quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Estrelas.

Tem gente que diz que quanto mais a gente estuda, menos a gente acredita em Deus. Comigo não é assim. Quanto mais eu estudo, mais próxima de Dele eu me sinto. Esse ano minha visão acerca do mundo mudou um bocado, se antes eu olhava para os lados e via aquilo que todos vêem, hoje eu olho e vejo um toque divino em tudo que me rodeia, no sentido menos hippie da coisa. É a perfeição da natureza em sua forma mais simples - e agora talvez devastadora - , as coisas que eu vejo acontecer comigo e ao meu redor que, me desculpem os céticos, mas não consigo atribuí-las a ninguém mais se não o meu Deus, o meu Pai, aquele que cuida de mim sempre. Respondi no formspring que tenho uma visão mais abrangente sobre o mundo espiritual, um pouco longe de toda essa cerca de religiões. Vejo Deus na minha como realmente um Pai, faço as coisas não por medo, não por querer algo em troca, mas sim por amor, respeito e reverência. E mesmo quando as coisas estão ruins, eu sei que vou tirar algo disso, pode demorar, mas eu vou. A sucessão dos dias já me provou isso tantas vezes - não só esse ano - que seria burrice não enxergar. Tem uma música do Switchfoot chamada "Stars" que diz algo muito interessante: "When I look at the stars, I see Someone else, when I look at the stars, I feel like myself". Eu olho pro céu a noite e não vejo apenas estrelas, astros com luz própria nos brindando com sua beleza, vejo a beleza e a perfeição da Criação brilhar diante dos meus olhos, me mostrando que tudo que eu temo, receio, é pequeno demais diante da magnitude Daquele que olha por mim.

Tenho muito que agradecer, porque no balanço geral da minha vida, sempre terminei os anos muito feliz. Fora em 2005, que creio ter sido o pior ano de toda a minha existência, durante esses meus 15 anos de vida, meu balanço geral foi positivo. Esse ano não foi diferente. Mudou muita coisa, e como mudou. Mudei de escola, saí da redoma que vivia e encarei o mundo real, me afastei de várias pessoas que estiveram comigo por anos, perdi uma amizade que acreditei que levaria comigo por toda essa vida. Entretanto, tive perto de mim novamente amigos de longa data e percebi o valor e o peso deles na minha vida, ganhei de presente novos amigos queridos - na vida real e no campo das internétes - , e acho que nunca me senti tão bem servida de amizades, dessas que eu consigo olhar pra frente e vê-las comigo para todo sempre. Partiram meu coração pela primeira vez na vida, e apesar de a ficha ter demorado pra cair, uma hora ela caiu e foi bem ruim. Tive um pseudo-amor platônico. E de repente eu olhei pro lado e vi que o que eu sempre procurara estivera ali por um tempo, esperando eu acordar pra vida e por em prática a máxima do "só vou gostar de quem gosta de mim", que era uma resolução de ano novo não publicada. Estudei como nunca, pela primeira vez na vida tirei abaixo de 60% em uma prova, e passei o primeiro bimestre raspando. Nunca tinha pensado que um dia teria dúvida se tinha ou não pegado recuperação. Chorei, chorei, como chorei e me estressei por causa de provas. E tanto choro me fez ver que não é isso que eu devo levar como o mais importante de tudo, e que não posso deixar um 10 ou um 0 no boletim regerem o meu bem-estar. Fiz uma prova de Física sem ter estudado. Morri de estudar só para fechar uma prova de Química e dar o gostinho a mim mesma de que, ora bolas, eu era uma mulher ou um saco de batatas?

Entrei e saí da academia. Surtei com meu cabelo, amei meu cabelo, quis deixar crescer, quis passar a tesoura e tê-lo chanel novamente, agora estamos numas de ver qual é. Minha coleção de dvds pulou de 2 para 38 filmes, e eu finalmente larguei meu vício Lorelai de consegui assistir 84 filmes inéditos esse ano, sendo que 20 deles foram vistos no cinema. Li 19 livros inéditos, reli todos os Harry Potter, finalmente visitei um sebo e a biblioteca municipal da cidade. Fui a poucas festas, mas nas que eu fui, dancei forró, dancei Lady Gaga e dancei ABBA a ponto de sair trocando as pernas sem ter bebido uma gota de alcool. Vi duas das minhas bandas favoritas ao vivo, encarei o batom vermelho, me viciei em esmaltes fazendo minha coleção de nenhum ítem pular pra 15 em menos de um mês. Saí vadiando pela cidade com meus amigos, tomei chuva na rua, quase quebrei meu pé na praia, fiquei quatro dias de cama, com febre, assistindo desenho animado o dia inteiro. Ganhei todas as temporadas de Friends e finalmente assisti Forrest Gump e Procurando Nemo, filmes que todo mundo havia visto, menos eu.

Com esse monte de coisas, boas e ruins, pequenas e grandes, vejo que não tenho muito a pedir pra Deus nesse 2010 que já tá batendo na porta. Já disse e repeti, se for um ano "mais do mesmo", para mim está bom. Não reclamaria de me dar muito bem no PAIES (que não aconteceu esse ano) e começar 2011 com 5 quilos a menos, mas isso, eu sinto que só depende de mim. Desculpe, Amandoca, mas não tenho resoluções feitas pra esse ano que virá, e nem perderei meu tempo fazendo-as, portanto, não responderei seu meme.

Feliz ano novo, leitorinhos (as)! Que 2010 seja cheio de muitas coisas boas, muita risada, saúde, shows internacionais, que vocês possam estar sempre perto daqueles que vocês gostam. Como diz a Jana, riqueza e magreza em 2010!

E nessas de fim de ano, fim de década, já é tanta lista que a gente não aguenta mais. No começo, pensei que largaria essa de "melhores do ano" de lado, já que tantos já fizeram, mas não consigo fazê-lo, é mais forte que eu. Minha lista é singela, nem comentários tem, e é completamente embasada nas coisas que eu vi esse ano, portanto, um pouco pobres de novidades. Mas é de coração.

Coisas mais legais que vivi esse ano que viraram post (não necessariamente nessa ordem): "A estréia", "Essas festas juninas... sempre de brimks", "Quarta-feira de polêmica, barraco e roquenrou", "Dance like Mia Wallace", "Vou jogar a minha rede ao mar", "Debutante, hein!", "A revolta das cajazeiras", "O show, finalmente".

Os melhores contos do ano, na humilde opinião da autora: "Geléia de morango", "Querido qualquer coisa", "Energias amarelo-lavanda".

Os melhores posts do ano, na humilde opinião da autora: "Helenando", "Abbey Road", "Era uma vez o hidrogênio", "A assustadora verdade sobre os Beatles", "Minha autobiografia musical" e "10 sinais de que você é uma novata na academia".

O melhor blog que descobri esse ano: Championship Vinyl

Os melhores filmes de 2009 que vi no cinema (e um que eu vi em casa): Distrito 9, Up!, Abraços Partidos, Julie e Julia, O Curioso Caso de Benjamin Button e 500 Days Of Summer.

O melhor livro que li: Drácula, de Bram Stoker

A música que embalou meu ano: "I Can't Stay" - The Killers

As outras músicas que embalaram meu ano: "All I Need" - Radiohead, "A Outra" - Los Hermanos, "Chinese" - Lily Allen, "Strangers In The Night" - Frank Sinatra, "I Thought I Saw Your Face Today" - She & Him, "Chico" - Lulina, "Great DJ" - The Ting Tings, "El Scorcho " - Weezer, "The Art Teacher" - Rufus Wainwright, "Hate It Here" - Wilco, "Lover" - Devendra Banhart, "Giz" - Legião Urbana, "Swimming Pool" - The Submarines, "There's A Light That Never Goes Out" - The Smiths, "Dancing Queen" - ABBA, "Bad Romance" - Lady Gaga, "Single Ladies" - Beyoncé e "Love Story" - Taylor Swift (não me perguntem).

Peço que perdoem o ritmo lento de posts e comentários (principalmente), mas é que blogueira também tira férias, né?

sábado, 26 de dezembro de 2009

"Não adianta nem tentar me esquecer..."

Se um outro cabeludo aparecer na sua rua
E isso lhe trouxer saudades minhas, a culpa é sua
O ronco barulhento do seu carro
A velha calça desbotada ou coisa assim
Imediatamente você vai lembrar de mim

Acho que a presença de Roberto Carlos nas nossas vidas nos finais de ano é mais comum talvez que a do bom e velho peru natalino. Desde que eu me entendo por gente, o especial existe há milhoes de anos, e desde suas edições mais remotas até hoje, a toada do rei não mudou muito, ou melhor, não mudou nada. São as mesmas músicas, algumas delas na mesma ordem até, o figurino dele é o mesmo - com uma ou outra aplicação de botox ali e acolá -, os comentários entre as músicas, e as rosas ao final do show ao som de "Jesus Cristo".

Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido
Palavras de amor como eu falei, mas, eu duvido
Duvido que ele tenha tanto amor
E até os erros do meu português ruim
E nessa hora você vai lembrar de mim

Mesmo sabendo de tudo isso, eu, desde que me entendo por gente, assisto ao especial quase todos os anos. A tradição é assistir junto da minha avó paterna, que é fã eterna dele (quem com mais de 50 não é?), é uma companhia incrível, porque ao mesmo tempo que ela canta, sorri e suspira com Betão - a família lhe deu esse apelido carinhoso, depois de tantos anos, podemos nos dar direito a essas liberdades (minha avó, a mais íntima, chega a ousar mais e chama-lo de Bebeto) - , ela briga com ele, o chama de velho caquético, diz que ele está achando que é menino, briga com aquele cabelo medonho do coitado, faz insinuações maldosas de que ele deve estar namorando, pois anda "saidinho" demais.

