sexta-feira, 18 de maio de 2012

Power for the mimimi people

As universidades do país estão em rebuliço essa semana por conta da greve e a situação não está muito diferente na minha. A greve dos professores foi deflagrada na última quarta-feira e na quinta, em assembleia estudantil, os alunos declararam seu apoio à mesma. Eu não acredito na revolução, no mundo melhor, nem estou de braços dados com qualquer um que proponha uma hermenêutica da adesão, como adora dizer minha professora musa de Sociologia, mas não deixo de ser sensível a certas causas. Meu avô se aposentou na universidade como servidor, sou neta de duas professoras e minha mãe deu aula por uns tempos. Me lembro do George, de Grey's Anatomy, naquele episódio da greve das enfermeiras. I'm an union girl, fazer o quê?

No entanto, seria hipocrisia dizer que fico feliz com um estado de greve. Já prevejo minhas férias indo pro buraco, e graças a Deus que essa é minha maior preocupação. Não desconsidero quem está se roendo de ódio porque está no último ano da faculdade, com a corda no pescoço e louco pra sair dali, ou quem terá seus projetos experimentais extremamente prejudicados por conta dessas paralisações. São motivos relevantes. Outros, afora a causa de seus umbigos, também tem razões pertinentes para se posicionarem contra a greve. Não vim aqui hoje discutir o que é melhor, mais justo e eficiente.

Só me irrita um bocado ver uma quantidade enorme de pessoas que não participam de movimentação alguma vir reclamar sobre o que está sendo decidido. Como disse, tivemos uma assembleia na quinta-feira onde todos tiveram espaço para falar e propor o que bem entendessem. A maioria das pessoas era sim a favor da greve, mas se não havia um grupo contrário pronto para argumentar e fazer barulho e votar contra, não enxergo razão para a reclamação. Se uma ou duas pessoas não se sentiram à vontade para, literalmente, botar a boca no trombone e defender seu ponto de vista eu até entendo; eu, provavelmente, também não peitaria sozinha. Agora, por que eles não se articularam eu realmente não entendo. 

Hoje vejo a universidade como um microcosmo do país e do mundo. Sempre vai existir gente disposta a dar a cara a tapa, propor e fazer acontecer certas coisas. Ou ao menos tentar. E vai existir aquele grupo que é contra, quaisquer sejam os motivos, que não vai fazer nada além de reclamar depois. Essa crítica eu faço também a mim mesma, que muitas vezes me vi no lugar dos que nada fazem e ainda reclamam, mas sempre é hora de mudar um bocado. A minha descrença atrapalha um pouco, é verdade, mas em minha defesa só tenho a dizer que ao menos não fico causando confortavelmente sentada no sofá de casa. Acho que qualquer pessoa tem o direito de ser contra, de criticar, de ter posicionamentos diferentes. Conheço gente inteligente, com proposições justas e que caso falassem, se unissem com outros, conseguiriam criar um movimento bacana e gerar um debate interessante que poderia levar a uma proposta fantástica de ação, mas que nada fazem. E conheço também quem não está nem aí pra nada além de si, que não participa porque "tem mais o que fazer" e que no fim vai criticar as decisões....... causando no Facebook. Parabéns, campeões. Assim vamos longe.


Quarta-feira teremos uma outra assembleia para votar propostas e decidir o posicionamento dos estudantes. Já prevejo uma representatividade baixa, algumas coisas legais sendo colocadas e outras nem tanto, que continuarão ali porque ninguém vai se juntar pra ficar contra. O movimento será fragmentado e terá pouca força e ficará por isso mesmo. O grupos no Facebook, no entanto, tenho certeza que pegarão fogo. 

Senhor, dai-me paciência.



6 comentários:

  1. Na UFF a greve foi anunciada ontem. Eu acho que os professores e demais servidores devem sim investir na mobilização por seus direitos. Eu realmente não to ligando tanto para a possibilidade de ter que estudar naquilo que eu esperava chamar de férias, pois geralmente eu estudo mesmo, grande diferença vai fazer pra mim, então é isso-> HAHAHAHAHA A minha preocupação é somente a minha monografia e meus prazos. Mas de repente isso fica pequeno. Estou me formando justamente para ser professora e vou ser contra uma mobilização de professores?
    Agora, tem uma coisa me incomodando na minha universidade: a pressão sobre os que não querem aderir. Ok, sem mobilização nada pode ser feito, mas se tem gente com outras prioridades, fazer o que? Luta quem quer. Não to gostando da mobilização hostil que alguns alunos já estão organizando (nos ditos grupos de facebook, CLARO) contra os fura-greve (só dois dos meus professores falaram em aderir). Vamos ver no que vai dar aí na sua universidade e na minha.

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  2. Ai, Anna. Eu não faço movimento, nem pessoalmente, nem no facebook. Na verdade, às vezes me culpo por ser alienada por querer. Não me envolvo com essas coisas, nem fico descendo o pau e nem defendendo ninguém. Aqui no Paraná os professores das universidades PARTICULARES estavam ameaçando entrar em greve, e eu fiquei brava. Fiquei porque pago mais de 1000 reais por mês de faculdade. E assim como você, não estou nem um pouco afim de perder as minhas férias, porque a minha prima casa no ES, eu sou madrinha, comprei um vestido maravilhoso, e definitivamente não vou ficar em Curitiba. Tomara que tudo se resolva por aí..
    Beijo!

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  3. Anna, não tenho paciência para essas coisas, confesso. Claro, que greve na minha faculdade não tem porque né, é particular. Se tivesse seria ridículo. Mas assim, não tenho paciência pra nenhum tipo de greve. Amanhã vão fazer greve do metrô [!]. Tem noção de quantas pessoas vão ser prejudicadas por causa disso? Eu não, porque não pego metro, risos. To brincando. Mas eu sei que mesmo se pegasse eu não teria paciência para discutir, reclamar, etc. Sou acomodada. E sincera, pelo jeito. hahahaha
    Beijo!

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  4. Conheço bem esse tipo de mimimi, mas muita gente parece nao perceber tamanha mesquinharia nos seus atos :/

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  5. Não podia concordar mais com teu texto! Tá rolando A treta na minha turma porque tem dois professores dando aula e tem gente que acha que se a gente for estamos desconsiderando a causa da greve, enquanto gente, como eu, acha que se um professor tá dando aula temos que ir e ponto final. Sei que tá um bafafá TÃO grande que estou com medo das proporções que possam chegar e quero muito que a situação seja resolvida e que eu possa ter férias, nem que seja só em Dezembro.
    Só sei que nunca na vida eu tinha pensado que uma greve agregava tanta coisa.
    E de revolucionários de facebook o mundo já cansou.
    Abraços!

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  6. Anna, não quero tentar de convencer a favor da greve. Juro que se não tivesse lido teu post de hoje, 03.06, nem comentaria isso aqui. rs
    Mas olha, greve resolve sim. O problema é que dá trabalho e muita gente não quer esse esforço extra.
    As férias virão, o pior que pode acontecer é ser numa época em que o resto do mundo não está de férias (lado bom: não tem fila no cinema!).
    Estudei em colégio público e sai de lá pra faculdade pública tb. E se vale alguma coisa o relato de alguém que já está indo pra sua terceira greve, elas mudam muita coisa. Nem que seja pra diminuir essa sensação de descrença que a gente tem.
    Juntos nós podemos mudar alguma coisa. Mas sabe como é, cada um faz sua parte, cuida do seu pedacinho.
    Beijos

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