segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Doce infinito


Recebi 2012 cansada, pessimista, mal humorada e até mesmo meio amarga. Não depositei nele esperança alguma, apenas pedi que, pelo amor de Deus, ele fosse diferente. Ainda bem que Deus é lindo e infinitamente superior e relevou todo meu charminho de garota mimada e não apenas me deu um ano diferente como me deu um ano doce - aquele adjetivo que eu disse que era brega desejar para um ano que se iniciava. 

2012 foi doce e não só me abraçou, mas me colocou no colo. Era o refrigério que eu esperava depois de uns pares de anos desanimados e sem graça. Eu passei nos vestibulares que eu queria, nas faculdades que eu mais desejava e, embora tenha doído demais ter que conviver quase cinco meses na cela de um impasse, fico grata que passei por isso, já que, por ora, estou certa do que quero. Observando os acontecimentos recentes, vejo que eu não deveria estar em nenhum outro lugar. Passei três anos querendo sair de casa para estar quase de malas prontas quando vi que eu tinha mesmo era que ficar. 

Amo minha nova vida universitária, cada pedacinho dela. Conhecer gente diferente, que pensa diferente, que mergulha naquilo que acredita, é uma delícia. Melhor que isso, só a liberdade de entrar e sair da sala quando eu bem entender, e olha que eu posso contar nos dedos de uma mão as aulas que já matei. Pra quem passou três anos numa escola que parecia uma prisão, é um contraste bem interessante. Adoro a vida paralela no campus. Amo ficar flanando por lá, sem compromisso algum.  Além disso, é tão mais legal passar suas horas com a bunda sentada na cadeira ouvindo e assentindo quando você, de fato, se interessa por aquilo! É tão mais gratificante ver que seu esforço vai te levar pra algum lugar que você queira ir! Ganhei um perfil na Gazeta Feminina, uma coluna num site de música muito bacana e sou uma orgulhosa colaboradora da Revista 21. 

Eu amo o que eu faço, eu amo aquilo que eu estudo pra fazer um dia e eu sei que não é a aposta mais certa do mundo e nem venham me falar de salário e instabilidade - eu estou disposta a dar a cara a tapa. 

Além dessa independência metafórica, em 2012 comecei a ganhar meu próprio dinheiro. Passei num processo seletivo e agora pago meus livros, meu Netflix, e não ter que depender dos meus pais até para pegar ônibus dá uma inflada muito gostosa no nosso ego. Quase mais legal que a grana no fim do mês é pensar que ter passado nessa prova foi também um passo importante rumo ao meu sonhado intercâmbio. Por conta dele, finalmente comecei a estudar francês. Tenho arrancado os cabelos decorando conjugações e tentando pronunciar coeur de uma forma que não me envergonhe, mas não há quem me faça dizer que não é a língua mais charmosa do mundo. A mais bonita continua sendo o português. 

Fui abençoada todos os dias do ano com companhias perfeitas. Os amigos de sempre me provam todos os dias que dá, sim, pra ser pra sempre. Aquelas que eram virtuais se tornaram reais não só pelo abraço apertado no meio do shopping, que quase me derrubou no chão, mas sim por me fazer sentir na pele que estar perto não é nem um pouco físico e que poucas coisas na vida são tão bonitas como almas que se encontram antes mesmo de se encontrar. E para a surpresa geral da nação, fiz amigas na faculdade antes mesmo das aulas começarem e, ao longo do semestre, me vi no meio de um grupo de pessoas não apenas maravilhosas, mas maravilindas, que me tiram da toca para rolês errados só porque a companhia compensa. 

2012 foi o ano que eu quase não dormi. Consegui me desligar da tomada antes da meia-noite tão poucas vezes que consigo me lembrar com clareza de quase todas elas. Cantei muito no karaokê, vi o show de uma das minhas bandas mais queridas e fui à minha primeira Bienal do Livro. Sobre esta, embora tenha aproveitado pouco e saído de lá meio traumatizada, a lembrança das companhias, do preço de banana pago por vários librinhos e alguns brindes especiais, me fazem esquecer das pernas doloridas, o suor e a quase desidratação. 

Os revezes, no geral, foram detalhes distantes. É claro que não passei o ano nadando em pudim de leite.  A coisa azedou, claro, principalmente por conta do medo, um sentimento que conheci a fundo esse ano. Medo, principalmente, do desconhecido, esse eterno joanete humano que nos coloca em face do abismo. Esses encontros costumam ser assustadores, deixam a gente com vontade de nunca mais sair da cama  -porque sério, viver é aterrorizante -, mas não dá pra mentir e dizer que a vista dessa janela não produz umas iluminações sobre quem somos, o que acreditamos, em quem confiamos. Um pedido pro ano que vem? Ó meu Deus, me salve de mim mesma!

2012 foi o ano dos infinitos. A Culpa É Das Estrelas quebrou meu coração diversas vezes em julho, e com Hazel e Gus eu descobri que alguns infinitos são maiores que outros - e mesmo que eles não tenham tamanho suficiente, a gente precisa ser grato pelo pedaço que recebeu. Com o Charlie, conheci o sentimento de se sentir infinito. Não sei se ele explica isso em algum momento, mas, na minha concepção, se sentir infinito é não querer estar em nenhum outro lugar que não aquele em que se está. 2012 eu me senti infinita mais vezes do que julgo merecer e faz tempo que não era tão bom ser eu. 

Obrigada, Senhor, pela graça alcançada. Mesmo.

E pro ano que vem:


sábado, 29 de dezembro de 2012

As melhores leituras de 2012

Como já é de hábito por aqui, finalmente é chegada a hora de compartilhar com vocês o que eu li em 2012. Vi que muita gente aderiu ao questionário inventado pela Taryne e adaptado por mim na hora de pôr em pratos limpos as páginas viradas nesse ano - o que é lindo. Porém, trairei o movimento e usarei um formato um pouco diferente para falar de livros esse ano: vídeo! 2012 foi oficialmente o ano do Youtube na minha vida - que matou não apenas a televisão, mas todo o meu interesse por qualquer outra coisa que não pessoas falando sobre livros, produzindo coisas awesome, adaptando meus livros favoritos, etc. Assim sendo, essa é mais uma tentativa de me aproximar desse nicho, embora eu reconheça que sou um Ryan Atwood diante das câmeras no que diz respeito a total ignorância de como lidar com a exposição, embora, por outro lado, eu seja totalmente Seth Cohen: não consigo parar de falar. Me perdoem pelos 22 minutos, eu fiz o meu melhor e esse vídeo é apenas a quarta tentativa de ser concisa. Podia ser bem pior.


Livros lidos em 2012 - e breves comentários sobre eles:

Lolita - Vladimir Nabokov 
Qualitativamente falando, o melhor livro do ano. 
- O homem que confundiu sua mulher com um chapéu - Oliver Sacks 
- Liberdade - Jonathan Franzen
- O que é ser jornalista? - Ricardo Noblat
- Para seguir minha jornada - Regina Zappa
- Northanger Abbey - Jane Austen
Abandonei, por motivos que já expliquei aqui.
- A mulher de Pilatos - Antoinette May
O pior, e talvez único genuinamente ruim, do ano.
- On the road - Jack Kerouac (versão original)
O mais chato, com certeza, mas vale pelos fluxos de consciência bem mais interessantes no original.
- Jornalismo diário - Ana Estela Sousa Pinto
- Anna Karenina - Liev Tolstoi
Liévin, um dos protagonistas da história, só não ganha o troféu de macho do ano porque temos Augustus Waters na concorrência, mas ele quase chegou lá.
- Jogos Vorazes - Suzanne Collins
- Em chamas - Suzanne Collins
- A Esperança - Suzanne Collins
Katniss Everdeen, definitivamente a personagem mais chata do ano e, a quem interessar possa, minha parte favorita da trilogia é a final. Ainda que não tenha sido um favorito, foi responsável por me fazer virar a noite lendo, principalmente no último volume. Eu precisava saber o que ia acontecer, mesmo. 
- Comer rezar amar - Elizabeth Gilbert
- The fault in our stars - John Green
Emocionalmente falando, meu favorito do ano, vencedor dos troféus de "casal mais apaixonante", "chorei de soluçar" e "grifei loucamente". O pingente de nuvem que não sai do meu pescoço e ainda me faz chorar não me deixa mentir. Obrigada, John Green! 
- Reparação - Ian McEwan
Uma releitura que não poderia ter vindo em melhor hora. Nunca deixem de reler seus livros favoritos, I mean it.
- Precisamos falar sobre Kevin - Lionel Shriver
Para Kevin Khatchadourian, o prêmio de personagem mais perturbador do ano.
- Antes de dormir - S. J. Watson
- O livro amarelo do terminal - Vanessa Bárbara
- Como ficar sozinho - Jonathan Franzen
Soco no estômago mais bem acertado e brilhante do ano. Frazen, eu te amo. 
- Anna e o beijo francês - Stephanie Perkins
- Aos meus amigos - Maria Adelaide Amaral
Se não fosse o Franzen no meio do caminho chutando traseiros, levaria o troféu de soco no estômago. Altas noites rolando na cama pensando em todas as pessoas infelizes do mundo - e morrendo de medo de me tornar uma delas.
- High fidelity - Nick Hornby
Outra releitura que adorei.
- A sangue frio - Truman Capote
- As vantagens de ser invisível - Stephen Chbosky (nem comecei ainda, mas sei que termino até o fim do ano)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Discoteca 2012

