domingo, 3 de junho de 2012

Sou cara de pau com muitas pessoas, mas não com você

Conversando com minha melhor amiga sobre o quanto eu estava surpresa com o fato de já ter amigos na faculdade e que torcia para que ela encontrasse a turma dela tão facilmente como aconteceu comigo, escuto: "Vai ser um pouco difícil com essa minha cara de antipática, né? Se bem que você tem muito mais cara de antipática que eu." Rimos juntas na hora mas depois, rememorando isso, pensei comigo mesma: Até tu, Anaisa?

Já expus aqui minha total falta de traquejo social e a forma como isso faz com que as pessoas tenham uma ideia errada da minha pessoa. Por não saber como agir, na maioria das vezes ajo errado e quem fica de estranha sou eu. A novidade é que só agora percebo que isso acontece numa proporção muito maior do que eu antes supunha. Já tinha ouvido bastante que as pessoas por vezes pensam que sou metida, mas ultimamente o que mais tenho ouvido é que as pessoas tem medo de mim. Medo, gente. De mim. Eu, com essa voz de pônei e minhas paranoias patéticas, meto medo em alguém. Muitos alguéns. Analu e Marie adoram dizer que pensavam que eu as esnobava sem dó. A última da Analu, que ela contou semana passada, foi que quando começou a visitar o blog, ela tinha vontade de saber como eu configurava a data das postagens (!) e se martirizava com essa dúvida, mas não tinha coragem de me perguntar. 

Aliás, o começo da conversa foi bem diferente. Estávamos eu, Analu, Taryne e Milena conversando sobre o nossa dificuldade de conversar com os outros e o medo de sermos ignoradas quando a Analu me solta: "Eu nunca tive medo de chamar a Milena no chat, por exemplo. Mas eu demorei a ter coragem com a Anna". Até tu, Analu?

Sabe o que é mais bizarro em toda essa história? Eu, aqui do meu canto, aqui com minha cara de antipática, também morro de medo de falar com um monte de gente. É uma espécie de inception do medo de conversar com os outros e passar vergonha. É uma insegurança extremamente infantil, mas nem por isso menos torturante. Diante de uma pessoa com a qual eu não tenho muita intimidade fico com aquele medo de puxar assunto e parecer aleatória demais ou pior, de estar incomodando. Falo oi e já imagino a pessoa do outro lado pensando consigo: lá vem a chata., por que essa menina tá falando comigo? E meus interlocutores intimidantes nem são tão distantes a ponto de figurar na lista dos temidos semi-conhecidos; se não me sinto à vontade o suficiente pra chegar dando um tapa na cabeça, beliscando a barriga (sou um amor) ou abordar utilizando algum apelido de gosto duvidoso (pero pensando com carinho imensurável), é provável que me deixe sem graça.

Fico pensando na quantidade de pessoas que poderiam ter se tornado amigas caso nem eu ou elas estivesse com esse medinho de dar a cara a tapa. Parafraseio mal e porcamente o Jeff Tweedy no título pra dizer que não tenho problemas em abordar estranhos na rua, pedir entrevista, mendigar copos descartáveis com a moça da cantina pra tomar uma Coca-Cola que não foi comprada lá, perguntar pra um garoto da escola se ele tem parentesco com um ex-colega de classe meu, fingir de americana pra me infiltrar num hotel e tirar fotos de lá (baseado em fatos reais), etc. No entanto, basta me apontar uma rodinha de conversa com pessoas da minha sala não tão chegadas que eu tremo toda e peço ajuda aos universitários. 

E no meio desses ruídos de comunicação ainda tem o problema da cara de chata. Muitas pessoas com quem compartilho o defeito nem ligam tanto, mas eu sou do tipo que se importa porque vivo reparando na cara de legal (ou o contrário) das pessoas. Vai ver que é por isso que tenho uma birra tão enorme da Angelina Jolie, porque no fundo sei que, analisando apenas a expressão, ninguém teria vontade de passar a tarde comendo brigadeiro e fazendo as unhas comigo. Tomando novamente liberdade indevida com a letra de Reservations, um apelo: como é que mostro pros outros que quem tem medo e não sabe lidar sou eu?

Uma vez, conversando sobre gordices com umas pessoas da minha sala, nas primeiras semanas de aula, depois de dizer que amava pipoca com Nutella, ouço: "Nossa, nunca pensei que você fosse dizer isso. Você tem cara de quem gosta de acelga." Depois dessa mudarei minha bio no Twitter para: pareço gostar de acelga mas sou legal, ou então - e com o perdão do vocabulário chulo, cara de cu e bom coração.