sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A minha é Corvinal - foi mal?

Eu cresci ouvindo que tinha que ser inteligente. Não era algo opressivo (nem sempre), mas estava ali. Meus pais me criaram pra ser inteligente. Não um gênio ou um prodígio, mas simplesmente boa naquilo que eu fizesse - fosse caligrafia, o A B C, tabela de multiplicação, história, português, vestibular e qualquer profissão que eu escolhesse. A escolha por uma faculdade de jornalismo não emocionou muito meus pais que sonhavam com uma médica ou uma diplomata, mas eles não deixaram de me apoiar por isso, só pediram que então eu fosse a melhor jornalista que eu pudesse ser.


No começo era fácil, e até a oitava série consegui tirar de letra isso de ser boa nas coisas. Como a Analu escreveu no blog dela esses dias, eu fui uma criança e tanto, e logo aprendi que "se eu tinha um charme nessa vida, era esse. Eu era inteligente. Eu conseguia fazer as coisas. Eu era aprovada em tudo o que eu me predispunha a fazer." Até que (sempre tem um até que) a coisa começou a desandar. Fui pra uma outra escola no ensino médio, uma escola grande, e lembro até hoje da primeira devolutiva das provas que fizemos. Não lembro detalhes, mas foi mais ou menos assim: se antes minha menor nota era 8, dessa vez a maior tinha sido um 7,5. Tirei o meu primeiro vermelho. Chorei de soluçar na frente de todo mundo e a professora parou a aula pra ir conversar comigo, porque humilhação pouca é bobagem. Eu tinha falhado. Como ia explicar aquilo pros meus pais?

À noite, meu pai me levou pra comer um sanduíche e conversar. Ele disse que aquilo não era o fim do mundo, mas não passou a mão na minha cabeça: disse que era normal estranhar no começo e que agora em diante eu tinha que me esforçar um pouco mais e logo pegaria o ritmo. O que eu senti foi como se o meu melhor, que antes tinha garantido que eu fosse, se não a primeira, pelo menos a segunda ou a terceira da turma, agora custava a me colocar na média. 


É verdade que eventualmente me acostumei ao ritmo da escola e minhas notas melhoraram bastante, mas nunca mais fui a melhor. Me garantia nas humanas, passava sempre raspando em física e matemática, estudava química e biologia feito uma maluca. Quando o boletim chegava no fim do bimestre, sempre acontecia um troço meio chato que era eu ter que explicar por que continuava tirando 6 em algumas matérias sendo que minha única obrigação na vida era estudar. Se era difícil pros meus pais entenderem que tinham coisas que a menininha inteligente deles não dava conta, que tinha um limite ali, se eles lutavam pra aceitar essa quebra de expectativa,  imagine como era pra mim. No começo eu sofria, chorava, adoecia, e ia atrás de plantões e professores particulares, mas depois aprendi a não ligar tanto assim. Fui criando uma rejeição a esse ideal de perfeição, ao estereótipo da garota inteligente melhor em tudo, coloquei a culpa no sistema - eu era realmente muito boa em culpar o sistema.

Escrevi um comentário num post da Sharon sobre cinema dizendo que eu adorava cinema e música quando era mais nova, e sonhava em ser crítica quando crescesse. Só que em determinado momento percebi que eu sabia demais e me divertia menos com as coisas, então comecei a investir meu tempo consumindo aquilo que me divertia e com o que eu me identificava. Não que eu não me divertisse com o cânone, muito menos que as coisas divertidas sejam ruins, mas cês entendem a diferença simbólica de Jurassic Park e um filme do Godard, né?

Era uma vida confortável essa de abraçar as imperfeições e a diversão depois de tantos anos me preocupando em ser e melhor em tudo - e depois sofrendo por nem sempre (quase nunca) chegar lá. Era um alívio. Eu estava muito feliz com essa identidade que construíra pra mim mesma, via isso como um ato de amor próprio e, ao mesmo tempo, rebeldia. De garota chata fã de Radiohead que passava dois dias chorando por conta de uma nota 5, eu agora lia livros adolescentes sem pedir desculpas, e dava risada das minhas notas ruins (gargalhei quando tirei meu primeiro zero? gargalhei) dançando Shakira. A vida era boa.

Até o dia que eu fiz o teste do chapéu seletor no Pottermore e descobri que era uma corvinal.


