queimar com algum ácido, sinta que sua pele tá machucada por causa da raiva e rebeldia do pobre hidrogênio sem elétrons que, cansado de tamanha repressão, falta de identidade, de ser o dálit da tabela periódica, finalmente se rebelou. Não fiquem bravos com ele, você só foi vítima do sistema.

(isso que acontece quando você passa a semana e a sexta feira inteira estudando loucamente e fazendo todos os exercícios de química que aparecem na sua frente e no tempo livre, assiste the big bang theory)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O ciclo de chiliques de uma semana de provas.

Não é raro vocês me verem surtando por conta de provas, já demonstrei isso aqui muitas-vezes-né e meus seguidores do twitter devem me achar uma louca sem preparo psicológico para provas. Mas a verdade é que toda vez que chega essa temida semana, minha vida vira um descontrole total, e o mais irônico disso é que é um descontrole tão cíclico que eu já deveria estar acostumada e não me deixar levar por eles.

Primeiro eu começo a revisar a matéria. Estudo, estudo, estudo. Exercícios, dúvidas anotadas com asteriscos no canto das apostilas para depois serem esclarecidas com o professor, Sofia ou meu pai. Tiro dúvidas, tudo tranquilo. Chega a semana, eu vou estudar de novo e parece que eu esqueci como se fazem os exercícios, as coisas básicas e como se faz uma conta de divisão. Entro num profundo desespero: oh-meu-Deus-não-sei-de-nada-vou-tirar-zero-e-nunca-vou-passar-no-vestibular. Fico estressada, dou patada em todo mundo e a primeira pessoa que me pergunta o que está acontecendo que eu estou tão, tão tensa é agraciada com o ápice do chilique: a crise de choro e o monólogo de meia hora sobre como a matemática acaba com minha vida. Meus pais já estão acostumados com isso, minha mãe então nem se fala, já que na maioria das vezes a vítima é ela. E não falta fofura pra me consolar nessas horas, ela sempre me compra chocolatinhos e me dá um colo bom que só mãe sabe dar.

Eu não tive base boa de matemática. A minha ex-escola que eu estudei a vida toda tinha uma matemática muito ruim, os professores eram experientes em enrolar, tanto que se me perguntarem o que eu aprendi de matemática na sétima série eu respondo: nada. E na sétima que você aprende bases e propriedades, que serão aplicadas agora no colegial, e se você não sabe isso, você se ferra. E eu me ferro. Entenderam o drama? Aí eu surto bonito, porque matemática sempre foi uma pedra no meio do meu caminho, sempre.

Voltando ao ciclo dos dramas, depois que eu falo, falo, falo e choro sobre o quão ferrada eu estou, eu melhoro subitamente, me acalmo, fico serena e vou fazer uns exercícios e vejo que até que as coisas não estão tão ruins assim. Acho que essa última prova me levou a pior crise ever, e vejam só, eu fechei a prova! Não foi tudo mérito meu, sem a ajuda desse senhor e do Senhor lá de cima, eu nunca teria chegado lá, mas tcharam, eu cheguei, não sou tão loira assim.

Aí as provas acabam, como acabaram hoje, e eu nunca me senti tão morta na vida. É uma sensação boa, no fundo. Uma mistura de alívio com aquela coisa de dever cumprido, ufa, acabou. Cheguei da escola e dormi o dia inteiro, sem sonhar com as provas. Não é maravilhoso? Seria, se daqui há algumas semanas não fosse começar tuuuuuudo de novo. Ai, ai.


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Polias movidas a testosterona.

As provas estão aí de novo, as tardes de sexta-feira passadas na midiateca do colégio também. Mesmo com o temporal que armava, o clima de feriado que a cidade inteira respirava, lá fui eu abraçar os livros. Passei o dia inteirinho estudando Física, o que não era minha intenção, já que para não ter que passar o feriado estudando eu deveria adiantar minha vida com História e Geografia. Enrolei com Física porque, bem, eu simplesmente não conseguia visualizar os esquemas de engrenagens, catracas, coroas e o que mais vier.

