quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Onde você estava?

No dia 26 de outubro de 2014 eu vi meu país reeleger a Dilma Rousseff na eleição mais acirrada que o Brasil já teve. Coincidência ou não, foi também a eleição em que eu mais estive envolvida - menos por uma paixão específica por um dos lados, mais por uma convicção nunca antes tão firme em certos ideais que eu não suportava ver ameaçados. Eu não fazia a menor ideia de que resultado teríamos às oito da noite, e lá pelas quarto da tarde parei de fingir que estava tudo bem, que eu não estava nem aí, para assumir que minha falta de concentração e o desconforto no estômago eram, sim, por conta do pleito.

Para fugir um pouco do climão pesado - se essas eleições vão ficar marcadas pela disputa apertadíssima do segundo turno, infelizmente vamos lembrar dela  também como aquela em que as pessoas deixaram ver o seu lado mais cruel, preconceituoso e odioso - combinei com o Matheus que faríamos uma pequena indulgência a nós mesmos: jantar num restaurante maravilhoso e um tanto quanto além das nossas posses. Nós comeríamos hambúrgueres suculentos (tipos de Anna Vitória: vai jantar num lugar especial e come hambúrguer), dividiríamos waffles com a calda de chocolate mais maravilhosa que já se teve notícia, e tomaríamos água do balde de gelo porque that's how we roll. A gente ia falar bobagem, rir mais alto do que seria de bom tom, discutir amenidades - e quando saíssemos de lá o destino do país estaria decidido.

O que aconteceu foi que não desgrudamos do celular a noite toda. O que aconteceu foi que nesse dia 26 de outubro eu perdi o apetite, eu deixei meus hamburguinhos esfriarem porque estava ocupada demais atualizando o Twitter em busca de notícias. A gente sabia que a cena era ridícula, a gente jurou mais de dez vezes que o celular ia ficar no centro da mesa e só seria olhado quando houvesse certeza do resultado. A gente estava com vergonha da nossa situação lastimável, mas a 10 minutos da grande resposta falar bobagem não era uma opção, muito menos rir, muito menos falar amenidades, imagine só comer!

Eu cogitei até abrir mão da sobremesa. É grave, doutor?

Fatos históricos relevantes estão destinados a se transformar em caso de mesa de bar, desses que  se tornam uma conversa reincidente, um caso que ninguém se importa de contar de novo e de novo, a cada efeméride significativa. Onde você estava? Isso porque são raras e marcantes as chances que temos de ser testemunhas vivas da história, e recordar essas circunstâncias é como fincar uma bandeira particular naquele Grande Acontecimento. É como tirar uma selfie com a História.


A minha foi tirada com as mãos trêmulas segurando um celular, porque não foi suficiente que me contassem, eu não acreditava nas manchetes que liam pra mim. Eu precisava ver com meus olhos, com as minhas mãos, e me certificar de que eu estava ali. Com uma garrafa de champanhe intimidadora na minha frente, que não tínhamos dinheiro para pagar, mas bem que eu queria. Porque eu estava lá, eu fiz parte daquilo, eu sofri pra caramba, ainda que na minha gritante insignificância diante da grande ordem das coisas.

Eu não faço a menor ideia do que vai acontecer daqui pra frente, eu não acho que vai ser tão bom como meu otimismo inevitável tenta me fazer acreditar, eu me questiono se valeu o sacrifício, mas para todos os fins narcísicos e egoístas da minha narrativa pessoal, fica aqui a minha história. O resto é o nosso futuro.

Onde você estava? 



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Estive em 1989 e conto o que ouvi por lá

Like any great love
It keeps you guessing
Like any real love
It’s ever changing
Like any true love
It drives you crazy
But you know you wouldn’t change anything, anything, anything

Interrompemos nossa programação para discorrer sobre um evento que abalou o nosso fim de semana, que desordenou o país e balançou as estruturas do mundo. Estou falando, claro, da reeleição da soberana das Américas MANDAMO BEM PETRALHADA do vazamento do aguardado disco novo da Taylor Swift, o 1989.




































Eu detestava a Taylor Swift antes de conhecer a Taylor Swift. Mas, sem saber, eu ouvia Love Story no rádio todos os dias indo pra escola e amava demais aquela música. Quando descobri quem cantava, minha cara caiu no chão. A partir de então fui me tornando cada vez mais simpática à menina Taylor, e quando o Red saiu o amor e a felicidade foram mais do que plenos. Enfim nos encontramos. 