Já disse aqui uma vez que um ótimo termômetro para avaliar o quão bom (ou ruim) foi um ano é aquilo que a gente escutou ao longo dele. Quer dizer, isso é uma medida razoável se você é uma pessoa razoável. Eu escuto músicas deprês nos meus melhores momentos porque, ahm, eu gosto de músicas tristes. Elas normalmente são muito mais sinceras e cheias de camadas de coisas incríveis, uma vez que ser feliz é infinitamente mais simples. Só consigo lidar com uma carga emocional forte se estiver bem comigo mesma e com o mundo lá fora. Se algum dia eu passar o ano inteiro ouvindo Dancing Queen, se preocupem. Uma vez que 2012 foi um ano fantástico, a montanha russa emocional musical foi intensa. 


Bizarrices minhas à parte, 2012 foi o ano Rilo Kiley. A banda que, ainda na primeira semana do ano eu destratei publicamente neste mesmo espaço mas, graças a Deus, dei uma segunda chance. A banda da Jenny Lewis que não tem nada a ver com o trabalho solo dela, ao mesmo tempo que faz tanto sentido que nem sei. Rilo Kiley é amor, tristeza, angústias existenciais e a finitude da vida numa embalagem demais de fofa. É aquela banda que tem coragem de lançar um refrão que diz que às vezes aviões explodem no céu, assim como corações solitários podem sim ficar cada vez mais sozinhos. Direto na nossa face. E é tão lindo, meu Deus! O cd de estreia, "Take offs and landings" fisgou meu coração e não quis mais largar, ainda que toda a discografia seja imperdível. Nele, destaco "Pictures of success", a mais linda, a mais dolorida, sobre, claro, a morte - tema que tem sido minha obsessão pessoal desde o ano passado. 


E por falar em vocalistas ruivas e angústias existenciais, 2012 também foi o ano da Ida Maria. Descobri essa incrível cantora norueguesa ano passado, mas foi só esse ano que me conectei completamente com suas músicas honestas e cheias de um vigor que é raivoso mas, ao mesmo tempo, doce e quase infantil. Já dediquei um post inteirinho a ela, assim como falei um pouco sobre seus cds em uma matéria da 21. O "Fortress round my heart" foi uma ótima companhia em 2012, e o "Katla" uma grata surpresa ao final dele. Fico muito feliz quando o segundo cd consegue manter o pique do primeiro e não decepcionar. Meu amor eterno a "Oh my God", "Forgive me", "10000 lovers" e "I eat boys like you for breakfast". 


Já falamos de morte e angústias existenciais, vamos passar para as agruras do amor. Para isso, nada mais apropriado que Death Cab For Cutie. Sou fã da banda desde 2000 e The O.C. na Warner, mas vira e mexe me redescubro nela quando ouço alguns cds de modo diferente. Foi assim com o "Transatlaticism", muito facilmente um dos álbuns que eu levaria comigo para a ilha de Lost. Até ano passado, teria ele comigo pra ouvir "A lack of color" quando fosse preciso, mas quem roubou a cena esse ano foi "Tiny vessels". Essa música dói demais! A experiência de ouvi-la com o volume dos fones de ouvido no talo, repetidas vezes, durante uma viagem de ônibus chega a ser transcendental, ainda que ela fale, na verdade, sobre olhar para a cara daquela pessoa e descobrir que não, você não a ama como deveria (ou como ela espera). Além dessa bomba, a faixa que dá nome ao cd e "Death of an interior decorator" foram ótimas companhias nas TPMs que me torturaram em 2012.


Por falar em olhar cds antigos de um jeito diferente, 2012 foi o ano de ouvir o "Mellon Collie and The Infinite Sadness" e me perguntar onde é que ele estava quando descobri a banda, anos atrás. Porque eu já tinha ouvido esse trabalho lindo, mas nunca dei tanta bola. Vê se pode! O cd duplo me fez companhia na minha primeira loucura de fim de semestre acadêmico, me mantendo acordada e sã nos fins de semana em que acordava às cinco da manhã tentando desesperadamente parir textos e dar algum sentido aos meus trabalhos acumulados. A voz singular do Billy Corgan e os riffs nervosos me levavam para o lugar feliz que foram os anos 90 que não aproveitei, o que é bem melhor que formatação ao gosto da ABNT num amanhecer de domingo. A favorita do cd - e da banda - sempre será "1979", mas essa paixão é antiga. Para o ano que está indo embora, destaco "Jellybelly", "Here is no why" e "Thirty three". 


Outro cd que pode ser classificado como uma real companhia em 2012 foi o "Tigermilk", do Belle and Sebastian. Ele foi como um amigo, sendo a aposta mais certa nas horas incertas - muitas TPMs e caminhadas rumo a reuniões chatas pela manhã ao som de "She's losing it" e "I don't love anyone" - e também parceiro de euforias e felizes viagens de ônibus. Mágoa da vida? Jamais ter ouvido "Electronic renaissance" numa pista de dança de verdade. 


Aí a Mallu Magalhães caiu nas graças de todos, até mesmo aqueles que a destrataram no passado e tiveram que engolir o "Pitanga" a seco. Trocadilhos infames a parte, que cd delicioso! Mallu amadureceu consideravelmente desde sua estreia e o trabalho mais recente mostra que ela encontrou seu nicho, que pode ser traduzido em melodias doces e letras que oscilam entre o adorável e quase sensual. Gosto tanto de todas as músicas e já troquei tanto de preferências pessoais que é difícil destacar apenas uma como sendo A faixa de 2012. Fechemos em três: "Sambinha bom", "Lonely" e "Olha só, moreno". 


Outro que veio para esfregar na cara dos outros ao que veio foi o Thiago Pethit. "Estrela decadente" é um cd corajoso, que foge totalmente do clima dos trabalhos anteriores do cantor e, na minha opinião, foi uma ousadia muito bem sucedida - resenha mais completa na Revista 21. Toda uma coisa de cabaré mesclada com glam rock acontecendo, impossível ser mais a cara dele. "Dandy darling" ganhou meu coração desde a primeira audição, mas nas últimas semanas tenho me derretido inteira pelo dueto dele com a Mallu em "Perto do fim". Sem dúvida, as duas melhores do disco. 


Em 2012 tive a chance de ver apenas um show, que foi aquele espetáculo de lindeza do Vanguart. Na expectativa dele, assim como Tary mergulhou no Nando Reis para se preparar para o show, me joguei novamente no "Boa parte de mim vai embora" e arranquei dele mais pedaços para guardar comigo. Até ano passado, não conseguia ver música melhor ali que "Mi vida eres tu", mas o ano do quase fim do mundo firmou "Nessa cidade", "O que a gente podia ser" e "...Das lágrimas" no meu coração em tal nível que já questiono a supremacia da primeira. 


Coisa boa é se apaixonar por uma música e ter com quem dividir a obsessão. Foi meu caso - e da Taryne - com o Esteban. Esse cara, na verdade, é o Tavares, ex-baixista da Fresno, que saiu da banda justamente pra se dedicar a esse projeto solo. Já conhecia desde que surgiu, mas insistia em ouvir uma única música, "Sophia" - que segue sendo minha favorita. No entanto, esse ano, eu e Tatá mergulhamos de cabeça no cd completo, "Adiós, Esteban", que deveria se chamar, na real, "Adiós, Sophia", mas isso fica pra uma resenha mais elaborada. A música favorita não mudou, mas outras entraram no meu coração, como é o caso de "Pianinho", "Tudo pra você" e "Muito além do sofá". 


Outro amor compartilhado foi pelo novo cd da Taylor Swift, "Red", que é o amor da Tary, da Analu, da Rafinha e de todas as pessoas sensatas do mundo. Como bem confidenciou a Couth recentemente, quero ser amiga dela e retocar o batom vermelho junto com ela no meio da rua. Já compartilhei aqui meu amor por "We're never ever getting back together", mas além desse hit chiclete e delicioso, o cd está cheio de músicas fofas e gostosas de se ouvir enquanto se apronta para sair. Já experimentaram tomar banho ao som de "I knew you were trouble"? Recomendo fortemente. 