Gosto muito de Física, amo, adoro, mas não consigo visualizar as coisas. Tive que estudar isso sozinha porque quando o professor fez todos os esquemas de bicicletas e etc eu não conseguia me concentrar, porque achava aquilo absurdamente chato. Tenho laboratório de Física toda semana, e preciso dizer aque acho aquilo um tédio sem limites. É só entrar naquela sala que um sono nunca antes visto me consome.

Todas as meninas da sala ficam caídas na mesa, olhando para aqueles trenzinhos, os robôs, as engrenagens como se fossem um monte de repolhos. Já os meninos levantam, se empolgam, debatem com o professor, brigam pra ver quem vai fazer a experiência primeiro. E o professor de laboratório é MUITO empolgado, ele é a pessoa mais feliz que eu conheço. Ele vai mostrar os esquemas que ele montou e sorri tanto, acha aquilo tudo tão ótimo que você pensa que ele vai te abraçar e chorar ou então mandar a sala dar as mãos e fazer uma roda ao redor do seu plano inclinado para que todos cantem Imagine em reverência àquilo. Bela porcaria.

Eu entendo que tem um monte de meninas que adoram a Física prática, que entendem aquelas coisas, que conseguem visualizar as engrenagens rolando em um problema, mas preciso dizer que isso não é pra mim. Só depois de muito desenhar, matutar, fazer o cérebro sair fumaça que consigo fazer fluir. O engraçado é que, quando flui e eu finalmente entendo os esquemas, consigo fazer os exercícios muito mais rápido e muito mais certo. Preciso fazer as engrenagens da minha cabeça se mexerem mais rápido.

* Esse não foi um post machista, não entendam desse jeito. Por favor.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Não tão pedagógica.

Estava no quintal da casa da minha avó brincando com meus primos bebês, ou melhor, estava sentada com os pés na piscina tentando ler e ao mesmo tempo me certificar de que eles não iam fazer nenhuma bobagem, tipo se jogar na água, bater a cabeça na quina, comer plantas ou mexer com os insetos. De repente chega meu priminho menor, Gustavinho, me contando que achou uma aranha andando pelo chão.

- Guguinha, não vai colocar o dedinho na aranha* porque ela é radioativa! O Peter Parker foi picado por uma aranha radioativa, sabia? E desde então ele nunca mais foi o mesmo. - disse em tom sombrio.

Gustavinho fez cara de entendido, sorriu para mim e voltou a brincar. Levei uns 15 segundos para constatar a bobagem que eu havia dito. Corri até ele, que já estava segurando a aranha na mão, os olhos brilhando. Ele me lançou o olhar mais maroto do mundo e disse:

- Tetê (meus primos bebês me chamam de Tetê e eu não sei porquê, mas isso é caso pra outro post), eu nunca mais vou ser o mesmo, vou virar o homem-aranha!

#FAIL

Nunca subestime o intelecto dos seus primos bebês de dois anos e meio de idade. Nunca. Vejamos pelo lado bom, é um mini-nerd crescendo!

* Não era uma aranha dessas armadeiras, viu gente! Aranhinha besta, dessas de jardim.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Notícias de uma escrava branca dos livros.

No meio da prova de Redação a bolha que tinha no meu dedo indicador estourou. Sim, eu consegui uma bolha de tanto escrever. Eu seguro o lápis de um jeito estranho, que faz com que se por acaso a unha do polegar esteja grande, ela fique roçando o indicador, que vai criando um calo. Eu só não contava com a astúcia do meu organismo de fazer nascer ali uma bolha. Era pequeninha e eu pensei que não ia fazer estrago. HÁ! Depois de dias inteiros passados fazendo resumos para as provas (só consigo aprender quando escrevo tudo que estudei) e de fazer uma prova de Literatura e um rascunho de Redação, a bolha estourou. E começou a arder. E a doer. E eu não conseguia segurar a caneta. E eu tinha uma Redação de 27 linhas para passar a limpo. Doía tanto que eu tinha que fazer uma linha, parar, deixar que meu dedo sossegasse para então continuar. Isso somado a aflição de pensar que não daria tempo, e da dor cada vez mais crescente (acho que estou com LER de tanto escrever, não tem lógica). No final optei por apagar o último parágrafo da Redação (que era só encheção de linguiça) para que meu braço não caísse.

