Quem tem o costume de ler o blog já deve ter percebido que eu amo a expressão felicidade clandestina e adoro utilizá-la das mais diferentes formas. Esse termo, criado pela Clarice Lispector num conto em que ele aparece no título, dá nome àquela alegria que a gente tem diante de algo que talvez não deveria ser nosso, da forma como a gente se esquiva de certos prazeres propositadamente só para depois se jogar de cabeça neles e a felicidade ser multiplicada. Vou avançar um pouquinho nessa definição e enfiar nesse balaio de clandestinidade os prazeres mais conhecidos como guilty pleasures, aqueles que nos enchem de culpa mas que continuamos cultivando. Muito além daquele livro que a gente queria ler há tanto tempo e que precisa se sentir descobrindo-o a cada minuto, os guilty pleasures englobam os livros que a gente tem vergonha de ler, mas ainda assim não resiste. Quem nunca? Quem sempre?
Eis aqui a lista dos pecados inofensivos que adoro cometer:
Pipoca - Pipoca me permite entender porque as pessoas continuam tomando porres homéricos apesar das ressacas brutais. Eu tenho ressaca de pipoca, muita, e enquanto meu estômago está em chamas eu juro que nunca mais vou perder o controle daquele jeito, mas basta sentir aquele cheiro maravilhoso de pipoca recém pipocada na panela para que toda memória ruim de azia e vontade de morrer vá embora e dê lugar para a pergunta: moço, quanto é o saquinho? As consequências não seriam tão trágicas se eu tivesse alguma espécie de moderação, mas não vejo sentido em estar viva se não for pra comer um balde inteiro sozinha. Meu amigo Matheus, que sofre da mesma compulsão que eu, uma vez disse que o cinema deveria vender um combo de pipoca, refrigerante e Sonrisal. Meu estômago agradeceria.
Novela - Quando vejo a propaganda de alguma novela nova na TV, fico torcendo para que ela seja péssima. Não porque eu tenha um problema pessoal ou ideológico com a Globo ou com os atores e a equipe de produção, mas simplesmente porque eu preciso me livrar da necessidade de acompanhá-la. Novela é um troço que atrasa nossa vida. Literalmente. Uma hora (um pouco mais se for a das nove), seis dias por semana, quem dá conta? Eu, claro. Depois que me apego aos personagens é um caminho sem volta e lá estou eu todos os dias me odiando profundamente por estar perdendo tanto tempo com aquilo, torcendo para ela acabar logo e me devolver minha vida, mas no fundo amando muito porque ver novela é bom demais. Ai que saudades de A Vida da Gente!
Dormir tarde - Eu sou uma pessoa que precisa dormir. Quer dizer, todas as pessoas precisam dormir, mas eu preciso dormir bem mais do que a média para ter um dia feliz e produtivo. Tipo umas dez horas de sono. Mas de nada adiantaria dormir das 3h até às 13h, por exemplo. O ideal mesmo seria das 22h às 8h, porque além de precisar dormir, e dormir cedo, eu gosto muito de acordar cedo. O dia rende, eu fico disposta, bem humorada, com cara de saudável. O negócio é que eu não consigo dormir cedo e mesmo nas férias, quando não são as obrigações que me mantém acordada, acho um desperdício me recolher antes da meia-noite. É tão silencioso durante a madrugada, tantos filmes pra ver, tanto livro pra ler, tanta besteira pra conversar! Sempre chega aquele momento que eu sei que preciso desligar tudo que eu tenho, pular na cama e apertar bem os olhos, que depois de passada certa hora é um caminho sem volta, mas são raríssimas as vezes que consigo me vencer. Dormir antes da meia-noite faz o dia seguinte nascer cantando e sorrindo, mas as melhores músicas ainda tocam durante a madrugada.
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| Pretty Wild: melhor reality ever |
Reality shows - Quem acha o BBB um circo de horrores nunca assistiu um canal de TV americano como a E!, o TLC ou o Discovery Home&Health. Eles sim levam a loucura, a doença e o exibicionismo a um nível que chega a dar falta de ar em quem assiste. Eu assisto, claro, e amo demais. Hoje em dia acompanho bem menos porque me falta tempo, mas já tive fases de seguir fielmente toda e qualquer besteira absurda que esses canais divulgam. Meu reality do coração é Keeping Up With The Kardashians e morro de saudades da época em que eu tinha tempo de passar todas as minhas tardes de sexta-feira na frente da TV, acompanhando as maratonas e sentindo todo e qualquer impulso de inteligência do meu cérebro escorrer lentamente. Muita culpa, mas muito, muito amor.
Revistas ruins - Ainda bem que as revistas estão cada dia mais caras e que minha mão de vaca é maior que meu vício por lixos editoriais, senão meu quarto estaria soterrado de revistas femininas e de celebridades. Não sei explicar minha fixação mórbida por esse tipo de publicação, mas não consigo passar por um consultório de dentista ou da espera no cabeleireiro sem devorar o máximo de Caras e Cláudias possíveis. E, novamente, os americanos sempre conseguem elevar a doença para níveis antes impensáveis, prova disso é minha pequena coleção de tabloides, presentes de um amigo que me conhece tão bem que sabia que a melhor lembrancinha possível pra mim seria uma pilha de revistas com as Kardashians na capa. Jornalismo (e humanidade) vai com Deus dá melhor (pior?) estirpe, mas não resisto.