À noite, envolvida no silêncio do seu quarto,
Antes de dormir você procura o meu retrato
Mas na moldura não sou eu quem lhe sorri
Mas você vê o meu sorriso mesmo assim
E tudo isso vai fazer você lembrar de mim

Confesso que no começo, assistia aos shows só para rir dos comentários de vovó, nos últimos anos que peguei gosto. Sempre o mesmo repertório, concordo, meio brega as vezes? Concordo também. Entretanto, as músicas dele são lendárias e por que não dizer que algumas são lindíssimas? "Detalhes" é minha favorita, acho a letra doída de tão linda. Vai dizer que isso não é poesia pura? (que dificuldade escolher só uns trechos da música pra colocar aqui!)Alinhar ao centro
Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma todo amor em quase nada
Mas quase também é mais um detalhe
Um grande amor não vai morrer assim
Por isso, de vez em quando você vai
Vai lembrar de mim

É clichê, todo ano são as mesmas músicas, a cada ano a Globo apela mais (Calcinha Preta, oi?), mas o Roberto Carlos faz um bom trabalho, melhor ainda quando ele e Erasmo cantam juntos e se emocionam. Eu, além gostar muito, morro de vontade de ir em algum show dele. Não preciso nem pegar a rosa, mas só cantar no coro de "Como Vai Você?" está bom. As rosas eu deixo para minha avó, que se fosse, estaria no gargarejo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Jingle Bell Rock,

Confesso que há dias estou pensando no post de hoje. Queria algo natalino, algo feliz, alguma memória desenterrada, mas nada realmente interessante me vinha a mente. Confesso que não sou a maior fã de Natal do mundo, tendo a ficar melancólica, sempre foi assim. Ano passado passei um Natal super diferente, longe dos meus pais, longe dos meus avós, e mesmo tendo me divertido muito, me foi necessária uma força enorme para segurar as lágrimas depois da ligação a meia noite para desejar um feliz Natal. Disse pra mim mesma que esse ano iria aproveitar bastante, só pelo fato de que eu estava junto das pessoas que eu mais amo no mundo. E ano novo veio, as aulas começaram, o carnaval chegou, estudos, correria, férias, mais estudos, mais correria, praia, estudo, cinema, e aí está o Natal novamente, confesso que mesmo com todos os especiais, shoppings insuportavelmente lotados e luzes piscantes para todo canto, fui me dar conta disso hoje, quando me liguei que amanhã é dia 24.

E foi então que me vi ansiosa. Não tenho mais que esperar a manhã do dia 25 para ganhar meus presentes, não acredito em Papai Noel, e a festa aqui em casa nem vai ser muito grande, mas quando meus avós chegaram aqui em casa hoje, carregados de frutas, doces, e o peru temperado, foi como se algo se aquecesse aqui por dentro, e eu me sentisse mais em casa do que já estava. Não existe presente melhor que esse.

Para vocês, leitores queridos que me acompanham sempre, eu desejo isso nesse Natal, esse sentimento de casa, de quentinho, de amor, com cheiro de peru assando. Feliz Natal pra vocês!

Pra quem perguntou, o outro filme que eu vi no dia em que fui sozinha foi Abraços Partidos, que será comentado em breve. :)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Ask me anything.

Como tudo que surge hoje nessas internéts adentro, a ascensão do FormSpring foi rápida, pra não dizer astronômica. Na segunda-feira eu estava no twitter e saí para ver um filme. Brigadeiro, lágrimas com Sofia e Elizabethtown (é, de novo) depois, volto pro Twitter e vejo todo mundo se divertindo com o tal do FormSpring. Perguntei do que se tratava e me responderam que era um site onde você se cadastrava e ficava respondendo perguntas. Tá, mas e aí? Moral da história? Sem moral da história, era isso mesmo. Claro que eu criei minha conta na mesma hora, no começo com o pretexto de garantir meu login, depois comecei a ler umas perguntas, e que emoção quando começaram a chegar perguntas pra mim!

Deixem-me dizer uma coisa: o tal do ser humano é um narcisista nato. Não adianta torcer o nariz e dar uma de Madre Teresa, todo mundo adora falar de si mesmo. Vou dizer uma coisa agora que pode ser deveras mal interpretada depois, mas eu sempre quis ser entrevistada. Não porque eu ache que tenho algo extremamente relevante pra dizer, mas porque eu adoro falar sobre mim, as minhas opiniões, o que eu acho ou deixo de achar. Uma ótima prova disso é esse blog. De novembro passado até hoje foram 143 posts falando única e exclusivamente de quem? Voilá! Posso falar de filmes, de livros, de histórias, mas são filmes que eu assisti, livros que eu gostei, histórias que eu escrevi. Um annavitóriocentrismo pra ninguém botar defeito. O FormSpring só prova que todo mundo é assim também, a emoção quando chega uma pergunta (se for anônima então!), o desespero quando elas param de chegar, isso só evidencia como amamos o nosso umbiguinho.

E o umbiguinho dos outros também, né? Afinal, o anonimato proporcionado pelo FormSpring permite que as pessoas se soltem e perguntem tudo que sempre quiseram saber sobre outra sem se condenar. Não é maravilhoso? Analisando formsprings alheios, percebo que todo mundo tem uma certa obsessão bizarra em querer saber se outros homens são ou não gays, como se fizesse alguma diferença e como se se aquela pessoa ainda não saiu do armário fosse resolver se revelar pro mundo por causa de uma pergunta ANÔNIMA de um viral da internet.

No fundo estou gostando dessa nova mania, pelo menos na minha inbox tem chegado perguntas bem bacanas, sobre livros, filmes, etc, e eu quase não gosto de falar disso, né? As de cunho sexual estão lá aos montes, mas pelo menos pra mim até agora chegaram só umas 2 ou 3, que foram delicadamente deletadas. Uma coisa que eu descobri é que meio mundo me acha indie ou alternativazinha, achei isso tudo muito engraçado, posso gostar muito de bandas indies e de alguns filmes que são cultuadíssimos no circuito indiezinho-ui-ui-ui, mas certamente quem acha isso nunca viu meus live streaming da novela das oito no Twitter. Essas rotulações me incomodaram um pouco, porque eu já sofri muito com isso, mas pararam de chegar perguntas assim, então por enquanto lhes pouparei de uma sessão de terapia em grupo aqui no blog.

O Twitter tem o seu "What Are You Doing?", e o Formspring seu "Ask Me Anything" como lema. Isso me lembra que o site oficial do Strokes tem uma seção de mesmo nome, onde os fãs enviam perguntas para Julian, Albert, Fabrizio, Nikolai e Nick responderem, ua vez que Ask Me Anything é o nome de uma música do Strokes que, aliás, tem uma letra bem sugestiva pra essa mania geral de pergunta e resposta, no fundo, I've got nothing to say, I've got nothing to give, but I will fight to survive, I've got nothing to hide, wish I wasn't so shy.

* Se quiserem me perguntar algo, é só usar aquela caixinha ali na sidebar ou então pelo endereço tradicional, aqui!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Eu, a pipoca e o telão.

Sempre quis ir ao cinema sozinha. Mamãe que nunca me deixava, dizia que é muito ruim, muito triste, que as pessoas iam olhar pra mim com um olhar de comiseração, pensando: "Coitada, não tem nem que vá ao cinema com ela". Por causa desse complexo da minha mãe, já perdi ótimos filmes porque não tinha companhia. Sabe aquele que ninguém quer ver, só você? E olha, eu tenho um talento especial pra querer ver filmes que ninguém mais quer ver. Então que minha mãe começou a fazer análise e veio com essa de que o analista dela disse que ela deveria ir ao cinema sozinha. "E aí, dona Angel, o que me diz agora?" e então ela disse que na primeira oportunidade nós iríamos juntas, eu em uma sessão, ela em outra.

Nem estava lembrando mais disso quando a Isabela me disse que não poderia ir ao cinema comigo hoje, como havíamos combinado. Não pensei duas vezes e fui sozinha do mesmo jeito. Além de estar indo sozinha pela primeira vez, me propus a pegar duas sessões, outra coisa que sempre quis fazer, já que sempre saio do cinema querendo entrar de novo. Olhei os filmes que queria ver, olhei os horários que dariam certo e fui.

A primeira sessão foi "Julie e Julia". Entrei na sala com as luzes já apagadas, a sala era pequena e estava vazia, de modo que pude ocupar três cadeiras, uma pra mim, uma pra minha bolsa e outra pra eu poder ficar escorada. Quando o filme começou, foi como esquecer do mundo. Mais ou menos na metade, eu de repente me dei conta de mim novamente e foi estranho, foi como se tivessem me empurrado do filme de volta pra realidade, eu estava me sentindo ora na cozinha de Julie Powell e ora desossando patos com Julia Child. Essa entrega só pode ser conseguida quando está só você e a tela, e isso é impagável.

O filme é uma graça só! Já estava ansiosa para vê-lo, porque só li boas críticas e sou muito fã da Meryl Streep, mas não esperava que iria gostar tanto. Ele se trata da história de Julia Child, a mulher que começou a cozinhar para ter algo a fazer que não ser madame em Paris, e através disso escreveu um livro de receitas francesas adaptado às "servless american women" que de fato mudou o modo como as americanas viam a culinária. Ao mesmo tempo, o filme conta a história de Julie Powell, uma funcionária pública que também é uma escritora fracassada, que ao se ver sua vida sem propósito algum decide criar um blog onde se propôs o desafio de cozinhar as 524 receitas do livro de Julia Child, sua musa, em um ano. Julia e Julie cada uma à seu modo e à sua época encontraram-se na comida, e através dela, encontraram também um motivo pra viver e algo pra se empenhar.

