terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Conselhos para os novos vestibulandos (que eu gostaria de ter ouvido) - parte 2

E vocês acharam mesmo que eu conseguiria dizer tudo num post só, né? (parte 1)

4 - Redação

Cada vestibular tem preferência por um estilo específico de texto, saiba qual é o seu caso, conheça os gêneros, estude-os. Não caia nessa de achar que sempre haverá mais de uma opção e você terá a moleza de escolher aquele que sabe e explora com segurança. Conte sempre com a possibilidade de que possa haver uma proposta única e você vai ter que estar pronto pro que vier.

A maioria dos professores se recusa a admitir que existe fórmula para se escrever uma boa redação, mas eu acho que existe sim. Aliás, é possível você escrever um texto no piloto automático e ainda assim tirar uma nota boa, e eu digo isso porque já vi acontecer. Mais de uma vez. Estudando bem os gêneros textuais, você aprende a organizá-lo e estruturá-lo, e com a prática você aprende a moldar qualquer tópico de modo a conseguir um resultado satisfatório. Fuja de chavões e clichês, porque isso pega mal, mas criticar o capetalismo e o pensamento classe média e defender os fracos e oprimidos são ideias que se aplicam a quase tudo e sempre irão te ajudar. Sei como é medíocre você formar um banco com milhões de ideias pré-formadas, mas tenha em mente que a redação do vestibular não é lugar para você despejar suas ideologias e mudar o mundo. Crie um blog depois que passar no vestibular e canalize essa energia. Tente ver para que lado o texto motivador quer te levar e vá por esse caminho. Digo, por experiência própria, que meus textos que ganharam notas mais altas foram aqueles com os quais eu menos me identifiquei e mais apostei no óbvio. Aqueles que eu gostava tanto que tinha vontade de postá-los no blog eram rechaçados pela corretora. Você pode ousar, mas não faça isso a não ser que tenha muita certeza da solidez dos seus argumentos e que não vai abrir espaço nenhum para que te tirem pontos por incoerência, por exemplo.  Deixe para mostrar seu conteúdo ao usar de referências; fale de livros, filmes, músicas, artes plásticas e filosofia, mas, novamente, fale daquilo que sabe e que tenha certeza que se relacione com o assunto principal do seu texto.

Preste atenção nos textos motivadores e leia bem as instruções com relação a eles: em alguns casos você é obrigado a parafraseá-los, em outros você é eliminado caso faça isso. Caso você estude sozinho e não tenha um professor para te orientar, vários sites na internet vivem sugerindo propostas que tem a ver com temas da atualidade e alguns ainda oferecem a opção de você enviar o seu texto para correção. Faça bom uso de bancos de redação e veja o que de melhor você pode tirar dos textos que receberam as melhores notas.

5 - Leia os livros

Eu sei que é complicado, eu sei que falta tempo, eu sei que a internet está lotada de resumos, mas nada me tira da cabeça que ler os livros é bem melhor do que confiar numa aula ou num resumo. Lendo os livros você faz a prova com mais segurança, sem medo de notas de rodapé ou daquele personagem terciário que algumas questões resolvem perguntar só por sacanagem. Ler o livro te dá bagagem e conteúdo para escrever numa questão de segunda fase, pequenos detalhes que advém de uma leitura cuidadosa contam pontos pra você. É fato de que você provavelmente não vai ter tempo de ler tudo, mas não jogue a toalha antes de tentar. Tente ler o quanto conseguir e caso se renda aos resumos, não perca tempo com aqueles que só contem a história. Estude bastante o contexto histórico, a escola literária e os aspectos de estilo mais marcantes, porque poucos vestibulares ainda perdem tempo pedindo pra você contar a história. Não confie em resumos com menos de duas folhas, e se tiver a chance de assistir aulas sobre os livros, não perca a oportunidade. Essas sim às vezes valem tanto a pena que te tiram a obrigação de ler as obras necessárias.

5.1 - Guia do Estudante

Sei que é comum aconselhar os vestibulandos a estarem bem informados a respeito do que acontece no mundo, mas só quem já esteve nesse barco sabe que é praticamente impossível ter tempo e ânimo de ler um jornal inteiro, olhar as notícias relevantes num portal de notícias, assistir ao Jornal Nacional todo dia. Por isso, entre num relacionamento sério com o caderno de Atualidades do Guia do Estudante, que sai nas bancas duas vezes ao ano. Eles resumem o que de mais relevante tem acontecido no mundo e, mais importante, fazem paralelo dos fatos com conteúdos teóricos de História, Geografia, Biologia, Química, etc, e ainda por cima trazem simulados e exercícios relacionados com o que foi mostrado. Comprei vários Guias no meu colegial, mas o de Atualidades foi o que mais fez a diferença, e como o preço é meio salgado, se você for comprar só um, vá com ele que não tem erro.  