Por fim, o último cd amor de 2012 foi o sensacional "Jeito Felindie", tributo que vários artistas da cena alternativa fizeram para o Raça Negra, um dos maiores grupos de pagode do país. Mesmo quem não curte pagode sabe cantar uma coisinha ou outra, e o mais legal da homenagem é justamente mostrar que o repertório deles, com uma roupagem diferente e descoladinha, poderia facilmente fazer parte do trabalho de uma porção de gente. Uma amiga querida mais infame ousou arriscar que o Raça Negra raçudo ainda é mais simpático, mas eu tô caída de quatro de amores pelas versões diferentes de "Cigana", "Cheia de manias", e "Te quero comigo" - também resenhei ele pra 21

A música de 2012


Não tem nem o que explicar. Legião me acompanhou também durante todo o ano, mas não é como se um cd inteiro tivesse se destacado da forma como essa música mexeu comigo. Sempre foi minha favorita da banda, mas depois desse ano ela conseguiu subir mais um degrau na minha estima, como se fosse possível. 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Minhas mágoas usam bóias

Eu morria de medo da Renata. Juro pra vocês. Me sentia tão intimidada por ela que demorei meses para ter coragem de deixar o primeiro comentário no blog dela, que então era o Bruxa de Blu. Me sentia acuada por achar todos os textos muito incríveis e também por ela viver alfinetando os outros. Ai meu Deus, vai que a Renata me acha tão idiota quanto essas pessoas que ela adora descascar? Certeza que ela vai entrar no meu blog e pensar: que menina retardada. Mas eu não me aguentei, né. Porque eu tinha muitas coisas para comentar com a Renata, ainda que ela me achasse uma tonta. Eu concordava tanto com tudo que ela escrevia que não conseguia guardar isso pra mim. Que bom que eu não guardei.

Depois que a gente começou a trocar comentários e ficar de trelelé na internet, eu descobri que a Rê fazia aniversário um dia depois do Natal e que isso quase era um trauma. Descobri que ela não gostava de parabéns a distância e que odiava que dessem a desculpa que tinham esquecido ou que não podiam cumprimentá-la direito por conta do Natal. Mas onde já se viu? Então eu grifei na agenda que dia 26 era aniversário dela, pra nem pensar em esquecer. O problema é que chegou o fatídico dia e nem o telefone dela eu consegui. Meu Deus, ela ia me odiar. Meu Deus eu seria uma das pessoas que manda parabéns pelo Orkut! Meu Deus, ela ia fazer um post sobre esse tipo de gente eu me identificaria naquela vergonha. Minhas mágoas usam bóias. Mandei um e-mail e rezei para ela não me odiar. Sorri horrores no dia que ela fez graça disso e não me odiou.

O tempo passou mais um pouquinho e um dia chegou pelo Correio uma cartinha da Rê que me fez chorar horrores. O papel de carta mais fofo do mundo, as palavras mais lindas que já li. Contei pra ela que chorei sem parar enquanto lia e ela ainda ficou se sentindo culpada. Mas Rê, chorar nesse caso é uma coisa ótima! Quando eu duvido de mim eu leio aquela carta e penso que ela acredita e está do meu lado. A Renata. Rê. Renatinha. Que disse que queria que eu fosse filha dela, e eu me orgulho muito dessa frase. Que gosta dos mesmos filmes estranhos que eu. Que comenta a programação da TV como poucos. Que um dia disse que sentia falta de saber qual esmalte eu tinha passado na semana quando ficava sem entrar no Twitter, e eu sempre me lembro disso quando faço as unhas assistindo ao Jamie Oliver dela. Que dança forró super bem, é a melhor dona de casa que já se teve notícia, assim como todo o resto.

E não falo só da dança de salão. A Rê não faz nada mais ou menos. Seja pizza, lambada, dever de casa, supervisão de um grupo de loucas na maior cidade do país... E é por isso que ela merece um dia lindo. Não só o de hoje, mas todos os outros. Melhor impossível. Dias cuja emoção não se traduz nem com mais de 18 textos enormes sobre o mesmo assunto, e que vão deixar um trabalho danado no colo do coitado do editor responsável por selecionar os fatos que vão passar nos seus últimos cinco segundos de vida. 

Não tatuo "filha virtual da Renata" no braço porque ela iria achar ridículo. Eu ia ganhar um post numa categoria infame do seu blog. Minhas mágoas usam bóias. 


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Prestando contas

Então o mundo não acabou. Sendo assim, a fatura do cartão de crédito chegará no final do mês e logo a Simone cantará de algum lugar que então é Natal e me perguntará o que eu fiz. Na tentativa de evitar esse aborrecimento - não podendo evitar o cartão de crédito - vim aqui compartilhar o que consegui cumprir da minha módica lista de resoluções para o ano de 2012 que fiz ao fim do ano passado.

Antes dela, um comentário: essa coisa de resoluções minimalistas é algo que adotarei para a vida. Se propor objetivos consciente das suas limitações e das limitações da vida é uma coisa ótima, uma vez que é bem mais fácil atingi-los e gera muito menos frustrações.

Comprar um maiô preto - check!



Antes mesmo do ano acabar, já fui correr atrás dessa resolução. Viajei para um mezzo resort mezzo hotel fazenda com minha família para passar o ano novo e foi lá que fiz o grand-début do meu maiô preto. Encontrar a peça perfeita não foi fácil, experimentei ao menos uns 10 antes de encontrar algo que servisse. E nem é como se eu tivesse provado 10 e ficado dividida. Foi só na décima prova que consegui encontrar algo razoável. E eu amo meu maiô. Estreei com toda a pompa Grace Kelly exigida pelo traje: chapéu nos cabelos, óculos enormes, livro bonito e pretensioso em mãos. A princesa de Mônaco com certeza apresentaria bronzeado mais interessante que meu branco azedo de vestibulanda-que-não-vê-a-luz-o-dia-há-9-meses-and-counting, mas não se pode ter tudo nessa vida. É claro que fui criticada pela minha escolha, mas não tanto quanto esperava. Aliás, os olhares incrédulos não foram nada perto de todas as pessoas que disseram que era ótimo eu ter a ousadia de usar maiô e começaram a considerar o mesmo.

Viajar - meio check!

Logo no dia 04 de janeiro de 2012 eu me encontrava em um avião rumo a Belo Horizonte, cidade que até então não conhecia. O problema é que fui pra lá fazer prova e, por conta de imprevistos, acabei perdendo o último dia da viagem, que tinha reservado para conhecer um pouquinho da cidade. Fora isso, só fui a São Paulo, cidade que conheço talvez melhor que a que eu moro e nem deveria valer nada nessa lista, mas foi uma viagem tão linda, tão mágica e tão diferente das outras que vale a menção. Além disso, já tenho três viagens programadas para 2013, sendo uma delas com meus amigos, o que eu mais queria. Ou seja, não cumpri o intento inicial mas pelo menos corri atrás dele.

Aprender a fazer tortas e pães - fail



Essa foi um fracasso total. Minha única tentativa resultou num bolo triste e embatumado, e eu segui pilotando o fogão só para fazer meus já tradicionais sanduíches e os cookies, que venho tentando aprimorar. Mas bolos, pães e tortas vão ter que acumular na conta de 2013.

Fazer maratona de algum seriado - check!



Cheguei lá e com louvor: em 2012 troquei oficialmente os filmes pelas séries! Não que isso seja necessariamente bom - ainda não consegui ver On The Road para falar mal e não tenho opinião formada sobre Intocáveis. De uma forma ou de outra, considerei minha maratona oficial a semana em que eu só fiz ver, pensar e respirar Twin Peaks, mas, além dela, também assisti Girls, três temporadas de House - e agora estou no limbo sem coragem de terminar -, The Lizzie Bennet Diaries, Modern Family e estou revendo Grey's Anatomy junto com várias mafiosas. Para quem não conseguia ver mais do que três episódios sem se cansar, tive um bom avanço, né?

Cortar o cabelo - check!



Precisei de três visitas ao salão para finalmente sair de lá com um corte que me satisfez por completo. Na primeira delas tirei o grosso do comprimento que veio se acumulando por conta da total falta de tempo para cortar o cabelo que marcou 2011. No meio do ano, mudei o estilo do corte para algo mais quadrado e puxado para o chanel. Há mais ou menos um mês, tirei mais uns quatro dedos e senti que estava lá. 

Conhecer a Máfia - check!



Taí um item que eu não imaginei que conseguiria cumprir, nem mesmo na empolgação da escrita. Claro que eu considerava possível ter umas duas ou três mafiosas no currículo até o fim do ano, mas chegar em dezembro de 2012 com mais de 10 abraços diferentes computados, todos eles no mesmo espaço de tempo? Valeu aí, ano do fim do mundo! É claro que só vou ficar satisfeita quando tiver a chance de conhecer todas, mas até lá, as fotos, os mimos e as lembranças daqueles dias mágicos me consolam, assim como os planos mirabolantes para repetirmos esse feito. 