"Julie e Julia" me lembrou muito um post do Drops de Anis que li há uns dias atrás, que dizia sobre a diferença entre jantar e comer. Comer qualquer um come, mas jantar é um ritual, é apreciar a comida, é fazer as coisas com beleza. Julia Child amava comer mais do que qualquer coisa na vida, e valorizava a comida, sentia prazer nisso, encontrava nela uma felicidade. Sem confundir a felicidade com fuga, porque quem come chocolate quando tá deprimida procura nele uma fuga, não um prazer, uma felicidade. Outra coisa bacana foi que o filme mostrou a culinária francesa como extremamente acessível. Julie fez todas as receitas em casa, e olhe que ela não era das mais endinheiradas, pelo contrário. E não adianta dizer, "mas isso só em filme, né?", porque não, a história dela é real. E além disso, não tinha frescura alguma. Eu pelo menos quando penso em cozinha francesa, penso naquelas micro porções em que se faz biquinho até pra comer. No filme a visão é outra, eu achei muito bacana o modo como o marido da Julie prova as receitas, de um jeito quase selvagem. Julia também não tinha cerimônia, enfiava o dedo na panela, comia com a mão sem medo de ser feliz.

O filme terminou e eu não conseguia "sair" dele. Fiquei alguns minutos sentada na cadeira sorrindo pra tela que já começava a mostrar os créditos finais. "Julie e Julia" é um filme leve, divertido, e ao mesmo tempo marcante. Me fez sair da sala morrendo de fome, com uma vontade ainda maior de conhecer Paris, e acima de tudo, com uma vontade de me empenhar pra valer em alguma coisa que possa fazer de mim uma pessoa melhor. Saí da sala rindo pra mim mesma, enquanto as pessoas de certo me olhavam pensando, "Coitadinha, essa aí é tão louca que que não consegue se desapegar da ficção, por isso que tá aí sozinha, imagina que saco deve ser aguentar alguém assim?".


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Em paz para o PAS.

No meio do ano me inscrevi para o PAS, o programa se avaliação seriada da UNB, a Universidade de Brasília. Me inscrevi sem ter o menor interesse em estudar lá. O que primeiro me motivou foi o conselho que uma amiga me deu para fazer a prova, porque nunca se sabe o dia de amanhã, vai que dia desses eu acordo com vontade de ir pra Brasília, e isso é muito importante pra mim, que ainda não faço muita idéia do que quero da vida. Além disso, a prova seria realizada uma semana antes do PAIES, prova que eu mais tenho interesse. Como nunca fiz uma "prova de verdade", não queria chegar virgem e imaculada em uma que eu de fato tenho muito interesse. Experiência é tudo.

Aí que o meu PAIES foi adiado pro ano que vem e eu me dei uma carta de alforria antecipada e larguei mão de estudar (gente, tão divertido fazer as provas finais na escola sem estudar! adrenalina pura!), e me vi bem desanimada a fazer o PAS. Ia fazer porque já tinha me inscrito, seria mais por desencargo de consciência do que qualquer outra coisa. Mesmo sem a mínima vontade me dispus a ir nos dois dias de revisão que minha escola organizou, de novo por desencargo de consciência e porque não queria arriscar tirar numa nota negativa no exame, já que lá, cada resposta errada anula uma certa.

Os dois dias inteiros de aula foram ótimos. Relembrei coisas que eu nem mesmo lembrava que já havia estudado um dia, aprendi técnicas pra otimizar o tempo e fazer a prova do melhor jeito, e no fim da tarde de sexta, após sair da escola, eu já estava bem empolgada para a prova do dia seguinte. No sábado fiquei surpresa quando vi que estava até nervosa. Dizia pra mim e pra todos que estava tranquila, mas não parava de olhar no relógio, já que conhecendo todo meu histórico de atrasos, tinha até sonhado com a cena de chegar lá e encontrar os portões fechados. Minhas mãos estavam geladas, e eu não parava de checar se todos os meus documentos estavam certos, e se estava tudo no lugar. Ainda assim acho que meus pais estavam mais nervosos que eu, papai da hora que eu acordei, até a hora que saí de casa pra fazer a prova, me ligou 3 vezes. Mamãe quase saiu do restaurante que almoçamos deixando o troco pra trás.

Depois que cheguei no local de prova sem atraso e encontrei meus amigos, todo o nervosismo passou. Tava curiosa pra saber como era a farra pré-prova pela qual minha escola é muito famosa, e de fato eles inventam musiquinhas estimulantes bem engraçadas que creio que ajudam bastante, porque dão um gás e relaxam quem está nervoso e dá uma abaladinha na concorrência. Tocou o sinal, fui pra sala sozinha, já que nenhum amigo tinha ficado na mesma sala que eu.

No começo surtei, porque meu lugar era bem ao lado da porta, pensei que fosse perder a concentração, mas foi tão engraçado que as vezes eu reparava em pessoas entrando de volta na sala que eu não tinha visto sair. Eu também pensei que ia ser um esquema super de segurança FBI essas coisas, mas a tia que ficou na minha sala era fofa, explicou todas as normas direitinho e me deixou bem mais tranquila, porque eu tinha medo de olhar para os lados.

Achei a prova relativamente fácil. Com boa interpretação de texto e boa noção de conhecimentos gerais qualquer um faz aquela prova com o pé nas costas. Pra alguém que a um mês não pegava num livro, eu fui bem. Óbvio que tinha questões de matemática que eu nem me dei ao trabalho de ler, pois sabia que não saberia fazer. De Física fiz umas, outras tive branco total e preferi não arriscar. Química eu sabia um pouco, já que as aulas sobre mol e cálculo estequiométrico estavam nas minhas aulas a distância, que eu me recusei a assistir até precisar delas de verdade. O resto posso dizer com toda a certeza que estava tranquilíssimo. Três textos do Chico, sendo 4 questões sobre a Ópera do Malandro, um texto do Saramago, eu estava em família. As questões discursivas que todo mundo tanto temia era facílimas, bastava abraçar os discursos inflamados pseudo-comunistas que dava pra tirar de letra.

No mais, achei uma ótima experiência, me ajudou a perder aquele medo de prova oficial, vi que não é o bicho de sete cabeças que eu sempre imaginei e acho que me deu uma boa força pro PAIES. Sem falar que tenho 120 questões pra fazer e refazer como ajuda nos estudos, né? Mas não vou pensar nisso agora, porque com o fim das aulas de revisão e tendo feito essa prova, finalmente encontro-me oficialmente de FÉRIAS!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Minha autobiografia musical.

* Depois que li uma coluna do Digestivo Cultural onde Gian Danton fazia uma reconstrução da evolução de seu gosto musical até então, fiquei morrendo de vontade de fazer a minha própria. Ei-la:

Desde muito pequena eu gosto de música. Desde muito pequena eu gosto de ouvir música. Porque normalmente criança não ouve música, você não costuma ver uma criança ligar o som, sentar e ficar ouvindo. Eu adorava fazer isso. Na minha infância óbvio que estiveram presentes todas as cantoras infantis famosas, Xuxa, Angélica e Eliana, mas eu ouvia muito mais daquilo que meus pais ouviam.

Minha mãe sempre teve o hábito de, quando chegava em casa na hora do almoço, ligar o som e deixar tocando até a hora de sair de novo pra trabalhar e me levar no colégio. Ela nunca foi muito criativa nas suas escolhas, setenta por cento de tempo ela colocava Marisa Monte. Acho que essa foi a primeira cantora que eu me lembro de gostar. Como mamãe é muito fã dela, tínhamos vários cds em casa, lembro de um que era cor-de-rosa ("Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão"), de um duplo que os discos tinham ilustrações de umas mulheres sem roupa que eu achava bizarras ("Barulhinho Bom") e um que eu amava a capa ("Mais"). Quando eu já era mais grandinha, veio o que até hoje é meu favorito, "Memórias, Crônicas, Declarações de Amor", mas os três primeiros foram os que mais me marcam na infância. Minha música favorita era "Rosa", cuja letra é bem rebuscada e tem um toque de poesia fortíssimo. Eu achava as palavras nela tão bonitas, e olhe que muitas eu nem sabia o significado, mas eu achava a sonoridade, a escrita, tudo muito bonito. Sabia cantá-la inteira, coisa que hoje não consigo fazer mais.

"Perdão se ouso confessar-te, eu hei de sempre amar-te
Oh flor, meu peito não resiste
Oh meu Deus, o quanto é triste
A incerteza de um amor que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia ao pé do altar
Jurar aos pés do Onipotente em preces comoventes
De dor, e receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer de todo fenecer"

Outra pessoa que influenciou muito meu gosto musical foi minha avó. Como meus pais sempre trabalharam muito, eu ficava muito com ela e a gente se divertia a beça. Sempre no fim do dia, quando eu chegava da escola, minha avó punha um colchão velho na varanda e nós íamos ver as nuvens e ouvir música. Eu adorava uma coletânea que ela tinha da Gal Costa. Nós o ouvíamos sempre, e sem exagero, eu sabia cantar todas as músicas de cor. Como eu achava a voz dela divertida! Gostava de tanto que minha avó acabou por me dar o cd, que eu ouvia à exaustão. Minhas preferidas eram "Açaí", "Folhetim", "Só Louco", "Balancê", "Folhetim" e uma que até hoje me faz chorar claves de sol, "Baby".