6 - Treine

Não perca a chance de fazer vestibular pela graça. Ao todo, desde 2009, fiz 4 vestibulares seriados, 2 Enem e 5 vestibulares normais, sendo que apenas 4 ao todo eram para valer. Os outros foram feitos simplesmente para que eu me familiarizasse com o clima, aprendesse a administrar o tempo, conhecesse os procedimentos, controlasse o nervosismo. Lembro que na véspera da minha primeira prova eu tive uma crise nervosa, vomitei, passei mal e tive pesadelos a noite toda, mas com o tempo a gente se acostuma com isso e passa a ver o vestibular como a prova normal que ele é. Com o tempo e a prática você vai acordar numa manhã de vestibular e seu único desejo vai ser que a prova passe logo pra você poder assistir televisão. Além disso, use essas chances para descobrir a melhor estratégia para fazer prova. Isso é com você: veja o que é melhor, começar pelo que acha mais fácil ou encarar as dificuldades direto? Deixar a redação por último ou fazê-la de imediato? Fazer rascunho compensa? Descubra tudo isso antes das coisas ficarem sérias e quando você ainda pode errar.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Conselhos para os novos vestibulandos (que eu gostaria de ter ouvido)

Saí do vestibular mas o vestibular não saiu de mim. Pensando na melhor forma de fechar esse capítulo da minha vida, tive a ideia - ou melhor copiei a ideia da Luh - de escrever para vocês, futuros sofredores, alguns conselhos e dicas usando tudo que aprendi na minha experiência. Em 2011 prestei cinco vestibulares e passei em três deles. Alguma coisa de certo eu devo ter feito, né? Parei para analisar como lidei com isso tudo e selecionei o que de melhor e menos óbvio que pude fazer que mais me ajudou a ter um bom resultado final e gostaria de compartilhar as conclusões com vocês. E depois eu juro que não falo mais nisso.

1 - Faça um bom ensino médio

Sei que pode ser tarde demais para a maioria das pessoas, mas preciso falar. Se eu pudesse voltar no tempo e fazer algo diferente, eu aproveitaria melhor o ensino médio. Fazê-lo bem não significa se revoltar porque tirou menos de 90% de uma nota, mas sim não se contentar com 60% e, principalmente, usar bem do tempo de sobra para, de fato, aprender os conteúdos. Ah como eu queria ter tido a chance de aprender, por exemplo, logarítimo direitinho e não ter desprezado completamente a matéria só porque eu já tinha passado de ano e estava com preguiça de estudar! É muito melhor usar daquele tempo que é feito única e exclusivamente para você aprender e fixar os conteúdos do que ter que correr atrás dele lá na frente, num tempo que você não tem e que provavelmente vai te faltar para outras coisas. Uma coisa é revisar e outra é aprender do zero.

2 - Tenha disciplina

Eu sei que disse que ia fugir do óbvio, mas disciplina é uma das coisas mais cruciais que qualquer um precisa quando vai estudar. Eu não sou nem um pouco disciplinada, mas tive que aprender a ser. O negócio é você saber o que mais te desvia das suas obrigações - o que por si só já é complicado, já que quando você não quer estudar, querido leitor, até uma mosca voando se torna algo interessante. Meus maiores problemas eram o sono, a internet e o telefone. Para me livrar deles, eu saía de casa. Só estudava na escola, a base de muito café, água gelada no rosto, e uma rigidez militar auto-imposta de nunca atender telefonemas que eu sabia que me tirariam do foco e me tomariam meia hora. A questão é que tudo isso é muito pessoal, o que funciona pra mim pode não funcionar pra você. Tenho amigas, por exemplo, que não rendiam nada na escola. Você deve testar estratégias e ver o que funciona melhor. Por isso que é bom tentar manter uma rotina de estudos desde sempre, para sentir o que é melhor no seu caso. Sem falar que se você for acostumado a estudar, por exemplo, duas hoas por dia, não vai sofrer tanto quando ali pra setembro você tiver que passar umas sete horas sentado numa cadeira.

