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segunda-feira, 22 de junho de 2009

O desencantar do encanto.

Ou: O Lindo, parte 3 (parte 2, parte 1)

Eu fico até sem jeito de vir aqui postar isso, porque essa saga do Lindo me rendeu os comentários mais legais e engraçados que já recebi em toda minha história blogueira, mas sinto que terei que decepcionar todo mundo. Sem cerimônia para notícas trágicas que podem mudar sua vida: eu desisti do Lindo justo quando eu estava com a faca e com o queijo na mão. Ou quase. Vou me explicar melhor. Já falei que tenho duas amigas em comum com o Lindo, a Luiza e a Lud, sendo que a Lud é bem próxima dele e a Luiza já tinha dado a dica pra ele sobre a menina que havia enviado o bilhetinho, certo? Sim, passou pela minha cabeça a idéia de estabelecer uma comunicação com ele através de bilhetes, na verdade, ela estava guardada desde o começo lá no meu subconsciente.

Enquanto discutia isso com minhas amigas, Luiza fez a pergunta crucial: "Mas Anna, se o negócio rolar, você quer mesmo?" Antes de dar a resposta óbvia, discorri em um segundo sobre todas as qualidades dele: lindo (sério?), estilosinho, sorriso perfeito, muito engraçado, inteligente-manjador-das-exatas (preciso dizer que tenho um tombo por caras inteligentes-manjadores-das-exatas?) e ainda queria prestar pra alguma Engenharia. E em um quarto de segundo pensei sobre seus defeitos: pegador e bem galinha. Ok, mais alguns segundos para discorrer acerca deste detalhe.

Tá que a chance de alguma coisa realmente acontecer era pífia, mas ainda assim, eu não queria me meter com nenhum garoto garanhão, porque eu odeio garanhões. Acho que por isso que vai ser difícil pra mim arrumar um namorado, porque apesar da minha lista de exigências ser aparentemente grande, o que eu mais prezo é se o cara é bom moço. Por bom moço vocês entendam, desses que não rodam a língua dentro da boca de uma menina que eles mal conhecem direito em uma festa, ou barzinho, ou qualquer lugar. Acho que cada um é muito cada um, mas eu não concordo com a filosofia das ficadas, sei lá, acho que eu sou romântica demais e ainda acredito que mesmo que só uns beijinhos envolvem muito mais coisa do que só a fome a vontade de comer. Não torçam o nariz, porque na real é assim mesmo.

Ele pode ter o sorriso mais incrível que eu já pude perceber (e se sair um texto legal, eu ainda posto uma última aventura sobre ele e seu sorriso), mas ah, sou muito mais os caras quietinhos, os menininhos criados com vó, os bons moços. Na verdade, sou mais mesmo é esperar pra ver o que Deus tem guardado pra mim. E sobre o Lindo? Ah, olhar nunca arrancou pedaço, né?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ah, essas festas juninas...sempre de brimks.

Ou: O Lindo, parte 2 (parte 1)

Quarta-feira, meio da aula de Biologia, entram serelepes na sala algumas meninas do terceiro ano avisando que o 3º estaria vendendo doces e quitutes de festa junina, além do queridinho de todos, o Correio Elegante. Pra quem não sabe, Correio Elegante é aquela brincadeira de festa junina onde você compra um pedaço de papelzinho todo gay em forma de coração, escreve um recadinho pra alguém e manda os fulaninhos entregarem. É uma ótima brincadeira para zoar seus amigos, cutucar os inimigos, mandar fofuras pro namorado ou então dar uma de enigmática-moça-à-moda-antiga-que-tenta-fisgar-o-school-sweetheart-através-de-um-bilhetinho -anônimo-misterioso. Agora reflitam vocês a respeito do perfil em que eu me encaixo.

Na primeira olhada sugestiva de Naná para mim eu já falei: "Não, definitivamente não", mas ela ignorou a história, chamou a Sofia e toda a patota e eles, alheios à mim começaram a refletir sobre o que eu deveria escrever no bilhetinho que mandaria pro Lindo. Eles tanto falaram, tanto insistiram que eu acabei por aceitar. Ok, eu ia mandar um bilhete anônimo pro Lindo. Só precisava saber o conteúdo deste. Eu já estava aceitando aquela breguice toda, precisava escrever algo minimamente inteligente. Letras de música, trechos de livro e toda a coisa açucarada que alimenta os romances estavam fora de cogitação. Eu não gosto do garoto. Só acho ele LIIIINDO, e ele me deixa estranhamente deslumbrada e hiperventilando toda vez que se aproxima e isso me faz quase que seguí-lo por toda a escola. Eu disse quase. E eu pensei que não dava pra escrever isso, o cara ia fazer o Tarso e sair gritando que o mundo estava seguindo ele.

Pensei até a hora do recreio e a idéia que eu tive não foi das melhores, mas foi a coisa menos Hilary Duff que eu pude imaginar. Comprei o papelzinho e escrevi: "Sei que essas coisas só funcionam nos filmes, mas não custa tentar." Assinei com um A. e deixei o resto na mão de Deus. Pedi pra Luiza entregar pro garoto que estava distribuindo os bilhetes, porque sei que eles são fofoqueiros e dedariam na hora que fui eu quem havia mandado. Luiza ainda estava perto quando o garoto entregou pra ele, que logo perguntou pra Luiza se aquilo era dela pra ele. Ela disse que era de uma amiga dela, e saiu correndo ao meu encontro, correndo e batendo palmas, dizendo que o mal feito já estava feito.

