domingo, 2 de agosto de 2015

Aquele em que eu (meio que) virei a Taylor Swift


Meses atrás, quando minha amiga Carol me disse que estava pensando em fazer uma festa à fantasia pro seu aniversário, eu já sabia. Veja bem, ela nem tinha certeza se ia dar uma festa, muito menos que ela seria à fantasia, mas antes da própria aniversariante colocar em prática os seus planos e começar a organizar os festejos, eu tinha certeza: eu iria me fantasiar de Taylor Swift. 

Não foi preciso nem dez minutos de reflexão para chegar a essa ideia porque ela já tinha vindo até mim na época do Halloween do ano passado. Veja bem, eu sou uma pessoa que gosta de festas à fantasia. Muito. De um tanto que chega a ser meio ridículo, já que nunca tenho oportunidade de ir em festas assim. Sei lá, não acontece. Isso, no entanto, não impede que eu tenha uma lista mental de fantasias que sonho em usar, assim como quem não quer nada, sabe? Posso ou não ter até pasta de referências no meu computador. Eu sei, sou ridícula. Desculpa. 


Mas por que a Taylor Swift?, se pergunta o leitor desavisado. Por que não a Taylor Swift??, responde a blogueira estupefata. Não passo um dia sequer sem ouvir "Out of The Woods" girando pela casa, e sou incapaz de andar dois quarteirões na rua sem procurar "Sparks Fly" na minha biblioteca musical pra me acompanhar. Me refiro ao Speak Now como "drogas pesadas" as quais recorro quando não tenho mais forças pra seguir em frente, e não importa quantas vezes eu já tenha escutado "Enchanted" ou "All Too Well", sempre preciso parar a minha vida pra ouvir de novo, e sentir, e sofrer, e fazer uma performance, e ser quebrada como uma promessa. Esse é meu nível de comprometimento com a vida & obra da Taylor Swift - e eu nem vou começar a falar sobre como eu acho maravilhoso dissecar a sua vida e correr atrás de subtextos por trás das músicas, das fotos e até mesmo das roupas que ela usa.

Aliás, o closet da Taylor Swift é uma análise semiótica esperando pra acontecer. Esse, aliás, foi um dos motivos que me levaram a querer me fantasiar como ela. Acho incrível o empenho de reformular todo o seu estilo em eras que se casam perfeitamente com o disco mais recente e a tudo que ele evoca. Se ela claramente usa a própria vida como matéria-prima pro seu trabalho, isso se traduz até nas roupas que usa. Além disso, acho muito mais legal produzir minhas próprias fantasias ao invés de optar por alugar uma coisa que trezentas pessoas já usaram antes.

Apagando umas fotos do meu celular percebi tinha TANTO material que juntei para montar essa fantasia que achei que seria legal compartilhar minhas referências aqui, até porque o Halloween já está chegando de novo e Taylor Swift + fantasia talvez seja a união entre dois dos meus tópicos favoritos de todos os tempos.

Poderia falar sobre isso por horas, mas juro que não vou gastar muitas linhas. 

A Era 


Embora no início estivesse tentada a reviver a era Red, com seus vestidos românticos, as listras, e os detalhes vermelhos em absolutamente tudo, o mergulho em 1989 foi uma certeza que veio tão rápida quanto a própria ideia da fantasia. Além de combinar mais comigo, acho a estética um reforço positivo nessa fase que estamos de enfrentar nossos monstros até descobrir que eles não passavam de árvores e todas aquelas palavras de inspiração incríveis que ela deixou no Foreword do álbum para que possamos repetir em nossos cultos pagãos. 

Além de tudo, eu queria muito usar uma blusa de barriga de fora e precisava de um empurrãozinho.

Os pilares de estilo de Taylor em 1989

- Barriga de fora












































Nos últimos anos nossa amiga Taylor conseguiu se firmar como a representante oficial do buchinho de fora. Acho lindo de morrer: uma coisa meio sexy sem ser vulgar, complicada e perfeitinha, sassy e classy, a cara dela. Seja com calça, shortinho, saia longa, saia curta, saia rodada, saia lápis, lá está Taylor Alison Swift com seus três dedinhos de barriga pra fora da roupa. Será que algum dia veremos o umbigo dela? Seria Taylor Swift o Kyle XY da vida real? O que diabos essa mulher esconde na barriga? São questões - talvez seu próximo álbum responda algumas.