"Você precisa saber da piscina
Da margarina
Da Carolina
Da gasolina
Você precisa saber de mim"

Não vivi 15 anos sem dar meus escorregões musicais. Já gostei de coisa muito errada nessa vida. Aos seis anos foi a febre Sandy e Júnior, já fui no show deles e tudo mais. Tenho guardados ainda os três cds dele que ouvia até arranhar, e acreditem ou não, mas até hoje sei quase todas as músicas de cor. Tive meus momentos de adorar Kelly Key. É. Mas ninguém foi tão cultuada como Britney Spears. Tenho quatro cds dela, e ainda escuto. Não gostei dos dois últimos, Circus e Blackout, mas sempre que estou me aprontando coloco o In The Zone pra rolar. Eu e minha melhor amiga da época, Amanda, punhamos Britnéia num pedastal, todo sábado nós assistíamos Crossroads e o dvd de um show dela em Las Vegas. Ficávamos as duas, um bandiretardada, na frente da televisão imitando as coreografias. E nós também inventamos uma coreografia pra Toxic. Sim. Um cd dela que eu amava era um Greatest Hits, chamado My Prerogative, que tinha todas as músicas famosas da carreira inteira. Ah, como eu amava aquele cd! Foi roubado junto com o som do carro dos meus pais.

"You drive me crazy
I just can't sleep
I'm so excited, I'm in too deep
OH,OH,OH
Crazy, but it feels alright
Baby thinkin of you keeps me up all night"

Aos 9 anos comecei a fazer sapateado, e nas aulas nós ouvíamos muita música nacional atual. Até então de música brasileira, além de Marisa Monte e Adriana Calcanhoto, eu só conhecia música antiga. O contato com o novo foi contagiante e eu me vi muito rapidamente apaixonada por Cássia Eller, Titãs, Skank e principalmente Tribalistas. Eu ouvi muito esse quando foi lançado, eu escuto ele até hoje sem cessar. Um outro que eu adorava era um do meu pai, o Acústico MTV do Ira!, que cd gostoso. E o acústico da Cássia Eller? É um dos meus cds favoritos de todos os tempos.

"Me esqueça sim, pra não sofrer,
pra não chorar, pra não sentir.
Me esqueça sim, que eu quero ver
você tentar sem conseguir.
A cama agora está tão fria, ainda sinto o seu calor.
Me esqueça sim, mas nunca esqueça o meu amor."

O gosto do meu pai sempre me influenciou bastante também. Quando começou a febre de baixar música pela internet, ele pôde me apresentar a todas as bandas até então estranhas pra mim, que ele sempre me contava. Foi com ele que aprendi a gostar de Oasis, Pearl Jam, Simon and Garfunkel, The Smiths, Supergrass, Aerosmith, e por um tempo, lá pelos meus 11 anos, era só isso que eu ouvia. Foi com essa idade que ganhei meu primeiro mp3 player, que foi uma das coisas mais legais que já tinha me acontecido nessa vida. Aerosmith me marcou bastante, lembro que achava o Steven Tyler um absurdo de pessoa, e amava loucamente o clipe de "Crazy". Meu sonho de vida era crescer e ser linda que nem a Liv Tyler e sair por aí num conversível, como se não houvesse amanhã.

"I go crazy, crazy, baby, I go crazy
You turn it on
Then you're gone
Yeah you drive me
Crazy, crazy, crazy for you baby
What can I do, honey
I feel like the color blue."


Quando eu conheci a poesia, conheci junto Vinicius de Moraes. Minha avó desenterrou um livirinho antigo até que ela tinha, tipo uma coletânea com os melhores poemas, os melhores textos, o bom e velho "Best of". Meus avós tinham um cd de Toquinho e Vinícius pelo qual eu era louca, afinal, podia ver grande parte daquelas palavras que tanto me encantavam sendo cantadas e isso era lindo de se viver. Outra herança dos avós, além de Gal e Vinícius, foi Chico, meu velho, lindo e amado Chico Buarque. "Ópera do Malandro" e tantos e tantos cds dele que me encantavam, e que há uns dois anos atrás fui redescobrir, e Chico acabou entrando pro hall dos meus cantores favoritos de todos os tempos dessa vida. Lindeza, amor puro no coração.

"Enquanto o mar inaugura
Um verde novinho em folha
Argumentar com doçura
Com uma cachaça de rolha
E com o olhar esquecido
No encontro de céu e mar
Bem devagar ir sentindo
A terra toda a rodar"

Outra época meio errada foi a dos meus 12 anos. Até então o emo era legal, igual o indie-calça-justa-colorida já foi bacana um dia e hoje todo mundo despreza. Eu assistia Disk Mtv todos os dias, e eu ouvia coisas daí pra baixo. Eu amava Fresno. Amava mesmo. Até hoje pago um pau violento pro Lucas, o vocalista, porque ele escreve textos realmente lindos. Fresno era o que eu mais gostava, Beeshop também, que é o projeto paralelo do Lucas. Beeshop eu assumo: gosto até hoje. Nem tudo estava perdido, foi a época que eu descobri Arctic Monkeys, Foo Fighters, Red Hot Chilli Peppers e Strokes!

"Victoria... she goes to wherever there are party lights
Sometimes she doesn't see sometimes she's hurting me
With her damn punk attitude
Victoria... she loves to walk alone across gun-fights
But there has never been a prettier indie queen
This throne was all set for you"

Um momento importante que vale registro é o da primeira vez que ouvi Beatles. Lembro que tinha meus seis anos e estava comendo fondue na casa da minha tia. O som ambiente era Beatles. "Love Me Do", se me lembro bem, foi a primeira que me chamou atenção. Meus pais também gostaram muito e pediram o nome do cd. Era o "One". Eles devem ter comprado no dia seguinte, e eu ouvia muito o cd. Minha favorita era "Lady Madonna" e "Yellow Submarine" que, uns anos depois, até apresentei no sapateado. Depois, quando tinha 11 anos, queria me iniciar nos Beatles e pedi que Pedro, meu primo, me gravasse um cd deles. Ele gravou o Revolver e eu passei dias e mais dias com "For No One" e "Good Day Sunshine" na cabeça. O pico do amor foi quando meu tio-avô se ofereceu pra gravar a discografia completa pra mim. Desde então, nunca mais parei de escutar.

"Your day breaks, your mind aches,
There will be times when all the things she said will fill your head,
You won't forget her.
And in her eyes you see nothing,
No sign of love behind the tears cried for no one,
A love that should have lasted years."

Aos 13 anos eu assistia The Oc como se não houvesse amanhã. Foi na época de ouro em que a Warner reprisava todos os episódios todos os dias as 17h depois da reprise de Gilmore Girls, as 16h. Eu só fazia isso da vida. Minhas tardes se resumiam às trapalhadas de Lorelai Gilmore, seguidas das aventuras do pessoal de Orange County. Xingava a Marissa de chata, passava muitíssimo mal com Seth, e no fundo no fundo queria ser mais Summer Robers. E ouvia as músicas dos episódios. Acabava um episódio eu corria pro MusicFromTheOc e baixava o set do episódio. Assim conheci Death Cab For Cutie, Rooney, Ryan Adams, Pavement, Ok Go, Jem, The Killers, Nada Surf, Imogean Heap, Beck, The Subways, Shout Out Loud, Stars e a lista é imensa.

"I go to bed
When I wake up
After cleaning all
All the spit and sweat
Now I'm, now I'm
sh sh shakin', sh shakin' now
I'm sh sh shakin' sh shakin' now"

E foi nesse longo caminho que fui costurando meu gosto musical. Influência dali, boa indicação acolá, a trilha do filme que marcou, o cd antigo dos pais, a melhor banda de todos os tempos da última semana, tudo isso tem. Ainda hoje eu ligo o som e fico sentada só ouvindo música. É difícil falar sobre bandas preferidas, mas posso dizer que nesse momento minhas grandes favoritas são Beatles, Strokes, Los Hermanos, Radiohead, The Killers e She & Him. Menções honrosas ao Chico, ao Rufus Wainwright, Legião, Weezer, Switchfoot, Cat Power e a lista é grande demais. Gostei de repensar minha história musical porque ia ouvindo essas músicas e relembrando das letras e aqueles dias voltavam e eu podia sentir de novo a antiga sensação de ouvir cada música. De uma coisa eu estou certa, ou melhor, duas: cada um tem seu gosto, o que é genial pra mim não passa de algo ordinário pra outra pessoa, e a outra é que as músicas acompanham momentos e tem o poder de nos fazer voltar até eles.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A revolta das cajazeiras.

Durante o ano inteiro vim estudando e surtando para o Paies. Para os que não sabem, é o vestibular seriado da federal daqui, que faz com que desde o primeiro colegial a neura se instale nas nossas vidas. E claro, se tratando de neuras e se tratando de estudos, sou uma candidata premium a ter um piripaque acadêmico, uma vez que se as provas escolares já me tiram do sério, imagina uma prova com potencial pra decidir meu futuro! Então que eu passei o ano estudando pra isso. Eu passei o ano tendo crises homéricas de insegurança que se convertiam em horas e mais horas de choro descontrolado por conta dessa porcaria. Pra chegar na reta final e a prova simplesmente ser adiada. Pro ano que vem. Pra março do ano que vem. Na melhor das hipóteses. Isso significa que todo esse preparo intensivo, que alcançaria seu ápice agora em dezembro, pra que eu fizesse uma boa prova dia 20, agora me são inúteis. O estudo de meses valeu, claro que sim. A loucura, pelo menos de agora, não faz o menor sentido. Vou ter que estudar nas férias mesmo. Soube disso faz um mês mais ou menos, e desde então tenho me recusado a estudar.

E olha, isso é bem legal. Eu sempre quis ser inconsequente, ainda que essa inconsequência seja bem relativa, já que vai ser compensada lá na frente. Ainda assim, passar um mês sem pegar num livro está pra mim em termos de libertação assim como os sutiãs queimados em praça pública estiveram pras feministas nos áureos anos 60 ou 70. Acho que significa até mais, pra ser sincera. É como se tivesse acendido em mim um espírito Hermione Granger no quinto livro-filme, cada tarde de estudo jogada pelos ares faz ecoar em mim a frase "Isn't it exciting? Breaking the rules?"