Querido leitor, se você não se importa com Harry Potter e acha isso demodê por favor dê meia volta e saia já daqui , fique sabendo que uma coisa importante sobre mim é o fato de que eu levo cultura pop a sério e acho que esse tipo de coisa diz muito sobre quem somos. Antes de fazer o teste, eu queria muito ser da Lufa-Lufa. Minha nova postura diante do mundo era totalmente lufana, eu queria fazer parte dessa galera gente boa, parceira, de coração bom e que mora perto da cozinha. 

Corvinais são famosos por sua inteligência, mas dizem as más línguas que são arrogantes. Eles querem ser os melhores em tudo e tiram seu valor disso, representando basicamente tudo que eu lutava com tanta força pra tirar de mim. Normalmente acontece o movimento contrário: as pessoas querem ser corvinais (ou grifinórios), se revoltam quando se descobrem lufanos, e depois abraçam a personalidade despretensiosa e gentil dos texugos. Tudo que eu queria era ser relax e gente fina, mas sou essa pessoa pilhada e megalomaníaca, que quer tudo certinho e pira num livrão. Eu não queria ser essa pessoa, me devolve minha sala comunal perto da cozinha porque tenho certeza que lá as pessoas estão ouvindo Taylor Swift fazendo uma ciranda e aqui nessa torre estão me obrigando a fazer um teste de aptidão, SOCORRO!!11 

Minha revolta durou o tempo necessário para ler a carta de boas vindas, porque de repente eu estava chorando e me sentindo muito abraçada (eu me importo com essas coisas mesmo, e você que é feio?). Com aquela mensagem, descobri que corvinais tem essa coisa de ser espertos, mas o mais importante é que eles são únicos e até meio excêntricos, e celebram a individualidade de forma criativa ou investindo em novas descobertas. Corvinal é a casa de pensar fora da caixa, inventar moda e questionar o status quo. De gente que às vezes pensa demais, mas que não tem nada de errado com isso. Ler aquela carta naquele dia me mostrou que aquilo que fazia com que eu me sentisse chata e diferente poderia, sim, ser o meu charme. 

spirit animal
A obrigação de ser infalível já me machucou muito, e a autocobrança é algo com que eu tenho que lutar todos os dias, o tempo inteiro. Preciso constantemente me lembrar de que tudo bem errar e não ser sempre a melhor. Preciso fazer força pra ser leve e correr atrás de uma folia na cozinha. Mas existe, e sempre existiu, muito de mim nessa personalidade cabeçuda. Se eu não tirasse uma realização muito genuína nos estudos, acho que as expectativas dos meus pais jamais teriam grudado com tanta força. Elas ficaram porque eram minhas também, desde sempre e eu tenho redescoberto elas agora que voltei a estudar.

Não que eu tivesse parado, mas só agora fazendo minha monografia que voltei a ter uma rotina pesada de estudos. Porque eu escolhi um tema tão difícil que nem eu sabia explicá-lo (sério, eu tive que pedir ajuda pra um professor explicar pra mim mesma o que eu queria com meu projeto) (eu ainda não sei explicar direito, por isso não vou fazer isso agora), e vou usar o método mais complexo por aí. Existiam mais o menos uns 6485 jeitos de fazer isso de forma mais fácil, só que eu escolhi a difícil. Não por ser difícil, mas porque senti aquela coceirinha de me desafiar a fazer algo grande, que me assustasse na mesma medida que me fascinasse. 

Li esses dias na newsletter da Isa Sinay (recomendo muito) um troço que me identifiquei muito profundamente: 

"Eu, embora ame muitas coisas na vida e não ame meu trabalho todos os dias, sou o tipo de pessoa que sim, se realiza no que faz profissionalmente. Mas mesmo assim foi algo muito libertador quando eu percebi que essa era eu, mas não todo mundo. Porque se realizar em algo é muito mais sobre se encontrar naquilo, sobre aquilo aplacar uma ambição e uma vontade em você. A minha vontade se satisfaz nas pessoas que eu ensino e na construção de raciocínios longos e complexos sobre coisas que a princípio não interessam a ninguém. Eu me sinto feliz nas horas infinitas que eu tenho passado lendo sobre um assunto tão pouco agradável quanto o Holocausto. Eu até quase me sinto feliz nas horas que tenho passado estudando sobre história do hebraico. No entanto, mesmo no tédio, mesmo no "mddc, não quero saber sobre mudanças sintáticas no período pós-exílio da Babilônia" eu estou satisfeita com as minhas escolhas, algo meu está em casa ali."