O importante é que eu sabia que independentemente do que fosse usar, os três dedinhos de bucho estariam pra fora. Seria o début perfeito do meu midriff, há 21 anos e meio escondido por pudores infundados e razoável insegurança. Mas se Taylor é a pessoa que disse que nunca cortaria o cabelo, nunca se mudaria pra Nova York e nunca encontraria felicidade num mundo em que não estivesse apaixonada, eu seria a pessoa de barriga de fora no inverno.

- Salto alto


Late mais alto que daqui eu não te escuto

Já que estava numas de quebrar paradigmas, resolvi também que usaria salto. Se tem uma coisa que eu admiro em Taylorene é sua total falta de pudores de sair por aí de saltão mesmo com seus 1,78m de altura. O namorado de 1,96m e as amigas modelas ajudam, né? Também sou um bocado alta e confesso que não me sinto muito confortável com isso. Não é como se fosse uma questão, mas não vejo necessidade de ficar ainda mais alta, sem falar no desconforto. Mas a ocasião pedia, eu tinha comprado recentemente as sandálias mais lindas e brilhantes do mundo, e no fundo sabia que qualquer fantasia de Taylor Swift sem salto seria meio que eu vestida de mim mesma - só que de barriga de fora.

- Conjuntinhos

Acho chique, acho fofo, gosto assim. Não tem nada a ver comigo - nem os meus pijamas eu uso combinando - mas a por uma noite seria divertido sair do óbvio ao buscar justamente o óbvio.

















A busca 

Não queria alugar roupa, nem mandar fazer e ainda queria gastar pouco dinheiro (talvez uma massagem nas costas também). Pensando nisso, fui bater perna nas lojas de departamento. Fui direto na C&A pois pensei que a coleção da Kim Kardashian - que na época estava nas lojas - me daria muitas opções de cropped e talvez até de conjuntinhos. No entanto não encontrei nada realmente interessante ou que caísse bem em mim, mas tive a sorte de no mesmo dia achar um conjunto de saia e blusa de tweed. Saia alta, e blusa quase curta. Um amor.

O único problema é que eu nunca me dou bem com o corte das roupas da C&A. Sempre tenho a maior dificuldade de achar um tamanho que realmente me sirva, sem ficar apertado, ou muito largo, ou sobrando e aqui faltando acolá. Um caos. Foi por isso que não consegui comprar o conjunto: a saia e a blusa tinham que ser de tamanhos diferentes, e com isso a blusa ficaria muito comprida. De Taylor Swift meiga & abusada eu passaria, no máximo, por gerente de alguma coisa ou modelo do catálogo da Yéssica City. Não, né?










































O bom de ter uma enciclopédia mental de looks da Taylor Swift é isso: um imprevisto acontece e logo você se lembra de outra coisa super parecida que ela usou e dá um jeito. O corte da saia de tweed era idêntico a esse, de modos que bastou correr atrás de um top preto - coisa que não foi difícil - pra conseguir um look 98% igual ao dela. Ninguém ia reparar nisso além de mim, mas ser fã é padecer no paraíso das obsessões irrelevantes.

Cabelo e maquiagem

Meus amigos me convenceram que eu tinha que usar uma peruca. Eu realmente não queria, principalmente depois que a Taylor apareceu ruiva no clipe de Bad Blood, mas são esses sacrifícios que a gente faz em nome de uma festa temática. Meu problema nem era com a peruca em si, mas com a dificuldade de encontrar algo que fosse realista e acessível. Não estava disposta a alugar uma peruca de verdade, com cabelo natural - pelo preço que cobram, era mais fácil comprar a Taylor Swift e levá-la pra se apresentar na festa. Também não queria nada escrachado, loiro platinado, ou então com um corte muito diferente. A sorte foi que na primeira loja de fantasias que entrei, dei de cara depois de ter feito a mulher revirar o acervo com um modelo loiro não tão claro, de franjinha, e também não tão curto. Foi tipo meant to be.

boo


Usar peruca foi... interessante. Não sabia fazer aquela touca de colocar por baixo, não tive tempo de pesquisar a melhor forma de lidar com isso e me virei como pude, mas o arranjo não aguentou nem uma música antes de começar a sair do lugar. Foda-se, né? Minha entrada triunfal (risos) já tinha sido feita e depois do parabéns ninguém é de ninguém. Às vezes acho que fiquei com mais cara de Debbie Harry pobre do que de Taylor Swift, mas não acho que isso seja necessariamente ruim.