Arrumar meu quarto - meio check!


Consegui arrumar a parte que mais me incomodava no quarto, que era a escrivaninha e a poluição visual, mas sinto que aina não cheguei onde queria. Mudei minha estante de lugar, me livrei de um monte de tralhas e consegui dispor meus livros de um jeito que eles ficam organizados sem precisar estar escondidos. Além disso, juntei vários mimos especiais para compor a decoração junto com eles, e fiquei extremamente satisfeita quando duas amigas entraram nele pela primeira vez e disseram que não poderia haver espaço mais a minha cara. O problema agora é que preciso dar um jeito em alguns móveis e arrumar prateleiras novas porque - novidade - tenho mais livros do que espaço para guardá-los, sem contar no meu mural de fotos, que continua uma vergonha, e umas gavetas que insistem em vomitar roupas. 2013, venha com espírito de desapego, por favor!

Ter um caderno de lembranças - fail


Foto da Melina Souza
Quando, no começo do ano, ganhei de um amigo um caderninho maravilhoso, entendi que era o universo me dando a chance de começar a reunir minhas memórias. O problema é que esse espírito durou só algumas semanas e uns poucos surtos esporádicos de inspiração. Além de um texto de abertura, uma enorme lista de livros que quero ler e vários trechos de leituras incríveis, meu caderno continua magrinho e tristonho e nada parecido com as colagens fantásticas que encontro no We Heart It. Quero muito comprar o One Line a Day para estrear em 2013, espero conseguir começar a construir algo para ficar. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O fim de Gossip Girl: 6 coisas que amo

And so it is, como diria o Damien Rice, ou então this is the end, beautiful friend, se você prefere The Doors. Enquanto escrevo este post, vai ao ar nos Estados Unidos ao derradeiro episódio de Gossip Girl. Não estou acompanhando por motivos de força maior - estava estudando - e resolvi escrever o post para apaziguar um pouquinho a ansiedade. Não lido muito bem com finais - nunca consegui ver o último episódio de Friends inteiro - e talvez eu devesse ter deixado a parte da raiva para hoje, para doer menos, mas seria de uma covardia imensa da minha parte. A dor precisa ser sentida, né? A seguir, as seis coisas que mais amo no seriado e que mais deixarão saudades (quatro coisas que odeio):

Dorota


Que atire o primeiro macaron que nunca sonhou em ter uma Dorota a tiracolo, que além de trazer café da manhã na cama todos os dias, fazer suas unhas e arrumar suas malas, ainda funciona como fiel escudeira, parceira de armações e um ombro amigo quando as coisas apertam. A Dorota é uma linda e espero que seu fim seja tão digno quanto o da sua pessoa. Sabe Gossip Girl quanto tempo Blair Waldorf teria sobrevivido sem sua maior parceira! Apesar de ser coadjuvante ao extremo, os episódios não teriam a mesma graça sem Dorota contrabandeando celulares em Constance, ajudando Blair a alimentar os patos ou então fazendo aquele discurso lindo em seu casamento que me colocou para chorar como um bebê. Dorota, Vanya e Anastasia estarão sempre no meu coração. 

Os sonhos da Blair


Blair Waldorf é completamente apaixonada por filmes clássicos e tem na figura de Audrey Hepburn sua maior inspiração. Por isso, Gossip Girl é recheada de referências a esses filmes, que tomam forma, principalmente, nos sonhos da Blair. Normalmente eles começam com ela no  lugar da Audrey, mas, rapidamente, a situação se transforma em pesadelo, na maioria das vezes por conta de alguma interferência de Serena. Quase morri de rir quando Blair sonhou que era a versão pobre e caipira de Eliza Doolittle enquanto S. era a personagem transformada, que recitava trava línguas com desenvoltura. No 100º episódio da série, foi a vez de Serena sonhar: ela era Marilyn Monroe em Os Homens Preferem As Loiras e tinha todo o elenco masculino a seus pés, até que Blair aparece vestida de Holly Golightly e rouba a cena por completo. Outras referências clássicas que aparecem na série: A Malvada - com Blair revoltada por ter sonhado estar no papel de Bette Davies - e Tarde Demais Para Esquecer.

Os figurinos


Se tem um ponto no qual a série foi impecável do primeiro ao último episódio, este certamente foi o figurino. Desde o início, Gossip Girl se destacou pelas referências ao mundo da moda, tendo, aliás, feito moda, como as meias-calça coloridas das garotas de Constance, as tiaras icônicas de Blair e basicamente tudo que Serena usa, uma antecipação de todas as tendências que estarão nas vitrines das fast-fashions mais antenadas nas próximas temporadas. O trabalho que a equipe faz para construir os personagens através das roupas é muito bacana, tendo cada personagem seu estilo extremamente característico, o que não fica restrito à ala feminina: quer guarda-roupa mais ousado, elegante e cheio de personalidade que o de Chuck Bass, com seus ternos extremamente bem cortados, meias coloridas e até robes de seda?

Scheming


Todos os conflitos de Gossip Girl são gerados e resolvidos por meio de alguma armação. Desde a primeira temporada, em que o maior problema era quem daria a melhor festa da escola, até a última, com problemas tão sérios quanto tráfico de petróleo internacional, o Upper East Side não sabe sair de situação alguma sem um plano bem elaborado que envolva manipulação, gravadores escondidos e humilhações públicas revanchistas. E se as armações são o modus operandi padrão, Blair Waldorf é a rainha soberana de todos eles. Ela não mede esforços e ideias fora da casinha para conseguir o que quer, e por mais que tente deixar para trás seu passado de chefe da rígida hierarquia do colegial, o impulso de puxar o tapete de alguém de um jeito infame não sai dela. Meus momentos favoritos? Quando Blair arma para que as garotas da escola descubram que Jenny não é rica como se fazia passar, quando corta as asinhas de Georgina dizendo que é a única crazy bitch do pedaço ou então quando, cinicamente, joga dentro de uma taça um pen-drive contendo informações que poderiam ferrar sua melhor amiga. Melhor  que isso só mesmo quando todo o elenco se junta para salvar Serena de alguma enrascada, o que não é coisa rara. Não há nada de tão ruim que algum deles não tenha feito pior, e como a própria Gossip Girl afirma, quem tem esse tipo de amigos não precisa de exército algum. 

B. & S.


Blair e Serena vivem às turras desde o primeiro episódio, mas, ao mesmo tempo, elas formam um dos melhores casais de todos os tempos. Se aquiete querido leitor que já se pôs a pensar bobagens, não é nesse sentido que falo: a dinâmica das duas personagens é tão boa que por mais vezes que uma tenha puxado o tapete da outra, é impossível não acreditar na amizade delas. Sempre choro muito quando, ainda no início da série, Blair lê para Serena a carta que lhe escreveu logo quando a outra foi embora sem dizer nada: as duas foram criadas por famílias malucas e instáveis nas quais não podiam se apoiar, tendo restado para elas o colo uma da outra, com quem sempre podem contar. A admiração que elas tem por suas amigas é tanta que muitas vezes gera uma insegurança gigantesca e o medo de que a outra brilhe mais, o que leva ou a tramas absurdas que quase fazem a gente perder a fé nessas duas, ou então coisas bem engraçadas, como aquela vez em que Blair empurrou Serena dentro da fonte. De um jeito ou de outro, e independentemente de qual seja o final, B. e S. serão sempre as rainhas malucas do Upper East Side e reinarão pra sempre no nosso imaginário, imponentemente sentadas nos degraus mais altos da escadaria do Met. Ok, a Serena um pouquinho mais embaixo. 

Blair e Chuck





O melhor casal, os melhores personagens. Blair e Chuck muitas vezes carregaram o seriado nas costas, sendo a única motivação para muitas pessoas continuarem acompanhando a série. Todo mundo quase caiu da cadeira naquela primeira cena dos dois na limusine, achando o par mais improvável do mundo, enquanto víamos nascer, na verdade, aquele que muito provavelmente é meu casal favorito no universo das séries. Sim, isso significa estar acima de Seth e Summer. Digo isso porque vivi o amor visceralmente, tendo questionado quando nem eles sabiam o que estava acontecendo, e sofrido demais quando ambos relutavam em admiti-lo, assim como vibrei tanto ao primeiro eu te amo dito em voz alta (five words, eight letters) que parecia que Chuck Bass dizia aquilo para mim e não para sua rainha. Blair e Chuck são fantásticos porque se amam demais (I love you, Chuck Bass, I love you so much it consumes me), aceitando o que há de melhor e também o que existe de mais podre em cada um deles (We have the same holes in our hearts). Chuck é talvez o personagem mais bem escrito da série, tendo começado como um cara super errado e insensível, enfrentado seus monstros e renascido na figura do grande herói justiceiro que, vale dizer, nunca fica chato. Blair, por sua vez, é o tripé que o mantém firme, assim como ele é pra ela, e é por isso que juntos eles são uma fortaleza, uma explosão de amor, doçura, graça, e um pouco de pimenta. Porque ela é a rainha e ele, queridos leitores, ele é Chuck Bass. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O fim de Gossip Girl: 4 coisas que odeio

Semana que vem vai ao ar o último episódio de Gossip Girl. Ever. A série estreou em setembro de 2007, e eu estava lá acompanhando o primeiro de todos. Quando Gossip Girl foi ao ar pela primeira vez esse blog nem existia. É muito tempo de sangue, suor e lágrimas ao lado da galerinha da pesada do Upper East Side. Durante esse tempo, nem tudo foram flores. Aliás, acho que só não abandonei o seriado nas várias vezes que tive oportunidade porque tenho um apego absurdo pelos personagens. Tão absurdo que embora tenha dito várias vezes que não via a hora da série acabar por não suportar mais o que os roteiristas estavam fazendo com meus pobres meninos ricos favoritos, já sinto um vazio enorme por conta do fim. 