Não estou estudando nada tão complexo como o Holocausto, muito menos a história do hebraico, mas são coisas que me fazem vibrar por dentro, é uma felicidade quase idiota, porque ainda estou na fase de me ferrar muito e acho que vai ser assim até no final. Mas está ali, gritando pra mim. Tão alto que às vezes fico com medo de me transformar numa acadêmica delusional que define a si mesma e aos outros de acordo com o lattes ou o quanto essa pessoa sabe de Foucault. Já gastei muito caractere e saliva falando contra o modelo acadêmico das coisas, pregando que é muito mais ser divertido e produzir identificação do que ser formalmente bom. Odeio gente arrogante e pretensiosa, metida a inteligente, e odiaria me transformar em alguém assim, mas ao mesmo tempo tô aqui lendo Hegel e achando o máximo e orgulhosa por estar conseguindo produzir algum raciocínio em cima disso.

Tenho problemas?

Provavelmente esse textão não fez o menor sentido pra vocês, mas hoje li esse texto incrível na Pólen sobre aceitação lufana (quão ótimo é escrever para uma revista que trata com seriedade esse tipo de tema?) e ele me fez pensar sobre minha aceitação corvinal, e sobre como nas últimas semanas tenho feito as pazes com a Anna Vitória CDF que eu fui um dia - ou nunca deixei de ser, só estava ali batendo papo na cozinha com os elfos.

Foi essencial pra minha sanidade jogar pra cima a obrigação de ser boa em tudo, que fazia com que meu entusiasmo pelas coisas fosse oprimido por esse imperativo de ser perfeita. Igualmente necessário tem sido redescobrir aquela chama da empolgação, e escrevo isso hoje pra não me esquecer dela: não me importo se for a mais inteligente, tirar a nota mais alta ou fazer o melhor trabalho, contanto que ao final dele eu tenha feito o melhor no que seja melhor pra mim. 

16 comentários:

  1. Eu AINDA não fiz o meu teste no Pottermore, e confesso que tenho um pouco de medo. Eu sempre quis ter a coragem leonina da Grifinória, a impetuosidade. Uma Ana Rodarte Grifinória teria todas as tatuagens que eu sempre quis fazer, um corte de cabelo maneiríssimo, o guarda-roupa sensacional. Já teria criado um blog quando tinha 15 anos, mandado o curso técnico em Química se danar para se dedicar à Moda. Mas não. Eu sou a Ana Rodarte que voltava chorando para casa várias vezes por não gostar do que estudava, ainda não tive coragem para uma tatuagem e muito menos para fazer um curso de Moda, já que não sou uma menina com muitas posses. Eu ainda escuto as pessoas cochicharem, dizendo que sou uma menininha facilmente manipulável, e tenho de esbravejar para que as pessoas vejam que mulher forte eu sou, embora eu seja a moça que fica na janela a observar. E sabe, só recentemente é que encontrei forças para ser a Girlboss que sempre quis ser. Logo começarei minhas aulas de dança, e postei em meu blog um ensaio em que visto lingeries. Eu amo estudar, e acho que sempre me orgulhei de minha habilidade para pesquisar, embora tenha ficado um tanto desnorteada sobre minhas escolhas profissionais. Eu sou tão frequentemente vista como boba que sinceramente eu não sei se me considero tão inteligente quanto antes achava que era. Aprendi a notificar quando as pessoas mentem. Eu não sei a qual casa toda esta trajetória me levaria, e não sei se me orgulharia. Acho que sim. Eu sou uma "vaca poderosa", como diz a Sophia Amoruso, ahaha! Fiquei apaixonada por seu texto, Anna. Você é uma escritora incrível.

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  2. Eu tinha certeza que esse texto ia causar comoção geral haha. Mas eu tenho algo do tipo aí também. Lorena de oito anos já amava o Harry, mas se via na Hermione. Eu era aquela criança, como você bem descreveu aqui, que todos chamavam de inteligente. Tinha um certo orgulho disso, ainda que um pouco tímido. Sempre me identifiquei como Grifinória, mas com um certo receio, porque tenho muitos medos.