Para a maquiagem, resolvi copiar a de Blank Space. Quando tenho tempo faço prova de maquiagem pra ver se funciona, mas dessa vez não tive tempo nem de pensar em qual look faria. O look clássico de Taytay é o combo delineador e batom vermelho, que é basicamente o que eu uso sempre que saio de casa. Assim, minha segunda opção foi ver qual maquiagem dela tinha mais tutoriais no Youtube. Só adaptei de leve porque não gosto de olho muito carregado e nem de sombra preta, e acho que foi sucesso.


Pra finalizar, a única coisa que faltava era um acessório que dessa a dica de quem eu era. Não que eu tivesse alguma esperança de não passar a noite respondendo isso pras pessoas, mas precisava ler algo que me ajudasse nessa função. A ideia de materializar a long list of ex-lovers de Taylorene veio antes mesmo da fantasia: aliás, pensando numa placa gigante com a lista que eu tive a ideia pra fantasia.

Como tudo na minha vida, a festa aconteceu numa semana que eu estava atolada de compromissos, e não tive tempo de jeito nenhum de colocar meus dons artísticos (risos) em prática para tornar a lista realidade. Já tinha aceitado a derrota quando, no carro à caminho do aniversário, Matheus me entregou esse presente:


Ele pesquisou e fez direitinho, e não esqueceu nem do Conor Kennedy desaplaudido, e nem do detalhe de coração ao lado do nome do Harry Styles. Não é um amor? E foi assim que, munida de peruca, saltão, barriga (quase) de fora, minha lista de ex-namorados e a melhor gangue de amigos, eu fui a Taylor Swift por uma noite - que não tocou Taylor Swift em momento algum (!), mas não se pode ter tudo.

> Como blogueira de modas, sou uma excelente blogueira de aleatoriedades desimportantes. Peço perdão pelo vacilo das imagens zoadas: não tive tempo de ficar fazendo mil fotos legais e na hora nem estava pensando em fazer um post com elas;
>> Estou morrendo de vergonha de colocar essas fotos minhas aqui. Não me zoem muito;
>>> Todo um novo respeito pelas blogueiras de modas: mais de 15 dias com esse post no rascunho, tudo preguiça do trabalhão de editar as imagens, isso porque as minhas edições são as mais porcas do mundo;
>>>> Continuo alimentando o board de inspirações swiftísticas que criei lá no Pinterest antes da festa, interessadas favor dirigir-se a esse link.
>>>>> Obrigada pelos comentários no último post! Fiquei tão feliz de ver tantas pessoas aderindo ao BEDA ou topando me acompanhar nisso. Não vamos quebrar a corrente de amor, ontem me senti muito abraçada pela internet e estou tentando retribuir isso respondendo todos os comentários. Vai dar certo!

sábado, 1 de agosto de 2015

Se você pular, eu pulo

Ou: Adoro um trem errado


Eu não sou uma pessoa aventureira. Quer dizer, eu não sou essencialmente aventureira. Não sou impulsiva, muito pelo contrário: não acredito em decisões que são tomadas antes do uma noite de sono e pelo menos dois banhos longos, faço listas de prós e contras para tudo e a única coisa que eu faço sem pensar se estou ou não tomando uma decisão sábia é pedir sobremesa ou então mais um mojito - só porque é praticamente impossível errar em se tratando de sobremesa e mojitos.

No entanto, me preocupo muito menos com a fumaça quando tem outra pessoa pra acender o fogo junto comigo. Ou seja, penso muito menos nas consequências se alguém aparece do meu lado disposto a segurar minha mão e curtir uma queda livre, com tudo de bom e ruim que ela tiver pra oferecer. As coisas mais legais e aventureiras da minha vida aconteceram porque alguém teve uma ideia absurda e me arrastou junto - e eu sou muito grata por essas pessoas. Foi assim que eu entrei dentro da fonte de uma cidadezinha no meio da noite, e assim que eu desci no Insano não uma ou duas vezes, mas uma vez pra cada dia que eu fui ao parque, que foram sete, aumentando progressivamente. Foi assim que eu paguei mais caro que podia em muita passagem aérea, e assim que virei muitas noites, que misturei refrigerantes e depois provei pra ver qual era o gosto, e sentei no meio da rua, e corri descalça por várias ruas às seis e meia da manhã. 