Anunciada sua mudança de ~linha editorial~, abandonando de vez o country e abraçando o pop, é claro que eu temi. Eu odeio mudanças, principalmente em time que está ganhando. No entanto, no meio desse frenesi pré-lançamento do 1989, andei numa febre Taylor Swift que me levou a ler muita coisa sobre ela e assistir alguns dos seus shows (for the love of sweet baby Jesus, assistam o especial Story Tellers dela e chorem abraçados com o computador). E o que eu concluí nessa jornada foi que Taylor Swift está crescendo, mudando, aprendendo. Essa mudança de sonoridade (e de atitude também, quando prestamos atenção nas letras) é um reflexo disso, e como eu acho que ela mudou pra melhor, fico feliz por ela. Por mais que eu ame a fase Fearless, por mais que Red esteja tatuado na minha alma, 1989 nos oferece uma Taylor Swift mais madura, mais segura, mais dona da sua música e, finalmente, mais posicionada

Artistas sempre mudam, a música tem que evoluir junto com eles. Muitas bandas que eu conheço e gosto tiveram pontos de mudança importantes em suas trajetórias. Alguns eu curti, outros não, e o importante é lembrar que o antes sempre vai estar ali pra gente lembrar com saudades e ser feliz. "Everybody here was someone else before"

Como foi do meu entendimento que esse lançamento tinha um impacto muito importante nas nossas vidas, resolvi fazer um faixa a faixa do disco pra discorrer sobre cada momento desse novo trabalho da nossa melhor amiga famosa preferida. Me acompanhem:


Welcome to New York: Começa com esse sintetizador que é a cara dos anos 80 e eu já estou com os braços pra cima gritando MINHA MÚSICAAAAAA. É minha vertente pop favorita: batida marcada, refrão chiclete, música que faz dançar logo nos primeiros segundos. A letra fala muito sobre mudanças e adoro especialmente a parte em que ela diz que é hora de deixar a bagagem no chão, colocar o coração partido na gaveta, que todo mundo ali já foi alguém diferente. 
Blank Space: Pronto, na segunda lista temos Taylor falando de amor, do jeito que a gente gosta. Que letra maravilhosa, que ser humano é essa garota. É uma música sobre o começo e o fim de relacionamentos, uma referência direta ao fato de todo mundo pegar no pé da moça por seu elenco de ex-namorados e ela estar se importando tanto com isso que não vê a hora de escrever mais um nome na lista. "You look like my next mistake. Love's a game, wanna play?". Inspiração de vida.
Style: Nesses dois dias ouvindo o disco, se tornou minha favorita. A primeira que eu decorei o refrão logo de cara, aquela que me fez sair cantando e pulando pela casa. E sabe, preciso confessar que quando ela coloca referência de modas na letra e fala sobre como ela e o mocinho se vestindo, só consigo pensar em jeans com jeans. Não tenho paciência pra investigar, mas essa música é pro Harry, né? James Dean daydream look, cabelo grande, sem falar no título nada direto. Risos.  
JHDAJHDKAJHDKJAHHJFGSJFHGAF
Out Of The Woods: Foi uma das poucas músicas que eu ouvi logo quando ela liberou, e de início não tinha curtido. A presença do Jack Antonoff, que compôs a música junto com ela me pareceu muito marcante, e não sei se vocês sabem, mas eu não suporto .fun. No entanto, ouvindo a música no contexto do CD, consegui curtir mais, acho que ornou legal. Outra sobre o Harry, aliás. 
All You Had To Do Was Stay: Caras, quando eu digo que todos os caminhos levam à Kelly Key ninguém acredita. Isso é tipo a "Baba" da Taylor Swift. Refrão chiclete, desses pra gente ouvir andando na rua se sentindo maravilhosa, pra limpar a casa se sentindo soberana, pra lavar o cabelo se sentindo a poderosa dos gritinhos finos.  
Shake It Off:  Adoro muito que Taylor está rindo muito de si mesma nessa novo disco, e se fazendo menos de vítima do que o costume. Shake It Off me ganhou logo na primeira ouvida pelos primeiros versos e acho um avanço desde Mean, outra música pros haters que eu, pessoalmente, acho que tem uma letra bem infantil. No entanto, meu ideal do melô de perseguida ainda é Piece Of Me, de Neidoca. Melhor que dar os ombrinhos por críticos é jogar na cara deles que eles sobrevivem às suas custas. Sobre o clipe polêmico, essa mesa redonda tem várias problematizações importantíssimas que vale super a leitura. 
I Wish You Would: Essa música me lembra muito uma outra música que eu não consigo lembrar qual é (?) e até eu resolver esse mistério não vou conseguir prestar atenção o suficiente pra formar uma opinião sobre ela.  
Bad Blood: Me lembrou outra música, e dessa vez eu sei qual: Boom Clap, da Charlie XCX. Outra coisa que essa música lembra é a treta da Taylor Swift com a Katy Perry, e por conta disso minha má vontade com ela aumenta um pouquinho. Nem tem a ver com escolher um lado, e sim com o fato de essas picuinhas de bastidores me irritar bastante. A gente não precisa de reforçar esse estereótipo nocivo de que mulheres estão sempre sabotando umas às outras e estão sempre competindo. Não ajuda ninguém, pior ainda se for por causa de homem. Taylor, você é melhor que isso.  
Wildest Dreams:  Estou louca ou dessa vez Taylor Swift bebeu da mesma fonte que a Lana Del Rey? Não sei, os arranjos me lembraram muito as músicas dela, e esse tom meio onírico, meio sexy, sei lá. Eu gostei do refrão, vale?
How You Get The Girl: Gente, se estivéssemos em 2005 a Taylor Swift super estrelaria um romancinho da Disney no cinema, de preferência algum em que a protagonista sonhasse em ser cantora, e essa seria a principal música da trilha. Quando escuto essa música só consigo pensar em Hilary Duff, A Nova Cinderela e todos os seus filmes maravilhosos. Não que isso seja um defeito - quer dizer, depende da sua opinião sobre esse paradigma. Mas não é como se não tivéssemos ouvido isso antes.
This Love: Primeira música lentinha de 1989 e, sei lá, não me cativou muito. As baladas da Taylor Swift não costumam me ganhar de primeira, então sempre há esperança. Mas, por enquanto, é meio irrelevante pra mim.