    Como a Marina, e talvez oposto de você, na fase adolescente eu tenho ido um pouco mais pro lado Hermione da vida. Sabe aquela teoria de que o Harry representa Grifinória/Sonserina, o Ron Grifinória/Lufa-Lufa e a Hermione Grifinória/Corvinal? Era bem por aí. Minhas cores nunca deixaram de ser vermelho e dourado, mas eu era proud nerd, um tanto arrogante e minha casa secundária continuava sendo a Corvinal.

    Acho que só fui perder o lado corvinal quando saí da escola e entrei na faculdade. De repente, não conseguia mais lidar com nada acadêmico, criei preguiça de discussões sérias e comecei a ser mais de boas. Não sei se foi o ambiente ou se foi crescer mesmo, mas acho que meu lado lufano ofuscou meu lado corvinal, que nem a Marina.

    Mas acho que tudo isso me fez dar conta de que não sou o Harry, nem o Ron nem a Hermione. Eu sou um Neville, aquela pessoa que vaicom os migos, mas geralmente não é a primeira a ter a ideia megalomaníaca. Um Lupin, que talvez seja o poço de consciência do rolê. Ou talvez até uma Ginny, por estar constantemente tentando me provar e provas que os haters estão errados.

    Assumir meu lado lufano foi uma certa libertação dos meus moldes adolescentes, mas foi isso que desencadeou a descoberta de que sou, mais do que tudo, vermelho e dourado. Ou, como tá lá da bio da Pólen, Grifinória com medo de altura. Porque né, na vida nada é tão certinho assim.

    P.S.: Rory é corvinal, então acho que a Lorelai é grifinória, o Logan é lufano e o Jess pode ser corvinal também. O Dean pode se afogar no lago que não to nem aí.

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  3. Ai Anna que lindo! Li há pouco tempo esse texto da pólen e me senti tão abraçada pela Marina, porque tudo que ela escreveu ali era eu. Sempre fui muito cdf, muito mesmo, igual a você. Chorei muito quando fiquei em recuperação em filosofia ou quando tirei minha nota mais baixa da vida, e nem era que meus pais me cobravam pra sempre tirar as melhores notas, mas é que eu achava inaceitável tirar uma nota baixa. Arrogante assim, gostava de estar muito mais do que acima da média e isso durou todo meu período escolar. Até que decidi fazer medicina e me deparei com um monte de gente igual ou melhor que eu e o baque foi grande, descobrir que eu não poderia ser a melhor em tudo e muito menos ser perfeita sempre me tirou do pedestal em que eu estava e que, por algum motivo louco, eu achava que era o que eu era: inteligente e ponto. E a gente nunca é só algo e só fui descobrir essas coisas mesmo um dia desses, quando decidi me livrar um pouco dessas amarras.
    Então, quando fui fazer o teste do pottermore (por já ter feito inúmeros outros pela internet cujo resultado sempre foi corvinal), eu tinha certeza que seria corvinal, mas a surpresa foi: eu era lufa-lufa. No começo não aceitei, porque "a casa excluída de Hogwarts??? ta de brincation comigo", mas depois descobri que eu era aquilo ali mesmo e tudo bem. E foi libertador descobrir esse meu lado mais leve, mais "preciso me divertir também" sem me levar sempre tão a sério e passei a amar e me identificar muito com minha casa lufana. Hoje em dia, digo que sou lufa-lufa, mas tenho o dedo mindinho na corvinal e amo isso.
    Amei o texto, Anna! É bom demais a gente se descobrir e se aceitar assim, né? E Harry Potter sempre nos ajudando <3
    Beijoss

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  4. Pois saiba que você é muito bem vinda na nossa cozinha e até na nossa sala comunal, ta? Porque eu sei que você é Corvinal da cabeça aos pés, mas tem uma pontinha que é toda Lufana. <3
    Não interessa qual seja tua casa (mas deus me livre ser Grifinória hehe brinks), importa é se aceitar como é e abraçar essa casa. Faz nada de sentido para os outros, mas faz todo o sentido para nós.
    Eu sou Lufana do começo ao fim e me aceitei desde o primeiro instante, mas amo todos de todas as casas. <3
    E amo você!