3 - Conheça a prova que vai fazer

Depois que você já escolheu qual(ais) vestibulare(s) vai prestar, é importante conhecer o estilo das provas. Cada faculdade tem suas manias, preferências e estilo de questão e é bom que você já esteja preparado pra isso até mesmo para direcionar seu estudo. Cada faculdade tem mania com certos assuntos e saber disso é uma forma de dar mais ênfase ao que tem mais chances de cair, e perder menos tempo com outras coisas. Imprima provas dos anos anteriores, faça com atenção e procure por padrões e coisas em comum entre elas. Converse com os professores, porque eles estão nessa há mais tempo e sabem várias manhas de algumas universidades. Uma coisa interessante de fazer é, quando tiver estudando, procurar no assunto algo que valha a pena ser perguntado numa prova e invente questões para você mesmo; se for fazer algum vestibular que gosta de questões interdisciplinares, pense em tópicos de outras matérias que se relacionem com o que você está vendo e faça as conexões. 

3.1 - Leia os editais

Sim, ninguém merece. Sim, sei que isso é um saco. Desde a primeira prova séria que fiz, meu pai me obrigou a ler o edital completo e confesso que no início fazia isso com muita má vontade e só agora fui ver como é importante. O edital do vestibular contém tudo o que você precisa saber sobre ele, e saber o que te espera é tão importante. A quantidade de gente que chega pra fazer uma prova sem ao menos saber as matérias do dia é uma coisa que me dá desespero. Já vi gente em segunda fase que descobriu na hora que todas as matérias eram cobradas e só tinha estudado específicas. Já vi gente que perdeu semanas estudando Antiguidade e foi descobrir depois que na prova de História só eram cobrados assuntos da modernidade em diante. São detalhes pequenos mas que fazem muita diferença principalmente no lado emocional, que num vestibular é tão importante quanto o conhecimento teórico. Imagina que terror você chegar preparado para fazer uma prova de Humanas e descobre, chegando lá, que é dia de Exatas? Imagina você descobrir um dia antes da prova que precisa levar uma foto 5x7 além da sua documentação? Os quinze minutos que você perde lendo o edital não são nada perto da tranquilidade de saber tudo o que te espera no grande dia.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Manifesto contra a racionalização da diversão


Eu sou uma pessoa controladora e que pensa demais sobre absolutamente tudo. E isso é um saco. Até que me ajudava bastante na escola, porque vivo tanto na noia que mesmo se eu quisesse muito, não conseguia sair da linha com minhas obrigações. O bichinho que vive na minha cabeça, querendo desesperadamente por ordem e coerência em tudo que eu faço, não me deixava ter paz no coração se eu ia pra casa dormir ao invés de ir pra escola estudar. Eu até dormia durante a tarde, mas ficava até altas horas estudando pra compensar. Me ajudava. Duro é quando entro de férias.

Suponhamos que amanhã eu acorde com vontade de assistir Orgulho e Preconceito, um filme que já vi mais ou menos umas cento e quarenta e oito vezes. Vou pensar em assistir pela centésima quadragésima nona vez, mas o bichinho começará a me lembrar que eu ainda não vi nenhum dos filmes indicados ao Oscar; que eu estou com as duas primeiras temporadas de Modern Family, as quais preciso ver; que preciso engrenar a leitura daquele calhamaço de quase quinhentas páginas que comecei a ler ontem; que tenho que assistir Vamos Falar de Amor Sem Dizer Eu Te Amo?, para mimar a Analu, e também porque deve ser demais. Quem precisa assistir Orgulho e Preconceito pela centésima-quadragésima-nona vez quando se tem tanto a se fazer?

Entenderam o drama? Toda essa luta interna sobre o que devo fazer do meu tempo livre chega a me dar um cansaço físico. Juro.

O que devo fazer do meu tempo livre. Encontraram o erro na frase? Se o tempo é livre, o certo seria não ter obrigação nenhuma relacionada a ele. O tempo é livre, é meu, faço dele o que quiser. Correto e ideal seria passar um dia todo de boca aberta, deitada na cama, olhando pro teto, e me sentir perfeitamente bem em relação a isso. Mas eu não consigo. Não que eu não passe vários dias deitada na cama, de boca aberta, encarando o teto, faço isso até demais; a questão é que essa não-atividade sempre vem acompanhada de uma culpa que me consome, porque aí eu me lembro que ~deveria~ estar fazendo outras coisas "importantes" no meu tempo livre, o qual eu desperdicei encarando o teto do meu quarto. Quem tem mil coisas de verdade pra fazer deve estar achando isso tudo uma estupidez sem tamanho, mas vocês não fazem ideia de como isso me desgasta. Parece que eu não consigo me divertir de forma leve e despreocupada, e até quando eu faço coisas que eu gosto, como ver um filme, isso ganha certo tom de obrigação. Se eu assisto um filme indicado ao Oscar, parte de mim vai ficar aborrecida porque isso foi como uma obrigação, e outra ficará paradoxalmente bem porque eu fiz algo que deveria fazer. Tipo um dever de casa. Não é muito triste?