Roubei descaradamente o formato de post usado pela Rafinha na sua despedida da saga Crepúsculo para tentar dividir com vocês um pouco do que foram esses quatro anos. No post de hoje, as quatro coisas que mais odiei ao longo da série e, semana que vem, quando for ao ar o derradeiro episódio, juntarei os caquinhos do meu coração para dizer as coisas que mais amo naquele universo maluco. (segunda parte)

Plot twists que não fazem sentido


Entende-se por plot twist uma mudança inesperada na direção de uma história. Tipo quando a mocinha descobre que é irmã da sua maior inimiga e filha bastarda do amor da sua vida. Gossip Girl tem isso aos montes, alguns muito bons e outros extremamente ridículos. Infelizmente os absurdos acabam se sobrepondo em número, talvez num gesto desesperado por audiência que acaba tendo como resultado a descrença do telespectador. Porque de tanto a gente se surpreender, chega num ponto que nada mais surpreende, se é que isso faz algum sentido. Uma mudança repentina no curso da história só é bem sucedida se é coerente com a espinha dorsal da trama. No caso de Gossip Girl, o roteiro tem mais furos que um queijo emmental.

Tramas paralelas super chatas


O núcleo principal de Gossip Girl é composto pelo grupo de Serena, Blair, Chuck, Dan e Nate e acho que eles conseguem arrumar confusões o suficiente para umas cinco temporadas. A série acompanha também a história de suas famílias, muitas vezes entrelaçadas com os problemas dos personagens principais, mas nem sempre. Acho que uma das melhores sacadas dos roteiristas, por exemplo, foi excluir por completo o clã Van Der Bilt da trama, porque eles eram demais de chatos. Quem se importava com eles, além do Nate? Aliás, depois da segunda temporada, quem se importa com o Nate? Infelizmente a família de Serena não teve a mesma sorte, e o que aconteceu foi um casal super querido, que teria um desfecho perfeito em forma de casamento ministrado pela Kim Gordon, acabou se perdendo em mil mentiras e picuínhas. Lily e Rufus, que saudade de vocês!

Vanessa Abrams



Preciso fazer uma ressalva e dizer que, embora eu odeie a Vanessa, acho ela uma peça importante no seriado. Tanto que, depois que ela saiu, Gossip Girl padeceu de uma séria falta de vilões de verdade, e isso, para quem assiste, se traduziu em vários vilõezinhos picaretas que nos encheram de tédio. Mas isso não diminui a raiva que eu sinto dessa mulher. Minha querida amiga Carol uma vez definiu-a com perfeição: como respeitar uma personagem que entra na série pela janela, já atrapalhando um amasso entre um dos casais que a gente adora? Porque essa é a principal função da Vanessa: atrapalhar. Quando tudo vai bem, ela vai lá e estraga tudo. Georgina Sparks também adora chutar o balde, o que diferencia as duas é o argumento. Georgina é movida pelo anarquismo e seu amor à manipulação e causaria, enquanto Vanessa o faz, supostamente, por razões humanas. Porque ela odeia tudo que o Upper East Side representa e mimimi olha o que eles fizeram com você, Dan, enquanto, na real, a gente sabe que é tudo recalque. E eu nunca vou superar o fato dela, além de já ter ficado com o Chuck na série, ter namorado o Ed Westwick na vida real por um tempo. Mágoa eterna.

Os romances da Serena

Mas amiga, você diz isso de todos!
Serena Van Der Woodsen, como bem destaca Dan, é a rainha do daddy issue. Por ter sido abandonada pelo seu pai quando ainda era criança, S. se agarra a relacionamentos, muitas vezes errados, para suprir a carência da infância. Isso faz com que seja impossível levar seus namoros a sério, porque ela sempre arranja alguém, diz que é o amor da sua vida e que nunca foi tão feliz e plena como naquele momento, até, claro, no episódio seguinte, ela encontrar outra pessoa, ou reencontrar um amor antigo, e jogar tudo pro ar. Ela já rodou tanto pelo elenco que não tem como levar seus romances a sério. Não é pelo fato de ela pegar todo mundo, mas sim porque, sempre que faz isso, ela age como se fosse o último. Sempre torci para ela e pelo Dan e morria de amores pelos dois nas temporadas iniciais, mas o encanto já acabou. O mesmo com o Nate. Na primeira temporada havia um clima muito intenso entre eles, até que a paixão foi completamente banalizada e quando eles finalmente ficam juntos, a sensação que fica é de que ele é só mais um.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Se meus sapatos falassem

A life less ordinary é um blog apaixonante. Mais apaixonante ainda é a forma como a Cacá consegue deixar tudo interessante e fofo. Foi isso que ela fez quando um dia, supostamente sem inspiração, resolveu catar seus sapatos e contar um pouco a respeito deles e das histórias escondidas nas solas de cada um. Achei a proposta fantástica e, como uma amante de sapatos, resolvi fazer o mesmo. Convidei Analu, Tary e Rafinha para me acompanhar porque estava conversando com elas quando tive a ideia, mas quem animar pode ficar a vontade!



Os companheiros de guerra: Eu realmente amo os meus tênis. Muito. Principalmente os All Star. Sou obcecada por All Star e, se pudesse, teria um de cada cor. O branquinho surrado foi meu primeiro, comprado quando tinha 12 anos, e que me exigiu uma coragem de enfrentar meus colegas de escola extremamente hostis a tudo que parecesse remotamente emo. Sou dessa época e lembro que no primeiro dia que usei o tênis na escola logo fui interpelada por uma garota - "VOCÊ VIROU EMO?" - tão indignada que senti como se tivesse tatuado a suástica nazista na testa. Abandonei o par por uns tempos depois que essa argolinha do cadarço saiu, mas depois vi que bastava colocar no lugar e o tênis voltava a ser perfeitamente usável. Embora seja bastante velho, só recentemente que ele começou a apresentar as marcas da idade: nas últimas semanas, o solado do pé direito começou a descolar. É o início do fim.


Embora ame o branquinho, o roxo é meu favorito. Sou apaixonada por ele por causa da cor incrível que ele tem: sei que outras pessoas devem ter um igual, mas enquanto eu não ver com meus próprios olhos, irei acreditar que esse modelo é meu e de mais ninguém. Não, nunca vi outro All Star dessa cor em pés alheios e gosto de acreditar que, como não tiro os meus, eles são minha marca registrada. Juntos já viajamos bastante, fizemos vários vestibulares e vimos os shows mais incríveis do mundo. Na alegria e na tristeza, na fazenda e embaixo da chuva, no Radiohead e na Fuvest, para todo o sempre, amém.



As botas de combate: Se tivesse que escolher um modelo de sapato favorito para usar pelo resto da vida, ficaria com as botas. Botas são absurdamente confortáveis e, ao mesmo tempo, interessantes do ponto de vista das modas. Acho que se eu fosse de um espírito um pouco mais livre e morasse num lugar um pouco mais gótico, é provável que usaria botas pra tudo nessa vida, até mesmo pra dormir. Sempre adorei coturnos e tinha uma dificuldade enorme para encontrar modelos usáveis para comprar aqui em Uberlândia,  tanto que quando vi o modelo da direita, gótico mas não tanto, feminino pero no mucho, senti que era o destino. Por incrível que pareça, é meu sapato preferido para sair para ~baladas~, uma vez que me permitem pular feito pipoca a noite toda e criam equilíbrio com meus vestidos rodados muito frufrus. A bota do meio também é uma ótima parceira nas pistas de dança e em dias de chuva. Oficialmente é um modelo de cano alto, mas gosto de dobrá-la um pouquinho para espantar a vibe amazona.

