quinta-feira, 24 de maio de 2012

Diário de uma foca deslumbrada

Estou na metade do primeiro período de faculdade, mal saí das fraldas e vivo com meu curso uma relação ainda em lua de mel, me empolgando com qualquer nota boba que escrevo e indo toda serelepe cobrir a inauguração de um bloco novo na faculdade como quem vai com exclusividade escrever sobre o que tem acontecido na faixa de Gaza. Eu sei que qualquer um mais velho de guerra que eu rir-se-á dessa minha animação inocente quase patética, mas em minha defesa só tenho a dizer que só se é caloura do curso do coração uma vez na vida. 

Engraçado é que eu realmente sinto que esses primeiros passos tem me ensinado tanto que a cada coisa nova que preciso fazer me sinto a pessoa mais burra da face da terra, mas sempre que consigo aprender na marra e fazer direito, sinto como se estivesse ganhando uma experiência tão grande que chega a me por rugas nos olhos. 

Quando fui fazer minha primeira entrevista, uh-la-la, passei pela agradabilíssima experiência de quase acreditar que ia levar um soco na cara da minha fonte. Sim, ela foi grossa. Sim, ela acabou comigo. Sim, eu quis sair correndo da sala. Sim, por alguns minutos eu esqueci totalmente o que eu ia perguntar, perdi a pose e demorei até achar o tom novamente. E ela falou muito do que não deveria, soltou informações meio bombásticas que fez questão de frisar que não poderiam ser publicadas. Ok, né? 

A segunda foi com uma pessoa muito ocupada, numa semana que ela estaria extraordinariamente atolada de tarefas. Ou seja. Tentamos marcar uma entrevista presencial sem sucesso por incompatibilidade de horários. Vai por e-mail mesmo. A resposta veio na madrugada do dia do fechamento, e foi toda uma emoção especial ter o espaço de uma manhã pra redigir a primeira matéria da minha vida. A gente pensa que por escrever há quase cinco anos num blog, ao menos uma vez na semana, escrever uma notícia é fichinha. Até, claro, que você se vê diante de um documento em branco no Word, se lembrando de todas aquelas aulas, todos aqueles textos de orientação, todos aqueles critérios estudados, tudo que você precisa falar e todo o pouco espaço que tem disponível e a única reação possível é: bloqueio mental. Demorou a sair, pareceu mesmo um parto e quando vi o resultado, aquela matéria tão simples de primeiro período com limite de exíguos dois mil caracteres, nem eu acreditava na dificuldade que tinha sido escrevê-la. Pelo menos tirei um dez.

Ontem eu escapuli da aula pra ir cobrir a inauguração supracitada, e depois de todo um périplo para descobrir como chegar ao referido lugar - é claro que o release não contava com orientações geográficas precisas - percebi, depois de ouvir o reitor discursar por mais de 20 minutos, que meu gravador não estava ligado. Como é que a gente interrompe a solenidade e pede para vossa magnificência, o reitor, que volte atrás e repita o inspirado (só que não) discurso só pra eu conseguir colocar uma aspa na minha matéria? Vai de memória mesmo, ainda bem que eu estava prestando atenção. Aconteceu ontem também uma manifestação surpresa na faculdade, organizada pelo pessoal do Teatro, um sensacional cortejo simbólico da educação misturado com frevo. Um furo mágico que renderia uma matéria linda. Pena que a professora passou a pauta pra outras pessoas e tive que me contentar a ficar ali no meio, feliz pois, mesmo sem saber da bagunça, tinha ido pra aula toda de preto (o tênis roxo é um detalhe) e gravando todos os vídeos que conseguisse na esperança de fazer uma edição bacana para publicá-lo. Só que aí meu celular me deixou na mão e era mais de uma da manhã quando consegui finalmente passar as filmagens pro computador, só pra ser trollada hardcoremente por todos os programas de edição e concluir que nem faria sentido insistir, já que não conseguiria terminar aquilo à tempo de publicar no dia seguinte e depois disso viraria história. Ossos do ofício.


O negócio é que estou feliz. Feliz por estar feliz com tão pouco. E se as coisas piorarem ou se parar de ser legal, sempre existe a chance de gravar um vídeo sobre a vida de jornalete e e abraçar o sucesso.



14 comentários:

  1. Me vi em você quando escrevi minha primeira matéria e, ao sentar achando que seria fácil, fiquei horas na frente de uma página de word, contando caracteres, e terminei sem acreditar na dificuldade que tinha sido escrever aquilo! Tomara que sua lua de mel com o jornalismo nunca termine. Eu gosto dele, mas não sou apaixonada. Nem preciso te contar com o que a minha lua-de-mel parece ser infinita... <3

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  2. Ai que saudade de me sentir assim com o meu curso. Enquanto você comemora a época de caloura, eu lamento a minha atual condição de formada (porque em hipótese alguma, depois de quase 6 meses de formatura, me considero recém formada ¬¬).
    Essa sensação que tu descreveu é linda e deveria durar a vida inteira.