Não vou comentar o resto do disco porque, como aparentemente é regra no trabalho da Taylor Swift, suas últimas músicas costumam ser bem pouco interessantes. Talvez seja bloqueio meu, mas nunca consigo prestar atenção às últimas faixas, de modo que não vou emitir opinião alguma sobre o resto do CD.

Meu veredito final? Três chicorinhas e meia. 1989 trouxe uma mudança, e o importante é que a mudança funcionou. Você pode não curtir música pop, pode sentir falta da vibe de antes, pode não suportar a batida dos anos 80, mas o negócio é que a moça resolveu arriscar e sustentou a manobra, segurou firme a ambição e se deu bem com ela. Acho que ela ainda pode se encontrar mais nesse nicho, fazer com que as músicas soem mais dela e menos de suas influências, mas ei, já é um começo. 

Aliás, já tem tempo desde que Taylor Swift era aquela mocinha que cantava country em Nashville, e se prestarmos atenção na evolução de discografia, estava tudo meio que aí. Em 1989, Taylor Swift tá pisando firme, tá rindo de si mesma, continua escrevendo bem pra caramba e continua sendo nossa melhor amiga famosa preferida.


Bem-vinda a Nova York, Taylor, ela estava esperando por você.



sábado, 25 de outubro de 2014

Nada na cabeça

Para ler ouvindo:

Essa música me descreve em todos os níveis e instâncias possíveis, prestigiem, por favor

Vocês acreditam em intuição? Eu achava que era coisa de novela até o dia que minha mãe insistiu para que eu não fosse em uma viagem na escola, porque ela teve uma ~intuição~ que algo ruim ia acontecer. Eu fui teimosa, viajei mesmo assim e voltei pra casa com 42 picadas de abelha. Desde então tenho prestado mais atenção nesses pequenos insights que surgem como relâmpagos na minha cabeça: rápidos, mas escandalosos o suficiente para serem notados. E olha, é impressionante a frequência com que eu acerto - pro bem e pro mal. 

Ontem eu estava parada na calçada do meu prédio, meio tomando chuva, esperando um táxi. O terceiro táxi da noite. O primeiro que eu chamei jurou que tocou o interfone de casa e ninguém atendeu, por isso ele foi embora. Eu só queria saber qual interfone ele tocou, porque não foi aquele que estava do meu lado naquela hora e meia que passei esperando. O segundo simplesmente não apareceu, decerto que achou de bom tom me deixar na mão numa noite de sexta. O terceiro resolveu passar reto também, e quando liguei na companhia de novo, pela terceira vez, a atendente simplesmente me disse: "olha, não sei o que está acontecendo, mas todas as suas corridas estão sendo canceladas, se a senhora quiser pode ligar em outro lugar". 

Quando três táxis misteriosamente não aparecem na porta da sua casa, todos eles vindos daquela companhia que nunca te deixou na mão, o que você pensa? Eu, que naquela altura já estava com uma veia pulsando na testa de tanta irritação e a cabeça doendo, pensei que eu deveria desistir. Já estava duas horas atrasada pra encontrar meus amigos, ia praticamente chegar no bar e ir embora, e infectaria todo mundo com meu mau-humor. Como pessoa sábia que às vezes eu sou, coloquei minha viola no saco e subi de volta pra casa.

Já estava começando a tirar o sapato quando minha mãe lembrou que tinha um cartão de taxista na bolsa, disse que não custava eu tentar. Prometi que só toparia se o cara estivesse perto, que eu não esperaria mais de 10 minutos, e que na verdade eu já estava querendo mesmo ver televisão. Só que eu liguei, o cara me prometeu ser rápido, e eu tinha feito um gatinho de delineador certinho demais pra simplesmente ir lavar o rosto pra dormir. 

