Há mais de um ano, no início da minha vida universitária, postei um desabafo aqui falando sobre não gostar de fotografia, ou pelo menos não gostar tanto quanto a galera da minha sala afirmou gostar na primeira semana de aula. Há quase seis meses, postei um resumão da vida e disse que havia chegado a hora de encarar o fotojornalismo e provavelmente levar o primeiro pau da minha vida em alguma matéria. Hoje, escrevo aqui que terminei ontem meu semestre de fotografia e não estaria mentindo se dissesse que ando pesquisando aqui e acolá, como quem não quer nada, preços de câmeras fotográficas.
| Quem diria que eu teria uma foto assim? |
Minhas aulas eram assim: na primeira parte, o professor explicava alguma parte técnica sobre a câmera, algum recurso e esse tipo de coisa. Havia também uma parte mais teórica sobre as diferentes vertentes do fotojornalismo e no final a gente saía pra um exercício pela universidade, com um tema pré-definido a ser fotografado que muito provavelmente envolvia as técnicas aprendidas naquele dia. A parte teórica era de longe minha preferida (que novidade), principalmente porque tive que apresentar um trabalho sobre fotojornalismo social, que é uma coisa linda com a qual eu trabalhei durante todo o semestre em outras disciplinas. Odiava e morria de sono na parte da técnica (que novidade) e sempre pedia pra minha dupla me explicar depois porque não tinha paciência alguma pra ouvir o professor falando sobre distâncias focais e velocidade do obturador. No entanto, minha maior surpresa foi mesmo me divertir muito fotografando. Saindo por aí pra fotografar. Acordar cedo e ir pro parque tirar foto das pessoas. Coisa que já escrevi aqui que nunca faria. Que vida engraçada essa nossa.
Verdade verdadeira sobre o caso: acho que só comecei a gostar de foto porque o professor gostou de uma fotografia que fiz no primeiro dia de aula. Eu tinha tanta certeza que me daria mal e que não nasci pr'aquilo que estava esperando um desastre de trem. Porém, bem por acaso, no primeiro exercício do primeiro dia de aula eu consegui uma foto muito legal de um cara andando de bicicleta. Era fim de tarde e o sol se pondo fez sombra no moço, criando um desenho bacana no chão e um efeito de movimento muito legal. Foi bem aleatório, mas deixou meu professor entusiasmado e me deu confiança de que talvez, bem talvez, aquela disciplina não fosse ser uma mancha sangrenta e vergonhosa no meu currículo.
Desse primeiro dia até aqui, fiz muita coisa legal. Nem sei se os resultados foram extraordinários pra quem manja das coisas, mas eu consegui o que achava ser impossível: me diverti horrores. Ajudou muito eu ter uma dupla de trabalho que entrava nas minhas pilhas malucas (beijo Marina) de se enfiar embaixo das estantes da biblioteca, sair pelo campus correndo atrás de cachorros e mover mundos e fundos para fotografar a pista do aeroporto, porque toda semana a gente tinha uma ideia diferente que fazia com que tudo fosse bem mais divertido. De todos os trabalhos que fiz, adorei passar uma tarde fotografando e biblioteca, outra com uma pauta sobre acessibilidade no campus (longos minutos ao sol no ponto de ônibus torcendo para um cadeirante aparecer) e o tema da minha última prova, que foi meios de transporte e não-lugares.
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| As fotos desse post foram tiradas por mim com uma Nikon D3100 (via 9Gag) |
Sou apaixonada por esse conceito e tudo que o envolve e estava super animada para fotografar no aeroporto - até porque deu o maior trabalho conseguir autorização - mas no fim das contas foram as fotos menos bacanas. Uma moça nos acompanhou o tempo todo e não nos deixava fazer nada. Eu queria me enfiar embaixo da aeronave e conseguir ângulos inusitados e o máximo que consegui foram aquelas fotos clichês que tem aos montes no Google. Em compensação, fotografar dentro do ônibus e nos terminais foi fantástico. Rolou todo uma receio das pessoas envolta não gostarem da ideia, muita gente fez gracinhas sem graça e sonhei a noite toda que alguém passava e roubava a câmera, mas no fim foi uma trabalheira gratificante. Outro trabalho totalmente demais que tive a chance de fazer foi a minha fotorreportagem, da qual já falei aqui antes, que além de tudo me deu a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas e ouvir histórias extraordinárias. Descobri que não gosto muito de fotografar pessoas, vai ver que é porque eu odeio ser fotografada e sempre imagino que estou incomodando tanto quanto me sinto incomodada sempre que alguém enfia uma câmera na minha frente - e aqui tem um texto bem legal no Blog da Companhia sobre esse tema.
No fim das contas, nunca foi tão sem graça segurar uma máquina compacta sem ter mil botões pra apertar e coisas para ajustar e agora eu vejo o mundo com planos e enquadramentos corretos. Poderia passar todos os meus dias tirando fotos do pôr-do-sol e no fundo no fundo queria uma câmera bacanuda pra eu poder brincar um pouquinho, mesmo tendo certeza absoluta que sem a obrigação de ter que entregar o material pro professor eu jamais deixaria minha caminha num sábado às 8h da manhã para ir ao parque fotografar patos. No entanto, foi bom ter esse compromisso e o saldo final foi positivo.
Mas ainda não entendo quem escolhe um curso porque gosta de fotografia se o curso em si não for fotografia.
| A cadela de saia, minha personagem favorita de todos os tempos |
| Sempre quis uma foto com luzinhas |