O coturno caramelo tem oito anos de idade e foi roubado herdado da minha mãe. Quando eu tinha 10 anos, esse modelo de coturno estava bastante na moda, tanto que mamãe comprou o referido pra ela e um idêntico para mim, em tamanho menor. Os anos se passaram, assim como a moda antiga, mas eu sempre tive um apreço especial por ele. Numa faxina de guarda-roupa ele foi parar na pilha dos sapatos que iam para a doação e, vendo-o lá, não consegui desapegar, peguei pra mim. Sei que é um modelo que nem se usa mais e a cor é totalmente ultrapassada, mas adoro e uso sempre que tenho a oportunidade, ainda que o salto me deixe mais gigante do que já sou.



Os de mocinha elegante: Não costumo usar muito salto alto, primeiro porque já sou alta o bastante e segundo porque na maior parte das vezes o esforço não compensa. Salto pra mim só mesmo em casamentos, bailes de debutante ou aqueles dias em que acordo precisando de um reforço na auto-estima. Do resto as sapatilhas e as botas dão conta. Meu salto favorito é essa sandália preta de tachas, que comprei com meu próprio dinheiro há dois anos. Nos primeiros meses eu ia com ela em tudo quanto era lugar, em festas, cinema e até mesmo pra almoçar na casa da avó. Recentemente cismei que o salto dela está meio mole e me sinto muito insegura ao andar, embora já tenha examinado de todos os jeitos possíveis sem ter encontrado nenhuma evidência de algo errado.

Esse outro é meu sapato de tango/princesa. Sou completamente apaixonada pelo modelo, pela cor, e com o fato de que ele vai bem com jeans e camiseta e até vestido de festa. É meu sapato coringa, que uso sempre quando preciso parecer mais arrumadinha ou quando quero deixar a produção um pouco mais meiga. Já dancei a noite toda em cima dele também e, embora depois de algumas horas eu tenha parado de sentir os pés - me espantaria se isso não acontecesse -, consegui segurar a onda e ir embora da festa perfeitamente calçada.



As sapatilhas: Sapatilhas são uma coisa linda de Deus, né? Faço coleção delas e acho que mais uma nunca é demais. Mentira, quem coleciona é minha mãe, a louca dos sapatos e de tudo que envolve sair de uma loja com várias sacolas cheias de coisas para entulhar o guarda-roupas, mas eu estaria mentindo se dissesse que não me aproveito do seu descontrole. Mamãe sempre conta que sua frustração de infância foi o fato de ter apenas sapatos pretos e brancos, pois combinavam com tudo. Assim, a forma que encontrou de exorcizar esses demônios foi me enchendo de sapatos de todas as cores possíveis. Fui perceber esse padrão quando me dei conta de que não tinha nenhuma sapatilha preta, enquanto só de vermelhas havia 3 no armário. Eu diria, aliás, que as vermelhas são minhas favoritas, mas a verdade é que elas estão velhas demais e estou procurando uma nova pra chamar de minha e adotar pra vida. Enquanto isso não acontece, o posto de favorita vai ficar por conta dessa espécie de mocassim cor-de-rosa choque, de laço exageradamente grande, a qual chamo carinhosamente de meu sapato de Barbie. Não tem muito o que dizer a respeito, é rosa pink com um laço enorme. Seu único defeito: depois de ter tomado uma chuva ele passou a soltar tinta. No primeiro dia meu pé ficou rosa da cor do tecido e foi muito difícil limpar tudo, agora ele só macha de leve, se eu der algum azar. Outra favorita é essa cheia de brilhos furta-cor, apelidada de Meu Pseudo-Sapato de Cristal. Ela também fala por si só: brilhos.



As douradinhas: Essa Melissa dourada é provavelmente a minha Melissa favorita de todos os tempos. Passei semanas enchendo o saco da minha mãe, que não queria me dar alegando que eu nunca usaria um sapato tão extravagante. Quando finalmente consegui o presente, como que para provar que ela estava errada, passei a me vestir em função da bendita, até que descobri que dourado, na verdade, é uma cor bastante versátil. Usei tanto que ela está querendo rasgar em vários lugares e a maioria dos pontos de brilho sumiu, sem que falar que depois de 15 horas de pé em cima dela na última estreia de Harry Potter eu não consigo olhar pra ela sem sentir dor nos pés. Comprei essa dourada na tentativa de substituir a primeira, mas a verdade é que acabei com um sapato que tem de maravilhoso o que tem de desconfortável. Na primeira vez que saí com ela quase que voltei pra casa andando de quatro. Comprei umas almofadinhas e um spray para amaciar o couro que deram uma amenizada na situação, mas ainda não ouso sair com ela sem proteger meu pé com band-aids em lugares estratégicos.


Os favoritos: Eu disse que minhas botas eram minhas favoritas, mas estava mentindo. Meu sapato favorito é esse vermelho, comprado quando eu tinha 12 anos de idade e fui a minha primeira festa de 15 anos. Era uma festa a fantasia e eu fui vestida de Minnie, de modo que precisava de um sapato que combinasse com a indumentária. Acho que em 2006 não se usava tantos sapatos coloridos como acontece hoje, porque lembro que minha mãe disse que ia comprar pra eu usar uma vez e nunca mais. Só que eu me apaixonei tanto por ele que também usava sempre que tinha a chance e, assim como o dourado, descobri que vermelho pode ser uma cor neutra. Ele foi tão usado que hoje está meio mole e esquisito, mas gosto de tê-lo guardado. De todos os sapatos que tenho e tive, certamente é o que eu mais amo.

O oxford lilás está indo pelo mesmo caminho. Comprei no auge da moda e ainda hoje não há quem me convença de que eles não são a melhor opção de sapato para todas as ocasiões. Eles fazem com que eu me sinta sofisticada e feminina, e juro que acredito que se Audrey Hepburn fosse viva, ela não o tiraria dos pés.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Minha estante virtual

Fui convidada pela mais nova noiva do meu círculo social, minha amiga e editora amada, Amandoca, para fazer o meme da estante virtual, que consiste em, basicamente, compartilhar um pouquinho do que há de interessante (ou não) no meu Skoob. Aliás, não costumava participar muito dessa rede social, usava mesmo só pra marcar o que eu tinha lido para não me perder depois, mas recentemente tenho explorado os recursos variados - como a incrível troca de livros e os livros viajantes - e me divertido bastante. Recomendo. E quem quiser ver um pouco da minha estante física, fiz um bookshelf tour - que está bastante desatualizado, diga-se de passagem - ano passado. 



1 - Quantos livros você tem na aba LIDO?
152.

2 - Qual livro você está lendo?
Comecei ontem a leitura de A Sangue Frio, leitura obrigatória pra todo estudante de Jornalismo, principalmente aqueles interessados em jornalismo literário. Sempre quis ler pelas razões óbvias, mas decidi que não dava mais para seguir vivendo sem tê-lo lido depois de, numa mesma semana, ter sido questionada a respeito por dois professores e quase morrido de vergonha ao ter que admitir que nunca havia lido. 

3 - Quantos livros você tem na aba VAI LER?
44. Mas tenham segurança que minha lista mental é MUITO maior.

4 - Você está relendo algum livro? Qual?
Não. Semana passada quis muito reler One Day, mas depois de uns 3 capítulos que ajudaram a matar a saudade da Emma e do Dexter, resolvi que era melhor usar meu tempo para todos aqueles livros que ainda não li. Como disse, são muitos.

5 - Quantos livros você já abandonou?
5. São eles:
Iracema: Comecei a ler por causa da Fuvest, mas desisti logo no primeiro dia. É praticamente impossível um vestibulando conseguir finalizar esse livro, de narrativa absurdamente rebuscada, com José de Alencar usando várias linhas para descrever o olhar que a virgem dos lábios de mel lançava a uma palmeira. Era abrir o livro e dormir. Larguei.
Northanger abbey: Nunca tinha lido Jane Austen em inglês, e achei um pouco mais complicado do que estava esperando. Embora a personagem principal seja absurdamente divertida, e o seu objeto de afeição um amor, as dificuldades que tinha com a gramática antiga estavam me desgastando absurdamente. Não larguei, apenas deixei para depois.
O coração das trevas: O livro de Joseph Conrad que ganhou uma adaptação para o cinema pelas mãos do Coppolão - Apocalipse Now - pode ser incrível, mas me cansa bastante. Não sei o que acontece comigo e com ele, já tentei lê-lo mais de uma vez e abandonei por questões de fadiga profunda. Estou esperando o momento certo pra gente se acertar;
O livro do desassossego: Fernando Pessoa me cansou também, ou melhor, me esgotou. "O livro do desassossego", além de ser um calhamaço, é pesado em outros sentidos. Como o nome já denuncia, o desassossego do personagem, da história e da narrativa colocam o leitor num estado de desconforto e angústia que só os bons suportam. Eu não fui boa o suficiente. Li mais da metade, mas abandonei por estar à beira da loucura. Mesmo. 
Lua nova: Larguei por não aguentar o mimimi da Bella e por não ser obrigada a ler que ela estava mordendo os lençóis por causa da dor provocada pela ausência de Edward. I rest my case.