    Beijo!

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  3. me deparei com seu blog e achei o conteúdo super interessante. parabéns! voltarei aqui mais vezes.

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  4. Anna, sua vida de jornalete me fascina. Sobretudo porque já pensei em fazer esse curso, mas desisti porque não pretendo escrever por obrigação. Mas se você ama o que está fazendo, nada mais há para ser discutido. Está tudo certo.
    Um beijo grande, de coração.

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  5. Poxa, adorei o post!! Muito legal saber um pouco da sua rotina! Eu, como a Nina, também fico fascinado, porque já pensei em cursar jornalismo, mas eu desisti pois - ao contrário de você - eu não conseguiria sentir essa 'paixão' toda. E, se apesar de tamanhas intempéries, você não pensa no divórcio, é porque você é a pessoa certa e está no lugar certo!
    [Essa sensação que tu descreveu é linda e deveria durar a vida inteira.]²
    Beijo

    PS: Gostei da foto!

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  6. HAHAHA morri com a última frase!!!
    é tão bom ver alguem fazendo o que gosta!!!
    você vai se dar super bem na sua profissão!!

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  7. Referência a Cheias de Charme, aaaain!!! Ai, Annoca, só você <3 Tomara que você continue amando essa vida de jornalete. Tem dias em que eu vivo essa lua-de-mel toda e em outros, rola uma DR das brabas. Sabe que minha primeira matéria fluiu bem? Também, foi sobre a popularidade de Cazuza e Renato Russo mesmo anos após a morte dos dois, aí não tinha como deixar as palavras faltarem. E até hoje é uma das coisas que eu tenho mais orgulho de ter escrito. Florzinha, primeiro ano de caloura não é nada! Espere até virar estagiarete, hahaha! Aí você vai conhecer o sentido verdadeiro da palavra foca, hahaha!

    Beijo!

    P.S: Mentira que você tá lendo Anna Kariênina!? Morro de vontade de ler esse livro!

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  8. Anna tu é, de longe, uma das minhas blogueiras preferidas! Não tem como não amar sua eloquencia e escolha de palavras, não gosto de jornalismo e jamais me submeteria a quatro anos de puro desgaste, mas to feliz demais por ti e quero que tu continue amando tudo assim pra presentear os teus leitores com esses textos maravilhoso! Mesmo quando a coisa ficar feia e o tempo fechar, liberdade é fácil de achar, basta ser (:

    bjbj

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  9. Né? Eu fico satisfeitíssimo que pelo menos algumas pessoas (dá pra contar nos dedos de uma mão, eu sei) da nossa turma tem essa relação deliciosa com a vida de jornalete. Me deixa triste essa galera tão pra baixo com o curso, sendo que eu amo loucamente. Não entra na minha cabeça!

    Beijo do Dolfo

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  10. Só uma coisa: você me fez ter vontade de largar tudo e ir fazer jornalismo. Não. Na verdade eu tive vontade de largar tudo e ir escrever matérias.
    Beijo

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  11. Também estou tendo essas sensações de primeiro período, mas no meu caso no curso de Biblioteconomia. Errando, acertando e amando.
    Beijos

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  12. Também estou eufórica com a faculdade, apesar de ter me acalmado um pouco. Quanto a entrevista, eu também passei por uma e foi tão terrível como a sua ):

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  13. Conheço muitas pessoas que fazem jornalismo e todas elas sempre me passaram a impressão de que é uma bosta, até eu conhecer você. Sua empolgação parece com a da Rory Gilmore na quinta temporada, se você nunca assistiu à série, assista pelo menos a essa temporada, a relação dela para com o jornalismo é uma das coisas mais lindas de se ver! Ademais, achei que sua faculdade estava em greve, a minha está e só tenho duas matérias, o que é bem triste. O legal do jornalismo é que há como pôr em prática o estudado o que é bem complicado de fazer na minha área, mas é super interessante! Gostei bastante do texto e fiquei empolgada para mais parecidos com este! Ah e é claro que fazer uma matéria é mais difícil do que escrever no blog, aqui você não precisa seguir regra nenhuma, é só deixar o santo baixar e ir com tudo! So much easier hehe
    Abraços sua linda <3

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  14. Anna, fico feliz por ver que tem pessoas que amam e se empolgam assim com o curso. Estou no terceiro período de jornalismo e sou igualmente apaixonada, é o q eu sempre quis da vida. AMO seu blog e ainda te sigo no twitter haha beijos!

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