Não é que eu seja maria-vai-com-as-outras, é só que preciso de alguém que me empurre pra vida. Se depender só de mim, passo a vida com o notebook na barriga assistindo Gilmore Girls e tomando Toddynho de madrugada. É muito mais difícil negar fogo quando alguém te puxa pelo braço e diz vamos!. E, por incrível que pareça, o destino parece mais atrativo quanto maior a perspectiva de erro da situação. É como diz o meu lema: se der errado, pelo menos vira um texto. 


Como eu sou meio esquisita, às vezes a roubada são os próprios textos. A maioria ninguém além de mim e das minhas cúmplices teve a chance de ler, mas estão lá na pilha de ideias que deram errado. Projetos, livros, rascunhos. Vamos inventar personagens? Vamos escrever um livro? Vamos fazer releituras das músicas da Taylor Swift? 

- Vamos postar todos os dias em agosto? 

Quem me perguntou isso foi a Paloma, no início da semana. Na verdade, a Analu chegou pra mim e disse: "Olha, a Paloma vai tentar te convencer de algo, e eu não tenho nada a ver com isso". Quando perguntei o que era, ela só disse que era uma furada que também lhe foi proposta, e até agora ela não tinha entendido por que tinha topado. Mas topou. Nessa hora, eu já sabia que se não envolvesse dinheiro (pois: pobre de tanto gastar com nossas loucuras anteriores) e sacrifício de animais, eu também toparia. 

Ah, mas então se suas amigas pularem do barranco você pula também? Mãe, é lógico que sim. 

Então foi assim que sem noites de sono ou longos banhos, sem lista de prós e contras, e claramente sem ponderar se essa era ou não uma decisão sábia, eu resolvi participar do BEDA, que nada mais é que um projeto chamado Blog Every Day in August. Na verdade eu pensei a respeito e é uma decisão bem estúpida, mas por que não? Afinal, estamos juntas nessa (e ainda arrastamos Sharon) e se falharmos, vamos rir bastante disso depois, quando tivermos outra ideia mirabolante fadada ao fracasso. "Lembra daquela vez em que a gente resolveu participar do BEDA e desistiu na primeira semana? HAHAHAHAHAHAHA". Nada fortalece mais uma amizade do que fracassos compartilhados. 

Não há nada de realmente aventureiro nisso, mas também não vou estar com o notebook na barriga vendo Gilmore Girls e tomando Toddynho de madrugada - porque estarei com o notebook na barriga escrevendo feito uma maluca e amaldiçoando essa decisão enquanto tomo um Toddynho pra me consolar. Mas até que eu morra na praia (ou no meio do oceano), tenho empolgação, um calendário organizado com color coding, muitas ideias para abandonar ao longo do mês e o blog aparentemente terá posts novos todos os dias. Todos. os. dias. A gerente claramente enlouqueceu.

Como estou entrando com a inconsequência, peço que vocês entrem com a companhia e até mesmo sugestões de posts - o momento é agora. Vai ser engraçado, e, se der errado, eu posso escrever um texto sobre o quão equivocada foi a ideia de postar todos os dias em agosto. Vamos acompanhar?

Jack e Rose curtiram esse post

> Não deixem de acompanhar os blogs das minhas cúmplices: Paloma, Analu e Xará. Isso não estaria acontecendo se não fosse por e com elas.
>> Está fazendo o BEDA também? Vamos nos abraçar! Deixa seu blog aqui e a gente se dá uma força.
>>> Sugestões de temas são sempre bem-vindas!


segunda-feira, 27 de julho de 2015

17 coisas que aprendi com o Snapchat

Meu pai costuma dizer que você está oficialmente ultrapassado quando surge uma nova onda na internet que você não apenas não faz a menor ideia do que ela seja ou como ela funciona, mas você simplesmente não entende o propósito daquilo. Assim, o surgimento do Snapchat me deixou com a sensação de que eu estava assinando oficialmente o atestado de tia da internet, e dali em diante só me restaria compartilhar notícias do Sensacionalista como se fossem reais, dar bom dia no Whatsapp com ilustração de minions e legendar as fotos assim............. que nem minha mãe faz..... rssss !!