Talvez uma das coisas que eu mais queira esse ano seja procurar de verdade pelo botão mute desse bichinho que vive na minha cabeça, para que eu possa ser mais livre e menos pilhada. Parei de fazer rankings pessoais de filmes e livros, e decidi que não vou ficar tentando bater meus recordes. Por isso que vou parar já com essa palhaçada de 16 dias 16 posts, porque essa ideia nada mais foi que minha faceta controladora falando alto. Eu estava à toa, o blog abandonado, por que não fazer uma gincana pessoal e individual para ver quão alucinantemente eu consigo postar? A maioria dos posts desse "projeto" foi escrita nas coxas, sem amor e sem vontade. Sentia uma espécie de depressão pós-parto imediatamente após postar, e sentia uma aflição ao entrar no blog, porque as coisas estavam forçadas demais. Sempre me orgulhei de nunca levar isso aqui a sério, e se eu quiser que ele continue sendo algo que me faz feliz, preciso parar com isso. Relaxar. Respirar fundo. Jogar a toalha lindamente.

Por fim, gostaria de deixar um beijo, um abraço e um aperto de bochechas para Analu, Jéssica, Amanda, Adônis, Nicole, Del e outras pessoas queridas que me leem na surdina, que se não estiveram presentes em todos esses 12 dias, estiveram aqui na maioria deles, me mimando, dando força, e fingindo não ver a falta de vontade com a qual eu estava escrevendo o post. Obrigada pela companhia, seus lindos. Se eu cheguei até aqui foi só para não decepcionar vocês, viu?

Agora, se vocês me derem licença, vou ali assistir Orgulho e Preconceito pela centésima quadragésima nona vez. E não me esperem amanhã.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Memes e mães

No dia que soube da tal entrevista, minha mãe soltou essa:

"Filha, já liguei pra sua avó, falei pra ela avisar seus tios, e todo mundo no trabalho já está sabendo da entrevista. Segunda todo mundo vai te ver... menos a Camila." *risadinha discreta*

"Ah tá... quem é Camila, mãe?"

"A Camila, Anna!" *risos*  

"..."

"Ela não vai verHAHAHAHAHAHAHAAHAHAHA porque tá noHAHAHAHAHA Canadá!!!!!!!!!!! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA"

Mães: não satisfeitas em fazer piada com o meme mais vencido e orkutizado do Brasil, conseguem a proeza de errar a piada e mesmo assim se divertir com ela como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. 

É claro que eu transformei isso no meu meme particular, porque apesar da confusão bonitinha eu não faço a linha de quem deixaria um deslize desses passar batido.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Hoje quero falar de moda

(10/16)

Se essa maratona insana que inventei de fazer só pra ter dor de cabeça e culpa não me der uma licença para falar nem que seja uma só vez de moda e mulherzice, pode parar tudo que quero descer. Há tempos a Irena fez um post bem amorzinho sobre as coisas que gosta de vestir e suas inspirações e eu guardei para fazer algo parecido. Hoje achei a oportunidade perfeita, e o fato de que passei quase todo o dia vendo fotos de gente bonita e bem vestida no Tumblr e blogs aleatórios só corrobora. Lancei a proposta na Máfia, mas quem gostar e ficar afim de fazer igual, might as well be my guest.

Três estilos que adoro

Boho/Ciganismo arrumadinho
Boyfriend

 Rock florzinha

Musas e inspirações

Alexa Chung

 Diane Keaton como Annie Hall

Audrey Hepburn
 Andie Walsh, de Pretty In Pink (a imagem é de um editorial fantástico feito pelo Who What Wear)

Kirsten Dunst

Kate Moss

 Gossip Guéls

 Diane Kruger

 Não vivo sem

Boyfriend jeans, estampa de bolinhas, short jeans detonado, blusa branca, sapatilha e bolsa vermelhas, sapatilha dourada, All Star, brinco de pérolas, coturno, meia calça preta fina, sapato oxford, litras e estampa floral, lápis marrom e batons coloridos.