E este é meu estado atual, Brasil. Estou com três dedos da mão direita enrolados com band-aid: o indicador por causa da bolha, o médio no calo natural da escrita, e no mindinho que tem um calo enorme porque ele fica arrastando no papel enquanto eu escrevo. Desde sexta-feira eu estava sem conseguir comer direito, porque era só pensar na prova de Matemática de terça que tudo revirava. Eu fui bem na prova, apesar de ter conseguido errar duas questões (uma em álgebra e outra em geometria). Meu estômago voltou ao normal, mas eu ainda enxergo vetores saindo de toda e qualquer coisa que se movimente, e sei que isso só vai passar (eu espero) depois que eu tiver feito a prova amanhã. Esses dias estava no carro, vi um avião decolar e imaginei um vetor deslocamento saindo dele, e tentei fazer uma escala no céu para calcular a intensidade. E eu fico imaginando as forças em tudo, absolutamente tudo que eu vejo. Quanto será a resultante disso? Qual será o coeficiente de atrito daquilo? Estou prestes a fazer o Tarso, essas coisas estão me seguindo.

Eu nunca antes ansiei tanto para a chegada das férias como agora. Nunca. Eu penso que sexta-feira tudo finalmente acaba, mas aí parece que a sexta ainda tá tão longe, que tem tanta prova e coisas para estudar nesse intervalo, que eu até me desanimo. Meus primos bebês estão aqui na cidade desde segunda, e até hoje acho que não fiquei com eles por mais de duas horas. Quero brincar de Homem Aranha e ver Toy Story até decorar as falas. Quero passar a noite vendo filme, e o dia fazendo nada. Quero assistir Harry Potter. Quero conseguir deitar a cabeça no travesseiro sem sonhar com as provas. Quero engolir minhas apostilas. Quero tanto isso, mas tanto, que chego a querer cancelar todos os planos já feitos para esses dias em que serei totalmente livre, só pra poder me enfiar num buraquinho, me cobrir com uma manta de nada e ficar assim, parada, quietinha, sendo uma alface e dormindo como se não houvesse amanhã.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O grande #fail da minha vida.

Se tem uma coisa que eu sempre pude me orgulhar é que eu nunca tive problemas com a escola. Apesar da matemática sempre me assombrar, nunca deixei de ir bem na matéria (ainda que para isso eu tivesse que passar o fim de semana fazendo exercícios com meu pai). Sempre tive meu tempo de estudar, e o fazia muito bem, na época de provas me estressava, óbvio, senão não estaríamos falando de mim, mas tudo dava certo no final. Até, óbvio, o resultado das bimestrais.

Se eu nunca na vida tirei uma nota vermelha (abaixo de 60% na prova, não é recuperação!), agora eu tenho três manchas muito sangrentas no meu histórico, e o pior: em matérias que eu gosto, e que sempre me dei muito bem. As que não foram vermelhas, não foram assim tão satisfatórias pra me fazer relevar as ovelhas vermelhas, e semana passada estive muito mal diante de tudo isso. Segunda feira pensei que meus olhos fossem sair do lugar de tanto chorar. Só não suporto as pessoas que pensam que é impossível uma coisa assim me afetar dessa maneira, falar que é besteira minha, que eu sou capaz e blablabla. A questão não é essa. Existem poucos sentimentos nesse mundo tão amargos como o orgulho ferido, e olha que o meu foi ferido com o mais profundo sectumsempra, é uma coisa que eu nunca tinha vivido antes, e com essas assuntos de escola eu sempre me exigi o melhor, e meus pais também - é a única coisa que eles me cobram!