Final de ano já traz consigo aquela típica preguiça e má vontade. Eu juntei o útil ao agradável. Não, também não tenho dado muita bola pras aulas, numa atitude que eu sempre condenei: chutar o balde só porque já passei de ano. É que esse ano eu percebi que a gente começa a se sacrificar tão cedo por algo que nesse nosso mundinho parece enorme (oooooh vestibular raios e trovões), e na verdade, não é. Não que os estudos não sejam importantes, mas sinceramente, não valem essa loucura, até porque, a insanidade não é pelo amor ao saber, e sim pra absorver tudo e passar numa prova. Ou vocês acham que alguém um dia vai te parar na rua e perguntar como é o gráfico de uma função logarítmica? Até os professores estão de saco cheio no final do ano. Nem ligam tanto pras conversas paralelas que, sugestivamente, predominam nas minha vizinhança na sala.

Não estou sozinha nessa, ainda bem. Matheus e Sofia abraçaram a mesma filosofia de vida, Naná também, mas ela prefere ficar dormindo à jogar conversa fora conosco. Por tanto papo furado em horas inoportunas, ganhamos do professor de Geografia (a matéria que a gente mais chuta o balde) o apelido de irmãs cajazeiras, que depois fiquei sabendo que eram personagens da novela O Bem Amado, três irmãs solteironas que tinham um caso com o mesmo homem (a imagem no começo do post). Tenho sorte esse ano que a grande maioria dos professores se simpatizam comigo e com meus amigos, porque somos matracas inofensivas, tanto que é em meio de risadas que eles ocasionalmente me mudam de lugar pra tentar apaziguar a conversa. Esses dias fui parar na mesa do professor em plena aula de História. E pela foto, vocês percebem como isso foi um baque pra mim.

Eu feliz ao fundo, Naná (ela é assim mesmo, tadinha), Soft e Matheus.

No fundo, é bem como eu (e Hermione) estava dizendo, é até emocionante quebrar as regras.

* Fiquei constrangida depois que vi a quantidade de posts que fiz esse ano só surtando e me queixando em relação aos estudos. Eles estão linkados ali nas frases coloridas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A sala mais feliz da escola.

O melhor ano escolar da minha vida foi 2007. Se for me perguntar o que eu aprendi, vou dizer que foi só História e Biologia, o resto pode esquecer. Em compensação, foi uma turma tão boa que até hoje, pelo menos uma vez por semana, a sétima A ainda é citada nas conversas com aqueles que estiveram lá. O irônico disso, é que no começo do ano a turma inteira se odiava. Era briga, confusão, picuinha e fofoca, e a gente terminou o ano grudados, se amando. O mesmo esse ano. Não dava pra dizer que minha turma se odiava, porque pra se odiar, a gente tinha que conversar um com o outro, o que não acontecia. Era pura panela, e panelas que não interagiam. A gente se soltou com o passar dos meses, mas o que aconteceu foi uma aglutinação de panelas, com dois lados rivais, e um meio neutro. Se conversava, era pra brigar.

Eis então que de repente, não mais que de repente, a gente começou a se dar bem. Um lado fazia graça com o outro, e as piadas começaram a ficar coletivas, e de um dia pro outro, pro terror dos professores, a interação deu-se e ninguém calava a boca um segundo que fosse. As brigas, ao contrário do que vocês devem estar pensando, não acabaram. Devem ter piorado. Um ar condicionado foi motivo de uma semana de bate-boca. Quase toda semana um novo arranca rabo, que terminava com pessoas exaltadas gritando, gente chorando e professor que não tem nada a ver com a história tentando apaziguar. O que aconteceu foi que juntou-se numa sala só muita gente de personalidade muito forte, que não gosta de ceder e nem ficar calado. Todo mundo brigava porque era muito parecido. Sem falar que foi a união também dos sem vergonha na cara, gente dançando funk, cantando (hehe, oi), batendo palmas sem motivo (hehe, oi), fazendo encenações (hehe, oi) era rotina na sala. Quem não tava acostumado e entrava lá nos intervalos ficava constrangido.

A gente só percebeu que aquela era a sala mais legal de todas meio tarde demais. Quando tava acabando. E por isso mesmo a gente fez dos nossos últimos dias juntos os melhores possíveis. De marmelada no amigo secreto (hehe, oi), até passar uma manhã inteira brincando de jogos de palmas e "de viagem" (detetive, qual é a música), passando por uma aula que era pra ser lavação de roupa suja que terminou em todo mundo pedindo desculpas por tudo e dizendo que se amava, chegando ao ponto de colocar o speaker do celular no microfone tocando música, fazer uma animação no power-point com quadrados coloridos que ficou rodando no telão com a sala escura, pra dar ares de discoteca, enquanto a gente dançava, no último dia de aula. O japa subiu no palquinho e ensinou todo mundo a dançar axé, o "É O Tchan" da sala ressurgiu e dançou "Ali Baba", teve gente que subiu pra dançar música indiana (hehe, oi) e todo mundo fez fila pro cha cha slide. Tudo terminou com a musa, o símbolo da sala, Lady Gaga, com o nosso hino do ano, Bad Romance (todos os dias todo mundo cantava essa música).

"ROMA-AH-AH-AH ROMA ROMA-MA-MA GAGA UH-LA-LA WANT YOUR BAD ROMANCE..." Vou sentir uma falta danada desses palhacitos.

Da esquerda pra direita: Sofia, eu, Matheus, Naná, Carol, Rinna, Lucas, Alana e Filipe.Só se foquem nesse Matheus (moleton verde) de mano. Eu tô na última fila, a segunda da direita pra esquerda.Agora foquem na Naná naniquinha perto de mim (no mesmo lugar da foto acima)Não vou falar de todos, sou a de roxo e olhem a cara de FALSO do Caio, meu amigo, esse de azul claro ajoelhado.

Segurem a onda que depois ainda tenho que fazer um post sentimentalóide falando dos meus professores.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Quero ser __________(insira um nome aqui)

Existe um filme do Spike Jonze chamado "Quero Ser John Malkovich", que apesar de eu nunca ter visto, imagino que deva ser um nonsense do início ao fim, o que não me tira a vontade de vê-lo - na verdade, aumenta. A história é basicamente esta: um cara descobre um portal pra mente de John Malkovich e ele pode ficar lá por 15 minutos. Vendo nisso um empreendimento, ele começa a vender ingressos para que as pessoas possam ter acesso a mente do John Malkovich pelos ínfimos 15 minutos. E daí que me contaram sobre esse filme num momento que eu estava muito pensativa a respeito de blogs, sobre o que é o blog na minha vida e a blogosfera também. Fiquem tranquilos, não vou começar a falar de mídias sociais e web 2.0, porque isso já deu, né?

Hoje So Contagious faz dois anos - pausa dramática para um choro comovido dessa autora que já passou por trancos e barrancos por causa desse lugar, na maioria das vezes para conseguir responder os comentários atrasados. Não consigo colocar em palavras como eu gosto desse blog, como me faz bem escrever aqui (ainda que seja sobre batons), como fico feliz a cada comentário, como converto mentalmente em post cada situação bizarra/divertida/dramática que eu vejo ou vivo (apesar de que a grande maioria - infelizmente - fica só na cabeça), como isso aqui realmente é um pedacinho de mim. Fofa eu, né? Garanto que é a mais pura verdade. Apesar de ser velha de guerra nessa história de blogosfera, no começo, como a maioria das meninas, eu queria ser a nova Evelyn Regly, como atualmente a grande maioria quer ser a nova Marimoon, a nova Bottan, a nova Lia, a nova Twittess (brincadeira)... Mas com o So Contagious eu só queria mesmo escrever, escrever, escrever, e dividir um pouco da minha vida, porque nunca fui dada a escrever em diários e sentia que precisava ter momentos pequenos e grandes registrados pra que pudesse lembrar depois. E só.

E como em tudo na vida, nessa relação de blogs a gente cria vínculos. Gente que tá sempre trocando comentários, gente que você acompanha a vida mesmo que de longe, gente que você nunca viu, mas sente através das palavras (e talvez de 140 caracteres trocados via Twitter) uma identificação que as vezes você não encontra em pessoas que vê todos os dias. Isso é muito, muito, muito legal! Se fico um tempo sem responder comentários ou fazer minhas rondas pela blogosfera, as vezes me pego pensando "o que será que aconteceu com a fulana?" "olha, isso é a cara da siclana!" "será que ela resolveu o problema, será que tá melhor?" como se aquelas pessoas fossem do meu convívio social.

Voltando ao filme do Spike, através dele bolei minha teoria: acho que os blogs, principalmente os pessoais, são uma janelinha pro nosso mundo. Muita gente coloca isso na descrição e não tem noção de como isso é verdade. Abrindo uma página e colocando nela pensamentos, idéias, histórias, bobagenzinhas cotidianas, estamos abrindo um portal para que as pessoas possam entrar na nossa vida, as vezes por menos de 15 minutos, afinal, uma visita custa a durar 10. E assim criam-se laços, coisas em comum, nessa coisa linda que é a blogosfera (odeio essa palavra, mas na falta de uma melhor...).

Enfim, apesar desse recente sumiço (explico no próximo post), não esqueci do #socontagiousday. Esse blog é o orgulinho do meu coração, sinto e espero que não vou conseguir me desvencilhar daqui tão cedo. Obrigada a todo mundo que participou dessa história (olha como eu tô me achando), o aniversário é do blog, mas quem ganha o presente são vocês!!! s2

Última coisa, gosto muito do jeito que o Rob, do ótimo Championship Vinyl, organiza o sidebar dele, listando os posts preferidos dele e de seus leitores. Amo e quero pra mim, então preciso da ajudinha de vocês! Quem for comentar e lembrar de algum post daqui que gostou, me avisa pra eu colocar lá e fingir que ligo pra opinião de alguém, porque senão dou aloca e coloco só os que eu gosto. Hehe.