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    1. Percebe que me apropriei da cozinha, mas moramos tão perto que podemos dizer ser nossa.

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  5. O texto fez muito sentido sim e adorei, porque você mostra algumas partes de si que eu não necessariamente conhecia apesar de te ler há alguns anos. E queria registrar que NÃO LEMBRO o resultado da minha casa no pottermore, o que vai contra todos meus anos de fangirl e o fato de ter nascido no mesmo dia que o Harry. Mas isso tb significa que estou livre para fazer o teste de novo pois nunca é tarde para conhecer e decorar minha casa?????

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  6. também me cobro demais.. e nunca tive problemas em ser meio nerd. Até porque só sou nerd quanto tô curtindo a coisa, então tirava nota baixa em física e a vida seguia numa boa.
    Acho que tudo bem ser uma coisa e também ser outra. Você pode sim ler sobre Hegel e depois ir escutar Taylor Swift cazamiga e falar umas bobagens. Essa é a graça, podemos ser qualquer coisa que nos faça bem :)
    Só a título de curiosidade, fiz o teste e sou Grifinória. Odiei. Eu tinha certeza que rolaria corvinal ou sonserina. Não sei como vou lidar com essa decepção u_U

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  7. Anna, me abraça aqui rapidinho, porque eu sou corvinal também e: "Tudo que eu queria era ser relax e gente fina, mas sou essa pessoa pilhada e megalomaníaca, que quer tudo certinho e pira num livrão." SIM

    Eu era (sou? não sei) muito parecida contigo durante a infância, e só entrei nessa fase de rir e não pirar quando está tudo dando errado recentemente. A verdade mesmo é que, por mais que eu consiga não entrar em depressão profunda quando falho, parece que alguma coisinha dentro de mim fica apertada e só desaperta quando eu recupero a merda que fiz. E mesmo que, como você, eu odeie toda essa pompa e ache que é melhor fazer as pessoas se relacionarem com o texto do que usar palavras bonitas e citar autores difíceis, eu também fico orgulhosa de mim quando consigo ler alguém ~importante~ e tirar alguma coisa dali.

    Uma coisa que eu percebo muito em você, Anna, é essa mistura dos dois lados que, sinceramente, eu acho muito legal. Você é, ao mesmo tempo, toda cult e inteligente, mas você pode conversar sobre as casas de Harry Potter e os namorados da Taylor. Se isso não é maravilhoso, eu não sei o que é. :)

    Beijo (e boa sorte com a monografia)!

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  8. Eu queria poder imprimir esse texto e transformar em uma pessoa pra poder ficar abraçando o dia tooodo
    Me identifiquei horrores com cada palavrinha que você colocou nele, até a oitava serie do fundamental eu era o exemplo da sala, a que os professores diziam que tinha futuro - completamente errados, porque toda pessoa tem um futuro, né? - e quando entrei no ensino médio senti uma dificuldade enorme e nunca mais consegui dominar exatas. No inicio é tão ruim, né? Parece que a gente se torna incapaz de algo tão simples como piscar, mas af tão bom não ser mais a cult sofredora de bulliyng (não que não entender exatas seja bom, motivo de orgulho, mas ai você me entendeu né? Espero que sim hahaha)

    Novembro Inconstante

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  9. Que texto lindo, amiga! Desde que vi o título dele ontem que eu já sabia que ia me emocionar lendo (e agora tô menos empolgada pra escrever o meu porque não vai chegar nem aos pés disso, rs), mas sigo boladona que COMASSIM somos de casas diferentes de Hogwarts? Comassim a gente não divide dormitório? Aqui na lufa-lufa a gente tá fazendo ciranda de Taytay COM OS ELFOS, mas aposto que aí tá incrível também. E a gente se encontra todo dia pra fofocar e comer pelos jardins, então tá tudo bem.

    Te amo! <3

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  10. Mais um texto maravilhoso da Anna Vitória! Eu me identifiquei muito, muito, muito! Depois de anos dessa coisa de "ser inteligente", eu vi que eu não sou inteligente. E falo isso pra qualquer um que quiser ouvir. Eu sou organizada, perfeccionista, esforçada, cabeça dura e muito mais - e é isso que justifica minhas notas e meus elogios até hoje. Infelizmente, me cobro demais e entro na piração de decepcionar à mim mesma, aos professores, à minha mãe e até meus colegas de grupo de trabalho. E isso é um saco. Ufa. Desabafei. Agora prometo que vou comentar os posts! Acompanhei o beda todo e só comentei agora. Shame on me now (sim, veio de trouble da taylor swift).