Meus erros foram todos tão estúpidos! Erros de falta de atenção, erros de nervosismo. Preferia ter errado por não saber nada de nada, porque aí eu teria uma justificativa plausível. Eu sabia tudo que eu errei, não me canso de dizer isso pra mim. Ai, meu pobre orgulinho, como dói quando vejo que errei uma ADIÇÃO e por isso perdi a questão inteira! Ou como cheguei ao absurdo de escrever que a massa do próton é 10.000 vezes MENOR que a do elétron. Ou como misturei sentido conotativo e denotativo (esse vai me assombrar pra sempre)! Eu fico muito nervosa em época de prova, tremo, passo mal e muitas vezes quando termino a prova estou tão de saco cheio que nem quero revisar, de tanta vontade que me dá de rasgar tudo. Quer coisa pior do que ver duas orelhas de burro crescendo na cabeça sendo que a culpa é toda sua, seu desensofrimento maldito?

Meu consolo é que todo mundo foi mal também, acho que não tem uma pessoa na escola que pode dizer que ficou hiper satisfeita com seus resultados. Todos dizem que primeiro bimestre de primeiro colegial assusta, e isso é natural. Eu repito isso pra mim várias vezes, mas acho que de tanto meus pais falarem que eu não sou todo mundo (quando eu lamento "mas todo mundo foi mal!"), essa tática tem falhado. Tudo isso só foi bom por um motivo: já sei como é, sei que é ruim e pelo menos terei uma experiência de vida pra contar e um assunto pra post.

Já estou bem melhor, consigo pensar e falar dessas coisas sem começar a chorar inconsolavelmente e a ter tiques nervosos e começar a respirar igual ao meu cachorro desesperado. Preciso só aquietar a Hermione Granger de dentro de mim e arranjar uns Florais de Bach para tomar nas próximas semanas, e vencer, pelo amor de Deus, essa ansiedade que me consome! Pelo menos eu não perdi a moral com os professores, haha. Já deixei vários posts prontos para essa semana, que estarei muito ocupada com um trabalho que vale 5,0 pontos por matéria, preciso sair muito bem, porque - nunca pensei que diria isso na vida, mas - preciso de nota!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Conflitos geográficos.

Nunca amei Geografia, mas nunca cheguei a desgostar totalmente. Na verdade, nunca cheguei a desgostar cem por cento de alguma matéria. Isso, é claro, até a cartografia e suas mazelas se adentrarem na minha vida sem aviso prévio. Até umas três semanas atrás, nem estava achando assim tão chato o assunto que estava estudando em Geografia, porque essas coisas de solstícios e equinócios interferem bastante na nossa vida, apesar de hoje a gente não ter mais referência alguma de estação. Até que um dia me surge meu professor me contanto sobre projeções de Mercator, Peters e entra em escalas e cores altimétricas e batimétricas e eu, de repente não mais que de repente, sou pega de assalto por um sono fora dos limites. Não só eu, mas toda a sala.

No primeiro dia, pensei que seria mais fácil me livrar daquilo, tirei meu HP da mochila e me pus a ler, toda feliz. Chegando em casa daria uma lida na apostila, e tudo ficaria bem. Não demorou muito pro professor chegar em mim e dizer que se eu não guardasse aquele livro, ele seria obrigado a confiscá-lo. Agradeci a oportunidade, e olhei ao meu redor: noventa e cinco por cento da sala dormia. Não gosto e nem consigo dormir em aulas, primeiro porque eu sou neurótica, e segundo porque acho uma falta de respeito com o professor, por pior que ele seja. Mas o geoprocessamento não me deixava alternativas, na verdade, meu próprio corpo me sabotou, e eu percebi isso quando acordei num pulo, sem entender o que estava acontecendo. O professor ainda falava pra ninguém, com sua cantada voz de locutor de rádio.