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Yes I can: a saga do batom vermelho (parte 2)

Uma vez decidida a encarar o batom vermelho, fui bater perna em busca do tom e do batom perfeito. Primeiro fui garimpar no centro da cidade, porque tinha que ir numa perfumaria comprar uns esmaltes e contava que encontraria a linha matte da Vult, marca creuza preferida entre todas as make-up-addicts. De fato, encontrei os batons, mas todos numa cor muito inverno, o que foi uma baita decepção, já que eu já entrei no espírito de verão e estava com um vermelho mais aberto puxado pro coral nas idéias.

Sem mais alternativas, fui pro shopping. Já tinha como certo que encontraria o batom perfeito entre a linha matte da Contém 1g. Por que essa fixação com matte? Porque batom de cobertura matte é opaco e não brilha e reluz que nem o gloss, isso significa que ele não dá a impressão que a boca é maior do que é, de fato, e ainda chama menos atenção; sem falar que tem fixação maior, o que é importantíssimo pra um caso de festa, já que não quero ficar o tempo inteiro no banheiro retocando batom. Chegando lá, #fail mais uma vez: os batons também estavam bem sóbrios e em tons de inverno, o mais "arregalado" que tinha era um rosa, mas que na boca ficava bem clarinho. Gostei do Coral Cremoso (swatches aqui!), mas ainda assim, não era o que eu procurava.

Como moro numa cidade risonha e límpida que carece de boas lojas de maquiagem, minha última alternativa era o Boticário. Os resultados foram melhores, apesar de não ter encontrado meu coral-puxado-pro-laranja-arregalado-escândalo, gostei muito dos corais disponíveis e me encantei com um rosa fúcsia bem cor verão passado. Se fosse escolher aleatoriamente, levaria com certeza o rosa. Mas já que escolhi me baseando em uma produção previamente pensada, levei um coral (cor 29 da linha Intense, resenha dele aqui) e fiquei feliz. Voltei pra casa com a mão cheia de riscos de batom, mas satisfeita (ainda que não plenamente) com meus resultados.

Nessa quarta-feira, minha avó, a rainha dos batons, veio aqui pra casa, e eu pedi pra ela trazer alguns batons pra ver se achava o meu perfeito. Azar o meu que minha avó só tinha batons de fundo azul (falo sobre isso depois) e eu queria totalmente o oposto, quanto mais amarelado o fundo fosse, melhor. Mas no meio daquele monte de batons (ela trouxe uns 10), achei um que era uma mistura de nude com coral que funcionou como um intensificador de cor. Passei ele na boca, tirei o excesso e o brilho com lencinho e passei o coral por cima. Deu uma destacada super ótima e eu fiquei plenamente satisfeita. Só queria ter me decidido com mais antecedência, que daria pra fazer uma pesquisa mais elaborada internet adentro, e achar em alguma loja online meu tom preferido. Mas quem sabe eu não gosto do negócio e acabo fazendo minha própria coleção, né?

Próximo post eu conto um pouquinho das coisas que eu aprendi enquanto pesquisava em todos os blogs de beauté ao meu alcance sobre batons! Só não tirei fotos dos swatches porque minha câmera está estragada :(

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Yes I can: a saga do batom vermelho.

Tudo começou quando eu tinha quatro anos e fui participar de uma apresentação de ballet pela primeira vez. Casando com o vestidinho branco de babados vermelhos, havia uma maquiagem composta de sombra cor-de-rosa e batom vermelho. Eu, que sempre fui perua, achei a idéia bárbara, afinal, eu tinha uma ótima desculpa para me montar inteira e ainda passar batom vermelho, coisa que desde que me entendo por gente amo (já que minha avó sempre foi adepta fervorosa), e até então tinha sido proibida de usar. As durezas de ser criança. Meu mundo caiu quando finalmente minha mãe terminou de passar o batom: foi meu primeiro momento "tô-horrível-vou-enfiar-minha-cabeça-na-privada-e-dar-descarga-dá-licença".

O drama deu-se porque eu tenho um bocão desde pequena, lembro de na hora me sentir uma palhaça, e depois de uns anos, com alguns conhecimentos de mundo e revendo as fotos (que foram tiradas antes que eu me olhasse no espelho), me senti uma travesti de quatro anos de idade. E desde então nunca mais passei nada colorido na boca, o máximo que me permitia era um gloss mais coloridinho, e ainda sim tirava o excesso antes de sair. Mas o tombo pela boca vermelha nunca me abandonou.

Até que fui convidada pra uma festa de 15 anos muito bapho, que vai acontecer esse sábado. Como o vestido que vou usar é preto, pus-me a maquinar algo que daria o tcham, o que no caso seria a maquiagem. Pensei em usar batom colorido de cara, já que desde que o batom voltou a ser soberano, não tenho outra coisa na minha cabeça. Como sou adepta fiel ao estilo hi-lo (boca nada, olho tudo e vice-versa), pensei que faria ou um olho preto borrado, ou então encararia o batom colorido. Todo mundo votou no batom. Ainda meio relutante, fui consultar o oráculo da batons da blogosfera, Dia de Beauté, uma das minhas leituras diárias preferidas, da linda de morrer Vic Ceridono, que é completamente surtada com batons.

Entendi que foi um empurrão do destino, porque no dia, assim que eu abri o Google Reader, adivinha qual era o primeiro post? "Yes We Can", escrito justamente pra dar força na peruca daquelas que morrem de vontade de batom vermelho, mas não tem coragem. Tava decidido. Com as fotos mega inspiradoras do post, fui ficando muitíssimo animada, e pesquisei que nem louca looks e mais looks que poderiam me ajudar a escolher definitivamente como eu iria. Só faltava escolher qual cor de batom, porque pra quem pensa igual menino que vermelho é vermelho e ponto, esclareço: existem um milhão e meio de tons de vermelho, e todos ficam completamente diferentes na boca, afinal cor da pele, da boca, do cabelo, influenciam muito o resultado final. Fui à caça do vermelho perfeito.

(Continua...)

Vic, do Dia de Beauté, com seu queridinho Ruby Woo, da MAC.
Georgia Jagger, que tem a boca bem parecida com a minha.
January Jones, no Globo de Ouro

Laura Whitmore, no EMA.

Chloë Sevigny, no Oscar. Musa absoluta!

Hayden, Keira, Rihanna, modelo, Taylor e Penelope, mostrando que dá pra coordenar batom com olho borradjénho.

Jana Rosa, do Agora Que Sou Rica, rainha dos coloridos.

Fontes: Dia de Beaute, Trendy Twins e Flickr.

domingo, 22 de novembro de 2009

Não estou lá.

Lembro bem quando eu comecei a curtir música de verdade, lembro da perspectiva zero de ouvir alguma notícia que algum dos meus artistas favoritos poderia estar desembarcando no Brasil daí a alguns meses. Quando vinha algum artista gringo, ou era o Sting, ou Metallica, AC/DC e algum outro artista que eu, sinceramente, não faço a menor questão. Os meus favoritos estariam sempre distantes, imponentes na sua condição de bandas inglesas, americanas, francesas e blablabla. Eu era feliz e não sabia.

Eis que assim sem mais o Brasil entra de repente no corredorzinho internacional da música, de repente, parece que todo mundo resolveu que tocar aqui seria uma boa idéia. Os aeroportos antes vazios agora viraram um tromba-tromba de lendas sem fim. Até consigo ver a bolsa da Madonna enroscada no terno do Alex Kapranos, que tropeçou nas malas do Brandon Flowers, que tomou café com o Thom Yorke, que disse oi pra Cat Power, que trocou uma idéia com a Kim Gordon, que pisou no pé do Iggy Pop. E parece que cada mês é um festival diferente e um tapa na minha carinha, aqui presa no interior de Minas, sendo obrigada a ver twittadas frequentes dos felizardos que estão lá, pulando e sendo amor ao som das minhas bandas favoritas.

A primeira vez que isso doeu foi em 2007. The Killers, Arctic Monkeys, Björk, Juliette and the Licks. Sem mencionar Strokes em 2005 e Rufus Wainwright no ano passado. Não vou falar nada desse ano que me dói o coração. Lembro que no dia seguinte ao primeiro show do Killers aqui, fui correndo no Youtube, abri na filmagem tosca de Read My Mind e aquele povaréu todo cantando junto trouxe um sentimento nada nobre até mim: preferia, do fundo do coração, a época que ninguém vinha pra cá. Se eu não posso ver, é melhor que ninguém veja. Humana, demasiado humana.

Esse ano consegui ver o Radiohead e, não é porque eu tava lá, mas com certeza foi um dos melhores do ano, quissá da década, não fosse a tremenda falta de organização. Se eu pelo menos morasse em São Paulo, teria que encanar só com o preço do ingresso, mas morando aqui, outras coisas precisam ser consideradas, como escola, viagem, disposição do meu pai, etc, etc, etc. Pelo menos eu fui em um, e acabei matando dois coelhos com uma só paulada, porque no mesmo dia vi shows de duas das minhas bandas favoritas, eles e o Los Hermanos. Fiquei de boa com o Franz, não liguei muito pro Sonic Youth, bateu um aperto com Cat Power, chorei claves de sol com Little Joy, mas o The Killers de ontem eu confesso que doeu de verdade. Mandei um monte de gente morrer no twitter.