6 - Quantas resenhas você tem cadastradas no Skoob?
Só 4. Queria ter paciência de fazer mais resenhas pro Skoob, já que sempre dou uma bisbilhotada no que as pessoas disseram sobre as coisas que li ou quero ler, e adoro esse recurso.

7 - Quantos livros você já avaliou?
5. Nunca lembro de fazer isso.

8 - Quantos livros você tem na aba FAVORITOS? Cite alguns deles:
Classifiquei meus favoritos apenas no dia que criei minha conta no Skoob, de modo que ela está bastante desatualizada. Constam 14 livros ao todo, dentre eles "O apanhador no campo de centeio", "Dom Casmurro", "Reparação", "Travessuras da menina má", "O amor nos tempos do cólera" e "Para uma menina com uma flor". 

9 - Quantos livros você tem na aba TENHO?
37. Também fiz a classificação logo quando abri a conta, e depois para separar os livros que eu queria ler mas já tinha e aqueles desejados, para facilitar a escolha da minha amiga secreta (que foi a Milena), no amigo secreto literário da Máfia. 

10 - Quantos livros na aba DESEJADOS?
32. Aliás, o Natal tá chegando né? Risos.

11 - Quantos livros emprestados no momento? Quais?
Não costumo registar empréstimos no Skoob. Mas tenho 7 livros emprestados no momento: "Orgulho e preconceito", "O apanhador no campo de centeio", "O que se passa na cabeça dos cachorros", "Como ficar sozinho", "Precisamos falar sobre Kevin", "Lolita" e "Paula"

12 - Você quer trocar algum livro? Qual?
Tenho 5 livros disponíveis para troca. São eles: "Por mais um dia", "O guardião de memórias", "As Valkírias", "O alquimista" e "O caçador de pipas".

13 - Na aba META, quantos livros você tem marcados? Conseguiu cumpri-la?
Não uso esse recurso. Livros são meu lazer, não obrigação.

14 - Qual o número do seu paginômetro?
39.167

15 - Qual o link do seu perfil no Skoob?

sábado, 1 de dezembro de 2012

Cinque

Hoje é aniversário do blog. Eu acho, pelo menos. Eu perdi todos os arquivos do primeiro ano do So Contagious graças a um bug maluco do Uol Blog, por isso a contagem aqui no Blogger começa no finzinho de 2008, mas eu juro pra vocês que ele foi criado no final de 2007, na primeira semana de dezembro. Para todos os efeitos, dia primeiro. Uma lembrança muito forte que guardo desse período perdido pra sempre no limbo da internet foi a primeira visita que fiz ao blog da Lusinha - que hoje nem escreve mais, uma pena! -, que naquele dia fazia cinco anos. Me assustei muito com aquele número, porque cinco é muita coisa. Via meu blog engatinhar e pensava com meus botões se algum dia chegaria lá, ou ao menos perto. Eu disse pra mim mesma que sim, mas nem eu acreditava naquilo. E hoje estou aqui. 

Cinco anos de blog significam quatro posts de aniversário anteriores, e daí vocês podem imaginar que eu nem tenho mais o que dizer. Os parabéns, tanto pra mim quanto pra vocês que me acompanharam até aqui, valem para todos os dias e espero que vocês consigam sentir isso, enquanto a coisa mais legal que já conquistei por causa do blog vocês também já se cansaram de ouvir. 

Como diz o David Bowie, "we've got five years, my brain hurts a lot".


#forçaNeide

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Sobre esse cara

Ou: Cuidado com o que vocês desejam

E essa nova novela das oito, hein? Não tive paciência pra assistir um capítulo inteiro porque não vou com a cara da protagonista, já enchi o saco com a obsessão oriental da Gloria Perez e não consigo acreditar que em 2012 ainda possa existir uma trama de horário nobre com história da namorada que foi trocada e vive de sabotar o relacionamento atual do ex. Digo isso tudo das coisas que vejo nas propagandas da TV e da galera do Twitter que está sempre comentando. O único juízo de valor que posso fazer com propriedade é o da trilha sonora, que está em todo canto e todo lugar. É oficial: Salve Jorge tem a trilha mais insuportável de toda a história das novelas brasileiras. Quando não é a Maria Rita errando muito na dose ao interpretar "Me Deixas Louca", temos Roberto Carlos enfiando um pé (e meio) na jaca.

Existe nesse mundo música mais enjoativa e cafona que "Esse cara sou eu"? Eu sei que faz parte da essência do Roberto Carlos ser meio cafona e eu costumava adorar isso nele, porque era um cafona engraçadinho, charmosinho, inofensivo mas como é que ele me passa de "Amante à moda antiga" a esse melô de Christian Grey (sacada genial da Fernanda!)? A música em questão é uma balada insuportável, que gruda na cabeça, cuja letra é uma ode ao cara mais mala de todos os tempos. E tem mulher compartilhando trechos em redes sociais, sonhando com esse projeto de herói aí. Risos. Risos eternos. Queridas, cuidado com o que vocês desejam, vocês não querem um cara desses pra vocês. 

Pra começo de conversa, a primeira estrofe diz que o cara pensa em você o dia inteiro. Eu desconfio de quem pensa em mim o dia inteiro. Que falta de assunto! Nem eu penso em mim o dia inteiro, sabe? Imagina que coisa mais triste você gostar de um cara que tem tanta coisa inútil na cabeça que a melhorzinha que ele encontre pra pensar seja você. Querida leitora, não se ofenda, não estou dizendo que você não vale uma noite em claro ou outra, mas o dia inteiro? Só consigo aceitar essa ideia se estivermos falando no casal Sartre e Beauvoir. Aí sim dá pra um ficar o dia inteirinho pensando no outro. 

Eu sei que é uma licença poética, não sou dessas que leva tudo pro literal e pro preto no branco, mas vamos pensar direitinho? Não suporto esses amores em que uma pessoa se torna o centro da vida da outra. Isso pra mim é muito errado. Vai que um dia acaba, como é que a vida fica? Relacionamentos saudáveis, na minha concepção, não se constroem em cima de uma dependência, idolatria, sei lá o quê. Sua felicidade e bem-estar não podem estar centrados em uma só pessoa. 

Daí ele continua: "Que conta os segundos se você demora/Que está o tempo todo querendo te ver". Meu filho, me erra! Eu reconheço que não devo ser a namorada mais legal do mundo e lugar no céu garantido terá aquele que souber lidar comigo, mas é ser muito louca querer ficar um pouco longe do namorado? Não dou conta desses casais que não conseguem viver sem a presença um do outro, que só saem juntos, etc. Essa descrição de pessoa viciada na outra pra mim é sinal de doença, e das graves. Já que estamos falando de novela, que tal a Heloísa, personagem da Giulia Gam em "Mulheres Apaixonadas"? Poderíamos facilmente adaptar a letra dessa música para a realidade dela, sob o título de "Essa mina sou eu". Isso não é amor de verdade, gente, é mulheres/homens que amam demais anônimos.

E quando você pensa que não fica pior: "E no meio da noite te chama/Pra dizer que te ama/Esse cara sou eu". Olha, se for pra me acordar no meio da noite, é melhor que a casa esteja pegando fogo, alguém esteja morrendo ou eu corra o risco de perder o emprego, porque de resto... Eu acho lindo gente que faz declarações de amor em horas inusitadas, que manda mensagens fofas no meio do dia ou diz que você está bonita sem que você esteja arrumada ou coisa assim. Mas acordar no meio na noite é sacanagem. É coisa de gente louca. Pior que isso só mesmo telefonar no meio da noite pra dizer que me ama. Eu seria capaz de terminar o namoro com Peter Parker Garfield himself numa situação dessas. Se Joey não compartilha comida, eu não divido meu sono com ninguém. 

Resumindo um pouco, porque eu não vou analisar estrofe por estrofe dessa música chata, tem muita mulher aí achando que quer um cara controlador e obsessivo. Gente, para. Gente, não. Não li 50 Tons de Cinza, mas não preciso da experiência completa pra saber que o tal do Christian Grey, que tem feito esse monte de mulher suspirar, é uma bela de uma cilada. Li dezenas de resenhas a respeito e assisti a vários vídeos, e em nenhum momento pensei que o garotão fosse algo do tipo que eu quisesse na minha vida. Um cara que controla o meu peso, as roupas que eu visto, a minha aparência, que é obcecado por mim, quer saber todos os meus passos e controlar tudo que faço da minha vida? Tirando o lado conto de fadas distorcido em que ele enche a mocinha de presentes caros e a faz virar os olhinhos entre quatro paredes, a descrição anterior não me parece muito diferente do perfil desses homens horríveis que batem nas mulheres e as mantém num estado tal de opressão que elas não conseguem sair de casa. 

