quarta-feira, 6 de junho de 2012

As mulheres preferem os verdes

Eu sempre gostei muito de super-heróis, apesar de meu amor ser poser ao olhar dos nerds. Nunca li nenhum gibi que não da Turma da Mônica e nem foi por desinteresse; penso que gostaria muito de acompanhar quadrinhos, o problema é que nunca sei por onde começar. A questão, porém, não é essa. Eu falava sobre meu amor por super-heróis, certo? Pois bem. O Homem Aranha sempre foi o amor da minha vida e o nome do Peter Parker está inscrito no meu coração - ainda mais agora que ele será interpretado pelo Andrew Garfield, aquele ser humano amor. Ele é meu favorito para todo sempre, salve-salve. No entanto, isso não significa que ignoro todos os outros heróis. Em segundo lugar vem o Batman, e minha lista é imensa.

Apesar da grandeza da minha lista e do meu coração que sempre cabe mais alguém pra amar platonicamente, eu nunca gostei do Hulk. Aliás, eu via o Hulk com um certo desprezo, nem o enxergava como um herói verdadeiro. Quem aí já fantasiou em ser salva de um prédio em chamas por uma criatura verde e raivosa? Eu ia preferir ficar lá pegando fogo, obrigada. Deus me livre de ser esmagada nas mãos do gigante verde. Eu achava tão bobo o fato do Hulk ficar verde e enorme, rasgando as próprias roupas, emitindo urros guturais só porque ficava com raiva, que desprezava-o sem nunca ter nem mesmo assistido ao filme. Deixava ele no cantinho junto com os chatos do Super Homem e do Capitão América, e os heróis bobos do Quarteto Fantástico. No entanto, contudo, entretanto, todavia, tudo mudou quando assisti Os Vingadores.

Quer dizer, tudo mudou quando o Mark Ruffalo entrou na história. Convenhamos que Eric Bana, que o interpretou no primeiro filme, e o Edward Norton, que o fez no segundo, são capazes de fazer o coração bater um tiquinho mais forte, só que Mark Ruffalo, minha gente, se encontra em um outro patamar de amor, infinitamente mais alto e habitado por uma quantidade esmagadoramente maior de borboletas e suspiros. Como diz a Analu, Mark Ruffalo tem cara de um vizinho que todas queriam ter, que bate na porta da sua casa numa sexta-feira chuvosa pra pedir uma xícara de açúcar e ganha de volta seu coração. Mark Ruffalo fez De Repente 30, Just Like Heaven, Minha Vida Sem Mim e uma pontinha toda especial em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Mark Ruffalo fez você pensar em todos os colegas de classe gordinhos e estranhos que você já teve, na esperança de que algum deles seguisse a cartilha das comédias românticas americanas e se tornasse um fotógrafo sensível, fofo e cheio de amor para dar.


 Foi só por causa dele que eu consegui enxergar o outro lado do Hulk. Eu, do alto do meu preconceito com caras verdes e gigantes, pensava que o Hulk fosse apenas um brucutu que gosta de andar seminu quebrando as coisas ao seu redor. Depois do filme, porém, me deparei com a real personalidade dele e quase chorei de tanto amor. O Hulk não só é muito mais do que um brucutu garanhão verde como é uma alma atormentada cheia de traumas e complexidades sensíveis. Nada como uma alma atormentada pra encher o coração de uma mulher. Nada como um coração em conflito escondido dentro de um gigante verde para enternecer mais a minha pessoa. Nada como Mark Ruffalo interpretando um personagem com as características supracitadas para fazer com que eu tenha um ímpeto fortíssimo de colocar o brutamontes do Hulk no colo, mesmo que me esmagasse, lhe dar um beijo na testa e dizer que vai ficar tudo bem. 


O filme começa com a Scarlett Johanson indo pra Índia tentar recrutar o Dr. Banner pra equipe dos Vingadores. Ele se refugiou lá trabalhando como médico voluntário, isolado de todos, porque sabia que seus poderes eram incontroláveis e não queria ser responsável pela destruição do mundo apenas porque é incapaz de controlar a própria força. Ao chegar no QG dos Vingadores ele logo começa a trabalhar em cálculos ultra complexos, se esquivando linda e acidamente de todo e qualquer tipo de provocação a ele destinada por Tony Stark (outro lindo da minha lista), ali no cantinho dele, ali constrangido porque sabe que todo mundo morre de medo que ele perca o controle, ali todo cheio de inseguranças mesmo quando ele é o único forte o suficiente pra destruir o mundo. Não direi mais apenas para não estragar o desenrolar da história para aqueles que porventura ainda não assistiram o filme. O roteiro, contudo, é o de menos. O grande trunfo do filme é mostrar todo esse encantamento escondido por trás do Hulk, personagem o qual, agora que o conheço inteiramente, não me deixa pensar em argumentos convincentes o suficiente para que eu não tenha essa vontade enorme de casar com ele. 

Se a Renata pode ter os seus mendigos sensíveis, eu  não quero mais viver num mundo sem meu gigante verde sensível e atormentado.