Da portaria do prédio eu vi o carro do seu Zé Manoel se aproximar lentamente do meu prédio. Primeiro eu pensei que ele estivesse procurando o número, mas quando entrei no táxi vi que era essa a velocidade média dele mesmo. Uns 30 quilômetros por hora. O que é mais meia hora pra quem já está duas fora do horário, né? Vamo que vamo. Seu Zé Manoel errou o retorno e parou no meio da avenida pra refletir sobre os próximos passos. Os carros buzinando atrás, ele fazendo conjecturas sobre o mapa da cidade, e eu querendo abrir a porta no meio da rua e voltar correndo pra minha casa. Seu Zé Manoel subiu uma ladeira de segunda quando deveria ter engatado a primeira, e se até eu que sou eu percebi isso, vocês imaginem só a situação do carro. Seu Zé Manoel queria porque queria achar um lugar pra estacionar pra só então me deixar descer, mesmo que a rua estivesse lotada, mesmo que eu estivesse morrendo de pressa. Seu Zé Manoel não enxergava as notas direito pra calcular o troco, e eu na minha falta de paciência, pedi licença, troquei eu mesma o dinheiro e saí correndo. 

"Que morte horrível", disse eu antes de sentar na mesa e antes de qualquer oi. Só que nada é tão ruim que não possa piorar, e morte horrível mesmo foi a hora que eu tateei meus bolsos, revirei minha bolsa e o chão, e não encontrei meu celular. Meu celular novo, gente. Duas semanas com ele, pra nossa história terminar no banco de trás do seu Zé Manoel, e sabe Deus se ele ainda estaria lá. Nessa hora, só conseguia lembrar da hora que resolvi voltar pra casa, de quando eu sentei no sofá e comecei a tirar meu sapato, de quando os relâmpagos se transformaram em fogos de artifício e explodiram no céu com a mensagem: NÃO SAIA DE CASA. 


E sabe qual é a parte mais desesperadora disso tudo? Não é nem a primeira vez que eu faço isso. Pra quem já conseguiu esquecer a bolsa inteira dentro do táxi, eu acho um milagre que tenha sido a primeira vez que meu celular fora esquecido (eu tava com um cachorro machucado e desesperado no colo, cut me some slack). Costumo perder minhas coisas com exagerada frequência. Não apenas coisas, como também horários, obrigações, e-mails a responder e o que é mesmo que eu vim fazer na sala? É um péssimo hábito que eu tenho e me esforço muito pra tentar me livrar, mas às vezes post-its, anotações no braço, despertador no celular e lembrete no espelho não funcionam. Sou como aquela música do Gianoukas que dá título a esse post: tenho a cabeça no lugar, porque em algum lugar ela deve estar.

Então, pela quarta vez naquele noite, eu tive que ligar pra companhia de táxi. Aquela mesma que eu tinha feito barraco algumas horas antes, porque é lógico que o taxista da minha mãe não podia atender e chamou um colega, o seu Zé Manoel, que só podia ter saído daquele mesmo buraco. Era a mesma atendente, que quando ouviu meu nome do outro lado da linha deve ter suspirado e pensado "mas que booosta de noite que não acaba nuncaaaaaaaaaa queria estar morta". 

Peguei o número do seu Zé Manoel, cujo celular obviamente estava desligado. Sinal que o plantão dele tinha chegado ao fim, e a única coisa que eu podia fazer era torcer pra ninguém ter entrado no táxi depois de mim e esperar a manhã seguinte. Andei pela casa feito barata tonta a noite inteira, sem conseguir dormir ou me distrair com outras coisas, oscilando entre planos B desesperados caso o pior acontecesse (ADEUS RIO DE JANEIRO), auto-piedade e ataques a la Crazy Eyes nos quais eu só queria socar minha cabeça.

Mas, como diz o Cartola, finda a tempestade o sol nascerá, e às sete horas de uma manhã chuvosa de sábado, lá estava eu ligando pro seu Zé Manoel. Ele que, só pra eu me sentir um pouquinho pior por ter reclamado tanto dele no dia anterior, foi um fooooofo e disse que estava mesmo indo deixar o celular na central, mas suspeitava que era meu porque aquela capinha do Mickey era minha cara. Pedi desculpas pelo incômodo, agradeci efusivamente, rimos bastante da minha cara de idiota, nos abraçamos, talvez eu tenha chorado um pouco, e o mais importante é que meu celular voltou são e salvo pra casa. 

A lição que fica disso, queridos leitores, é que quando algo disser pra vocês não saírem de casa, não saiam. Mas se saírem, por favor, verifiquem se nada ficou no banco de trás do táxi.