Quando o Snapchat surgiu, eu não fazia a menor ideia da utilidade do aplicativo. Meus amigos compraram a proposta de corpo e alma, e enquanto eles se divertiam eu procurava entender a graça de uma rede social em que você envia fotos? que vão se excluir automaticamente? e vídeos de 10 segundos? que somem? tipo, pra que isso? Baixei e tentei usar, mas me senti extremamente ridícula e não conseguia me interessar por nada que as pessoas compartilhavam por lá. Eventualmente cansei de tentar, e meus amigos se cansaram de insistir pra que eu tentasse, e aceitei a derrota, entendi que de agora em diante ia perder algumas coisas e tudo bem. Tudo ótimo. Não se pode ter tudo. 

Mais recentemente, agora que o app realmente se popularizou e foi abraçado pela internet e pelos famosos, comecei a sentir uma nova coceirinha de curiosidade. Teimosa como sou, custei a admitir e dar o braço a torcer, e precisei encontrar um leão de cara bizarra que me convencesse a voltar. Explico: eu estava andando no shopping quando me deparei com um boneco de leão, não sei direito como chamar aquilo. 

Tinha uma espécie de instalação com vários bonecos de animais, meio que ali pras crianças subirem em cima e ficarem fazendo o que quer que seja que fazem as crianças. Só que o leão tinha uma cara bizarra, uma bunda gigante, e como eu não tenho maturidade nenhuma pra lidar com esse tipo de coisa, tive uma crise de riso. Segui em frente, fui jantar com meus amigos, e quando passei pelo leão de novo, outra crise de riso. Tirei fotos, fiz vídeos, mas senti falta de algo mais; o mundo precisava daquele leão, que não combinava com o Instagram (um pouco de dignidade sempre cai bem), não faria o menor sentido no Facebook, e que nem mesmo o Twitter poderia captar em sua plenitude. Eu precisava gravar um snap daquele leão. 

Foi aí que o aplicativo fez sentido pra mim: o Snapchat nada mais é que um lugar para pessoas que dão risada de leões deformados e sentem necessidade de dividir isso com o mundo. Depois desse episódio, baixei o Snap novamente e nunca mais larguei. É muito bom ser jovem novamente.

Isso aconteceu há pouco mais de dois meses, e nesse intervalo acho que já consegui sacar bem qual é a dele, aprender o que eu gosto, o que eu não gosto e até sentir vontade de cagar um pouco de regra sobre o que as pessoas devem ou não fazer por lá. Não vou me prestar a esse papel hoje, mas resolvi dividir com vocês um pouco das coisas que aprendi por lá, nessa que talvez seja uma das últimas fronteiras de intimidade compartilhada da internet. 

1) Tá todo mundo mal

Aprendemos isso com nossa amiga Jout Jout e o Snapchat veio pra provar isso. Tá todo mundo mal, gente. Enquanto no Youtube as pessoas estão bonitas, editadas, e sempre sob uma iluminação correta que as favorece, no Snap a gente aparece sem maquiagem, com o olho inchado, e todo mundo vê que você dorme com aquela camiseta do trabalho de escola feito em 2007. Assim como no Twitter a gente compartilha que vai no banheiro do trabalho fugir dos outros e pensar na vida, no Snapchat as pessoas ficam três dias sem lavar o cabelo, e mostram que estão comendo bolacha Passatempo o dia inteiro, ou então gravam 100 segundos contando sobre como o dia delas foi horrível, com direito a resfriado forte e sapato aberto na chuva. Eu adoro o Snapchat por isso. 


2) As pessoas ficam muito doentes

Pelo menos uma vez ao dia me deparo com o snap de alguém reclamando que tá doente. Não é doente de resfriado: é coisa séria, de ficar de molho em casa e fazer exames. Acho isso engraçado, porque eu nunca fico doente. Tipo, nunca. Tenho uma gripe forte e uma infecção de garganta por ano e é meio que isso - fora, claro, as constantes dores de cabeça e nas costas, mas isso são os meus maus hábitos gritando. No Snapchat as pessoas sempre estão doentes e indo ao médico, acho isso curioso. É normal não ficar doente? Deveria eu ir ao médico? Quando estou me sentindo mal vou dormir mais cedo, tomo uma Neosaldina, um chá e espero passar. Não é suficiente? Gente, tem que comer mais brócolis!