A única coisa boa nisso tudo é que a esperança de que eles voltem, e de que mais gente volte, e que dê para que eu vá vê-los é enorme. É nisso que eu me apego, porque ficar ouvindo "I Can't Stay" daqui, imaginando como está sendo de lá, não tá sendo legal não, resta aquela vontade malvada de que o som esteja ruim, o microfone falhando. Que coisa feia, Anna Vitória. Humana, demasiado humana.


Nos links tem vídeos para apresentações divinas em que eu estava, ou gostaria de estar. No Brasil, ou não.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Helenando.

Nas novelas do Maneco predominam aqueles personagens felizes, ricos e bonitos, mas que estão sempre cheios de problemas, na maioria das vezes conflitos familiares que rendem reportagens no Fantástico sobre sua relevância na vida cotidiana do brasileiro. A verdade é que aquelas pessoas bonitas e felizes que correm de manhã cedo no calçadão do Leblon sofrem durante toda a novela, invariavelmente, sobretudo a heroína clássica do escritor de folhetins que a gente adora e acha foda, a Helena. Helena é a carregadora de pianos universal em todas as novelas, é cheia de problemas e ainda precisa cuidar do problemas dos outros, que sempre recorrem a ela quando não tem onde ficar, estão com uma doença incurável, precisam de dinheiro, ombro amigo, etc, etc, etc. O que faz a Helena diferente dos nem um pouco reles mortais manequísticos, e que a Helena tem um #jeitinho todo seu de sofrer, ela o faz com aquela classe que só uma Helena é capaz, sem descer do salto, sem perder o glamour, e sem deixar de ser Helena. Sofrer é para fracos, os que vivem a vida sem limites, Helenam.

E claro, cada Helena tem seu jeito próprio de Helenar, e são esses jeitos que eu listarei agora, depois de muito analisar no meu arquivo mental de Memória Manoel Carlos, com a ajuda no meu fiel escudeiro noveleiro, Matheus Fernandes, que me brinda diariamente com a encenação dramática de cada jeitinho Helena de Helenar.

Helena de Laços de Família: a Helena exuberante.

Eu não suporto a Vera Fischer, mas tenho que dizer que ela foi uma Helena e tanto. Era descontraída e divertida, não tinha medo de ser feliz, aguentava a chata da filha dela, a Camila (lembram como ela era intragável antes de ficar doente?), a nora insuportável, a Clara (acho que o Manoel Carlos tem algum problema com a Regiane Alves, porque ela só faz vaca nas novelas dele), era dona de uma clínica de estética, tinha que aguentar sua irmã pentelha, Íris (musa, musa, musa!), administrar a casa e atender aos galanteios do Edu, do Miguel e do Pedro. Quando se esgotava de tanto ser Helena, a Helena-Exuberante colocava seu robe de seda cor de champagne, pedia para Zilda lhe fazer um cházinho relaxante, e ia Helenar com seus botões pelo apartamento escuro, ao som de "Como Vai Você", que chegava a seu clímax assim que se iniciava o flashback de Helena com os beijos do bruto Pedro, e as lágrimas corriam com a lembrança do doce Miguel. Já quando as coisas estavam mais feias que de costume, o refúgio do Helena era a fazenda de seu pai no sul. Munida de calças de cintura alta, camisa de alfaiataria e botas glamourosas, Helena sentava-se no seu balanço de menina e deixava-se levar pelo calor das recordações que o lugar bucólico lhe trazia, isso claro até ser interrompida por Íris e suas trancinhas maléficas, galopando como se não houvesse amanhã em seu cavalo preto arredio, quando a trilha saía de um cover de Roberto Carlos a uma Débora Blando atrevida que cantava "cuide do seu nariz, você fala demais..."


Helena de Mulheres Apaixonadas: a Helena clássica.

Para mim, ninguém nunca vai bater a Helena interpretada pela Christiane Torloni. Sou fã dela até a última gota, apesar da risada chata, acho linda, elegante, classuda... Sua Helena foi uma batalhadora, precisava cuidar de sua irmã louca, da irmã que tinha câncer, do filho insuportável que sempre queria batata frita, era diretora de uma escola, tinha que controlar a briga das alunas lésbicas com a insuportável Paulinha, fazer social nas festas da Marcinha, apoiar as propostas de teatro do Rodrigo, levar a chorona da Salete para passear, convencer a Santana de frenquentar as reuniões do AA, seduzir o Zé Mayer, tirar a Estela bêbada dos vexames e fazer o social com o resto do núcleo bonito e rico no Nick Bar. Ufa! Para descarregar as energias, Helena trancava sorrateiramente sua sala, abria o armário secreto, e tirava de lá as fotos de seus tempos aureos em que era o brotinho do Zé Mayer e os dois saíam de caranga causando pelas ruas do Rio de Janeiro. O problema é que a tensão sobre a Helena-clássica era tão esmagadora que frequentemente ela precisava dar uma fugidinha para Petrópolis, para ficar andando pelo pátio gramado se lembrando dos beijos que trocara por ali com Zé Mayer, ou então na beira da lareira, enquanto Diana Krall suavamente cantava "I've Got You Under My Skin".


Helena de Viver a Vida: a Madre Helena de Calcutá.

Essa Helena não colou. Botava força na peruca da Taís Araújo, porque também gosto muito dela, mas não adianta. Ela não é Helena. Ela é chata. Chata. Politicamente correta ao extremo, ama dar lições de moral a respeito da vida, que já sofreu demais, e mimimi, trajetória de luta, blablabla, eu já sofri demais, eu sei o que é dificuldade, vocês pensam que foi fácil chegar aonde eu estou, mimimi, muizzztazzzzluzzztazzz... Mas venhamos e convenhamos, ela sofre. A irmã é uma Rihanna tupiniquim que deu um jeito de embuchar logo nos primeiros capítulos, ganhou de presente uma enteada que só sabe reclamar sendo que Leninha faz tudo para ajudá-la (não adianta, a Luciana é muito mais ótima que a Helena). Precisa dar consolo para a amiga viúva, sustentar o belo par de chifres que Zé Mayer lhe colocou com a ajuda da INTRAGÁVEL Dora (quero bater na Giovana Antonelli, vai ser fubá lá longe!) e ainda suportar o ciúme doentio dele. E ainda resistir aos galateios de Bruno, como se já não fosse suficiente. Quando sofre, Madre Helena de Calcutá conta com seu time de amigas super ótimas para consolá-la, mas na maioria das vezes prefere o colo de sua mãe fofa, dona Edith. Leninha corre pra Búzios e se põe a sentir a energia do mar e daquela atmosfera calma ao som de Shimbalaiê pra ver se anima. Se não anima, sobra pro Caetano Veloso acalentar as noites sozinha no sofá de casa.

Apesar das Helenas serem eternamente clássicas, sempre divas e referência de classe e mulheres sem limite que vivem a vida (nunca reuni tantos clichês novelísticos numa frase só), existem outras duas personagens que têm um jeito todo seu de sofrer. A gente nunca vai se esquecer delas. A gente adora elas. A gente acha elas fodas. Elas são inesquecíveis:

Nazaré Tedesco de Senhora do Destino: a safada-cachorra-sem-vergonha-vagabunda.

Nazaré, ou Naza, como era conhecida no bairro Peixoto, não sofria. Sofrer é para os fracos, sofrer é pra anta nordestina e seus filhos flageladinhos. Quem sofre é a Mara-Maracutaia atrás das grades procurando Lindalva. A Naza só faz uma pausa para mudar de estratégia e reunir forças, ficava mais loira, colocava um vestido de veludo, passava um batom vermelho e punha óculos escuros. Auto-estima é tudo. Ia pra frente do espelho, "gostosa, maravilhosa, raposa felpuda", esse era seu mantra repetido à exaustão. Agora, se a coisa ficava feia mesmo, o ataque de histeria tomava conta. Naza ria, ria, ria feito louca, e começava a chorar. Chorar copiosamente. Tirava sua tesoura reluzente da gaveta, e punha-se a depenar travesseiros e almofadas para que de repente, no meio de plumas de ganso, recuperasse suas energias e formasse mais um plano infalível de matar a pittbull fêmea, a insuportável, a Claudinha.



Íris, de Laços de Família: a indescritível.

Nada a declarar. Íris.




* Gente, não esqueci da Helena Regina Duarte! Só a excluí da lista, porque apesar de ter amado Por Amor, não tenho tão frescas assim as memórias de fatos e Helenices dela. Já a Helena de Páginas da Vida, pelo amor de Deus, né? Ela era mais chata que a Helena Taís Araújo, passou a novela inteira de pescoço torto fugindo do fantasma da Nanda, tenha dó, ô novelinha ruim que foi aquela!

domingo, 15 de novembro de 2009

Asteriscos de uma blogueira desaparecida.

Sumi de novo, né? Dessa vez, infelizmente, não foi porque eu fugi para o Nordeste, mas sim porque caiu uma chuva louca aqui semana passada que desregulou meu modem todo. Não tive tempo de olhar isso no fim de semana, e muito menos quando a semana começou. Vocês bem sabem como eu sou enrolada. Espero que até amanhã isso se resolva, já que hoje estou aqui postando com um modem 3G emprestado.

Vocês não fazem idéia do estado deplorável que eu fico quando estou sem internet. Me vem um mau humor, eu começo a ficar inquieta, a andar de um lado para o outro na casa, a comer muito chocolate, e começar a ter idéias extremamente perigosas para suprir a falta do que fazer. Dessa vez, felizmente, o fênomeno falhou, digo, eu não fiquei tão nervosa como eu costumo ficar, na verdade, eu poderia ter resolvido o problema facilmente, mas eu tinha tanto o que fazer e tanto para me ocupar com que fui levando com a barriga até então. Para não perder o costume de relatar aqui tudo que acontece nesse meu mundinho particular, eis então os acontecimentos desses dias passados:

* Sábado passado fui lá no Batistar, na Feira da Cultura, que é um evento super tradicional de lá, um pesadelo para todos os alunos, porque é um estresse sem fim, sempre rolam brigas homéricas. Mas uma vez que isso não me pertence mais, não ia perder a oportunidade de passar lá e rever meus antigos colegas e meus antigos professores queridos. Foi uma delícia voltar lá, tão bom que tenho até um post preparado pra contar tudo.