Look do dia




Sonhos de consumo

Calça de couro, chapéu a la Annie Hall, meia calça vermelha, camisas de seda de todas as cores, sapato Miu Miu, bolsa Mulberry modelo Alexa, sapato boneca preto Louboutin clássico, cabelo da Keira Knightley.

E vocês, amam usar o quê?

(Fiquei devendo a fonte das fotos porque 96% delas vem de uma pasta onde há anos eu salvo tudo aquilo que eu gosto e uso como inspiração e fonte inesgotável de cobiça e inveja. Portanto, é um arquivo de anos e fica praticamente impossível lembrar de onde saiu tudo isso. Se alguma coisa for sua, me avise!)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ode a Melancholia

(9/16)

A lista de indicados ao Oscar saiu hoje, e eu não poderia estar mais indignada e entediada. Estamos cansados de saber que a opinião da Academia não deve ser assim tão levada a sério, mas acho uma falta de consideração tremenda Melancholia não ter sido indicado a nada. Minha análise é passional, eu sei, mas que difícil viver num mundo onde um filme xarope do Spielberg leva indicação de melhor filme e Lars Von Trier sai com o rabinho entre as pernas. Mágoa por causa do vexame em Cannes? O filme nem é tão bom assim e eu estou viajando? Não sei. Só sei que achei pesado.


Desde que foi lançado, assisti Melancholia seis vezes. Na primeira delas, quando o filme chegou ao fim, eu não conseguia pensar em nada. Só desliguei o computador, virei pro canto, e sonhei a noite toda com o planeta se chocando contra a Terra. No dia seguinte assisti novamente, e a sensação de encantamento e assombro foi igual. Isso porque eu nem tinha entendido tanta coisa, porque não achei legenda alguma e, como os poucos diálogos do filme são quase inteiramente sussurrados, é um pouco difícil entender o que é dito. Assisti com meu pai, assisti com minha mãe, reassisti sozinha e nas seis vezes não consegui terminá-lo me sentindo igual. Quase posso dizer, se me permitem a ousadia, que o filme é uma experiência.

Vai ver que é por isso que só agora escrevo sobre ele, ainda que com o sentimento que falarei um milhão de coisas que vão significar tão pouco. Acho cafona dizer isso, mas Melancholia é um filme pra ser sentido. O apelo sensorial dele é enorme, seja pelas imagens maravilhosas, os planos abertos e a imensidão do planeta que ameaça te engolir ou pela trilha sonora monstruosa. Ainda no prólogo, quando Tristão e Isolda começa a crescer e ficar mais alta e magistral a cada minuto, chega a dar medo. Parece que aquilo vai te pegar e sugar pra dentro. É um medo misturado com encantamento.

Não sei quanto a vocês, mas eu tenho uma certa aflição do céu. Desde pequena, quando a lua cheia aparece enorme e imponente ali, eu sinto um pouco de medo. É um sentimento totalmente irracional, mas sempre senti um horror daquilo, o que é bastante contraditório, porque a lua, quando toda enorme, redonda e amarela, é linda. Talvez eu fique intimidada com uma imensidão daquelas diante da minha pequenez. A visão do planeta Melancholia aparecendo no céu terrestre cada vez maior, mais bonito, e ameaçador, é a materialização dos meus traumas de infância, e vai ver é por isso que o filme mexe tanto comigo. Ele traduz o exato assombro sedutor que uma visão daquelas evoca, que é mais ou menos como a personagem da Kirsten Dunst (MUSA) enxerga a morte - ou a vida, por que não?

Já li muitas análises que explicam o paralelo entre a depressão e o fim do mundo mostrados no filme, mas meu argumento favorito ainda é do diretor, Lars Von Trier: depois de curado de uma depressão e cansado de ouvir das pessoas que aquilo não era o fim do mundo, colocou suas impressões e sensações em um filme com a ideia de mostrar que pra ele, aquilo era, de fato, o fim do mundo sim. Acho justo. Acho digno.

Por isso que com mais de um mês de antecedência e sem ter assistido a nenhum dos reais indicados, declaro que o meu Oscar vai para Melancholia. Me engoliu, me virou do avesso, me deixou tão sem reação que nem chorar consegui. Imbatível. Woody Allen, George Clooney: fica pra próxima.