3) As pessoas realmente gostam de guacamole

Todo fim de semana tem pelo menos umas três pessoas comendo guacamole em algum restaurante. Eu sei que o fato de odiar abacate não me faz um bom referencial para isso, mas eu jurava que coisas com abacate não eram tão populares. No entanto, aparentemente, as pessoas gostam disso. E saem pra comer isso. E fazem isso em casa. E postam fotos. E vídeos. E fazem HHMMMMM no final. Abacate, gente. Eca.


4) Tem gente que come muito bem

Fico impressionada com os hábitos alimentares de algumas pessoas que eu sigo. É um povo muito bem alimentado! Falo não apenas das pessoas que comem coisas saudáveis, frutinha, salada, batata doce, tudo sem glúten e sem lactose, mas da galera que come umas coisas boas, bonitas, que chega em casa à noite e faz janta gostosa ao invés de miojo ou um misto quente. As pessoas cozinham coisas elaboradas, sofisticadas e comem coisas exóticas em restaurantes - ou no caso da Noelle, tem os melhores roomies do universo que fazem jantares incríveis como se fosse arroz com ovo. Olha, parabéns pra vocês. 


5) Tem gente que come muito mal

Desculpa, eu gosto muito de comida, então reparo muito no que os outros estão comendo. E tem gente que come muito mal. Dá vontade de mandar uma mensagem dizendo "amiga, é a terceira vez que você vai no McDonalds essa semana, isso mata!!" ou então perguntar se a mãe não ensinou que chocolate demais dá dor de barriga. Depois cês não sabem por que vivem doentes, né? Tem que se alimentar direitinho!


6) Todo mundo fala com bicho feito idiota

Uma das coisas mais fascinantes do Snapchat é descobrir a forma como as pessoas interagem com os seus animais. Com voz mais fina ou mais grossa, todo mundo é idiota e 95% das pessoas fazem vozinha. Gosto especialmente de quem conversa com o bicho e faz a voz dele (uma voz especial e cheia de personalidade) respondendo de volta. É meu tipo favorito de pessoa. 

7) As pessoas são mães dos seus bichos

As pessoas tratam seus cachorros, gatos, calopsitas, peixes beta e periquitos como filhos. Chamam de "filho" e se referem a si mesmos  como "mamãe" ou "papai". Nada contra, inclusive tenho uma mãe que trata o cachorro por filho e jura que somos irmãos, mas não deixo de achar engraçado. Algumas pessoas simplesmente não combinam com o título de mãe de bicho. 

8) Eu nunca vou cansar de ver vídeos e fotos de animais

Cachorro, gato, calopsita, peixes beta e periquitos, não importa. Eu vou ver 500 segundos deles sendo lindos e fofos e sentir saudade se você ficar um tempo sem mostrá-los. Just keep them coming. 

9) Há um limite pro overshare

Não estou falando de extremos, como aquela galera que grava snap fazendo xixi. Estou falando do cotidiano mesmo, sabe? Acho que isso acontece principalmente com blogueiras famosas, que estão tão habituadas a fazer a própria vida como material de trabalho que talvez não percebam o quão expostas estão. Talvez até percebam, mas não ligam pra isso. Não que seja um problema, mesmo, mas é que me sinto meio desconfortável por saber demais da vida dos outros, principalmente porque eu tenho vocação pra stalker, uma memória infinita pra fatos inúteis e às vezes percebo que sei tanto da vida de quem nem conheço que me sinto um pouco mal. Tipo, Anna Vitória, você não devia seguir o marido dessa blogueira e ainda saber que domingo ele joga basquete e depois eles saem pra comer um sunday roast e pizza à noite. Tipo, Anna Vitória, você não precisa reconhecer as pessoas pela roupa de cama que elas usam.


10) Você acha que conhece as pessoas

O Snapchat te dá uma sensação de proximidade muito grande com as pessoas. Se você segue gente que usa bastante o aplicativo, provavelmente você descobre bastante sobre a rotina dela, os amigos, o local de trabalho, o que ela faz no fim de semana... e aí de repente você se sente parte da vida dela, ainda que ela não seja nem remotamente próxima a você. Uma das snappers (?) que mais gosto eu conheci através de uma blogueira mais ou menos famosa, é uma das melhores amigas dela. E aí que eu comecei a seguir a moça no Twitter, e a ler o blog dela, e agora eu falo coisas tipo "Ai, mas a fulana disse isso", "A fulana mostrou aquilo" e às vezes me bate um desconforto e eu me sinto meio psicopata por essa proximidade unilateral.