Eu não estava esperando que isso iniciaria um tórrido affair hollywoodiano, ou então que ele ia ficar muito louco de curiosidade para saber quem era a tal A. e cercaria a Luiza na esquina, forçando-a a se não contar de uma vez quem era a misteriosa amiga, pelo menos oferecer um vínculo de comunicação entre ele e a tal (no caso, eu). Depois que fiz a mini-loucura, só pensava com os meus botões se ele teria dado um sorriso daqueles pro meu bilhetinho idiota.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Lindo.

A primeira vez que eu o vi, foi em um dos primeiros dias de aula. Reparei de cara nele porque eu estava decepcionada com a ala masculina do novo colégio. Se é a maior escola da cidade, eu logo supus que os meninos bonitinhos que não estudavam na minha antiga escola se encontravam por lá, oras. Mas até então ninguém tinha me chamado a atenção, só ele. Ele é o tipo moreno-bonitinho-romântico-bobo-apaixonado-SethCohen, imaginem o Caio Castro (?) só que com o cabelo liso, os mesmos olhos, menos musculoso e bem, bem, bem branquinho. Desses das bochechas rosadas. Adicione à equação suéteres de bom gosto e tênis estilosinhos. Pronto, é o Lindo.

Depois dessa primeira vista, eu nunca mais o vi. Tão nunca mais que nem me lembrava mais dele, pra mim ele tinha caído no buraco e ponto final. Até que um dia eu o vi de novo, estava bem frio, eu estava saindo da cantina e ele estava lá parado, feito um totem (não). De gorro, um moletom super legal e as bochechas mais rosadinhas ainda, queimadas pelo frio. Não sei o que ele estava fazendo parado lá com os braços cruzados, só sei que eu passei perto dele e quase seria uma cena de filme se não estivesse ventando tanto, porque vocês sabem, essa coisa de cabelos ao vento ser sensual e charmosinho acontece SÓ nos filmes. Olhei pra Naná. "Meu Deus, quem é esse?" Até então ele não era o Lindo.

Uma ou duas semanas se passaram sem que eu o visse, mas ainda não tinha recolocado o garoto no buraco onde antes ele estava. Aí ele aparece de novo, na cantina de novo, dessa vez eu saindo da fila e ele lá no fim dela. Eu só olhava, olhava pra Naná e pensava comigo: meu Deus, ele é lindo. E o sorriso? Ah, mas ele tem um sorriso tão bonito (bem mais bonito do que o de certas pessoas)! Eu estava tãããão alvoroçada naquele dia, que fui correndo perguntar pra uma amiga minha do terceiro ano (ele é do terceiro) se ela conhecia ele. "Mas como ele é?" "Ai Lu, ele é lindo!!!" A Lud, uma outra amiga do terceiro que estava conosco só fez a pergunta crucial: "Ele tem um sorriso perfeito?" "Tem!" "AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH EU SEI QUEM É!" E aí nós começamos a rir, e a dar gritinhos e a bater palmas, um lindo espetáculo evidenciando a falta de auto-controle que nos consome. Fomos andando juntas até o pátio do terceiro ano, achamos um banquinho por lá e nos pusemos a falar sobre a vida. Quando eu estava andando para minha sala, quem adentra o pátio do terceiro e vai conversar justamente com minhas amigas? O próprio. Amaldiçoei na hora o meu comportamento certinho, porque, pô jô, se eu tivesse enrolado TRÊS SEGUNDOS no banquinho, teria visto o Lindo e quem sabe, teria sido apresentada a ele.

Luiza e Lud, minhas amigas que o conhecem, me relataram que ele é bem tímido e normalmente passa os recreios na sala. Pronto, o menino é lindo, se veste bem, tem um sorriso maravilhoso e não é desses popularzinhos que desfilam na hora do recreio, quer mais? O problema disso é que é bem difícil localizá-lo, e quando eu o vejo, eu nunca estou esperando por isso. Tanto que chego a cruzar com o menino sem que eu perceba. Um dia isso aconteceu, e eu sou tão cara de pau, mas tão cara de pau, que dei a volta correndo por fora do pátio, só para passar pelo corredor que ele estava andando e cruzar com ele novamente. 11 anos, oi! Foi nesse dia que surgiu o apelido super criativo para ele, Lindo. Eu só corria feito doida pelo pátio, puxando a Sofia pela mão e quase gritando que a gente precisava localizar o Lindo. 10 anos, oi!

Terça-feira foi um dia só de palestras na escola, e antes da abertura aquele colégio estava uma zona. Eu estava num canto conversando com algumas amigas, esperando um espaço andável no pátio, muito feliz, quando minha amiga: "Anna, Anna, Anna, olha quem tá ali atrás!" Nós estávamos na frente de um stand, e adivinha quem estava dentro dele? O Lindo, lindo, com um suéter mostarda, desenhando alguns cartazes. Ouuuun, ele também é talentoso! Alguns minutos depois ele saiu do stand e esbarrou em mim, eu nem reparei, já que estava hiperventilando. Quando ele volta pro stand, dá de novo uma super topada em mim que me obriga a fingir surpresa. Ele abre o seu sorriso perfeito: "Desculpa!" e eu sei que não queria ver minha cara de boba na hora.

(Continua)