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  11. Demorei muito pra ler esse texto porque sabia que ia ser incrível e não queria fazer as coisas de qualquer jeito, não queria ler de qualquer jeito, sabe? Ainda bem que não fiz isso. Amiga, eu me identifiquei tanto tanto! Não necessariamente com o lance das notas, porque ali pela 7ª série eu já estava acostumada a passar sempre na média em matemática. Eu era o tipo que fazia graça com baixa e depois corria atrás porque de verdade, nunca achei que aquilo me fizesse melhor ou pior do que ninguém. Eu me desesperava pela minha mãe um pouco, porque era ela que pagava todo mês uma mensalidade caríssima e no fundo era como se eu estivesse jogando tudo isso fora, mas ao mesmo tempo não conseguia entender que era a minha nota em matemática que ia dizer: olha aqui como cê é foda. Não era. Eu tirava nota boa nas coisas que eu era boa (biologia, inglês e redação), tirava notas boas mas nem tanto em outras coisas (português, artes e química) e era uma negação em outras também (física, química e matemática), mas tudo bem, sabe? Meu mundo não ia acabar por isso. Ainda bem que cê abraçou a mesma vibe depois. Mas daí que a Corvinal, sendo a casa dos ~inteligentes~, nunca seria a minha, certo? Errado, né. Sei lá? Choro sempre que me imagino tendo que desvendar um enigma toda vez que tiver que voltar pra sala comunal, tenho certeza que ficaria presa sempre do lado de fora, olha minha cara de quem desvenda alguma coisa etc. Fiquei meio assim quando fiz o teste e descobri, mas aí foi só ler a carta que eu tive certeza que tudo bem, eu era mesmo da Corvinal e isso era incrível demais. Seu texto fez total sentido pra mim, ainda que a gente seja diferente nisso ou naquilo (dã) e acho que, pra terminar, só posso pedir procê me abraçar. Vem cá <3

    te amoooo <3

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  12. Olá! Que texto maravilhoso! Eu sei exatamente como você se sente.

    Eu passei pelas mesmas coisas: pressão dos pais, notas baixas no ensino médio... E quando eu entrei na faculdade então? Era engraçado meus colegas achando um absurdo que eu tirava 7, 6 nas provas, todo mundo acreditava que eu só tirava 10, sempre.

    Mas ao contrário de você, sempre aceitei a Corvinal como minha casa, e ficava meio chateada quando dava Grifinória...

    Estamos juntas nessa de fazer força para ser leve. É difícil, é, mas a gente consegue, ou sei lá, façamos um clubinho e sejamos felizes, cabeças dura mesmo! :P

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  13. Amiga, também sou corvinal, também sempre sofri com essa imposição de ser perfeita e também descobri meu amor pela nossa casa quando li a carta do pottermore. Amei o texto de verdade, em um nível que não consigo nem fazer nada que não seja esse comentários completamente idiota. Mas será que você pode fingir que compreendeu? Obrigada.

    Te amo.

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  14. Gabriela Manfredini4 de setembro de 2015 10:57

    Me identifiquei do começo ao fim (menos na parte do Harry Potter, pq nao entendendo nada)
    Agora espera aí que vou imprimir partes importantes do texto e colar na minha agenda e ler todos os dias! hahaha

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  15. Eu nem se quer li Harry Potter (!!!!11), mas me atrevo a comentar que sofri desse problema: quando e eu saí do ensino fundamental pro médio além de eu ir pra uma escola maior eu fui pra um instituto federal que eu sabia me cobraria muito mais, mas ver que havia pessoas que continuavam tirando notas excepcionais me colocava - e ainda me coloca - numa crise de culpa, e talvez eu seja um pouco mas procrastinadora hoje, mas eu descobri que há coisas em que não sou tão boa e que não sou muito especial nem nada disso só por ter sido a melhor da turma por alguns anos (confesso que de vez em sempre me bate uma bad com medo de haver a possibilidade de eu não ser muito boa em nada, mas uma superação de cada vez né).
    Bjss

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