terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O primeiro dia do resto da sua vida

Ou: o filme da Tary (e da Milena)

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Domingo eu completei 18 anos e ontem foi meu primeiro dia de aula na faculdade. Acordei cedo, tomei banho ouvindo o cd ao vivo da Legião, que eu tanto amo, fiz um chá e fiquei me revezando entre a internet e Friends na tv, meio que esperando a vida acontecer a partir daí.

Sempre tive uma preg uiça imensa dos chamados marcos da vida. Landmarks, porque em inglês soa melhor.  Acho-os superestimados, forçados e sintéticos. 15 anos. 18 anos. Há quem comemore até mesmo a primeira menstruação. (!) Não é porque você faz 15 anos que vai deixar de ser infantil de um dia para o outro, ou porque fez 18 que vai acordar se sentindo diferente, mulher. Essas coisas simplesmente acontecem num dia que até pode começar como outro qualquer, mas que vai acabar deixando tudo aquilo que aconteceu antes preso a um pretérito permanente, tenhamos consciência disso ou não.

E é sobre esses dias que o lindo longa francês O Primeiro Dia do Resto da Sua Vida trata. A Tary vinha pegando no meu pé para assistí-lo há tempos, e assim como quando eu vi a música, a doçura e o encanto de A Noviça Rebelde e tive o pleno entendimento da razão pela qual a Analu é louca por ele, terminei Le Premier Jour… achando que era Taryne puro: sensível e profundo, mas simples, prático.

O filme, por não se permitir discursos e pieguices clichês ao melhor estilo “Você fez 18 anos, é mulher agora. Mazel tov!”, retrata a vida como é mesmo. O dia em que você saiu da casa dos seus pais. O dia que escolheu o cara errado. O dia em que cortou o cabelo e resolveu arrumar um emprego. O dia que o amor acabou quando você saiu para comprar pão ou então o dia em que ele renasceu numa virada de esquina.

Às vezes a gente não repara neles e vai se dar conta da mudança meses, anos depois – e eu não discordo que qualquer coisa que mude nosso rumo e nos altere em profundidade faça parte de um processo, mas a gente não pode descartar a ignição: o primeiro dia do resto da sua vida.

Não poderia existir título mais perfeito para um filme que se propõe (e o faz muito bem) a kodakar esses momentos que todos vivemos. Pode até ser que nosso mundo não tenha cores tão lindas como as da fotografia dele, ou personagens tão bonitos (beijo, Grondin), ou que, infelizmente, nossos grandes marcos não tenham como testemunha uma trilha sonora envolvente e encantadora como aquela, mas o que importa é o argumento – e que graça teria um filme sem uma pitada de sonho em charme?