* A extrema falta do que fazer nas horas livres foi boa, porque como eu não tinha motivos para querer parar de estudar, eu estudei bastante nessa semana, criando coragem pra revisar a chatíssima Embriologia, assim como tive tempo também de pegar amor por Logarítmos, e eu conseguir pegar amor em qualquer matéria de Matemática pode ser considerado um senhor #EPICWIN

* Tô voltando a ficar viciada em Viver a Vida. Eu estava amando no começo, depois comecei a achar uma chatisse sem fim e agora com esse acidente da Luciana, tô voltando a acompanhar. Não consigo resistir aos charmes do Miguel, a Helena é uma chata, mas no fundo eu gosto dela e estou com peninha, a Luciana, por mais chata e mimada que seja, é minha personagem preferida. Eu também adoro a Isabel, acho que ela é uma reencarnação da Íris da Laços de Família. Eu também sou super fã da Paixão e torço muito pra ela e pro Jorge, e não vejo a hora da trilha da novela sair logo.

* Também criei coragem para dar uma organizada no meu guarda-roupas e nas gavetas do banheiro. A situação estava tão crítica que eu já estava simplesmente jogando as coisas dentro do armário, e sabendo que quando minha mãe abrisse a porta e todas as minhas calças jeans caíssem sobre ela, eu estava tão ferrada que nem poderia imaginar o quanto, resolvi organizar. Não foi uma arrumada geral, daquelas que a gente retira os filhotes de javali que cresceram lá dentro, mas consegui arrumar as gavetas, a sapateira, minha caixa de coisas de cabelo, a gaveta de maquiagens (ficou faltando dar banho nos pincéis) e acho que dá pra passar bem até eu entrar de férias e fazer a Limpeza Anual de Guarda-Roupas.

* Estou quase terminando Razão e Sensibilidade, da Jane Austen, e confesso que fiquei um tanto decepcionada. Achei o ritmo do livro muito, muito lento e os acontecimentos marcantes acabam perdendo seu impacto no meio do mar de monotonia. Ainda vou escrever uma resenha mais elaborada, mas de imediato só adianto que achei chato. Muito chato.

E é isso. As atividades por aqui voltam ao seu ritmo normal assim que minhas atividades internéticas voltarem, eu prometo. Até porque nada me angustia mais do que ver meu blog amado jogado às traças, não é mesmo? Até!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Insanidades.

Diário de Viagem para Fortaleza #4 (#3) (#2) (#1)

Como no primeiro dia de Beach Park eu fiz o favor de dar com os burros n'água, literalmente, aproveitei muito pouco do parque. No segundo dia que fomos lá eu, já com o pé recuperado, fui pronta pro crime. Ia descer em todos aqueles tobogãs malucos e sim, o Insano estava incluso no plano, aliás, ele era o primeiro da lista. Assim que soubemos, no começo do ano, que íamos juntos pra Fortaleza, Pedro e eu fizemos um combinado de que iríamos no Insano nem que alguém tivesse que nos tacar lá de cima. Por incrível que pareça, quando eu caí no mar a primeira coisa que pensei foi: "droga, quebrei meu pé, não vou poder ir no Insano, e agora?".

No primeiro dia eu não tinha ido em nenhum escorregador de verdade, mas o Pedro sim, um que é um tubo todo fechado chamado Sarcófago, que não tem nem 1/3 do tamanho do Insano e ele achou muito terrível. Tão terrível que ele começou a querer abortar o plano. Passei dois dias falando na cabeça do meu primo que nós precisávamos descer no Insano, porque sabe Deus quando voltaríamos lá, e se voltássemos, voltaríamos cheios de juízo, com muita noção na cabeça pra encarar um escorregador de 41 metros de altura, com quase 90º de inclinação. Ele disse que ok, ele iria, mas teria que ser o primeiro e aí fui eu que comecei a querer fugir. Quando dei de cara com o trambolhão que ele era, fiquei morrendo de medo. Mas fui com fé subindo mancando aqueles 14 andares de escada.

O clima na fila não era dos melhores, 97,5% eram homens marmanjões que estavam se borrando de medo, e só tinha eu de menina lá. Ninguém falava muita a coisa a não ser que era loucura estar ali. Eu tava tranquila, juro que estava, não costumo ficar muito nervosa em filas. O Pedro foi o primeiro a descer. Eu repetia comigo mesma "se eu cair, do chão eu não passo, e se eu morrer, vou estar com Jesus lá no céu e ainda me livro do Paies" como um mantra. Quando a moça disse que eu podia descer e eu deitei no escorregador e dei impulso, a única coisa que eu pensei quando eu terminei de escorregar na parte reta e ia rumo a queda foi "ixi".

Na hora da queda, você se descola completamente do escorregador. "Ah, então morrer é assim", foi o que eu pensei enquanto parecia que meu coração fazia uma força sobre-humana pra rasgar minha pele e sair logo dali. E quando eu vi eu já estava lá embaixo. É rápido, muito rápido e quando você cai você bate a bunda com muita força e pensa que nunca vai parar de escorregar, porque até você perder velocidade e cair na piscina, rola um bom tempo de você lá sentado voando baixo no escorregador sem medo de ser feliz. Eu saí de lá achando que é um escorregador muito superestimado, todo mundo fala que é uma adrenalina não legal, que você sai de lá mal de verdade e eu achei animal. Mesmo. Só não fui outra vez porque minha avó ficou muito aflita (juro!) e também porque subir a escadaria não é moleza.


Fui em todos os outros tobogãs, só deixei o Sarcófago de lado porque fui em um parecido com ele que é só metade fechado e achei muito ruim. Não sei se foi porque eu caí de mal jeito, bebendo água loucamente e abria o olho e não via nada e pensei de verdade que fosse morrer, mas sei que não quis encarar aquele tubo. O resto, posso ganhar a carteirinha dizendo que eu fui em todos, parabéns, eu brilhei.

sábado, 31 de outubro de 2009

O filme mais assustador de todos os tempos.

É difícil entrar num acordo quando se discute o quão assustador um filme é, principalmente se tratando de um suspense porque, vejam bem, existem suspenses e suspenses e pessoas e pessoas. Eu divido esse gênero entre: suspense psicológico sem clímax, suspense psicológico com clímax e suspense psicológico/terror. Suspense psicológico nada mais é do que aquele filme que te induz o tempo inteiro à apreensão de que vai acontecer algo que vai te assustar. Você fica com medo do próprio medo e isso, pelo menos pra mim, é muito pior do que Reagans girando o pescoço. Ele não traz grandes sustos ou coisas assustadoras, te põe o tempo todo na expectativa com uma trilha que contribui ao clima. Pode ou não ferrar tudo no final, ou seja, ter um clímax. Ele te deixa na expectativa e no final ela é atingida, ou não. Já aquele /terror é pros filmes que botam pilha mas contem elementos assustadores, como fantasmas, bichos estranhos, etc. Tenho muito mais medo daqueles filmes sem clímax, que me deixam grudada na poltrona sem que nada de fato aconteça, como é o caso de "O Bebê de Rosemary", o filme que mais me deu medo até hoje.

Tem gente que viu o filme e achou chato, mais para um bom drama do que para um suspense. Eu nunca senti tanto horror ao ver um filme. Essa obra prima do Polanski conta a história de uma mulher que engravidou do próprio diabo por causa de um ritual satânico que seu marido fez parte em troca de sucesso na carreira. O filme mostra todo o processo da gravidez até quando o bebê nasce. Isso pra mim já horrível o suficiente só de se imaginar, imagine ver em filme. Tem uma fotografia bem escura e sombria, a trilha na maioria das vezes é composta de umas canções de ninar muito macabras e acompanhar a gravidez de Rosemary o tempo inteiro ignorante que carregava o fí do demo dentro de si e ao mesmo tempo estranhando os sonhos bizarros que tinha e as vontades sem explicação que lhe davam, como comer fígado cru, é muito horrível.

A direção é impecável, Polanski faz de uma história que nas mãos de qualquer diretor menos competente poderia virar um drama meio macabro, um clássico do suspense. Eu fiquei mal o filme inteiro, todo o tempo grudada no sofá, encolhida, apertando a mão do Pedro, suando frio até. E esse mal estar dura até depois que o filme acaba, lembro que eu estava passando férias em São Paulo e vi o filme com Pedro e meus tios. Depois que acabou, ninguém falava nada, ficou uma atmosfera muito pesada na sala e nós tivemos que ligar o som bem alto (Beatles, claro) para que a coisa desse uma amenizada. Foi o primeiro e único filme que me arrepiou, literalmente. Lembrar da cena final ainda faz com que eu sinta uma coisa ruim no estômago, que eu arrepie de novo, e sinta um horror que eu não consigo por em palavras. Horror, asco, repugnância.

Isso só prova o quão bom ele é. Polanski dá um show, como eu já disse, e Mia Farrow também, no papel de Rosemary. Pra quem gosta e admira o gênero (e o sub-gênero, já que como eu disse, ele é uma sem graceza sem fim pra muita gente), é uma ótima pedida pra se borrar de medo nesse Halloween. E repetindo o que meu tio disse quando desistiu de tentar convencer a mim e o Pedro de não ver o filme, e com o perdão da palavra: "Quer saber? Assistam sim, ele é acima de tudo um puta filme." E é mesmo.