O maior problema desses livros, arrisco dizer, é a ideia que eles introduzem na cabeça das mulheres de que esses homens doentes são regeneráveis. Que um dia o controlador vai parar de querer mandar na sua vida e vai se contentar com abrir a porta do carro e te ajudar a carregar suas coisas. Eu acredito que as pessoas mudam, mas não todas. Não a maioria. Infelizmente, é muito mais fácil mudar pra pior do que pra melhor. Tenho medo de quem bate no peito e diz que é a coisa certa pra mim e que me faz feliz, porque, honestamente, só consigo ouvir esse tipo de coisa dos meus pais e de Deus, e até os primeiros muitas vezes erram. 

Se eu fosse dar um palpite, no mundo dos reles mortais, quem tem um cara desses na vida acaba tendo sua voz unida ao coro do eu-lírico feminino triste que cantarola "Mil perdões", do Chico Buarque. Se é pra falar de amor obsessivo, que a música seja boa, pelo menos.


"Te perdoo por ligares pra todos os lugares de onde eu vim/Te perdoo por ergueres a mão, por bateres em mim, te perdoo"

Roberto Carlos, gosto tanto de você e espero que você não seja esse cara. Você é lindo quando simplesmente chama de querida a namorada ou se contenta com a pretensão de que durante muito tempo em nossa vida vai viver. Sai dessa.

"ESSE CARA SOU EU"

domingo, 25 de novembro de 2012

Espaço reservado para o medo

Ser tomada de assalto por um texto é uma das melhores coisas que se pode acontecer a qualquer pessoa que escreve. É aquele momento em que você está fazendo qualquer coisa que não pensar em escrever, e de repente é completamente dominado pelas palavras, que dançam na sua cabeça ao melhor estilo Alice no País das Maravilhas versão Disney. Seu cérebro começa a trabalhar freneticamente independentemente de você querer aquilo ou não, de ser 4h da manhã e você ter que acordar às 6h, de você estar no cinema vendo um filme do David Lynch, ou simplesmente muito cansado pra pensar. O texto vem e você só encontra a paz quando senta e escreve. E quando isso acontece é  mágico, é um fenômeno, é como se o cérebro, as mãos que escrevem e o papel trabalhassem numa dinâmica quase transcendental, pra deixar esse parágrafo um pouco mais hippie.

No entanto, como meu pai muito sabiamente me ensinou um dia e eu aplico em todos os setores da minha vida, não existe almoço de graça. Isso significa que não são todos os textos que simplesmente brotam na nossa cabeça, pelo contrário, isso só acontece com uma parcela ínfima, selecionada com extremo rigor e crueza. Para todas as outras coisas na vida a gente pode aplicar o velho critério dos 90% de transpiração e apenas 10 de inspiração ou, no máximo, aquela declaração do Chico Buarque de que a gente trabalha as ideias de forma inconsciente por semanas, meses, até que um dia elas nascem e a gente acredita que foi coisa do momento.

Meu ponto aqui não é sobre os melindres da criação, contudo. Até porque eu tenho um blog. Um blog! Se Machado de Assis me visse discorrer com essa cara de pau toda sobre seu ofício e sua arte, certamente me colocaria como coadjuvante fútil e abestalhada em algum de seus romances, como escape cômico. Aceito o risco de bom grado e direi mais: textos que brotam são a heroína da escrita, ao menos pra mim. Se Mark Renton fosse escritor, blogueiro ou estudante de jornalismo, não duvido que ele colocaria o prazer de crônica espontânea ao lado, ou ao menos próximo, do barato da droga que consegue ser melhor que o melhor orgasmo que você já teve na vida multiplicado por sei lá quanto. E, como eu ia dizendo, eles são raros, e essa condição, na cabeça de pessoas cismadas como eu, pode se tornar um problema.

Minha vida em um gif
Sabe quando a gente está lendo um livro incrível e chega uma passagem que nos toca de uma maneira única, arrepiando todos os pelos do corpo e enchendo os olhos d'água? Sempre que me deparo com uma dessas, sou também tomada por um pânico de nunca mais conseguir sentir aquilo de novo, como se já tivesse esgotado a minha cota de catarses literárias da vida. O mesmo com os textos. Logo após o último ponto final daquele post que me surgiu como um vômito de palavras e ideias que se encadearam sem que eu tivesse que fazer força, eu já surto e penso que pronto, magia nunca mais, vou passar o resto da vida folheando o dicionário de sinônimos em busca da frase perfeita. O último "post espontâneo" postado aqui foi aquele das eleições de Tupaciguara. Eu estava quase dormindo quando as primeiras frases surgiram, então acendi a luz, peguei um caderno e escrevi loucamente, o resto dele nascendo à medida que as ideias anteriores tomavam forma.

Coincidentemente ou não, aquele foi o último post daqui que eu genuinamente gostei. O último que eu postei sentindo que não faltava absolutamente nada, que eu fiquei com vontade de reler e não só com vergonha de abrir o blog e com a sensação de que eu era uma fraude. Eu sei que isso não faz o maior sentido, mas não é como se eu pudesse controlar essa sensação horrível. Se eu pudesse, aliás, não estaria escrevendo este texto.


O título não é aleatório. Recentemente, Charlie McDonnel, um youtuber inglês absolutamente divertido, criativo e adorável, postou um vídeo em seu canal sob o título "I'm Scared". Nele, Charlie justificava o lento ritmo produtivo recente com seu medo, total pânico diante da ideia de talvez não ser bom o suficiente, de não agradar mais. Ele conta que a vida toda foi muito tímido e inseguro, e que o Youtube foi o local em que ele sentiu que poderia ser ele mesmo, porque lá havia pessoas que gostavam e se identificavam com aquilo que ele fazia, com quem ele era. O problema é que ele se tornou consciente dessa condição, que agora estava massacrando-o: e se as pessoas parassem de gostar dele? e se tudo aquilo que um dia fez sentido pra um monte de gente de repente se tornasse uma produção sem sentindo e completamente dispensável? Essas dúvidas apareciam sempre que ele tentava produzir algo novo, e o medo de não ser bom, ou pelo menos não tão bom como já foi um dia, o paralisava por completo. 

Pouca gente conhece ele por aqui - e se não fosse pela Taryne, a rainha do Youtube, eu também não o conheceria (amiga, obrigada por dividir suas coisas favoritas comigo) - , mas ele é bem famoso na gringa, principalmente por ser nerdfighter e muito chapa do Hank Green. Sua vídeo-confissão causou uma repercussão bem comovente, com uma série de vídeos-resposta  que fazem a gente ter mais fé na humanidade. O próprio fez um apanhado das melhores e postou como uma lista de reprodução, que eu recomendo veementemente à todos que estão precisando de uma força, mas tenho duas respostas favoritas bem específicas, que é a que o próprio Hank fez e outra do Michael Aranda, amigo de Charlie.




Adoro quando Hank diz que o exercício de criar é inegavel e absolutamente assustador, e que uma vez que todos nós criamos - ainda que seja apenas a nós mesmos -, todos estamos assustados. Isso significa que ter medo é algo absolutamente normal, e, uma vez que a gente não pode se livrar dessa sensação, melhor mesmo é criar com mais afinco, não deixando esse monstro verde nos dominar. Já o fofo do Michael, ao fim do seu vídeo, diz que ter medo é normal e a gente não deve sentir vergonha disso ou se deixar abater. Pra ele, a melhor forma de aceitar o medo é tirando um dia, uma semana, um mês que seja, pra se deixar ser completamente abatido pelo medo, deixar que ele nos consuma, e depois renascer das cinzas fortalecido pela experiência, afinal você já passou pelo pior, certo? Eu costumava fazer isso ano passado. Imaginava o que aconteceria caso eu não passasse no vestibular e estruturava minha vida a partir dessa perspectiva, até ver que ok, não seria o fim do mundo e eu conseguiria enfrentar aquilo, então vamos em frente.

Assim sendo, esta sou eu sentindo medo. Oi, meu nome é Anna Vitória e sou fatalista demais pros meus poucos 18 anos de vida, e se nas últimas semanas não tenho gostado muito daquilo que escrevo, logo imagino que nunca mais vou gostar de nada que irei escrever até o fim dos meus dias, o que significaria o fim desse blog, que eu gosto tanto. Isso me enche de medo, mais do que uma pessoa normal acharia ok alguém  sentir por conta de um punhado de palavras juntas, mas fazer o quê? 

Charlie, querido, me dê a mão e vamos enfrentar esse monstro. Você não está sozinho.

(e acreditem ou não, mas esse texto começou como um doloroso processo de 90% transpiração e blábláblá e terminou como uma criação quase espontânea)