E desde então, venho entendendo melhor sobre narcolepsia. Esse é o efeito das aulas sobre mim. Um sono sem limites, uma falta de controle sobre minhas pálpebras. De dez em dez minutos me desperto num pulo, mas mal tenho tempo de me ajeitar na carteira, os olhos já vão fechando de novo, aquele sono bom, irresistível. Consigo até sonhar. A situação estava tão incontrolável, que nessas micro-semanas de feriados, depois de três dias de aula, os três com Geografia, pedi pelo amor de Deus para que minha mãe me deixasse matar uma delas, que era no primeiro horário. E vendo meu pai reclamar tanto de sua insônia, fico pensando se não lucraria bastante se resolvesse filmar as aulas e anunciá-las como a Fórmula Milagrosa Anti-Insônia, by "Bom dia, Meu Nome É PH, ltda".

sexta-feira, 27 de março de 2009

Meu anti-rítmo* acadêmico.

É de se esperar que a maioria dos estudantes (excluindo os vestibulandos dessa lista, por motivos óbvios), em dias normais, estude diariamente um tanto pequeno, faça apenas o que lhe é imposto e fica por aí. Chegada a abençoada época de provas, todo mundo acelera as turbinas, passa a estudar mais, pegar firme, ir aos plantões e na temida semana de provas, estudar loucamente até morrer, numa jornada de praticamente 28hrs por dia.

E aí que essa pessoa que vos fala não consegue ser assim. Em dias normais eu estudo muito, faço o esquema que todos os professores recomendam de aula dada = aula estudada, faço mil resumos, exercícios, vou aos plantões e tudo mais. Uma aluna exemplar (não). Só que chega na época de provas, não sei o que acontece comigo, mas eu não consigo estudar e pegar firme, esteja eu totalmente por dentro ou por fora do assunto que vai ser cobrado. Por incrença que parível, têm matérias que eu não consigo estudar de jeito nenhum, nem na semana de provas, nem fora dela. Normalmente, isso acontece com História, Biologia, Química e Português/Literatura.

Na verdade, essas são minhas matérias preferidas, e acho que isso acontece porque eu fico muito concentrada na aula, anoto tudo que o professor fala. São meus cadernos mais cheios de coisas, mais do que os das matérias que eu faço resumos quase semanais sobre os assuntos que estão sendo dados. Aí, quando eu resolvo estudar, leio aquela apostila e me dá a estranha impressão de que eu não sei bulhufas do que está escrito, eu não consigo gravar também, e pior: parece que a medida que eu vou lendo, eu vou esquecendo de tudo, e eu esqueço mesmo! Isso dá um desespero que vocês não calculam. Mas, se eu resolvo falar sobre o que eu sei, ou então escrever, parece que tudo flui, eu não sei de onde elas saem, mas todas as palavras vão se ordenando, as características das sociedas antigas, as ligações químicas, os adjuntos adverbiais e as organelas celulares. É muito bizarro, imaginem vocês lendo sobre uma coisa e um chumaço de algodão surgir na mente, e aí quando vocês resolvem escrever/falar sobre as coisas vão acontecendo como mágica!

Isso é científicamente comprovado por mim (oi) que notei que nessas matérias, minhas melhores notas vieram de quando eu não mexi nos cadernos, nem com antecedência, nem na véspera. Quer dizer, eu tenho o costume de no caminho pra escola, dar uma lida bem marromeno só pra decorar as coisas muito específicas. Fora isso, eu seguro na mão de Deus e vou. (?) E por falar nisso, estou em semana de provas. Fiz prova quinta, hoje e farei amanhã, singelas 4 por dia. Mas eu juro que ainda prefiro ficar um dia inteiro na escola e fazer as 16 provas de uma vez para: 1) Acabar logo com esse tormento; 2) Não fazer prova no sábado, isso é muito desumano.

E o atraso para postar é devido as provas sim, tenho estudado feito louca, uma vez que se tratando de Física e Geometria, a matéria não sai de mim assim como um vômito de estrelas, como diz nossa saudosa Clarice.

* Essa reforma ortográfica me fez desaprender a escrever, beijos.