11) É muito fácil acreditar que a internet é um grito no vácuo

Apesar de ter consciência de que não sou completamente anônima na internet, sei que ~meu público~ não é o de uma pessoa famosa ou de uma blogueira de sucesso. No entanto, sei que têm pessoas do outro lado me lendo, me acompanhando e, agora, me assistindo. Só que é muito fácil esquecer disso, principalmente porque no Snapchat você não tem muito controle sobre quem te segue em termos de números e essas coisas. Então estou lá, falando groselhas, achando que só minhas amigas estão vendo, quando de repente alguém aleatório comenta comigo sobre algo que disse lá e eu imediatamente quero me enfiar num buraco e nunca mais falar nada. Mas aí esqueço e logo estou falando groselhas de novo. 

12) Não existem assuntos chatos, existem pessoas chatas

Quando estava aprendendo a usar o Snap, li vários posts com dicas de como usar, o que fazer, o que é cafona ou não, essas coisas. Todos esses textos falavam que não era legal ficar falando demais, que ninguém queria saber como foi um dia banal da sua vida, e nem assistir 150 segundos do seu cachorro tendo a barriga coçada. Concordo em partes, é sempre melhor mesmo mandar a galera maneirar, mas isso significa muito pouco. Se a pessoa é legal, divertida e sabe contar histórias, ela pode falar por 500 segundos todos os dias que eu vou assistir. Agora se for uma pessoa chata, ou simplesmente alguém que não tem o timing certo pro aplicativo, 20 segundos viram uma tortura. 


13) 2 segundos são suficientes pra absorver uma foto

Amigas, superem as selfies de 10 segundos que ninguém aqui é obrigado. Sei que tem como passar antes do tempo acabar, mas ainda assim fico com raiva e ao mesmo tempo com vergonha pela pessoa. Parem. 


14) O Júnior é foooooooooooooooofo

O Júnior. Irmão da Sandy, sabe? Pois é, eu sigo ele no Snapchat. E ele é fofo! FOFO! Na verdade ele nem posta tanto assim, mas eu adoro. Ele tem cachorros fofos e é muito simpático e querido. Sério. Fazia mesmo todo o sentido sermos apaixonadas por ele há quinze anos. FOFO! Sigam: jrlimaoficial

15) As pessoas não têm vergonha de dirigir e fazer snaps

Eu não quero saber se você parou no semáforo, se o trânsito não andava, se o carro estava devagarinho. A única coisa que sei que é eu sou muito nova pra morrer atropelada porque uma pessoa estava fazendo lipsync de alguma música pra fazer graça pra internet. É feio, é irresponsável. Parem. Melhorem. 


16) O tempo passa muito rápido

Um dia passei 40 minutos marcados no relógio vendo todos os snaps que se acumularam ao longo do dia e nem percebi. 40 minutos é muito tempo. Ou eu maneirava meu vício ou de repente meus netos estariam correndo na sala e eu teria perdido toda essa vida - mas na verdade eu não teria netos, porque passei todo o tempo vidrada na tela do Snapchat. Jesus, me ajuda.


17) As pessoas não se levam a sério

A internet está cada vez mais cheia de gente que se leva a sério demais, e parece que é impossível topar com ações despretensiosas que não sejam marketing ou produção de conteúdo de algum tipo. Acho que o termo que mais me irrita é "produzir conteúdo". O Snapchat me mostrou que as pessoas ainda estão dispostas a perder um tempo razoável sendo idiotas, falando bobagens e eu sinto um quentinho no coração sempre que assisto 40 segundos de alguém fazendo caretas variadas ou brincando com os emojis na tela. As pessoas ainda não se levam completamente a sério. Ainda bem. 



> Quem quiser me ver falando groselhas e julgar meus hábitos alimentares, meu usuário é annachicoria;
>> Se tivesse que escolher sete perfis favoritos pra indicar, seriam cafremder, cheznoelle, carolburgo, daniellenoce, fashionismo, oliveira.v e rebiscoito. E vocês, que tipo de perfil gostam por lá?